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A noite do pai

por Duarte Victor, em 19.03.14

Não conseguia dormir.

 

A história que lhe contei não pesou nas pestanas. Veio o Pluto e o seu amigo Pateta e nada. Seria trabalho para o Homem-Aranha? Ficou ainda mais desperto.

 

-Vamos ver quem sonha primeiro? Dá-me a tua mão.

 

 Fechámos os olhos. Adormeceu em poucos minutos com um sorriso.

 

 Desde então gosta de entrar nos sonhos de mão dada, sempre em primeiro lugar.

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publicado às 12:50


A duxmania

por Duarte Victor, em 10.02.14

A folha em branco é um laboratório de palavras onde se torna difícil encontrar as que melhor definem a “duxmania” que nos afasta dos valores que pensávamos conquistados.

 

 Não, não me refiro às praxes mas ao país e ao mundo.

 

O que se passou no Meco foi um acidente trágico para os jovens e as suas famílias, mas o que está subjacente a esta realidade tem laivos ideológicos que se instalam e se agigantam como uma catástrofe para a humanidade. A humilhação e a obediência cega é apanágio das ditaduras que fragilizam  a dignidade e o respeito por qualquer ser humano.

 

Não existem princípios nem valores  para a ganância de poder e a desmesurada vontade do lucro e do benefício do interesse privado.

Os extremismos de regimes ditatoriais nas sociedades modernas  desvalorizaram a educação e o acesso ao conhecimento com o propósito de manter ignorante e indefeso o cidadão comum.

 

Hoje a coberto das dificuldades económicas, os cortes e os desinvestimentos arbitrários em setores cruciais na construção de um país mais culto e tecnologicamente mais evoluído, abrem novas possibilidades a despotismos  tão gratos a oligarquias sedentas de poder.

 

Não são as praxes que me preocupam mas a ideologia que, por vezes, se esconde por de trás  de uma pretensa iniciação para a vida e que afinal não é mais do que uma formatação para a obediência e a escravatura.

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publicado às 11:40


Como se não houvesse amanhã

por Duarte Victor, em 21.10.13

Não nos entendemos. O país definha e o governo insiste na estratégia da pobreza. Continua a subsidiar as PPP`s que irão dobrar os encargos líquidos em 2014 e a aumentar as despesas com o aparelho de estado. Reduz nos salários e pensões que já são dos mais baixos da Europa. Só a dívida aumenta e bate recordes no pódio europeu do miserabilismo e da ganância cega.
 

Se o plano orçamental para 2014 falhar, o que nos resta? Mais uma vez a Constituição em causa e o Tribunal Constitucional como entrave de medidas orçamentais irrevogáveis e de salvação nacional. Vivemos sob a ameaça de hecatombe económica se um chumbo do Constitucional obrigar Portugal a novo resgate. A pressão da Comissão Europeia e da coligação governamental, não respeita valores e princípios democráticos nem a soberania nacional.
 

Empurram-nos para a vertigem desenfreada da austeridade como se não houvesse amanhã.
 

O orçamento para 2014 deixa-nos reféns entre impostos e cortes, sem estratégia económica, sem programas de reformas nem justiça social. A redução de rendimentos na função pública e pensionistas que o aumento dos impostos não conseguiu evitar, o desinvestimento na saúde, na educação e na cultura, são apenas a ponta de um grande iceberg desta barbárie económica e social.
 

A lógica do economicismo instalou um regime regressivo e predatório que não é compatível com o inexorável comprometimento das conquistas democráticas.
 

Se continuarmos a hipotecar o presente, estaremos irremediavelmente perdidos a caminho da insolvência do futuro. Tempos de irracionalidade, estes que vivemos.

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publicado às 16:18


Nada é impossível de mudar

por Duarte Victor, em 27.09.13

Vale a pena votar. Votar é tomar uma decisão pelo futuro. O apelo à participação e ao envolvimento de todos nas eleições é fundamental para o reforço da democracia, da soberania e da identidade nacional.

Travar a abstenção deve ser o maior combate de partidos, de grupos de cidadãos, de instituições, de personalidades com responsabilidades políticas e sociais, de todos nós. Votar é não só eleger candidatos a presidentes ou deputados, mas também dar um claro sinal e uma expressão marcada de opinião sobre as políticas locais, nacionais e comunitárias. Devemos encarar cada oportunidade de voto não apenas como um direito, mas um dever, uma responsabilidade cívica.

