Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



António Araújo – Um português em Arguim (Parte II)

por Raúl Braga Pires, em 13.08.13

Na viagem que efectuamos até ao Parque Nacional do Banco d’Arguim, foi detectada uma pequena embarcação, a qual efectuava a sua actividade piscatória fora da lei. O crime, o facto de pescarem com rede em monofilamento, o que significa que é composta exclusivamente de nylon, logo material não degradável, uma das principais fontes de poluição neste Parque Nacional, o qual se quer naturalmente o mais protegido possível destes e doutros materiais agressivos. Foi aliás notório encontrar um tipo de “pufes” disformes e esverdeados ao longo da praia, “espécie poliamida” infelizmente não rara por estas bandas.

 

No entanto, espante-se uma vez mais o pacato cidadão português, as redes em monofilamento são permitidas em Portugal!

 

 

 

O registo da acção dos prevaricadores, é naturalmente essencial para a identificação da embarcação e respectivo proprietário, o que aliás aconteceu no dia seguinte, já que as novas tecnologias permitem um fácil e rápido circular da informação. Monofilamento apreendido, respectiva multa aplicada e a vida continua, que por estas bandas o almoço não fica garantido de véspera!

 

 

A “cebola” do António parece marcar 16.43h, hora do crime!

 

 

 

A minha grande surpresa, foi quando percebi que era possível sacar estas imagens ao posicionar o telemóvel no ângulo correcto!

 

 

É perceptivel nesta imagem o “pufe” de nylon da rede em monofilamento, na proa da embarcação.

 

Na continuação da viagem, o António demonstra que um 4X4 também sabe andar sob carris! Fazer uma vez mais atenção ao sábio relato sobre a natureza e as comunidades locais, que vai sendo feito ao longo da viagem.

 

 

A Continuar...

 

Raúl M. Braga Pires, em Rabat.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:14


António Araújo – Um português em Arguim (Parte I)

por Raúl Braga Pires, em 27.06.13

Quando cheguei a Nouakchott, a 1ª surpresa foi a notícia, logo à chegada, em cridem.org (o melhor site informativo da Mauritânia), dum português convertido ao Islão e residente na capital mauritana há já alguns anos, que não assumia uma criança como sua filha, nem o casamento contraido com a mãe desta. O caso meteu a polícia, como é óbvio e a detenção do nosso patrício por algumas horas e em calções!

A 2ª surpresa, sendo que esta foi muito positiva e muito mais a meu gosto, foi ter conhecido o António Araújo, o “Feitor-Mor” do Parque Nacional do Banco d’Arguim, entre Nouadhibou a norte e Nouakchott a sul, classificado como Património Mundial pela UNESCO, graças à importância do local para a invernada de aves aquáticas. Ah, esqueci-me de referir, o António é ornitólogo.

A Arguim que está a pensar é essa mesma, cujo Golfo começa a ser cobiçado/explorado/navegado pelos portugueses a partir de 1440 por Nuno Tristão, Dinis Dias e por Gonçalo de Sintra, que deverá ter descoberto a Ilha de Arguim em 1445, altura pela qual também é aí estabelecida uma Feitoria, destinada a adquirir escravos, ouro e goma-arábica (uma resina natural). O pagamento era feito com tecidos e trigo.

A importância estratégica do local, para à época aí centralizar o comércio português com África (de Arguim rapidamente se chegava a Tombuktu), fez com que o Infante D. Henrique tenha mandado de imediato aí edificar um castelo, o qual fica completamente operacional em 1461, já no reinado de D. Afonso V.

Para melhor conhecerem o António Araújo, vejam o “Perdidos & Achados” da SIC, que há 16 anos o encontrou na Guiné-Bissau e mais recentemente na Mauritânia.

Veja agora os videos que efectuamos na viagem até ao Parque Natural, numa missão muito especial, a qual perceberão no 3º capítulo desta aventura que agora começa a ser reportada. Importante escutar com atenção o sempre interessante e informado relato do António Araújo, ao longo deste percurso onde o Sahara encontra o Atlântico.


Para melhor se perceber a duna intransponivel com maré alta, mencionada no 1º video, opto por colocar aqui um video já do regresso, onde é bem perceptivel a importância da mesma, bem como a esperança inquebrável de 2 benfiquistas em vésperas de grandes provas!

