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Foram muitos os professores que reprovaram

por Fátima Inácio Gomes, em 18.12.13

Sim, foram muitos. Em primeiro lugar, todos os que foram à prova: os que foram obrigados a fazê-la, para não ficarem liminarmente excluídos da possibilidade, mesmo que remota, de se empregarem e aqueles que foram vigiar essa prova. E, também, todos nós, professores, que mesmo revoltados, mesmo erguendo a voz, ou então, desalentados e desmoralizados, continuamos a dar aulas, a permitir que a máquina funcione. Todos nós que, por profissionalismo e respeito pelos seres humanos que temos nas nossas mãos, continuamos a alimentar o monstro. No fundo, os professores não são mais do que a triste imagem de toda uma nação, enxovalhada e encolhida.

 

Olhando para as imagens da televisão vi imagens tristíssimas. Professores a passarem por cima (metafórica e literalmente) de outros professores, para irem vigiar as provas de outros professores, que não as querem fazer. Sou pessoa que prima pelo respeito pelo outro, mas não me peçam que respeite ações ou opiniões que radicam na ignorância, na falta de solidariedade e na covardia. E não encontro qualquer outra razão para que professores tenham acedido a vigiar outros professores, quando sabem, deveriam saber, que os colegas que se sujeitaram a esta prova o fizeram de cabeça baixa, forçados a tal. Hannah Arendt perguntava-se, no julgamento do oficial nazi Adolf Eichmann, por que razão um homem, com todas as capacidades intelectuais, um homem comum, como nós, nunca se tinha rebelado contra a iniquidade que via em seu redor e tinha, candidamente, “cumprido ordens”. A mesma pergunta me fiz eu, quando vi as imagens que passaram na televisão. A banalidade mecânica daqueles professores “vigilantes”…

 

Os professores contratados que fizeram a “Prova de Avaliação de Competências e Capacidades” vão, certamente, “passar”. Aliás, já “passaram” pela humilhação de uma prova que põe em causa o seu trabalho. Mas há muitos outros professores reprovados: os vigilantes, os correctores a três euros a prova, e todos nós, que continuamos a permitir que, apesar de todos os atropelos, a Escola ainda funcione, com rigor milimétrico. Apesar da desmotivação, do cansaço, da tristeza imensa de tantos bons profissionais, os contratados até cinco anos, os contratados até 20 anos, os do quadro. Somos todos a mesma carne de canhão.

 

E desenganem-se as más-línguas e a ralé de opinadores, profissionais ou amadores de comentário de rodapé de notícia online: mais uma vez, o problema não é ser “avaliado”, o problema é que esta prova não visa avaliar, mas enxovalhar, visa “dividir para reinar”, política já do tempo da outra senhora, e, como se vê, com sucesso. Qualquer pessoa de boa-fé, informada e que se disponha a reflectir antes de falar, saberá que esta prova nada avalia da competência de um professor e até se torna atentatória quando os professores são avaliados anualmente - esqueceram-se já do filme da Avaliação de Desempenho Docente, que tanto entusiasmou a opinião pública? Essa avaliação é feita com base no desempenho real dos professores, em sala de aula, na dinamização de atividades na escola, no desempenho de diretor de turma, entre outras “funções” que agora lhes são atribuidas. E é, para os professores contratados, uma avaliação anual. Além de que, para acederem ao concurso como professores, estes profissionais já fazem uma profissionalização em serviço (o estágio) ao que se soma a apresentação de um trabalho escrito. O Ministério consegue, assim, não avaliar os professores, mas passar um atestado de menoridade tanto às universidades quanto a si mesmo, pois põe em causa o próprio modelo de avaliação de desempenho que implementou.

 

Fica claro, claríssimo, que o Ministério de Educação e Ciência não pretende promover a qualidade ou qualquer outro chavão que vai debitando nos discursos televisivos. Pretende, e está a conseguir, desmantelar a Escola Pública, “implodir o Ministério”, implodindo a própria Escola. Todas as ações que tem desenvolvido, com as trapalhadas habituais que, rotineiramente, arrastam as escolas e o brio dos professores pelas parangonas dos jornais, apenas pretendem vir a servir de justificação para a mudança. E os opinadores baterão palmas, alimentados pelo discurso mesquinho das regalias e dos privilégios. E são tão incoerentes, são tão “banais”, que se a cada um lhes fosse perguntado se desejaria que o seu filho seguisse a carreira docente, essa carreira cheia de privilégios e regalias, diriam… que não.

