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Jovens génios

por Pedro Boucherie Mendes, em 13.03.13

No Expresso deste sábado, um jovem génio português que venceu o prémio da Sociedade Portuguesa de Filosofia, diz que “acha uma loucura pessoas talentosas ficarem em Portugal”. O jovem, de 19 anos, está no segundo ano da universidade e quando acabar o curso, quer zarpar para os Estados Unidos ou Inglaterra. E o jornalista pergunta, e voltar? E o jovem diz, talvez sim, talvez não, depende como está o país nesse futuro. Sendo a lógica um ramo em que a Filosofia gosta de ir, o jovem filósofo está a admitir um postulado falso como podendo ser verdadeiro. Se ele está convicto que Portugal não vale a pena para os talentosos, então porque coloca sequer a hipótese de voltar?  Ou então eu é que é que percebi mal a filosofia dele. 

Esta soberbazinha dos nossos jovens génios em querem pirar-se daqui para fora começa a irritar-me. Não que não o devam fazer. Se querem, vão, que não há nada mais importante que a liberdade. Mas vão em silêncio. Porque estes geniosos emigrantes não se coíbem de deixar sempre a sua sentençazinha que basicamente constata que eles, os génios, são melhores que a nação. Ou seja, Portugal não está à altura deles. Provavelmente não estará à altura de quem tem em si todos os sonhos do mundo (como diria um português), mas, como estes jovens vão constatar inevitavelmente, nenhum país está. Porque isto de ser jovem tem os seus problemas. 

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publicado às 18:06


De médico e de louco

por Pedro Boucherie Mendes, em 18.02.13

Querem saber o que é Portugal e porque isto teima em não se endireitar? É ler a magnífica entrevista ao médico dos nossos presidentes, na Revista do Expresso deste sábado. Não exatamente por causa dos episódios com os presidentes, mas pelo que diz sobre os outros. Por exemplo, o médico Daniel de Matos é o primeiro a admitir que passou de Sampaio para Cavaco, porque havia o risco de muita gente ficar sem médico. Cito: “Com vinte anos de clínica na presidência, acompanhava mais de quatro centenas de pessoas, incluindo figuras com poder e influência. “De repente, toda aquela gente ficou com receio de ficar sem médico, o que gerou uma espécie de vaga de fundo para que eu continuasse”. Desculpe? Quase no final da entrevista, a obviedade que nos define tão bem como individualistas ou no máximo tribais, incapazes de respeitar qualquer tipo de contrato social decente. Diz o médico: “A verdade é que beneficio de um poder especial, a que chamo o ‘poder do telefone’. Portugal funciona muito através da ‘palavrinha’. Isso é muito patente na saúde. Toda esta gente [staff de Belém] passou a ter um médico que lhes facilita os contactos junto dos serviços hospitalares”. Se bem perceberam, é bom que haja um médico na Presidência porque isso dá um jeitaço a quem por lá anda, para passar à frente dos pobres nas listas de espera, consultas e exames que sejam necessários. O próprio médico acha isso normalíssimo. Uma vergonha, paga pelos nossos impostos. Só mais uma.

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publicado às 15:04


Empregar bem o tempo

por Pedro Boucherie Mendes, em 15.02.13

O desemprego oficial não para de aumentar. Ainda que a economia paralela possa estar a amparar algumas destas pessoas, nenhum país decente aguenta este nível de desemprego. Também porque o desemprego é muito mais que não ter um rendimento fixo previsível. O desemprego é degredo interior, isolamento, depressão, exclusão e incapacidade de se poder cumprir com as mais básicas, elementares e merecidas aspirações, como oferecer um presente a um filho. Tão grave como o presente é o futuro, porque, como o Governo sabe, e como a Oposição também sabe, o desemprego veio para ficar porque resulta da falência do paradigma baseado no consumo interno. As pessoas estão desempregadas, porque as outras pessoas (digamos assim) não têm dinheiro para ir às lojas, restaurantes, hotéis, clínicas de emagrecimento ou para pagar festas de aniversário para os seus filhos com guloseimas, bolos e palhaços. Isso era bom e acabou e acabou igualmente com imensos empregos. A conclusão não é nenhuma a não ser a constatação óbvia e evidente que qualquer problema está mais capaz de ser resolvido se partimos de uma base verdadeira. Todos, ou seja quem tem emprego e quem não tem, precisa de se habituar a viver em verdade e com a verdade. Temos de nos deixar de viver em ambiente de reunião de condomínio. Como esta questão das faturas que tanto anima tanta gente e que não é para ser levada a sério. Mas da mesma forma que o imbecil que se lembrou de policiar quem pede fatura deve voltar para a sua carteira e pensar no que fez, também quem aproveita para se indignar por tudo e por nada deve fazer a mesma coisa. Porque se a medida está errada, o princípio está certo. Temos mesmo de ter um estado que funcione e consiga cobrar impostos, para que cobre menos impostos individualmente, para que sobre mais dinheiro a cada um e a cada empresa, para que cada um e cada empresa consiga estar e procurar uma sociedade mais justa e portanto onde mais pessoas têm emprego e podem dar o seu tempo por mais bem empregue. 