 

 

A Continuar...

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:31


Há a Mona Lisa e há a Mona Prince

por Raúl Braga Pires, em 14.06.13

Foi há precisamente 1 ano que conheci a Mona Prince, em Lisboa, no âmbito da agenda de actividades intitulada “Próximo Futuro”, da Fundação Calouste Gulbenkian.

A Mona, é egípcia e Professora Associada de Literatura Inglesa na Universidade do Canal do Suez, em Ismailia, no Egipto, escritora de ficção, tradutora, poetisa e activista. Esteve presente no acampamento de Tahrir, no Cairo e também tentou uma candidatura presidencial, mas não conseguiu o número de assinaturas necessário para tal. Entretanto, há uns meses atrás, pelo meio de uma das muitas polémicas em que o Presidente Morsi se viu envolvido, escreveu no mural do seu Facebook, que se candidataria de novo, nas próximas presidenciais, por longínquas que estas ainda se encontrem.

Foi precisamente durante o domingo em que Mohamed Morsi foi anunciado como novo Presidente do Egipto, que nos conhecemos melhor. Comemos uma sardinhada e depois fomos dar uns mergulhos até ao Meco, na companhia dos tunisinos Yassine Ayari (Blogger/Activista) e Ons Habib (Fotógrafa), também convidados da Gulbenkian e que participaram nas actividades do “Próximo Futuro”.

Eles queriam ir à praia e eu perguntei-lhes se queriam ir a uma qualquer, ou conhecer a minha. Tudo fez sentido naquele domingo e a liberdade do branco espumoso que bebemos e despimos na areia, parecia adivinhar as vistas curtas que os islamistas iriam em breve impôr no Egipto e na Tunísia.

No início de Abril, durante uma aula/debate sobre sectarismo religioso, conduzida pela Profª Mona Prince, a mesma mostrou a imagem duma faixa colocada pelos estudantes salafistas da faculdade, no campus universitário e que dizia “Os xíitas são o inimigo”, como exemplo do que é esse mesmo sectarismo nihilista e eucalíptico, que seca e destroi tudo à volta.

Como resposta, viu alguns dos seus alunos, muito provavelmente autores do cartaz, apresentarem uma queixa junto do Reitor, acusando-a de “insultar a religião, em específico o Islão, insultar o chefe do seu departamento, insultar a Universidade, não observar os seus deveres de docente com sinceridade, não seguir o programa do curso, não observar os valores e as tradições da sociedade, não ter modos próprios e (não poderia faltar) falar sobre sexo”!

“O Islão é um assunto sério, mas os seus advogados são mediocres”, Sheikh Muhammad Al-Ghazali dix it e já o Séc. XX ia a mais de meio!

Em consequência, Mona Prince foi suspensa e aguarda a decisão de um Conselho de Punição, que tanto a poderá repreender por escrito, como a poderá despedir.

O assunto tem sido recorrente nesta vaga reformista/nihilista, a qual pretende impôr uma arte limpa, um humor castrado e um discurso islamicamente correcto. Antes de Mona, fora o humorista Bassem Youssef, que apresenta um programa ao jeito do Daily Show de Jon Stewart e, antes deste, o próprio Sheikh Mazhar Shahin, o qual conduzia as orações na Praça Tahrir durante os protestos, acusado de criticar o Governo da Irmandade Morsi pela monopolização das instituições do Estado.

O grande desafio actual do Islão é uma mera questão de calendário. De forma simples e prática, terão que se decidir se optam pelo ano, a mentalidade e o absoluto de 1434, ou pelo ano 2013. Caso escolham o Séc. XXI, significa que assumem o paradigma da relativização e que se dispõem a debater as exegeses do Corão e a escolher uma, o que também implica a definição duma linha hierárquica clara, a qual até poderá ser oficiosa, para assim não ir contra a doutrina e a tradição e não ser encarada como Bida’a, Inovação. Ora já se está a perceber extensivamente qual é o problema e porque é que a discussão dos dogmas nunca será plenamente feita, pelo menos durante os próximos 100 anos!

