Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Ainda a propósito da greve geral

por Pedro Brinca, em 09.07.13

A greve é um direito consagrado na Constituição da República Portuguesa. No fundo, uma das chamadas conquistas de Abril. Antes, ao longo da história, muito sangue foi derramado para se conseguir este simples direito de reclamar com o propósito de obter benefícios, como o aumento de salário ou a melhoria das condições de trabalho, de que todos acabariam por usufruir.

 

A greve geral tem um cariz mais político, porque não pretende beneficiar diretamente os trabalhadores, mas protestar contra medidas governamentais consideradas lesivas para toda a sociedade. Ou, simplesmente, para exigir a demissão do Governo.

 

Durante o dia de greve, todos os trabalhadores têm o direito de aproveitar o tempo da forma que quiserem. Há quem vá à praia, quem aproveite para tratar de assuntos diversos, quem prefira visitar familiares e amigos ou para dar uma arrumação na casa. Tudo legítimo, mas com a mente longe das verdadeiras motivações que o levaram a não ir trabalhar nesse dia.

 

Sendo uma jornada de protesto, de cariz político, seria bom que essa motivação estivesse presente e que não fosse apenas mais um dia de descanso. Que cada trabalhador o assumisse como uma verdadeira causa. Mas parece que esta ideia não é consensual…

 

Seria bem mais significativo se esse dia fosse passado junto do posto de trabalho, abdicando o trabalhador de dar outra utilidade a um dia que à partida seria como os outros. Essa atitude daria outra credibilidade à luta, mostrando-se disponibilidade e interesse dos trabalhadores.

E podia ser utilizado ainda para sessões de esclarecimento e plenários. Para que os trabalhadores partilhassem pontos de vista e discutissem soluções. Para apresentarem soluções e alternativas políticas.

 

Seria um ato de participação e uma lição de cidadania, em vez da simples demissão de responsabilidades. Não seria um dia como se fosse apenas mais um feriado no calendário.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:44


Do verdadeiro prejuízo

por Fátima Inácio Gomes, em 11.06.13

O anúncio da greve de professores às reuniões de avaliação e a um exame nacional veio pôr a nu o país que temos. Um país de faz de conta.

Fica bem, democraticamente bem, dizer que “a greve é um direito”. Mas quando os professores anunciam uma greve (a medida mais radical de contestação, que se usa quando todas as outras se esgotaram) o democrático verniz estala. Um profissional da política (daí, um dos responsáveis pelo estado do país e das contas públicas), agora emboscado no comentário televisivo, acusa os professores de desrespeitadores e de criminosos. Ministros e deputados vociferam, diariamente, nos meios de comunicação social, incendiando a opinião pública, que educam à medida da sua manipulação.

 

O Governo lançou uma campanha espantosa de diabolização da greve dos professores, em particular à do exame a Português, transformando os alunos nos pobres cordeiros sacrificados à voragem do lobo mau. Como se o Governo, até à data, não tivesse feito mais do que lançar medidas que prejudicam as famílias e, muito particularmente, os jovens. Como se o Governo, até à data, na Educação, não tivesse lançado medidas com efeitos muito mais gravosos do que uma greve a um exame nacional pode causar. Mais uma vez, o Governo quer desviar o ónus da responsabilidade para os bodes expiatórios do costume… os professores. E há muita “opinião pública” que embarca neste discurso – ainda merecerá um estudo aprofundado a análise desta patologia que, recorrentemente, acomete a população sempre que os professores são assunto.

 

 A degradação das condições de trabalho contra a qual os professores lutam não só põe em causa a qualidade do ensino atual (não, Sr. Ministro, não é o mesmo ensinar a 15 ou a 30 alunos, por mais fabulosos que sejam os métodos e competente seja o professor) como compromete perigosamente a qualidade do ensino no futuro: quem serão os professores do futuro, quando os que se formam atualmente (ou de há dez, quinze anos para cá) são enxotados do ensino?  quem serão os professores do futuro, quando os bons estudantes são aconselhados a não seguir uma profissão que, garantidamente, não tem futuro de emprego e é cada vez mais desvalorizada  e enxovalhada na sociedade?

Gostaria que algum senhor deputado, daqueles que estão tão indignados com a greve dos professores, me respondesse, aqui mesmo, neste espaço, frontalmente, a uma questão, se é que alguma vez descem da redoma onde se refugiam e isolam das pessoas que dizem representar para falar com elas.

Responda-me, pois, honestamente (e esta questão lanço-a também a todos os pais, a todos os portugueses):  o seu filho é um bom aluno, está no 12º ano, e diz-lhe que quer ser professor de Biologia. Ou de Filosofia. Ou professor do primeiro ciclo. Ficará tranquilo com essa escolha? Achará, honestamente, que é uma boa escolha?


Tenho duas filhas, uma no 8º e outra no 10º ano. Nenhuma delas quer ser professora. Não por não reconhecerem valor à profissão (conhecem o meu trabalho e sabem reconhecer o dos seus professores), mas porque sentem que a profissão não é reconhecida. Muito menos valorizada, não só financeiramente, mas socialmente. Insurgem-se contra os comentários que veem na televisão, por exemplo, a propósito desta greve. Como se a mãe fosse a criminosa que o senhor Marques Mendes diz que ela é, por fazer greve, como se a mãe não tivesse os mesmos direitos que um varredor, um médico, um motorista, quando fazem greve. Como se a mãe fosse uma cidadã menor. E elas não querem isso para elas. E eu, apesar de gostar da minha profissão, também não quero isto para elas.

 

E assim, senhores deputados, senhores ministros, meus caros concidadãos, estamos a caminhar para um futuro muito mais prejudicial para muitos mais alunos do que aqueles que vão fazer agora exame. Caminhamos para um futuro sem professores. E aqueles que houver, serão os menos qualificados, incapazes de entrar num curso “melhor”. Que ensino será, então, o nosso, com esses professores? Que será, então, dos nossos alunos?

 

Percebem agora o perigo do caminho que se está a seguir? Quem anda, afinal, a causar verdadeiramente prejuízo aos alunos?

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:39




Últ. comentários

  • silva

    A TRÍADE SALOIA Casino Estoril Sol IIINo caso da ...

  • silva

    A TRÍADE SALOIA Casino Estoril Sol IIINo caso da ...

  • silva

    A TRÍADE SALOIA Casino Estoril Sol IIINo caso da ...

  • silva

    A TRÍADE SALOIA Casino Estoril Sol IIINo caso da ...

  • silva

    A TRÍADE SALOIA Casino Estoril Sol IIINo caso da ...