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Do verdadeiro prejuízo

por Fátima Inácio Gomes, em 11.06.13

O anúncio da greve de professores às reuniões de avaliação e a um exame nacional veio pôr a nu o país que temos. Um país de faz de conta.

Fica bem, democraticamente bem, dizer que “a greve é um direito”. Mas quando os professores anunciam uma greve (a medida mais radical de contestação, que se usa quando todas as outras se esgotaram) o democrático verniz estala. Um profissional da política (daí, um dos responsáveis pelo estado do país e das contas públicas), agora emboscado no comentário televisivo, acusa os professores de desrespeitadores e de criminosos. Ministros e deputados vociferam, diariamente, nos meios de comunicação social, incendiando a opinião pública, que educam à medida da sua manipulação.

 

O Governo lançou uma campanha espantosa de diabolização da greve dos professores, em particular à do exame a Português, transformando os alunos nos pobres cordeiros sacrificados à voragem do lobo mau. Como se o Governo, até à data, não tivesse feito mais do que lançar medidas que prejudicam as famílias e, muito particularmente, os jovens. Como se o Governo, até à data, na Educação, não tivesse lançado medidas com efeitos muito mais gravosos do que uma greve a um exame nacional pode causar. Mais uma vez, o Governo quer desviar o ónus da responsabilidade para os bodes expiatórios do costume… os professores. E há muita “opinião pública” que embarca neste discurso – ainda merecerá um estudo aprofundado a análise desta patologia que, recorrentemente, acomete a população sempre que os professores são assunto.

 

 A degradação das condições de trabalho contra a qual os professores lutam não só põe em causa a qualidade do ensino atual (não, Sr. Ministro, não é o mesmo ensinar a 15 ou a 30 alunos, por mais fabulosos que sejam os métodos e competente seja o professor) como compromete perigosamente a qualidade do ensino no futuro: quem serão os professores do futuro, quando os que se formam atualmente (ou de há dez, quinze anos para cá) são enxotados do ensino?  quem serão os professores do futuro, quando os bons estudantes são aconselhados a não seguir uma profissão que, garantidamente, não tem futuro de emprego e é cada vez mais desvalorizada  e enxovalhada na sociedade?

Gostaria que algum senhor deputado, daqueles que estão tão indignados com a greve dos professores, me respondesse, aqui mesmo, neste espaço, frontalmente, a uma questão, se é que alguma vez descem da redoma onde se refugiam e isolam das pessoas que dizem representar para falar com elas.

Responda-me, pois, honestamente (e esta questão lanço-a também a todos os pais, a todos os portugueses):  o seu filho é um bom aluno, está no 12º ano, e diz-lhe que quer ser professor de Biologia. Ou de Filosofia. Ou professor do primeiro ciclo. Ficará tranquilo com essa escolha? Achará, honestamente, que é uma boa escolha?


Tenho duas filhas, uma no 8º e outra no 10º ano. Nenhuma delas quer ser professora. Não por não reconhecerem valor à profissão (conhecem o meu trabalho e sabem reconhecer o dos seus professores), mas porque sentem que a profissão não é reconhecida. Muito menos valorizada, não só financeiramente, mas socialmente. Insurgem-se contra os comentários que veem na televisão, por exemplo, a propósito desta greve. Como se a mãe fosse a criminosa que o senhor Marques Mendes diz que ela é, por fazer greve, como se a mãe não tivesse os mesmos direitos que um varredor, um médico, um motorista, quando fazem greve. Como se a mãe fosse uma cidadã menor. E elas não querem isso para elas. E eu, apesar de gostar da minha profissão, também não quero isto para elas.

 

E assim, senhores deputados, senhores ministros, meus caros concidadãos, estamos a caminhar para um futuro muito mais prejudicial para muitos mais alunos do que aqueles que vão fazer agora exame. Caminhamos para um futuro sem professores. E aqueles que houver, serão os menos qualificados, incapazes de entrar num curso “melhor”. Que ensino será, então, o nosso, com esses professores? Que será, então, dos nossos alunos?

 

Percebem agora o perigo do caminho que se está a seguir? Quem anda, afinal, a causar verdadeiramente prejuízo aos alunos?

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publicado às 12:39


38 comentários

De antoniopestana a 13.06.2013 às 12:50

Já é tempo dos professores aprenderem que o Estado não pode continuar a garantir aos seus funcionários empregos,salários , horários,ou quaisquer outros privilégios que não são garantidos no setor privado.Além de inconstitucional,é injusto e uma vialação da DUDH de que Portugal é signatário.

De Maria a 13.06.2013 às 22:54

O Estado não tem que garantir nada a ninguém e, já agora, também não deverá ser o garante dos excedentários que se passeiam pelos seus ministérios e poder local, certo? O seus vencimentos excederão o conjunto dos professores a despedir, e a sua ausência não se fará notar, ao contrário dos professores quer para os seus pares quer para os alunos.