 

O MEC não só está a destruir a escola do presente, esmagando os professores. Está a destruir a escola do futuro: que bom aluno quererá ser professor? E aí, não haverá Prova de Avaliação de Competências e Capacidade que valha à Educação em Portugal.

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publicado às 18:23


46 comentários

De Luis a 19.12.2013 às 19:45

Logo na terceira linha: "...de se empregaram"
Não devia ser "...de se empregarem" ?
Esta senhora é professora?
Se sim, para além das avaliações que tiveram ontem, presumo que sejam necessárias muitas mais.
Tenho muito medo destes novos licenciados...

De Anónimo a 19.12.2013 às 20:33

E eu tenho medo de pessoas ignorantes como tu!!

De josé silva a 19.12.2013 às 21:33

realmente há pessoas que podem viver 100 anos e continuar ignorantes... destes sim devemos ter medo. ass: professor contratado (desempregado)

De J Guerra a 19.12.2013 às 22:50

Pois, pois... Ignorantes e acéfalos parecem ser a maioria dos "setores" que nem sequer drs são!

De C silva a 19.12.2013 às 21:45

Nuno Crato, és tu?

De jabroni a 19.12.2013 às 22:08

burn!

De aluno precupadado a 19.12.2013 às 22:11

Tanta dor de cotovelo que vai para aqui....

De aluno despreocupado a 19.12.2013 às 22:54

Palavras para quê... são profs e tá tudo dito! Uns androides, mal preparados, autênticos trogloditas (salvo raríssimas excepções!)!

De Anónimo a 20.12.2013 às 11:16

Acredita que alunos educados é também uma espécie cada vez mais rara... Em extinção... arrisco - me a afirmar.
Aluno desocupado... a parte do desocupado explica muita coisa...

De Nuno D. a 19.12.2013 às 23:00

Muito bem Luís...
Mesquinho, palhaço, inergume ou outros adjectivos caracterizam o teu intimo. Desejo-te uma vida longa.

Os professores são a classe MENOS em tudo...Os professores não se apoiam, e inexplicavelmente, deixam que um governo destes faço ISTO deles.

Proponho a criação da Ordem dos Professores.

De JCastro a 20.12.2013 às 09:32

"Inergume"...e depois não querem ser avaliados!!! Se todas as pessoas do privado são avaliadas e postas à prova diariamente nos seus postos de trabalho, porque razão é que quem trabalha para o Estado, e é pago por nós, contribuintes do privado, não pode ou deve ser avaliado!? E já agora...escreve-se "energúmeno"!

De Alcina Campos a 20.12.2013 às 17:48

E quem disse que os professores não são avaliados?
Não sei para que servem os relatórios de avaliação e as ações de formação que somos obrigados a fazer e que também têm avaliação final. Para além de serem pagas pelos próprios professores até nos CENTROS DE FORMAÇÃO do ministério da Educação!!! No privado também as pagam?

De Sembla a 19.12.2013 às 23:04

Sr Dr Engenheiro Luís vai-te encher de moscas. Deves ser daqueles que se venderam por 3 euros ou então és, apenas, mais um que emprenhou pelo discurso defecante do Crato. Não sou professor mas apoio-os incondicionalmente. Vê lá se dei algum erro. Dou-te 10 euros por cada um que encontrares.

De Jaime a 19.12.2013 às 23:27

este comentário só pode ver de um "assessor" governamental ou daqueles "boys" do tempo do Sócrates, com "licenciaturas" como sabemos.... Vê a árvore, nas não percebe a floresta, não pode nem consegue....nunca!!!!!

De david a 19.12.2013 às 23:56

És um otario Luis!!!
Otario esta bem escrito?!?!