No entanto, vitimas deste terrorismo intelectual, como a Mona, o Bassem e o Sheikh Shahin, são inevitáveis e fazem parte do processo de depuração que as sociedades islâmicas terão obrigatóriamente que passar. O momento actual, também deverá ser considerado como altamente pedagógico, já que certamente criará anti-corpos, fundamental para que sejam os próprios nacionais a rejeitarem o que os seus compatriotas islamistas propõem, acrescentando também que as coisas não estão a correr nada bem para quem está no Poder actualmente no Egipto e na Tunísia, por exemplo, onde tem sido patente a falta de experiência governativa, muita teoria e pouca prática, sobretudo fruto da falta de quadros.

Eles estão lá, mas estavam habituados apenas a contestar e a gerir pequenas mercearias, quando de momento têm em mãos a trela dum mutante que ainda não sabe no que se vai/quer transformar! Um regresso/posicionamento dos partidos islamistas do lado da oposição, certamente que deverá acontecer em breve e de forma democrática, o que representará também um regresso ao seu ambiente próprio e natural, o da contestação.

 

Video/Entrevista da Mona Prince ao Sociedade das Nações, da SIC Notícias:

 

Entrevista de Mona Prince a um quotidiano português, aquando da sua passagem por Lisboa, há um ano:

http://p3.publico.pt/node/1121

 

 

Raúl M. Braga Pires, em Rabat

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:00


Video/Scoop dos Rebeldes pacíficos

por Raúl Braga Pires, em 29.05.13

Os Rebeldes Pacíficos “infiltraram” a Assembleia Nacional Francesa, Palácio Bourbon em Paris e filmaram sem autorização, parte das intervenções no Forum “Que nova Governança para o Mali?”, que decorreu nos dias 16 e 17 de Maio, à porta fechada.

 

Uma vez mais, ficamos com a sensação de quem está a espreitar p’lo buraco da fechadura.

 

 

A 18 de Maio, Masin Ferkal entrevista Abdullahi Ag Mohamed el Maouloud Ansari, um dos líderes da Tribo Kel Ansar, de Tombuktu, o qual em 22 minutos descreve o essencial dos debates no Palácio Bourbon, bem como faz um ponto da situação no norte do Mali, dos refugiados e sobretudo sobre o futuro, o qual propõe Federal, dadas as diferenças entre todas as regiões do país.

 

“Entre dois males, escolhemos o menor”, é este o mote sábio e prático, deixado por este líder tribal, refugiado no campo de M’berra, na Mauritânia, o qual tive recentemente o prazer de conhecer e entrevistar pessoalmente.

 

Raúl M. Braga Pires, em Nouakchott

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:39


Que nova Governança para o Mali?

por Raúl Braga Pires, em 16.05.13

Decorre hoje, quinta-feira 16 de Maio, uma conferência no Palais Bourbon, Assembleia Nacional Francesa, em Paris, sob o tema Quelle Nouvelle Gouvernance pour le Mali?


Entre muito outros dignitários malianos, do norte e do sul, tuaregues, mouros e demais etnias, está presente Abdullahi Ag Mohamed el Maouloud, um dos líderes da Tribo Kel Ansar de tumbuktu, exilado na Mauritânia, com mais cerca de 100 mil dos seus e com quem tenho privado ultimamente, em longas entrevistas sobre a História do Mali, bem como a dos tuaregues.

 

 

 Há uma ideia generalizada de que o sul do Mali é completamente diferente do norte, o que corresponde à verdade, mas este dado a preto e branco, também nos dá uma ideia d’homogeneidade entre todas as regiões do sul entre si e todas as tribos tuaregues a norte. Nada de mais errado.

(Sobre este tema, consultar o último texto publicado no Blogue Maghreb/Machrek

http://expresso.sapo.pt/o-futuro-do-mali-em-debate-na-assembleia-nacional-francesa=f807116 )

 

É nesse sentido que o Chefe Abdullahi, Professor de formação, antigo deputado, administrador territorial e actualmente membro do Conselho Económico e Social do Mali,  o que lhe tem permitido conhecer o país por inteiro e in loco, apresentará a proposta dum futuro federal para o Mali.

