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Dizem que sou de esquerda

por Helena Freitas, em 22.01.14

 

Dizem que sou de esquerda quando me insurjo contra a estratégia de empobrecimento do meu país, quando me revolto com a iniquidade das medidas económicas do governo, quando contesto a venda das empresas públicas, quando me amotino com o desinvestimento no ensino público ou com a destruição do sistema nacional de saúde. Dizem-me que sou de esquerda quando contesto este rumo para o meu país, e acompanham este meu “rótulo” de um diploma de responsabilidade, por inerência, porque sendo de esquerda sou responsável pelo caminho e pelas opções que nos conduziram à perda de soberania. Crêem que assim me deixam rendida à ausência de alternativa.

 

Dizem que sou de esquerda quando não tolero a discriminação de qualquer tipo, quando sou a favor da igualdade de direitos entre homens e mulheres, quando contesto a desigualdade crescente entre ricos e pobres, quando desejo que o presente e o futuro do meu país seja construído na igualdade de oportunidades para todos. Quando me dizem hoje que sou de esquerda, já pouco importa a ideologia. Hoje somos de esquerda quando exigimos um Estado que se deixe orientar pelo valor da dignidade humana. 

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publicado às 18:28


Portugal está primeiro!

por Helena Freitas, em 07.10.13

Em 2011, todas as forças políticas e todos os interesses instalados à volta do regime clamavam a urgência de um resgate a Portugal. O primeiro objectivo era demitir José Sócrates, um primeiro-ministro consumido pela cegueira de sua própria conduta. A pressão era tal e a informação de tal forma manipulada, que se tornava impossível fazer passar qualquer outra mensagem: haveria de prevalecer a necessidade de demitir José Sócrates, numa operação impulsionada por um presidente obcecado pela vingança. Então como agora, pouco importa a humilhação do país.

 

Fica hoje claro que José Sócrates tentou convencer Merkel a aceitar uma forma de ajuda diferente da Grécia e da Irlanda, mas nunca saberemos se tal teria sido realmente possível. Talvez. O chumbo do PEC ditou a chegada da Troika e com ela a rendição do país ao comando externo.

 

O PSD de Passos Coelho queria eleições o mais depressa possível, e Cavaco Silva não desperdiçaria a oportunidade de se vingar de Sócrates. O PSD acabaria por ganhar as eleições, apresentando ao eleitorado um conjunto de propostas que se vieram a revelar enganosas. Mais grave do que isso: havia agenda de poder, mas não havia preparação política.

 

Aqui chegados, alguns sectores anunciam timidamente um segundo resgate para Portugal. Espero e desejo que tal não aconteça! É possível que Portugal venha a precisar de algum tipo de apoio em 2014, e há mecanismos europeus que estão previstos e que serão seguramente accionados. Mas preocupante é a tentação de usar esse “segundo resgate” novamente como arma de arremesso político. Passos Coelho e o PSD, afinal, teriam direito ao mesmo fel que utilizaram em 2011 para precipitar eleições, mas Portugal ficaria sempre a perder. Cabe agora ao PS fazer a diferença porque Portugal está primeiro!  

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publicado às 13:01


Hoje Cavaco Silva falará ao país

por Helena Freitas, em 10.07.13

Hoje Cavaco Silva falará ao país. Um discurso dispensável para apoiar uma decisão conhecida; uma declaração que confirmará um governo que é resultado de uma declaração irrevogável de um Ministro de Estado. Um governo que é afinal também dispensável, como atestam bem os tranquilos dias que vimos tendo sem governantes, e a própria atitude das instituições europeias, que já assumem um governo “que ainda não é”. É o “tanto faz” dos nossos dias.  Na azáfama noticiada da última semana, até se esqueceram da bolsa, dos juros da dívida (só contou as 24 horas necessárias ao arrependimento de Paulo Portas), de Vítor Gaspar e dos demais ministros de um governo falhado.  

 

Os próximos dias serão novamente de agitação, mas desta vez de exultação a um governo velho que se finge novo. Vão “vender-nos” generosamente os perfis dos novos ministros, fazendo esquecer rapidamente os velhos. E nó seguiremos atentamente o folhetim, que tal como qualquer outra novela, dissimula amores e intrigas.

 

Por mais algum tempo....o tempo necessário para que o PSD perceba o “sarilho” em que se meteu, entregando o comando da frágil embarcação a um timoneiro que só veleja nos ventos da traição. 

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publicado às 16:04


Nelson Mandela: um herói do mundo livre

por Helena Freitas, em 26.06.13

Nelson Mandela está hospitalizado e mantém um estado de saúde muito crítico. O primeiro Presidente negro da África do Sul tem 94 anos, e a sua saúde acusa agora os efeitos de um longo e sofrido cativeiro na prisão de Robben Island.