De abc a 20.12.2013 às 09:04

Bom dia. Achei piada ao seu comentário. Aliás , acho paida a toda esta situação. E sim , 'otario' está mal escrito , pois escreve-se 'otário'.
Cumps

De Fátima Inácio Gomes a 20.12.2013 às 01:22

Caro Luís, agradeço-lhe a revisão atenta.
Pessoa culta como mostra ser, saberá por certo que até mesmo os grandes escritores têm revisores de provas, aquando da publicação das obras.
Modesta como sou, tão londe de ser "grande", valho-me de pessoas atentas como o Luís para fazerem algo que eu deveria ter feito. Concordo em absoluto. Mas, acredite, só agora li o "a" que lá está, e não o "e" que a minha mente lia. Isso até tem explicação científica, mas não me arrogo a tanto. Fica a lição de que me devo lembrar, de futuro, de não escrever e publicar quando tomada pelas emoções.

No meio disto tudo, de lamentar, é o Luís arrogar-se a fazer juízos de valor sobre a minha pessoa, em particular, e sobre os professores em geral. Deve ter aprendido sozinho...
De lamentar, ainda, a superficialidade de um comentário que se centra na forma para ignorar a reflexão séria sobre o conteúdo. Faz-me lembrar o indivíduo que, em pleno terramoto, está preocupado em que as pessoas estejam vestidas convenientemente...

De Ana Afonso a 20.12.2013 às 09:44

Nem mais... é de facto de lamentar que num texto com tanto conteúdo o primeiro comentário que aparece ser sobre uma "gralha" involuntária e inofensiva, a qual não muda em nada todo o sentido do que está escrito nem sobre a riqueza dos elementos da opinião que podemos ler.
Abençoados aqueles que nunca cometem erros e nunca se enganam quando produzem texto. É um verdadeiro abençoado este tal Luis. Ou se calhar é um robot ortográfico. Enfim... é de relevar. Infelizmente a somar a tantos problemas que existem hoje em dia, um que é fulcral é o do constante entrave à comunicação.

Não sou professora. Tenho duas primas que o são e se viram com a decisão de fazer ou não a prova. Uma fez, vaiada a apupada, outra não, julgo que devido à greve. É de lamentar toda esta situação e concordo que o mal está nas raizes de um ministério que acaba por se desacreditar bem como a todos os que trabalham para formar professores, desacredita universidades, desacredita professores universitários, desacredita-se a si como sistema. Pelo caminho deixa este rasto de humilhação a todos os que querem fazer algo bem... mas pior, humilha-se a si próprio.

De david a 20.12.2013 às 09:52

Bem respondido!!!

Fátima 2 - Luís 1

Obrigado Luís pela correcção ...
És grande... Grande idiota. ... que pena que humildade, educação e respeito não tenham sido disciplinas na escola onde aprendeu a ser idiota, burro, ignorante... aposto que às aulas destas 3 disciplinas não faltou...

Daqui a uns anos voltamos a falar sobre o estado do ensino...

E consigo, Luís não perco mais o meu tempo....

De Henrique Assunção a 22.12.2013 às 23:02

Dá-lhe Fátima Gomes, porque este Luis deve ter vivido no tempo do Salazar.

De Nuno a 22.12.2013 às 13:53

Eu vou responder-te: És um palhaço se leste o texto à procura de erros. São idiotas como tu que minam tudo o que se conquista com o suor. Procura erros nas minhas palavras seu grande idiota. O grande erro é pessoas como tu terem nascido

De maria a 28.12.2013 às 22:55

Uma "gralha" qualquer um comete agora um comentário inútil e isignificante como o seu só os mais mesquinhos (aqueles que quando apontamos nos olham para o dedo, os idiotas).

De Rui a 19.12.2013 às 19:52

É triste que venha gente desta forma gratuita e imbecil criticar um artigo tão verdadeiro apenas porque encontrou um erro no texto. A coesão lexical e gramatical, a estruturação das ideias, o léxico rico nada importa para a atestar da capacidade desta pessoa expor a sua opinião. Apenas aquela falha.... Enfim.... Idiotas

De claire a 19.12.2013 às 22:57

E que tal pôr estes pseudo-profs a trabalhar nas obras!

De Anónimo a 19.12.2013 às 23:22

Porquê? Acha que nos ia cair as calças? A mim não me caíram durante o tempo que vivi com os meus pais e sou mulher. E levei cada tijolo e cada telha com muito orgulho. E, hoje sou professora desempregada.