 

O sufrágio será directo na eleição das Comunas, das Assembleias de Círculo e nas Assembleias Regionais. Serão as Assembleias de Círculo a elegerem e a nomearem os respectivos Prefeitos, as Assembleias Regionais a elegerem e nomearem o Governador de cada Região e o respectivo Comissário de Polícia.

 

No acto d’eleição das Assembleias Regionais, para além destas, também serão eleitos Grandes Eleitores em cada uma das regiões, os quais posteriormente irão eleger o Senado Nacional.

 

Sufrágio directo para a eleição da Assembleia Nacional.

 

Tudo isto, obedecendo a um esquema de quotas proporcionais e combinadas entre o peso demográfico de cada étnia ao sul e de cada tribo ao norte e a extensão territorial por estes ocupada.

 

Independentemente do partido/coligação politíco/a a ganhar as eleições legislativas, a composição dos futuros governos, também deverá obedecer a uma preocupação por equilibrios étnicos/regionais, p’lo que para facilitar esta tarefa, talvez seja sábio estabelecer neste capítulo uma regra não escrita, um compromisso de cavalheiros, o qual permita a procura da equidade sem um sentimento d’obrigatoriedade.

 

A eleição presidencial seria a única a relizar-se sem qualquer preocupação de quotas e/ou equilibrios, projectando no indivíduo um sentimento da pertença a uma causa una, a um Estado, que está para lá da sua nacionalidade, da sua região, da sua étnia, da sua tribo e lhe permita dizer e sentir “Eu sou Maliano”.

Complicado? Certamente. Caro? Sem dúvida, mas muito mais económico e viável que a habitual guerra sazonal!

 

 

Baptismo de Leite de Camelo. Também muito chá se foi bebendo ao longa das entrevistas que se prolongaram por tardes e noites adentro. A conversa foi sempre muito agradável e as histórias, muitas delas contadas na 1ª pessoa.

 

 

Para um maior e melhor desenvolvimento de toda esta temática, marque já na agenda o dia 20 de Junho, já que farei no Palácio da Independência, ao Rossio, Lisboa, a partir das 18h, conferência sob o tema

 

"Por um Mali Federal: Dinâmicas touregues e enquadramento regional".

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:17


Isabel Fiadeiro – Uma portuguesa em Nouakchott

por Raúl Braga Pires, em 08.05.13

Isabel Fiadeiro, artista plástica portuguesa a viver há 10 anos em Nouakchott, capital da Mauritânia, Directora/Proprietária da Galeria Zeinart, apresentou um dos seus muitos protégés locais, desta feita Haidara Hussein, na sua primeira apresentação pública a solo, no Instituto Francês de Nouakchott.

 

Para melhor conhecerem a Isabel e o seu trabalho, aceder a:

http://www.zeinart.com/ e a http://mauritania-isabel.blogspot.com/

 

 

Haidara Hussein, trata-se dum mouro local, vencedor do Salão Mauritaniano das Artes Plásticas de 2012, que apresenta neste trabalho uma “Reflexão Animista” sobre as origens do Universo, cujo material utilizado é exclusivamente casca e fibra de palmeira. Bestas tridimensionais que nos transportam d’imediato para a ideia do Mal, numa República Islâmica que tem a Charia como base do seu ordenamento jurídico! É preciso ter coragem, sendo que o discurso d’Haidara se pautou p’la questão da liberdade de criação, a qual não deve ter limites, nem constrangimentos impostos por terceiros. É desta forma que se atiram pedras ao charco, sendo que o Artista também deu provas duma tenacidade d’Homem do Deserto ao conceber todas as peças expostas em apenas 3 meses. Parece que tinha preparado algo ainda mais brutal para apresentar, mas que o início da guerra no Mali desaconselhou fortemente, o que o obrigou a repensar tudo de novo. Constrangimentos!

 

Haidara Hussein, Isabel Fiadeiro e Malouma Mint Meidah, a “Amália” mauritaniana.

Para melhor a conhecerem aceder a:

https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=qF9jTLucOvI

http://www.youtube.com/watch?v=gq9NWtuXFpE

 

Fotos da Exposição

 

Raúl M. Braga Pires, em Nouakchott

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:12


Semana do Cinema Português em Rabat, 2ª Edição

por Raúl Braga Pires, em 18.04.13

Decorre esta semana, de 14 a 19 d’Abril, a Semana do Cinema Português em Rabat, organizado p’lo Camões Portugal (ex-Instítuto Camões), o qual decorre no Cinema 7ème Art, bem no centro da cidade.