 

As notícias que vão sendo públicas, mostram bem a crescente angústia dos sul-africanos, e anunciam o fim próximo deste homem extraordinário e singular, a quem carinhosa e respeitosamente chamam de Madiba. Mas não é apenas a África do Sul que sente o desaparecimento de Nelson Mandela. Com a partida deste homem que se tornou uma referência incontornável do mundo livre, um herói da luta contra o apartheid e prémio Nobel da Paz, deixa-nos um ser humano que tocou o coração de todos pela defesa intransigente dos valores humanos mais nobres, que ele tão bem soube expressar em momentos críticos da história do seu país e do mundo.

 

As memórias que guardo das suas intervenções públicas quando presidia aos destinos da África do Sul, levam-me a prestar-lhe hoje uma homenagem simples mas sentida; o tributo de uma cidadã oriunda de um país que tem fortes laços com a sua África.

 

Não é possível deixar de evocar aquele momento em que ele espreitou finalmente o caminho de uma liberdade conseguida depois de um penoso cativeiro. Quando se poderia antecipar alguma (justa) revolta e indignação em relação àqueles que lhe roubaram anos de vida, Nelson Mandela exprime a plenitude de uma sabedoria ao alcance de muito poucos, declarando o seu desejo de perdoar o passado e unir o povo sul-africano. A tranquilidade do seu carácter, a afabilidade genuína das suas palavras, revelam um homem de coração grande e de inteligência superior.

 

Impossível omitir a genialidade do seu acto (que viria mesmo a ser argumento para um conhecido filme), quando vestiu a camisola da equipa sul-africana de rugby - desporto que até então simbolizava neste país o apartheid - e decidiu assistir a uma final do campeonato do mundo da modalidade, compreendendo que este gesto simbólico poderia acrescentar força à sua capacidade para unir o povo sul-africano. É esta a maior virtude de Madiba, e que estará presente e bem viva nos novos tempos: o seu gesto de amor perdurará e continuará certamente a unir a África do Sul.

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publicado às 17:08


Uma lamentável sequência de equívocos

por Helena Freitas, em 20.05.13

Primeiro foi a vinda da Troika e a assinatura do memorando. A ameaça da bancarrota obrigava Portugal a pedir ajuda internacional, e a submeter o país às orientações da Troika. A culpa era do Sócrates e doe seu governo despesista. Afinal, diz-nos agora um dirigente do CDS que não foi bem assim; foi a maioria que nos governa actualmente que forçou a vinda da Troika. Nem Ângela Merkel queria que tivesse sido esta a opção.

 

Depois, era preciso demonstrar que Portugal não era a Grécia, e convencer os mercados que os portugueses estavam dispostos a tudo para expiar as culpas de uma década de gula e desperdício. Era preciso agradar à Alemanha e o governo português queria ser bom aluno. Estava mesmo disposto a impor mais austeridade do que o que estava previsto no memorando. Afinal, tudo não passou de mais um equívoco. O caderno de encargos era afinal um artigo científico cheio de erros, casualmente identificados por um estudante de doutoramento.

 

Agora, é a própria Alemanha que acusa a Comissão Europeia de inabilidade política na gestão da crise europeia, uma forma suave de a acusar de incompetência. A Alemanha reclama assim a sua inocência. Afinal, também não foi culpa da Alemanha nem do seu ministro das finanças.

 

Entretanto, em Portugal, na coligação que nos governa os equívocos multiplicam-se. Afinal não é uma coligação, e parece que nunca o foi. Um lamentável equívoco, que apenas persiste porque esse é o desejo de mais um equívoco: o Presidente da República. 

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publicado às 11:05


A verdade é outra!

por Helena Freitas, em 03.05.13

Este governo não acerta uma, mas a oposição política e mediática é branda e a população tem medo. Vamos por isso continuar a suportar o  intocável perfil técnico de um primeiro-ministro disfarçado de ministro das finanças a governar Portugal, com o beneplácito de um Presidente da República que se revela cada vez mais dispensável.

 

E lá vem mais um documento estratégico para o orçamento, mais uma vez sancionando a destruição dos direitos sociais, como se estivesse aqui a culpa da situação do país, e como se fossem estes a comprometer o nosso futuro colectivo. A verdade é que ninguém tem coragem de mexer no que é verdadeiramente penoso, porque a rede de interesses é medonha.

 

Mas a verdade que reclamamos é outra! Acabe-se com o financiamento aos interesses desse bando de abutres que medrou à custa do Estado. Precisamos de um outro Estado; um Estado que nunca tivemos, orientado para o interesse dos cidadãos e da nação portuguesa.

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publicado às 10:14


Não devemos ter medo!

por Helena Freitas, em 08.04.13

Passos e Gaspar vão relatar-nos hoje mais um episódio da sua estratégia do medo. Um clamoroso embuste que assusta os portugueses, vergando-os à medida da chantagem que pretendem impor. Insuportável. Desde logo por esta razão, nunca poderão ser os protagonistas da mudança.

 

A situação de Portugal hoje é a que de poderia esperar face à trajectória escolhida, e às condicionantes do euro e da evolução da própria Europa. Fizeram tudo para esconder estas condicionantes porque – por razões políticas e nunca pelo interesse do país - o bode expiatório tinha que ser “o outro”. Mas o mais lamentável, é que vão continuar a preferir mentir aos portugueses, desta vez com um novo bode expiatório: o Tribunal Constitucional. É o relato que se aguarda para hoje.