De Isabelb a 19.12.2013 às 21:51

Atrasado mental... uma falha insignificante norteia tudo? Não sei qual aé a tua profissão, mzd deves ser um desses ressabiados que acham que a classe dos professores são um bando de incompetentes... inergumene... tenho medo de pesoas ignorantes como tu que ainda têm voz pública...

De J Guerra a 19.12.2013 às 22:51

Gostava de saber quem é o atrasado mental pois eu cá não sou prof!

De Anónimo a 20.12.2013 às 00:02

Isto parece-me mais um recreio de putos!!!

De Joao Leitao a 20.12.2013 às 00:40

Eu só vou fazer um comentário.
Portugal já praticamente não é um país. E quando se vê o que está a acontecer, e se chega a sitios destes e se vê os comentários que por aqui vão, percebe-se porquê.

Hoje a classe politica e os lobbies que giram á volta desta, faz o que quer, enche-se, enriquece, não tem crise.

Nós, o povo, cada vez temos menos, e qualquer dia pagamos para ir trabalhar. Cada vez mais caminhamos para uma situação onde trabalhamos para estar vivos e estamos vivos para trabalhar, não há qualidade de vida, aliás não há nada, nenhuma razão para se estar vivo sequer.

Se as pessoas em vez de se gladiarem, pensassem a uma voz, tudo mudaria de figura, mas isso mais uma vez se prova que não vai acontecer, porque os Portugueses, são conhecidos por se preocuparem mais em terem inveja do vizinho e dizerem mal de tudo e todos.

Pode ser que um dia (provavelmente uma utopia estou certo), todos pensem a uma vez, e então o futuro poderá sorrir, mas acho que o homem ainda vai primeiro a Marte antes disso acontecer, e nessa altura, a palavra Portugal deverá significa que somos uma provincia de um outro PAÍS qualquer.

De Fátima Inácio Gomes a 20.12.2013 às 01:24

Obrigada, João Leitão, pela elevação do comentário.
É precisamente aí que devemos chegar.

De Patrícia Ferrira a 20.12.2013 às 09:33

Obrigada pela forma clara com expôs aquilo que vai no coração de muitos!
Bem haja!
E, já agora, um Santo Natal!

De TiagoME a 20.12.2013 às 14:54

Os meus Parabéns à autora. Não sou professor, mas fui aluno de muitos e tenho uma mulher Professora (contratada) em casa. Acho triste que perante o texto e o que se mostra na televisão seja um erro ortográfico que mais salta à vista. Nunca ninguém fez erros ortográficos? Acredito que os ditados da escola deviam então ser perfeitos. Só é pena que não seja mostrada a realidade dos Professores no dia a dia das escolas. Quem dia que um Professor deve fazer a prova porque TEM que ser avaliado não sabe que os Professores já são avaliados ao longo do ano e que muitos não conseguem obter a nota máxima na avaliação porque não lhes são realizadas aulas assistidas. Mas isto são coisas que só quem convive ou conhece um Professor(a).
Ponham a ignorância de parte. Esta prova apenas serve para destruir o trabalho de muitos e para humilhar os Professores. Senão vejamos: um Professor com 5 anos de carreira é mais do que um com menos 2 dias? Se é para avaliar não deveriam ser todos avaliados?
Se um Professor já é avaliado ao longo do ano qual a necessidade da realização desta prova? E é através das perguntas efectuadas que se verifica se um Professor é bom ou não?
As Universidades e Politécnicos não deveriam ter um papel importante nesta (suposta) avaliação? Um (pseudo) ministro que duvida da capacidade de formação das Universidades e Politécnicos que ele próprio tutela?

É sabido que em todas as profissões existem bons e maus profissionais, e todos nós já tivemos um Professor que sabia muito da matéria mas que enquanto condutor de Homens e de mentes deixava muito a desejar. É através desta prova que se faz essa selecção?

