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Cheira bem… não cheira a Lisboa!

por Nuno Vaz da Silva, em 07.01.14

Todos os anos a situação se repete. Em época de Natal e ano novo, os resíduos sólidos urbanos acumulam-se nas ruas de Lisboa devido a uma qualquer greve dos funcionários adstritos às funções de recolha dos lixos. Mas qual o impacto dessas greves para a cidade, para os seus habitantes, visitantes e até para os investidores?

 

As ruas ficam nauseabundas com caixotes a transbordar. As lojas têm de afastar os contentores cheios de lixo das suas portas e a higiene urbana degrada-se progressivamente. Alguns habitantes chegam até a “plantar” os seus sacos de lixo junto das árvores, num estranho mas enraizado costume lisboeta… A greve do lixo é um clássico dos tempos natalícios. Esta não foi a primeira greve nesta época do ano e não será também a última. A autarquia afasta responsabilidades para os sindicatos e os trabalhadores acusam a Câmara de não aumentar os ordenados, de cortar nas horas extraordinárias ou de outra qualquer coisa que sirva de justificativo a estas práticas.

Mas, a greve do lixo tem sobretudo um efeito negativo a médio/ longo prazo. Quantos turistas deixarão de visitar Lisboa por terem tido relatos de uma cidade suja e a cheirar mal? Quantos investidores decidirão colocar o seu capital e os seus projectos em outros pontos do país e do mundo mais limpos e cuidados? E quantos lisboetas terão um comportamento menos responsável por terem visto a sua cidade transformada numa lixeira a céu aberto? Estes efeitos raramente são contabilizados mas têm impactos económicos e culturais certamente muito significativos.

O Governo e a autarquia têm apostado bastante na atracção de turistas e investidores a Lisboa. Há inúmeros programas e apoios para dinamização da capital. Mas não podemos esquecer que são pequenos eventos, como a greve do lixo, que são os factores decisivos nas respostas das pessoas e das empresas a questões como: Para onde viajar? Onde morar? Onde investir?

Há muito tempo que Lisboa não é a antiga cidade que cheirava bem! Não são as flores colocadas na Av. Da Liberdade nem as flores dos jacarandás que conseguem mudar os cheiros de Lisboa. A acumulação de lixos e os efeitos culturais que a irresponsabilidade promove são até propiciadores de um desleixo social que tenderá a aumentar. (quem não conhece casos de cidadãos que despejam o cinzeiro dos carros no passeio, que sacodem os tapetes da varanda, ou que “adubam” as árvores com os seus sacos de lixo…).

As cidades necessitam de ser geridas de forma integrada e os problemas crónicos não podem perdurar ano após ano. A greve do lixo de 2013/14 não foi um caso isolado mas tão somente um episódio de uma história socio-cultural que tem vindo a degradar-se, com impactos económicos negativos mas que ficarão por quantificar!

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publicado às 12:39





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