O sentimento de distância em relação ao estado e à coisa pública, a desconfiança do funcionamento das instituições e a não identificação partidária que caracterizam o abstencionista, leva-o a acreditar que a sua participação não conta. Ao abdicar da esperança, beneficia o oportunismo e a incompetência. Fica em risco a democracia.

Promover a inclusão social e participação das populações na política e cidadania, através de melhores mecanismos de esclarecimento eleitoral e uma pedagogia alargada ao desenho da cidadania nacional e comunitária, são fundamentais neste combate.

 (…)não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural, nada deve parecer impossível de mudar. Bertolt Brecht

Votar é dar um novo rumo às nossas vidas em consciência e liberdade. Nada é impossível de mudar.

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publicado às 19:20


Rentrée

por Duarte Victor, em 09.09.13

Em setembro voltamos à vida. Uma espécie de regresso ao que deixámos para trás com uma dissimulada esperança de que tudo esteja melhor. Tudo permanece como deixámos. Adiada sempre, quase sempre, o que exige de nós coragem e determinação. A mudança.

 

Os bolbos são constituídos por folhas escamiformes, em camadas. Assim vivemos nós, fazemos parte do mesmo bolbo mas separados por camadas.

 

Lisboa a respirar calor mas ali, mesmo no seu coração, tudo à volta é verde e refrescante. Espaço de elite, exclusivo para amantes de atividades higiénicas e biorritmos equilibrados. Mens sana in corpore  sano. A vida tonificada.

 

Na esplanada um casal chique, classe média alta, que o tempo tem conservado e protegido das intempéries e vicissitudes da vida. Vivem numa permanente primavera, acima das preocupações mundanas incendiadas por pirómanos mesquinhos e vingativos que odeiam ricos e se consomem na politiquice. Luísa, cujas feições faz lembrar as da rainha Nefertiti e o seu marido Jorge, sempre de sorriso colado no canto direito da boca.

 

70 gramas de carne?... Francamente! Chega a empregada com um pequeno naco de bovino grelhado, algumas batatas fritas e salada. Vai beber alguma coisa Sra. Dona Luísa? Não respondeu.

 

Jorge sentou-se à sua frente depois de uma pequena caminhada na passadeira rolante e umas pedaladas na bicicleta de ginásio enquanto descansava o olhar no canal National Geografic.  

 

Prescrição do nutricionista, 70 gramas de carne! Você não acha que isto é uma brincadeira de mau gosto? Francamente! Jorge manteve o sorriso colado no canto direito da boca. Sabe, no outro dia quando contava uma história e você interrompeu-me para falar com as suas amigas, perdi o raciocínio, a história desapareceu. Fez uma pausa com o olhar suspenso na direção do Tejo e o sorriso colado no canto direito da boca.

 

Na outra margem do rio, os mariscadores pareciam caminhar numa superfície espelhada. Dezenas de homens e mulheres curvados sob um sol escaldante recolhiam os bivalves no areal lamacento que as águas deixaram nos baixios. À revelia da lei, porque o sustento não dá para as licenças que impedem qualquer um de apanhar marisco livremente. Enchiam baldes e mochilas até as costas não aguentarem mais. No regresso à praia vinham curvados do peso e sorridentes. Não vergaram às horas de suor, de cansaço e ao medo que a polícia marítima lhes estragasse o dia, todos tinham o seu quinhão. Amanhã haverá mais.

 

Só gosta de nós quem nos quer ver feliz.

 

Acha que isto é senilidade? Luísa não respondeu. Naquela semana voltará ao nutricionista e as coisas terão de ficar esclarecidas. Jorge perdeu o sorriso.

 

O mundo será sempre um bolbo e a vida uma permanente rentrée. O importante é que haja razões para manter um sorriso colado no canto direito da boca.