Ao longo de todos os anos se verifica que os cortes na Educação são os mais fáceis de serem concretizados. Afinal quem vai reclamar?Os Professores?Os alunos?Os Pais?
Os Professores contratados todos os anos passam pela vergonha do concurso nacional para terem uma hipótese de, quem sabe, ser colocado a 300 km de casa, da sua família e que mesmo assim abraçam a colocação porque foi esta a profissão que escolheram. Esta prova demonstra isso?
Os Professores que são vitimas de agressões nas suas salas de aula, por alunos problemáticos que apenas levam reprimendas pelas suas acções, e que voltam à escola para continuar a tentar tornar esses mesmos alunos que os agridem em pessoas que possam contribuir para a sociedade. Esta prova demonstra isso?
Os Professores que dão aulas, preparam testes, corrigem testes, vão a reuniões, muitas vezes pagam do seu próprio bolso materiais, comida, viagens de estudo para que outros alunos possam ter, comer e ir. Esta prova demonstra isso?

Não é através de uma prova escrita que se prova que um Professor é bom ou mau Professor. E não me venham com a conversa que os Professores devem ser avaliados pois estes já são avaliados todos os dias: pelos Colegas, pelos Pais, pelos Alunos e pelo próprio ministério que agora os quer ver desaparecer.

E ainda estou para conhecer um Professor que me diga que se recusa a ser avaliado. Nenhum Professor se recusa a ser avaliado. Todos se deveriam recusar era a serem humilhados como foram no passado dia 18.

E para terminar: aos Professores do Quadro que se recusaram a participar na palhaçada que foi esta prova, enquanto Cidadão deste pequeno País o meu Muito Obrigado pelo respeito para com os vossos colegas. Hoje foi por eles, quem sabe se um dia não serão eles a devolver esse mesmo respeito.

(e para os grandes especialistas da gramática e do vocabulário as minhas mais sinceras desculpas por qualquer erro cometido)

De Fátima Inácio Gomes a 20.12.2013 às 16:08

Obrigada pelo testemunho, Tiago ME.
Tem a clareza e dignidade da verdade.

De Rui Freitas a 20.12.2013 às 15:38

Gostaria de ver Professores, inclusive alguns do ensino superior a fazer esta prova. Certamente que não a resolveriam a 100%. Um destes Professores poderia ser o CRATO.

http://pacc.gave.min-edu.pt/np4/38.html

De Prof.com.respeito a 20.12.2013 às 16:15

TiagoME, muito obrigado!!! Tirou-me as palavras da boca, muito bem escrito - e sem erros que tivesse visto! :) - mas alguém os há de encontrar, se houver, porque há quem só esteja preocupado com a forma e não com o conteúdo... Não vou repetir o que disse, mas tudo é verdadeiro e real, infelizmente...
Sou professora - este ano desempregada pela 1ª vez - e manifestei-me contra esta abominável situação em que nos querem pôr, a esta sarjeta que nos querem atirar...

Fátima Inácio Gomes, adorei e revi-me em cada palavra que escreveu (até na que tem erro, pois não a identifiquei e sou prof. de português! - que falha a minha! Merecerei ainda o ser??)... Pena me mete este país que me viu nascer mas que possivelmente não me verá viver nele muito mais, pois tento emigrar a toda a hora... para um sítio onde seja respeitada...

De Não Professor a 21.12.2013 às 02:16

Depois de tanta critica negativa às provas e tanta palavra escrita e lida... resolvi ver as famosas provas...

Só tenho uma coisa a dizer:

A sério que tiveram dificuldade a resolver aquilo???
HAHAHHAHAHAHHAHAHAHHA

De Fátima Inácio Gomes a 21.12.2013 às 09:50

"Não professor": pode ter lido muito, mas não percebeu os princípios em causa. Não basta saber juntar as palavras e ler, há que saber pensar o que se lê. Mas quem faz leituras condicionadas nunca consegue ir para além do que procura ver.
Esquece até que a esmagadora maioria dos professores nem fez prova. Como se fosse a "dificuldade" da prova que estivesse em causa...

É por portugueses assim que vamos ficar sem educação, sem saúde, sem segurança... mas estes portugueses saberão sempre deitar as culpas aos outros.
Obrigada pela clareza do comentário.