 

Pedro Boucherie Mendes

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publicado às 10:32


A demissão da oposição

por Pedro Boucherie Mendes, em 06.02.13

É difícil, bem difícil, ter respeito pelo Parlamento. E quando a imprensa de uma forma geral é mansa e inclinada, pior ainda. Não sei se repararam, mas não há comissão parlamentar para discutir a reforma do estado porque os partidos da oposição se recusaram sequer a fazer parte da comissão. Donde, digo eu, se baldaram às suas responsabilidades. Ninguém pareceu notar muito essa manobra do mais puro calculismo eleitoral, a começar pelos jornalistas, mais preocupados com a expressividade de Fernando Ulrich, com o cv de um novo secretário de Estado ou as eleições no Sporting. Pessoalmente não faço ideia do que se iria discutir, nem dos méritos das propostas, mas sei que é no Parlamento que estas coisas devem ser discutidas.
Mas a grande novidade da semana é a fraca adesão nas empresas privadas aos duodécimos. Ou seja, a maioria das pessoas (com emprego) conseguiu acomodar um corte líquido de quase dez por cento no seu rendimento mensal. Pode então dizer-se que as pessoas têm a vida menos difícil do que comummente (isto é, os jornalistas e aqueles que os jornalistas ouvem) julgavam. Como os jornalistas não estavam bem à espera, e portanto não tinham preconceitos suficientes para reagir, deixaram o assunto morrer, até porque há coisas mais folclóricas com que se preocuparem. O que demonstra que Ulrich tem toda a razão, diga-se de passagem, quando afirma que as pessoas aguentam mais e mais, embora a questão não seja essa. O que se trata é de saber se as pessoas merecem. Merecem? Merecem que o seu rendimento líquido seja sucessivamente cortado por mais aumento de impostos? Claro que não merecem. Evidente que não merecem, mas alguém tem de pagar o estado social que os partidos da oposição se recusam sequer a discutir, quanto mais a refundar. Felizmente para os seus amigos jornalistas, parece que mantém a disponibilidade total para prestar declarações sobre os assuntos do costume, dizendo as coisas do costume, porque Portugal só é verdadeiramente calmo e manso quando o pensamento único domina o debate público.

P.S. Bem esteve o socialista Vieira da Silva, que parece que se preocupa com coisas além do combate Seguro/Costa e afirma, e bem, que o PS deveria ter participado na comissão para a reforma do Estado. 

 

Pedro Boucherie Mendes

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publicado às 15:44


Manias modernas

por Pedro Boucherie Mendes, em 22.01.13

Continua a escapar-me a predileção que os nossos políticos têm pelo Facebook. Sejam frases mais ou menos crípticas, sejam anúncios mais ou menos solenes, sejam pedidos de desculpa ou votos de bom natal, temos tido de tudo.

 

Nestes dias até houve alguém que quis meter outrem no seu lugar e escreveu na sua página qualquer coisa que teve de desmentir horas depois. O interessante é que antigamente nenhum de nós tinha tempo fosse para o que fosse.

 

Muita coisa atrasava ou não era feita porque nos faltava o tempo. E não havia Facebook.

 

Agora há Facebook, parece que também nasceu um novo tempo, porque toda a gente parece tê-lo para andar por lá. E quem anda por lá, sabe que é um sítio essencialmente ligeiro, efémero e excitado. Precisamente o que a política não deve ser. 

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publicado às 12:59


Pedro Boucherie Mendes

por Pedro Boucherie Mendes, em 09.01.13

Pedro Boucherie Mendes reside em Oeiras e é diretor dos canais temáticos da SIC. A esta função, acresce o cargo de diretor do canal de cabo SIC Radical.

 

Licenciado em Comunicação Social, tem uma pós-graduação em Ciência Política.

 

Do seu percurso, constam participações no semário Independente, revista Maxmen e a fundação da revista FHM.

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publicado às 20:44




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  • silva

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