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publicado às 12:41


Os dias da salvação

por Duarte Victor, em 19.07.13

A confusão que o presidente de todos os portugueses criou com a solução presidencial, deixou o país suspenso. Aguardamos pela aquiescência dos partidos subscritores do memorando para um futuro político, enquanto se procura nas Selvagens a resposta geoestratégica da nossa territorialidade. Parece que tudo isto irá contribuir para a equação da resolução económica da crise. A solução afinal estava de molho como o bacalhau. É na economia do mar que está a resolução.

A ideia não é original e mesmo recorrente ao longo da nossa história. Sempre que nos vimos aflitos, viramos as costas à europa e pomos os pés no oceano. Só que desta vez nem a cobiça dos espanhóis pelo subarquipélago, nos demove no alargamento da zona económica exclusiva, a maior da União Europeia. Já temos o ROV para a investigação científica e os submarinos, só nos faltam uma frota de pesca que se veja, uma rede portuária de jeito para o import/export e um empurrãozinho das Nações Unidas a partir do próximo ano.

O passeio de Cavaco Silva por estes rochedos é de uma inestimável visão geopolítica.

Entretanto enquanto o presidente pernoita nos rochedos, no continente tudo está estranhamente calmo como se o tempo tivesse parado. Se calhar o acordo nunca foi problema porque, tacitamente, no arco da governabilidade, sempre existiu. O momento não é propício ao partido de Seguro para a governação e a maioria ainda tem margem, embora com alguns retoques de cosmética política e sob vigilância presidencial, para continuar durante mais um ano. Ou seja, este modo de standby político até às eleições em 2014 é o que realmente mais convém ao bloco central. Uma espécie de encenação coletiva.

A dúvida reside em como os portugueses vêm tudo isto e na sua reação na hora da verdade. Diz-nos a experiência que depois de muito queixume votam quase sempre como se sabe.

Estes são os dias de salvação. Resta-nos esperar que as Ilhas Selvagens não sejam como a Nau dos Corvos nas palavras de Ruy Belo; Nau parada de pedra que tanto navega /e há tanto está no mar sem nunca a porto algum chegar(…).

No mar das incertezas precisamos de alcançar um bom porto que nos faça esquecer as tormentas e nos proteja de naufrágios. Fazer alguma coisa por nós.

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publicado às 15:15


O Grande Desfazer

por Duarte Victor, em 05.07.13

Não me demito, não abandono o meu país. E a vontade dos portugueses Sr. Ministro? A sua teimosia lembra a do Morto, na comédia de Vicente Sanches, que não queria ser enterrado devido a claustrofobia. Toda a gente embirra...Até os mortos. O certo é que mesmo contra a sua vontade, o enterro deste governo é do interesse de todos. A birra é sua e dos seus pares. Respiraram demais, deixaram o país sem oxigénio que lhe permita recuperar da astenia que o enferma. Sonolência, apatia, cansaço e irritabilidade, são os sintomas que nos levam a ser perentórios. Perdemos a paciência, não há volta a dar.

Sabemos que o termo morte é demasiado absoluto, irreversível e de contornos trágicos. Deixo-lhe aqui o conforto das palavras sábias e cheias de humanidade de José Gomes Ferreira. Talvez encontre o sentido, o discernimento e a serenidade para o inadiável desígnio.

Devia morrer-se de outra maneira. Transformarmo-nos em fumo, por exemplo. Ou em nuvens. Quando nos sentíssemos cansados, fartos do mesmo sol a fingir de novo todas as manhãs, convocaríamos os amigos mais íntimos com um cartão de convite para o ritual do Grande Desfazer: "Fulano de tal comunica a V. Exa. que vai transformar-se em nuvem hoje às 9 horas. Traje de passeio". E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatos escuros, olhos de lua de cerimônia, viríamos todos assistir a despedida. Apertos de mãos quentes. Ternura de calafrio. "Adeus! Adeus!" (…)

Em tempos de exceção, medidas de exceção. Chegou a altura de assistirmos ao grande desfazer.

Imagine agora o seu governo transformado em nuvem passageira levada pelo vento. Não faltarão os lenços brancos e o traje de passeio, claro. Bonito e singelo.

E pronto, sou parco em palavras porque não há mais nada a acrescentar. Esta maldita astenia.