De TiagoME a 21.12.2013 às 16:44

Julgo que nenhum Professor terá tido nenhuma dificuldade em fazer a chamada prova. Não é isso que os preocupa e que os faz sentir humilhados ou espezinhados. Acima de tudo enquanto cidadão o que me espanta é ouvir na televisão ouvir representantes do governo dizer que os Professores que não conseguiram fazer a prova terão o "direito" de a voltar a realizar. "Direito"? Direito temos nós de votar, de andar na rua de cabeça erguida, de ver as nossas famílias a prosperar. Como se pode dizer que terão o direito de voltar a fazer uma prova que são obrigados a fazer para poderem continuar na profissão? Ou melhor, como se pode dizer que terão o direito a voltar a fazer uma prova para continuarem desempregados? Julgo que a definição de direito não inclui a obrigação de fazer algo para poder fazer outro algo...essa não é a definição de obrigação? De dever? Não tenho o dever de pagar os meus impostos para que outros possam usufruir de RSI e outros benefícios que quem desconta uma vida inteira não tem? Não tenho o dever de ver que um ministro que põe em causa Universidades e Politécnicos que ele próprio tutela em causa não pode ser um bom ministro? Não tenho o dever de conseguir perceber que um ministro que prefere apostar em cheques ensino para que mais colégios particulares possam encher os bolsos do que ajudar a escola pública não pode ser um bom ministro?

Julgo que Portugal já deixou de ser um País de brandos costumes...esta situação com os Professores é apenas mais uma! Portugal passou a ser um País de costumes em que os que mandam, mandam mal.
Se é dito que os Professores que não têm 5 anos de serviço têm que fazer uma prova o mesmo não devia ser aplicado a Médicos, Engenheiros, Polícias, etc etc etc??? Porque não criar uma Prova para determinar a aptidão de (pseudo) políticos que todos os dias decidem o destino não só do País mas das famílias que afundam? E não me digam que os Médicos e Engenheiros já têm que fazer provas de acesso às ordens porque isso não é a mesma coisa. Afinal nenhum médico e nenhum engenheiro tem que fazer uma prova todos os anos para se poder candidatar a um possível lugar.

E não, a prova não era difícil! Como a televisão estatal tentou provar ao colocar duas alunas de alto (aparente) calibre a resolver a Prova. Sendo que a aluno que pretende seguir medicina diz que já viu testes mais complicados a outra diz que conseguiria obter melhor nota do que por norma tem...e diz com toda a satisfação que teria um 14... Acho que esta situação demonstra bem o estado da nossa educação. Um aluno de alto calibre fica satisfeito com 14...

Enfim. A todos umas Boas Festas e que o Novo Ano seja melhor para todos e em especial para os Professores.

De Não Professor a 21.12.2013 às 19:17

Apesar de entender o vosso ponto de vista... não posso concordar.
Mas não me vou esticar por aqui a tecer comentários pois sei que não vale a pena.

Só uma coisa, simples mesmo... TiagoME diz aqui em cima, e transcrevo "Se é dito que os Professores que não têm 5 anos de serviço têm que fazer uma prova o mesmo não devia ser aplicado a Médicos, Engenheiros, Polícias, etc etc etc???"

Está a mostrar uma extrema ignorância do mundo que o rodeia... é que esses profissionais que refere, e muitos outros, após concluírem os seus estudos têm mesmo de fazer uma prova para "entrarem" nas respectivas ordens e poderem assim exercer a profissão. E são provas muito mais difíceis do que esta amostra. Não, não terão de fazer todas as vezes que se candidatam mas também não têm uma plataforma governamental onde se candidatarem aos cargos. Eles, como eu e a maioria dos habitantes de Portugal terão de procurar emprego pelos próprios meios e podem ser despedidos a qualquer hora, coisa que não vos (aos professores) acontece.

A revolta de quem não é professor apenas vem de esta classe profissional se revoltar por tudo e por nada, principalmente por questiúnculas que em qualquer outra profissão são o dia a dia.

Não se armem em vítimas (que não são) e talvez sejam levados mais a sério... as consecutivas, e permanentes demonstrações de mal estar já se tornaram mais atitudes pueris do que revolta de profissionais dignos. Exijam segurança nas escolas, exijam condições de conforto para os alunos, exijam educação da parte dos mesmos... Exijam que os alunos não cheguem ao 9º ano quase analfabetos, exijam o que devem exigir em vez de aumentos de ordenado, reduções de horários ou a não avaliação profissional... e assim terão o apoio da população.

