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O circo está montado

por Pedro Brinca, em 10.09.13

Estamos em vésperas de eleições autárquicas. Os candidatos e as comitivas partidárias estão nervosos. Alguns estão mesmo histéricos. Perderam há muito a noção do razoável, a sensatez, a cordialidade e até o respeito e a boa educação.

 

A comunicação social vive da sua credibilidade e independência. Para evitar confusões ou desvios, a própria Comissão Nacional de Eleições reforçou as regras para a cobertura das autárquicas deste ano. Mas praticamente todas as candidaturas vivem obcecadas com a ideia de poderem ser marginalizados, ostracizados ou menosprezados pelos jornalistas.

 

Algumas forças partidárias são, aliás, profissionais desta estratégia. A maioria dos partidos pequenos é como se vivessem na clandestinidade. Nunca aparecem e depois surgem inscritas nas listas aprovadas pelos tribunais. Não informam a comunicação social, raramente fornecem contactos dos candidatos e não respondem a telefonemas nem a mensagens de correio eletrónico.

 

Ou seja, fazem tudo para não aparecer. E depois, nos momentos oportunos, lá estão armados em vítimas. Porque não foram convidados para um debate, porque não foram entrevistados. A estratégia da autovitimização a tentar colher simpatias e a lançar ruído por todo o lado.

Mas também os grandes partidos, os dos profissionais, proporcionam momentos desesperantes para quem tenta fazer um simples trabalho de esclarecimento das populações neste período eleitoral. Respondem sempre com agressividade, como se percebessem à partida que a intenção dos jornalistas é prejudicar a sua candidatura, em benefício das outras.

 

Para a realização de um simples debate entre candidatos, surgem exigências inauditas, quase como se fossem vedetas do showbiz e tudo lhes fosse permitido. Sorteio para o lugar na mesa, sorteio para a ordem das intervenções, perguntas iguais para todos e tempo cronometrado e rigoroso, sorteio para a ordem da intervenção final dedicada ao apelo ao voto.

 

Vão desculpar, mas isto assim não parece um debate, mas um concurso de televisão. E se é por uma questão de justiça, talvez o ideal não fosse dar o mesmo tempo a cada candidato, mas contar as palavras que cada um pronuncia, para salvaguardar os direitos de quem fala mais lento e até de algum gago que eventualmente se candidate.

 

A mesquinhez atinge níveis nunca antes vistos. Como se algum espetador na sala fosse decidir a sua orientação de voto por um candidato estar sentado mais ao centro ou à ponta da mesa. Como se o tempo ocupado com palavras ocas e demagogia contribuísse para o esclarecimento.
Afinal, esclarecimento é o que menos pretendem, só e apenas animar o circo.

 

Mas há mais exigências. Definição do número de lugares para as claques de apoio. Sorteio para a localização das claques na sala. E até a exigência de que a comunicação social se entenda e organize um único debate entre todos os meios.

Uma boa ideia. Já era tempo também de os partidos se entenderem e fazerem uma lista única, que assim nem precisávamos de organizar debates. Nem de eleições…

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publicado às 13:06





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