De Anónimo a 13.06.2013 às 23:38

Sr. António Pestana,
Tem toda a razão! O Estado só consegue garantir que os Espíritos Santos, os Melos, os Champalimaud, os Mexias deste Pais continuam a viver das rendas excessivas, dos juros agiotas, das PPPs e outras que tais, para isso há dinheiro, para honrar esses compromissos. E os que comem as sobras e as migalhas do repasto destes senhores ainda aplaudem, agradecem e pedem mais, e pior... Ainda defendem este Status Quo e ficam contra os que lutam para que isto mude. A privatização da coisa pública, da saúde, da educação, da justiça, da segurança, dos transportes, da água, da energia... Tudo construído com o dinheiro de todos nós, vai sendo privatizado para que as suas rendas fiquem sempre para os mesmos, e nós (o povo ignorante) enquanto tivermos dinheiro vamos pagando. Quando nos tirarem tudo vamos morrendo à porta dos hospitais, os filhos deixam de ir à escola, a água é do chafariz público, a luz só com velas, nas autoestradas só os Porsches, os BMW's e Mercedes das elites, a justiça só por um canudo, a polícia só para nos manter longe dos condomínios privados destes senhores… e pronto o Sr. António Pestana cumpre o seu papel, tem o Pais que merece! Agora, este não é o meu Pais e eu mereço viver num Pais justo e lutar para que não existam as maiores desigualdades sociais da Europa civilizada.

De António Carvalho a 14.06.2013 às 00:55

SUBSCREVO NA ÍNTEGRA!

De antoniopestana a 14.06.2013 às 10:21

Numa economia globalmente dependente os governos são obrigados a ser condescendentes com os ricos sob pena de os verem mudar-se para outros países que lhes concedem benefícios,como se viu recentemente com Gerad Depardieu.Apenas um acordo à escala global poderia alterar o paradigma.
Não há ,nem pode haver sistema de governação em que o Estado esteja vocacionado para gerir empresas,porque o protecionismo impede a falência e a falta de concorrência mata a ambição dos agentes perpetuando o défice.

De Brama a 14.06.2013 às 00:36

Já vai sendo tempo das pessoas estarem mais informadas e não atirarem para o ar comentários ignorantes, desprovidos de conteúdo prático, procurando polémica fraturante sem necessidade e revelando que têm tempo livre a mais que podiam aplicar de forma mais útil em prol do país em que vivem e parecem defender. Se calhar o antoniopestana é um trabalhador do privado com tempo livre a mais ... é que eu sou um funcionário público com pouco tempo para baboseiras.

De Anónimo a 14.06.2013 às 15:16

Sr. Pestana. Deduzo das suas palavras que também tem da escola e dos professores a imagem que transporta dos "seus próprios dias de escola". Falta-me só perceber se ainda acha que existem liceus e se confunde ensino básico com escolaridade obrigatória. Só assim poderia entender a sua noção de funcionários, horários e situações de privilégio associadas à função docente nos dias de hoje...Aconselho-o a visitar a Escola dos nossos dias. Pode começar por ir à escola dos seus filhos, se é que os tem...

De Victor a 14.06.2013 às 19:16

Privilégios?Pagar o salário de um professor é privilégio?Ou é um direito de quem trabalha? O setor privado não tem privilégios? Que ideia...
Que eu saiba no ano passado quem não recebeu os subsídios a que tinham direito foram os funcionários públicos. Então e o que dizer dos prémios de produtividade? E o pagamento de horas extraordinárias? E aos fins de semana, feriados e depois do horário de trabalho? Entre outras...bem mais escandalosas...
Não fale do que não sabe pf, porque não é justo colocar o funcionário do privado contra o do publico, uma vez que ambos passam por grandes dificuldades com as medidas do governo.

De antoniopestana a 14.06.2013 às 21:29

Quando se pretende um salário irreal para a situação do país,deixa de ser um direito e passa a ser um privilégio.
Tomemos o exemplo da França como país médio em termos salariais e benefícios sociais.O salário mínimo é de 15.000 euros anuais e a média dos salários dos professores de 26.500 anuais.
Com um salário mínimo de 7.000 euros anuais,a média dos salários dos professores Portugueses deveria andar em torno dos 12.000 anuais,e não me parece que estejam a lutar por esse salário.Se considerarmos que a situação financeira nacional é muito pior do que a Francesa,o descalabro é ainda maior.