De Ana Maria a 22.12.2013 às 01:38

Escreveu bem: "... é que esses profissionais que refere, e muitos outros, após concluírem os seus estudos têm mesmo de fazer uma prova para "entrarem" nas respectivas ordens e poderem assim exercer a profissão". Sem nunca terem exercido funções, claro está! O que não é o que acontece nesta situação. São pessoas com experiência, muitas delas com anos de serviço.

De Fátima Inácio Gomes a 22.12.2013 às 13:52

"Não professor", também não pretendo entrar no jogo de pingue-pongue de argumentos, mas, pelo menos no que me diz respeito, posso esclarecer alguns pontos que focou:

1º os professores não discutem o facto de serem avaliados. Em tempos, quando houve aquela grande discussão, não tinha a ver com o facto de o serem (sempre o fomos), mas pelo modelo grosseiro e kafkaniano que engendraram: acredite, com aquilo, o professor passaria mais tempo com burocracia avaliativa (o ano todo) do que a trabalhar com os seus alunos, que é o que lhe compete;

2º os professores não têm uma ordem, mas para entrarem para a carreira passam por um estágio (sem ele não são profissionalizados) e também apresentam um trabalho escrito. Não corresponde ao mesmo? Acha que esta prova faz a diferença? e que a qualidade de um professor se mede por uma prova deste tipo? É que, lembro, os professores já têm de "fazer prova" do trabalho que desempenharam, ao fim do ano, trabalho efetivo, na escola. Se tiverem insuficiente, têm de se "reciclar"... com dois insuficientes, saltam fora. Isto não é avaliação? é o quê, então?

3º Os professores já reclamam, há muito, por melhores condições nas escolas, por maior exigência, por um novo Estatuto do Aluno, por programas coerentes, por estabilidade na legislação, por número de alunos por turma onde se possa trabalhar, por respeito... E ouvem-nos? o Governo ouve-o a si?

Finalizo. De facto, estará farto de ouvir os professores a protestar. Eu estou farta de ouvir os professores a protestar. Neste momento, satura-me os constantes atropelos, que vêm deste governo e do anterior (é igual), que fazem com que se ande sempre a falar de escolas e professores. Mas nem faz ideia dos disparates que se multiplicam há anos, da incompetência que chove em forma de normativos, que são constantemente revistos.
Sim, eu também estou cheia de ouvir falar disto. A alternativa será calar. Será essa a melhor alternativa?
Quando os restantes portugueses se aperceberem ao que ficou reduzido o sistema educativo português já será tarde.

De Fátima Inácio Gomes a 22.12.2013 às 14:17

Vai-me perdoar, falhou-me isto:

"(...) exijam o que devem exigir em vez de aumentos de ordenado, reduções de horários ou a não avaliação profissional... e assim terão o apoio da população."

1º - "aumentos"? não sei do que fala: há anos que estou "congelada", sem progressões nem aumentos: acresce que, desde 2011, mensalmente, temos a "redução remuneratória aplicada no termos do artigo 19º da lei 55-A/2010", para além dos cortes dos subsídios.

2º "redução de horários"? sabe o que tem levado à redução de horários? Quando até a escolaridade aumentou para 12 anos?
A redução de horas letivas em disciplinas e o aumento do número de alunos por turma. Acha que os nossos alunos (eu tenho filhas a estudar) ficam melhor preparados com menos horas às disciplinas? Ou que é o mesmo ensinar a 20 alunos ou a 30? Há turmas de 32 alunos, já. Com 32 alunos resolve-se o problema da indisciplina? da "falta de respeito" que mencionou? consegue-se acompanhar individualmente os alunos? Já pensou que as reclamações dos porfessores não se prendem apenas com eles?

3º "não avaliação proficional". Como mostrei anteriormente, isso é coisa que nunca esteve na mesa.