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publicado às 11:58



Hauptbahnhof Zürich
Fotografia de Filipa Stylita Machado

 

Quanto mais viajamos, mais nos apercebemos que na globalização não existem apenas fronteiras eletrónicas mas também psicológicas. A comunicação aproxima espacialmente as sociedades, o que permite um conhecimento rápido de tudo o que ocorre no mundo, mas não destrói o sentimento de tribo. As diferenças culturais, sociais e económicas, sinónimo de riqueza plural, são desvalorizadas e motivo de descriminação. A aproximação entre pessoas e a responsabilização global continuam ameaçadas numa sociedade contemporânea em que a solidariedade e o desenvolvimento sustentável são fundamentais.

 

Entre os Alpes e o Jura, num vasto planalto, ergue-se o Mont Vully sobranceiro e vigilante junto aos lagos de Morat, Bienne e Neuchâtel, unidos por canais rasgados pelo homem que assim conseguiu estabilizar a subida das águas e resgatar-lhes as terras férteis para cultivo do seu sustento. Tudo em redor até às montanhas é uma manta de retalhos verdes e terra lavrada, salpicada de casario abraçado aos lagos que espelham a sua vaidade. Estamos na Suíça, república federal, entre 3 estados, no cantão de Fribourg, bem no centro deste velho continente europeu.

 

Escolho este local simbolicamente como metáfora de uma europa de que gostaria plural e assente em valores compartilhados de democracia e respeito pelos direitos humanos.

 

Seguimos os passos de Guilherme Tell, mito ou realidade que subsiste na cultura popular como herói na guerra de libertação nacional, enquanto na Turquia o povo é ameaçado com a intervenção do exército e sofre violentas cargas policiais em Ancara e Istambul.

 

Começo por Genéve, cidade que respira vida e juventude, tudo está no seu lugar e as pessoas têm um ar feliz. Estarão indiferentes a que em Portugal a função pública resista a pagar a fatura da crise e os professores façam greve em defesa dos seus direitos e do ensino público?

Estamos num dos países mais ricos do mundo, não conseguimos acompanhar o nível de vida. A solução é deslocarmo-nos de comboio, em 2ª classe, até Zurique e comer umas sandes pelo caminho. Saberão que o desemprego em Espanha e Portugal atingiu níveis inimagináveis?

 

A pontualidade é apanágio destes lugares ou não fossem relojoeiros. Às 13 horas a tarde é pálida e suave em Zurique. Se no Cabaret Voltaire não nos dirigissem a palavra e uma idosa helvética não se levantasse quando nos sentámos ao seu lado no banco de jardim para lanchar, diria que andávamos por ali transparentes.

 

No regresso percorremos os terminais da estação à procura do comboio porque fugiam de nós ou negavam-se a falar francês ou inglês quando pedíamos informação. No comboio ninguém teve a iniciativa de se levantar ou retirar os pertences para sentar o meu filho de 4 anos. Viajámos por momentos no fole de ligação entre carruagens na companhia de pai e filho chineses.

Ficaram boas recordações de paisagens e lugares de cortar a respiração, mas sinto que nestes dias não respirei o mesmo ar desta respeitável gente.

 

Só me vem à memória as palavras de Hugo Ball um dos fundadores do Dadaísmo, vanguarda modernista (…) Quando o contacto é interrompido, quando cessa a comunicação, começa o mergulho em nós mesmos, o desprendimento, a solidão.

A aldeia global ainda é pouco mais que um conceito que tenta resistir à intolerância e ao etnocentrismo.

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publicado às 12:31


As coisas não têm paz

por Duarte Victor, em 11.06.13

Fecho os olhos e sou um homem no escuro dentro de mim à descoberta das coisas. É fácil encontra-las no escuro dentro de nós, as coisas imaginadas. Mas não são essas que me preocupam, são as que nos rodeiam e cintilam aos nossos olhos. Que nos fazem perder a cabeça para as conquistar. Vivemos rodeados de coisas. São apenas coisas mas cintilam e o seu brilho não nos deixa indiferentes. Somos capazes de tudo para as conquistar. Na impossibilidade, fechamos os olhos para as imaginar e ficamos perdidos no escuro dentro de nós.