De aprendiz de feiticeiro a 13.06.2013 às 13:00

então acabe-se com o ensino público. A partir de agora só ensino privado ... assim está melhor

De deus a 13.06.2013 às 13:05

o problema são os assessores, os boys, as swaps, o saque dos dinheiros públicos ... porque se esta coisa a que chamam democracia fosse bem gerida ... havia dinheiro para a educação, para a saúde ... assim só há dinheiro para as sanguessugas do poder ... e todos sabém que ... PARA UNS MAMAREM ... OS OUTROS TEM QUE DAR LEITE ...

De NATÁLIA ALMEIDA a 13.06.2013 às 13:19


A questão da greve dos professores é uma questão muito séria! Por que razão?
Deixo de lado as consequências imediatas que não são de remeter ao esquecimento, mas quero ver o futuro dum país impreparado, de crianças e jovens «atirados como lixo» para dentro de salas com 30 alunos, entregues a professores MAL PREPARADOS PORQUE NOS ÚLTIMOS 30 ANOS NINGUÉM CUIDOU DA FORMAÇÃO DOS PROFESSORES COM NÍVEL ELEVADO E REQUINTE PEDAGÓGICO. Também vejo lançadas as bases duma educação pobre que lançam Portugal na mais profunda miséria intelectual, moral e criativa...porque todas estas competências de aprendem COM QUEM SABE! Que fazem ou têm feitos os governos de Portugal na educação? Aumentar FORMAS DE CONTROLO DUMA QUALIDADE QUE NÃO EXISTE. Para haver QUALIDADE É PRECISO INVESTIMENTO, SENHORES GOVERNANTES. Quem semeia mediocridade colhe frutos medíocres.

De Fátima Inácio Gomes a 13.06.2013 às 14:56

Caro António Pestana. Também é tempo do governo estabelecer prioridades de Estado. E essas são de interesse de TODOS os portugueses, não deve haver portugueses de primeira e de segunda.
Eu também não invoco as diferenças favoráveis no privado.
A mim interessa-me que vivamos num país mais justo e solidário, um verdadeiro país civilizado. As aproximações entre privado e público devem ser no sentido da melhoria de ambos, a isso é que se chama "evoluir".
Mais do que destruir os professores, o que os governos têm vindo a fazer, em benefício da gestão própria e danosa, é destruir um dos pilares fundamentais para o país evoluir.
Aguarde pelo futuro e verá o que acontecerá à Educação, por este caminhar.

De antoniopestana a 13.06.2013 às 18:12

As diferenças favoráveis no privado encontram-se sobretudo a nível de quadros superiores,o que pela sua dimensão é irrelevante para a economia e para os cofres do Estado.
É claro que a aproximação entre público e privado pode e deve ser feita sem prejuizo para ninguém,porém impossível ,quando se pretende saír de uma crise financeira em que o peso do Estado é uma das principais causas dessa crise.

De Fátima Inácio Gomes a 14.06.2013 às 00:49

Estando de boa fé, saberá bem que o "peso do estado" não está nos funcionários públicos, menos ainda nos dos serviços básicos. Têm ido aos centros de saúde ultimamente? Aí se se aperceberá bem do excesso de funcionários...

O peso do estado, saberá bem, vem das reformas exorbitantes, dos compadrios, do financiamento a bancos que desviam dinheiro, das subcontratações de empresas de amigos...

E eu também me queixo, oh como me queixo (eu já não tenho qualquer subsídio, lembra?) deste "peso do estado".

De antoniopestana a 14.06.2013 às 09:59

Não vejo outro motivo,a não ser do de garantir excesso de professores,para que os sindicatos revindiquem menos horas de trabalho e menos alunos por turma do que países como a Espanha França e Alemanha.No Brasil é de 35 no secundário e 50 no superior,o que não impede que Portugal reconheça os cursos Brasileiros. O facto de haver erros de governação noutras áreas também não justifica que se continue a errar na educação,até porque seria impossível optimizar todos os serviços em simultãneo.
Os salários e reformas dos professores são exorbitantes para o nosso PIB
A minha mãe que era professora primária no governo de Cavaco Silva viu o seu salário aumentado em 50% de uma só vez e quando se reformou recebia 30 mil euros por ano,talvez o dobro do que seria justo.O mesmo acontece na saúde,na justiça,na administração.São milhares de milhões gastos a mais com os que não contribuem directamente para a riqueza do país.

De Fátima Inácio Gomes a 14.06.2013 às 10:12

Credo!!! 35 alunos?!
E quer apresentar argumentos sérios? deve estar a brincar.
O reconhecimento dos cursos é uma medida política, veja que tipo de avaliação fazem habitualmente desses cursos. E se vai comparar, compare com países avançados culturalmente, por favor.
Com argumentos desses, por favor.

Certamente não tem filhos: passe um dia inteiro com 30 crinaças numa sala e depois venha conversar.

