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Hauptbahnhof Zürich
Fotografia de Filipa Stylita Machado

 

Quanto mais viajamos, mais nos apercebemos que na globalização não existem apenas fronteiras eletrónicas mas também psicológicas. A comunicação aproxima espacialmente as sociedades, o que permite um conhecimento rápido de tudo o que ocorre no mundo, mas não destrói o sentimento de tribo. As diferenças culturais, sociais e económicas, sinónimo de riqueza plural, são desvalorizadas e motivo de descriminação. A aproximação entre pessoas e a responsabilização global continuam ameaçadas numa sociedade contemporânea em que a solidariedade e o desenvolvimento sustentável são fundamentais.

 

Entre os Alpes e o Jura, num vasto planalto, ergue-se o Mont Vully sobranceiro e vigilante junto aos lagos de Morat, Bienne e Neuchâtel, unidos por canais rasgados pelo homem que assim conseguiu estabilizar a subida das águas e resgatar-lhes as terras férteis para cultivo do seu sustento. Tudo em redor até às montanhas é uma manta de retalhos verdes e terra lavrada, salpicada de casario abraçado aos lagos que espelham a sua vaidade. Estamos na Suíça, república federal, entre 3 estados, no cantão de Fribourg, bem no centro deste velho continente europeu.

 

Escolho este local simbolicamente como metáfora de uma europa de que gostaria plural e assente em valores compartilhados de democracia e respeito pelos direitos humanos.

 

Seguimos os passos de Guilherme Tell, mito ou realidade que subsiste na cultura popular como herói na guerra de libertação nacional, enquanto na Turquia o povo é ameaçado com a intervenção do exército e sofre violentas cargas policiais em Ancara e Istambul.

 

Começo por Genéve, cidade que respira vida e juventude, tudo está no seu lugar e as pessoas têm um ar feliz. Estarão indiferentes a que em Portugal a função pública resista a pagar a fatura da crise e os professores façam greve em defesa dos seus direitos e do ensino público?

Estamos num dos países mais ricos do mundo, não conseguimos acompanhar o nível de vida. A solução é deslocarmo-nos de comboio, em 2ª classe, até Zurique e comer umas sandes pelo caminho. Saberão que o desemprego em Espanha e Portugal atingiu níveis inimagináveis?

 

A pontualidade é apanágio destes lugares ou não fossem relojoeiros. Às 13 horas a tarde é pálida e suave em Zurique. Se no Cabaret Voltaire não nos dirigissem a palavra e uma idosa helvética não se levantasse quando nos sentámos ao seu lado no banco de jardim para lanchar, diria que andávamos por ali transparentes.

 

No regresso percorremos os terminais da estação à procura do comboio porque fugiam de nós ou negavam-se a falar francês ou inglês quando pedíamos informação. No comboio ninguém teve a iniciativa de se levantar ou retirar os pertences para sentar o meu filho de 4 anos. Viajámos por momentos no fole de ligação entre carruagens na companhia de pai e filho chineses.

Ficaram boas recordações de paisagens e lugares de cortar a respiração, mas sinto que nestes dias não respirei o mesmo ar desta respeitável gente.

 

Só me vem à memória as palavras de Hugo Ball um dos fundadores do Dadaísmo, vanguarda modernista (…) Quando o contacto é interrompido, quando cessa a comunicação, começa o mergulho em nós mesmos, o desprendimento, a solidão.

A aldeia global ainda é pouco mais que um conceito que tenta resistir à intolerância e ao etnocentrismo.

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publicado às 12:31





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