 

A ostentação é o apanágio dos períodos de recessão. Uma espécie de modus operandi de uma verdadeira ascensão social para endinheirados descontraídos. Luxos ofuscantes aos olhos de pelintras de bolsos vazios, frustrados e infelizes. Sinais de desequilíbrios económicos e sociais profundos. Nada que as empresas não saibam como contornar para espicaçar o desejo de consumo tão enraizado nas sociedades modernas. Apresentam-se como a solução do problema, o remédio para tamanho vazio, acessível a todas as bolsas.

 

A crise insinua-se em tudo, e a publicidade politiza-se. Através dela, as empresas exprimem-se politicamente, apenas para vender mais (…) Eduardo Sintra Torres, in J Negócios.

 

Para sobreviver à desaceleração do crescimento económico e a contração dos mercados, o marketing tornou-se feroz. Com mensagens muito bem direcionadas para públicos segmentados, consegue estabelecer um vínculo emocional com o consumidor. Um analgésico suave e “democrático” de consciências. 

 

Criar a necessidade das coisas.

 

As coisas têm /Peso, massa, volume/ Tamanho, tempo/ Forma, cor /Posição/ Textura, duração/Densidade/ Cheiro/ Valor/ Consistência/ Profundidade, contorno/ Temperatura, função/ Aparência/Preço, destino, idade/ Sentido /As coisas não têm paz/As coisas. Gilberto Gil, canção.

 

Fechamos os olhos e continuamos no escuro dentro de nós. A crise não estimula a criatividade, a crise não estimula nada. Na verdade devia servir apenas para reflexão e definição de novos paradigmas a fim de evitarmos os mesmos erros que nos trouxeram até aqui.

 

As coisas não têm paz e nós também não.

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publicado às 12:38


Urgente é o amor

por Duarte Victor, em 31.05.13

Passaram os tempos dedicados à supressão da heresia mas as mentes inquisidoras teimam em manter-se por aí. Volto ao rebatido tema do orgulho e preconceito porque há discussões que não fazem sentido nos dias de hoje. São fruto de um obscurantismo intelectual ou de ignorância confrangedora. Esgotam-se energias a esgrimir argumentos em questões fraturantes como as do casamento entre pessoas do mesmo sexo, da coadoção, do aborto e da eutanásia. Não são apenas questões de origem cultural ou civilizacional mas sobretudo tabus de mesquinhos interesses disseminados na sociedade.  

 

Os tempos mudaram mas há sempre resistências ao seu avanço. Ardilosas consciências pequeninas e quezilentas, que mergulham numa comiserada autocensura para justificar preconceitos.

 

É melhor entregar uma criança a quem esteja preparado(a) para a receber e lhe dar carinho do que deixá-la numa instituição, seja na adoção de pessoas do mesmo sexo ou outra. Sem questionar a importância das instituições de acolhimento, esta é a opção que mais está de acordo com os superiores interesses/direitos da criança.

 

(…)a adoção deve depender das circunstâncias aferidas caso a caso de quem adota e não propriamente de uma determinada orientação. Paula Teixeira da Cruz, ministra da Justiça.

 

Discordâncias se levantam e entraves se constroem.

 

O Conselho Superior de Magistratura afirma que a lei da coadoção por casais do mesmo sexo, aprovada na generalidade no Parlamento, colide com o regime das uniões de facto e com a lei que permite o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Então corrija-se ou altere-se.

 

Vociferam Marinho Pinto e Luís Villas-Boas ao considerar a situação preocupante para a criança porque não vai nunca poder perceber na idade precoce, sobretudo com cinco anos de idade, o que é um pai e uma mãe. Argumento frágil.

 

Os seres humanos desde a nascença diferenciam e descodificam signos e sinais, para isso serve a inteligência. É o amor, a atenção e os cuidados que prestamos às crianças que lhes permitem viver a infância e a adolescência de forma digna, tranquila e feliz. Isto não depende de orientação sexual mas da opção consciente e responsável na adoção.

 

O destino do homem determina-se na forma como é gerado, no calor dos braços que se lhe estendem, na ideologia que o envolve e na liberdade que lhe é proporcionada para imaginar, experimentar e pensar. João dos Santos, sócio fundador do Instituto de Apoio à Criança

Num estado de direito, a discriminação não pode ser obstáculo a um enquadramento jurídico e social mais justo na proteção à criança. Vamos investir no futuro, no amor.

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publicado às 11:32




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