 

Eu não sou economista, mas também não preciso de ser – nem o mais simples dos portugueses - para uma análise do problema e dos números. Dito de forma simples, o estado português tem uma “factura” de 8 mil milhões de euros anual que não consegue pagar com o “rendimento anual” que reúne. Na sequência da decisão do TC, passará agora a ter um pouco mais de mil milhões. Esta “factura” corresponde aos juros – e apenas aos juros! – de uma dívida pública que continua a crescer. E que continuará a crescer, porque vamos pedindo mais dinheiro para pagar... juros! Dívida e juros que se vão acumulando e que obrigam a uma decisão que não se compadece de mais politiquice.

 

O interesse nacional não pode passar hoje por mais resgates, mais dívida, e mais juros! O interesse nacional passa hoje pelo perdão parcial da dívida, tal como fez a Grécia no passado e com total legitimidade! Este perdão é um perdão legitimado por uma dívida – essa sim – em grande parte, ilícita! Faça-se uma auditoria à dívida pública e veja-se quantos juros não estamos a pagar indevidamente à banca.

 

Mas não devemos ter medo. Não estamos sozinhos. São muitos os países do mundo que nas últimas décadas têm sofrido igual pressão dos mercados, e que viveram processos bem mais dramáticos. E sobreviveram! Melhor: viram as suas economias desabrochar quando dispensaram “os abutres”. Lamentável no caso português (ou grego, ou irlandês...) é que acreditámos na construção da Europa como projecto solidário e fraterno, e percebemos hoje que não é assim. Estamos por nossa conta; entregues a nós próprios.

 

Mas também por isso, não podemos aceitar a lógica falsa e humilhante do bom aluno, enquanto, agonizantes, nos carregam mais ainda um fardo insustentável.    

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publicado às 11:08


O jovem líder da Coreia do Norte

por Helena Freitas, em 08.04.13

O mundo foi sempre assim, dominado por jogos de poder. Mas o peso da história não nos impede de acreditar que, algum dia, o conhecimento pode inspirar mudanças mais rápidas e profundas. O caso da Coreia do Norte revela-nos bem  a fragilidade dos princípios e a facilidade com que se põe em causa a paz.

 

O jovem líder coreano afirma a sua virilidade através da força das suas mensagens de guerra, fazendo lembrar as crianças que se agarram às consolas, disputando intensos jogos de estratégia militar. Um jovem líder que no auge da sua embriaguez popular, afronta o país mais poderoso do mundo, colocando-se em pé de igualdade, apoiando-se num discurso que só vende internamente, mas que nos revela a instabilidade do nosso mundo e denuncia as verdadeiras regras do jogo político e geoestratégico.

 

Um líder que é afinal um puto igual aos outros, mas que lidera um país manipulável pela esmagadora pobreza de um povo adormecido.  

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publicado às 11:07


A irrelevância de um governante

por Helena Freitas, em 28.03.13

Numa altura em que Portugal devia estar bem mais adiantado no processo de planeamento e estratégia de investimento dos próximos fundos comunitários, sai o secretário de estado responsável pela sua gestão, para se candidatar a uma câmara municipal. Decisão legítima, naturalmente. Mas é mais uma demonstração da atitude que prevalece na decisão política em Portugal. Apetece dizer que talvez seja porque os governantes são as peças menos importantes em todo o esquema montado para encaminhar criteriosamente o investimento, colocando-o à mercê dos nomes que já estão escolhidos. Talvez seja essa irrelevância que liberta tão facilmente o governante do seu cargo, e que o faz partir com desejo de disputar um combate mais adequado à sua dimensão, aquela em que o poder parece ser de novo seu.

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publicado às 10:38


Este memorando não interessa a Portugal!

por Helena Freitas, em 26.03.13

 

 

Parece-me que é altura de denunciar o memorando e declarar a nossa indisponibilidade para cumprir uma agenda ideológica que está a destruir o país e os portugueses. A renegociação é inadiável. Os objectivos de destruição e hegemonia germânica estão hoje à vista de todos, e esta Europa não interessa a Portugal. A situação do Chipre é bem elucidativa da podridão de valores e princípios que hoje alimentam a Europa. Para resolver o problema de uma pequena república insular do Mediterrâneo, com uma dimensão económica semelhante à cidade alemã de Bremen (!!!), a solução encontrada não é questionar ou retirar o dinheiro aos especuladores financeiros que se aproveitaram da lógica estabelecida, mesmo que com consentimento tácito dos cipriotas;  a solução é retirar dinheiro aos que o guardaram no banco, destruindo o que pode restar da confiança entre os cidadãos e as instituições europeias!

 

É preciso que o governo português tenha coragem para por fim a esta injusta flagelação de Portugal. A não ser assim, espero que ainda sobrem instituições capazes de determinar um outro caminho.

 

PS: As declarações da Troika e dos seu dirigente máximo são inaceitáveis! Impressionados com os valores do desemprego? Mas eles são observadores ou co-responsáveis?

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publicado às 17:09




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