 

Aceder ao programa em http://ambportugalrabat.org/docs/Programme_Cinema_2013.pdf

 

Ontem, 2ª-feira, vi “A Republica di Mininus”, do bissau-guineense Flora Gomes, filmado no Maputo, o que, por defeito profissional, me transporta d’imediato para a actual realidade destes 2 países lusófonos.

 

Na República da Guiné-Bissau (RGB), como certamente saberão, o Contra-Almirante Bubo Na Tchuto foi detido p’la norte-americana DEA, acusado de tráfico de droga. Negociava 4 toneladas de cocaína, com agentes dessa polícia que se faziam passar por membros das colombianas FARC, sendo o pagamento efectuado com armamento legitimamente comprado p’lo Estado guineense, o que incluia misseis terra-ar, por exemplo. Esta detenção e os detalhes que publicamente se vão sabendo, está certamente a provocar um terramoto político e militar na RGB, já que começa a envolver os nomes das principais figuras do Estado.

 

Há também rumores de que uma força militar americana estará pronta a entrar na RGB por terra, mar e ar, sobretudo a partir da Guiné-Conakry, com o intuito de deter todos os envolvidos nestes negócios, independentemente da sua posição social, ou posto militar, os quais levaram a RGB a ser classificada como um narco-Estado p’las Nações Unidas.

 

Informação adicional e que deve ser levada em conta neste pacote regional, única forma d’entender o fenómeno, é o facto de Karim Wade, o filho do ex-Presidente do Senegal Abdoulaye Wade, ter sido detido ontem, 2ª-feira, dia 15, em Dakar. Ministro d’Estado para a Cooperação Internacional, para o Desenvolvimento Regional, dos Transportes Aéreos e Infraestruturas entre Maio de 2009 e Abril de 2012, tornou-se no senegalês mais rico de todos, com uma fortuna avaliada em mil milhões d’€uros! “África, Mãe-África”, já dizia o Carlos “Filinto Botelho”!

 

Quanto a Moçambique, tem havido uma crescente tensão na região do Muxungue, uns 100 Km a sudoeste da cidade da Beira, Sofala. De forma telegráfica, há cerca de duas semanas, após a polícia ter detido alguns membros da RENAMO, esta procede a um ataque à esquadra da polícia para libertar os seus camaradas, do qual resultaram 4 polícias mortos e vários feridos. Passou depois a haver ataques sistemáticos nas estadas da região, por parte d’indivíduos envergando uniformes da RENAMO, segundo testemunhas locais, com roubos e mais mortos à mistura.

Afonso Dhlakama, o eterno líder da RENAMO, assume que o ataque à esquadra de polícia aconteceu sob suas ordens, mas demarca-se dos posteriores acontecimentos violentos na estrada. Também disse que não quer voltar à guerra, mas que não tolerará ataques aos seus homens, bem como ameaçou não permitir a realização d’eleições autárquicas em Novembro.

 

 

Devo dizer que a cada ano eleitoral no Moçambique, este tipo d’atitude e de discurso por parte de Dhlakama é habitual, sendo que se trata dum dramatizar para consumo interno do partido e conseguir assim manter-se na liderança deste. Isso foi bem patente quando a partir de 2005 o vox populi foi no sentido dum Daviz Simango herdeiro de Dhlakama à frente dos destinos do Partido, fruto do excelente trabalho que o primeiro estava a desempenhar como Edil da cidade da Beira, ganhando inclusivamente em 2006 o prémio do Melhor Presidente de Município Moçambicano, p’la revista sul-africana Professional Management Review-Africa.


Desiludido com as cascas de banana que Dhlakama lhe foi colocando p’lo caminho, aproveita uma vaga de fundo que começa a existir no seio duma RENAMO que não vê futuro com o ainda Presidente do Partido, concorre como independente nas Autárquicas de Novembro de 2008 e reganha a Beira “sózinho”, com 61,6% dos votos. Em Março de 2009, apresenta o seu novo Partido, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM).