De TiagoME a 23.12.2013 às 11:07

Caro "Não Professor"

Permita-me antes de mais esclarecer que não sou Professor mas que vivo com uma Professora. Daquelas que são contratadas, porque não existem vagas nos quadros. Ou melhor, daquelas que, como diz, entra na plataforma governamental para tentar que lhe seja disponibilizado um horário, qualquer que seja, onde quer que seja, e que durante o ano que passou não ficou colocada, e este ano voltou a não ficar colocada. Mas isso foi ela e muitos como ela. Provavelmente não saberá o que é passar pelo concurso de Professores todos os anos. Ainda bem. Espero que nunca venha a saber, é sinal que nenhum dos que lhe são próximos sofre por uma profissão que escolheu. Não que lhe calhou. Não que lhe foi arranjada. Que escolheu.

Em relação à minha suposta ignorância do mundo que me rodeia, acredite que sei do que fala em relação às ordens, afinal faço parte de uma. Mas permita-me que lhe pergunte: para que servem as ordens? Os exames que fiz durante a minha formação académica não deveriam atestar as minhas capacidades? Não irei discordar quando diz que a prova que estes profissionais prestam para entrar nas ordens é muito mais complicada do que a prova dos Professores. Isso ninguém discute. Mas acha que esta prova faz sentido? Conheço um médico que sempre foi excelente aluno, sempre com grandes notas, proveniente de uma família de médicos e que não pode ver uma gota de sangue à frente! Isto é um bom profissional? Possui todas as características para exercer a sua profissão? Uma prova escrita mostra isso? Não me parece. O mesmo se passa com os Professores. Seria importante todos conhecerem e falarem com pelo menos um Professor para conhecerem a realidade de quem todos os dias vai tentar ensinar miúdos que não querem ser ensinados, atender pais que aceitam que os filhos sejam mal educados com os Professores e que ainda dizem que os Professores é que são maus.
Refere que a maioria dos Portugueses tem que procurar trabalho pelos próprios meios. E ainda bem que o assim é. Não queira imaginar o que é ter que concorrer todos os anos a um concurso onde existe mais probabilidade de não conseguir colocação do que conseguir.

Permita-me citá-lo:
"A revolta de quem não é professor apenas vem de esta classe profissional se revoltar por tudo e por nada, principalmente por questiúnculas que em qualquer outra profissão são o dia a dia."

Classe Profissional que se revolta por tudo e por nada: todos os anos o Ministério da Educação é dos que mais cortes efectua. Todos os anos as regras do "jogo" mudam. Ficaria satisfeito se isso acontece-se na sua profissão?
Qestiúnculas que em qualquer outra profissão são o dia a dia: julgo que deve ser rara a profissão em que um encarregado de educação se dirige a uma escola para agredir um Professor que repreendeu um aluno por este estar com atenção ao seu smartphone em vez de prestar atenção ao que se passa na sua sala de aula.

Permita-me citá-lo mais uma vez:

"Exijam segurança nas escolas, exijam condições de conforto para os alunos, exijam educação da parte dos mesmos... Exijam que os alunos não cheguem ao 9º ano quase analfabetos, exijam o que devem exigir em vez de aumentos de ordenado, reduções de horários ou a não avaliação profissional... e assim terão o apoio da população."

Não sei como pretende que exijam segurança nas escolas, ou qual seria a sua ideia brilhante (e digo brilhante mesmo no sentido de ideia iluminada pois isso seria algo extremamente útil) para resolver o problema quando se vê situações de alunos que vão armados para a escola, pais que vão agredir Professores, e alunos que agridem Professores. Condições de conforto? Sabe quanto foi gasto em obras de remodelação do parque escolar?Para instalar AC em escolas que hoje em dia não têm dinheiro para fazer face a essas despesas? Exigir educação dos alunos? Mas o papel fundamental do Professor é ensinar ou educar? Enquanto aluno sempre respeitei os meus Professores pois foi isso que os meus Pais me ensinaram. A educação deve vir de casa!
E volto a dizer que nunca ouvi um Professor dizer que se recusa a ser avaliado.

E julgo; julgo não, espero que grande parte da População, aquela que é realmente conhecedora da vida que leva um Professor apoie a classe.


De Fátima Inácio Gomes a 23.12.2013 às 13:34

Mais uma vez, Tiago, como professora, mãe e cidadã, agradeço-lhe o testemunho.
Sem ofensas, sem azedume, com factos e com verdade.

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