 

Precisamente no decorrer desta situação de há duas semanas no Muxungue, sedes da RENAMO e do MDM têm sido atacadas e destruidas, nesta localidade e em Gondola, supostamente por militantes da FRELIMO, pelo que o ambiente é de tensão e desconfiança.

Saudades do Moçambique e da Guiné-Bissau, onde as coisas acontecem!

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:56

Pelos dias 21, 22 e 23 de Janeiro último, em Nhoma, no Sector de Nhacra, não muito longe de Bissau, mais de 20 Tabancas Balantas converteram-se ao Islão, no que resultou numa conversão em massa de cerca de 5.000 guineenses.
As imagens, gentilmente cedidas pelo Sheikh Infali Coté, falam por si, qual buraco de fechadura que nos permite espreitar acontecimento desta dimensão.

Ambiente geral
Conversão (Shahada, ou Profissão de Fé) conduzida pelo Sheikh Aliu Bodjan, da Madrassa ATADAMO, no Bairro d’Ajuda, em Bissau
Conversão conduzida pelo Sheikh Infali Coté, da Associação Juvenil para a Reinserção Social (AJURES), em Bissau
Conversão, Chamamento (Adhan) para a 1ª Oração dos recém-convertidos e Oração (Salat). Foi impossivel identificar os protagonistas
Raúl M. Braga Pires

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:48

Este conjunto de videos foi filmado no Bairro Militar, o maior e mais populoso da cidade de Bissau. Trata-se da Madrassa Safinatu Al Hidaya, dirigida pelo Sheikh Abdul Indjai.

 

As imagens transmitem exactamente aquilo que sempre vi no Islão Africano. Cor e inocência. A determinada altura, durante a oração, é perceptivel perceber 2 tempos distintos. O daqueles que param para adorar a Deus e a vida que decorre à volta, no seu ritmo normal, sem fascismos religiosos a obrigar ninguém a fazer nada. O livre arbitrio como ele só pode ser. Livre.

 

Peço desculpa pelas tremuras, pela contra-luz e pelo movimento quase constante, na procura do melhor enquadramento, da melhor luminosidade.

 


A algazarra normal da saída das aulas



Ablução e preparação para a oração



Ablução e preparação para a oração 

 
 

Recitação do Corão e preparação para a oração 



Oração conduzida pelo jovem Malik Indjai. 2 Tempos, 2 Mundos



 
Prece final  

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:06

O fenómeno da excisão (corte parcial ou total do clitóris) é uma prática tradicional em certas comunidades d’África, muitas vezes confundida como sendo uma exigência/obrigatoriedade islâmica.

 

Na Guiné-Bissau, existem várias associações que combatem esta prática, sendo uma delas o Comité Nacional para o Abandono das Práticas Tradicionais Nefastas à Saúde da Mulher e da Crianca.

 

Fatumata Baldé é a sua Presidente e dá-nos conta dos progressos nos últimos tempos, no combate a esta prática tradicional, a qual não poderemos deixar de qualificar como verdadeiramente nefasta, mutiladora e humilhante para a Mulher enquanto individuo e para todos nós, enquanto Seres Humanos.

 

A registar, a promulgação da Lei 14/2011 na Guiné-Bissau, a qual previne, criminaliza e pune a prática da excisão, bem como a adopção duma Fatwa (Édito Religioso), por parte da comunidade islâmica bissau-guineense, a qual condena esta prática, reiterando também que não se trata duma qualquer recomendação islâmica.

 

Adama Djalo, a minha Camera Woman. E que Mulher! Grato minha irmã, impossivel fazer tudo isto sem a tua ajuda.

 

 

 

 

Raul M. Braga Pires, em Bissau

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:39




Últ. comentários

  • silva

    A TRÍADE SALOIA Casino Estoril Sol IIINo caso da ...

  • silva

    A TRÍADE SALOIA Casino Estoril Sol IIINo caso da ...

  • silva

    A TRÍADE SALOIA Casino Estoril Sol IIINo caso da ...

  • silva

    A TRÍADE SALOIA Casino Estoril Sol IIINo caso da ...

  • silva

    A TRÍADE SALOIA Casino Estoril Sol IIINo caso da ...