E no tempo da sua mãe as coisas eram bem diferentes. Não compare o incomparável. E certamente o António até votou Cavaco, não? Pois olhe que eu não! Eu trabalho o dobro da sua mãe e ganho metade. Da parte da educação e da saúde já não há gorduras, estamos no osso. Há dois anos que estão a cortar no meu salário para pagar o esbanjamento dos poderosos. Não recebo os subsídios que suponho o António recebe. E que melhorias vejo eu?

Deve estar bem na vida, para falar assim do alto de um "pedestal", tão distante da realidade.
E, como não estou nesse pedestal, vai-me desculpar, a "conversa" fica por aqui.

De todo o modo, não respondeu à questão essencial que deixei no texto. É essa resposta que importa para o futuro da educação em Portugal.

De antoniopestana a 14.06.2013 às 12:14

Abandonei a escola quando estava no 10º ano.Estive em turmas que chegavam aos 33,nunca votei porque não sou capaz de confiar em pessoas desonestas(apesar de já ter idade desde 76).Não me sinto diminuido por qualquer opção ou condicionalismo.
Não receio minimamente pelo futuro da educação em Portugal,porque a pessoa mais bem educada que encontrei na vida era analfabeta.Eu tenho medo é dos muito cultos,sobretudo dos que chegam ao governo.Sinto-me realmento no alto de um pedestal,mas só a nível espiritual,porque financeiro nunca estive tão fundo,e a descida em qualquer um conduz à subida no outro.
Este governo apenas tem retirado privilégios para reequilíbrar as contas públicas.Apesar de ser uma medida importante,as melhorias só resultarão do aumento da produção , das exportações e da consciensalização dos cidadãos para não fugirem ao fisco.É vergonhoso uma economia paralela em 30% do PIB,a maior a seguir à Grécia.É ridículo almejar salários como os Alemães e fugir ao fisco como os Gregos
Apesar dos privilégios que a Fátima já perdeu,não acho que seja justo estar a queixar-se antes de começar a perder direitos.É preciso não esquecer que inconstitucional foi o governo ter concedido privilégios,sendo a retirada dos mesmos uma reposição da justiça.

De Fátima Inácio Gomes a 14.06.2013 às 13:28

António, não percebu que eu não estou a falar de regalias, pois não?
Continua em circuito fechado.
Eu falo da Educação, mas se o António não está preocupado com o seu futuro, estamos conversados.

De antoniopestana a 14.06.2013 às 17:41

A propalada preocupação dos professores com a educação é um embuste para camuflar privilégios que só podem existir cortando ainda mais em centenas de milhar de salários de operários que recebem 1/3 ou1 /4 dos professores,
Se os Professores precisam de um salário igual ao dos professores Franceses ,país onde o PIB per capita é o dobro do Português,para garantir uma educação suficiente,então é porque são muito mal educados e ineptos para o cargo.
Professores bem educados não exigem nem aceitam privilégios,apenas o que é justo.
O senhor Mário Nogueira é um agitador e mal educado que está há dezenas de anos a incitar à chantagem sobre os governos para que este engorde uma classe que sempre foi privilegiada às custas dos mais pobres,apesar de pertencer a um partido que se diz defensor dos direitos dos mais desfavorecidos.

De Ana Correia a 14.06.2013 às 15:23

Confirmam-se as minhas suspeitas: o sr. Pestana sabe de Escola aquilo que ouve na comunicação social, que se encontra fortemente distorcido pela lente de "treinador de bancada". Vício do qual padecem os muitos comentadores/especialistas que sobre o assunto falam. Eles, tal como o sr. e muitos dos encarregados de educação ainda pensam que a escola não mudou desde os seus longínquos dias de alunos.
ana correia

De Antonio Silva a 13.06.2013 às 16:21

Os profs estão a colher o que semearam, não estavam contentes com o governo anterior, puseram este no poder, agora gramem, não tenho pena nenhuma.

De Brama a 14.06.2013 às 00:44

Os comentários generalistas valem o que valem, geralmente não valem nada ... conclusões estereotipadas sem base que as fundamente, atiradas para o ar à espera que causar celeuma.
Curiosamente nunca votei em nenhum dos partidos que nos tem governado, nem PS nem PSD's mas tenho de "gramar" sempre com os mesmos cromos porque alguém os mete lá ... se calhar é melhor mudar de país porque aqui é PS e PSD ad eternum.

De Fátima Inácio Gomes a 13.06.2013 às 16:40

Caro António da Silva (será por ser dia de St. António?!),

não sei como chega à conclusão, com base em que sondagem ou estatística, que os professores votaram PSD. Olhe, eu não votei. Como antes não votara no PS de Sócrates... e agora, terá mais pena de mim?

Por muito que se escreva, que se esclareça, parece que as pessoas não saem do circuito fechado onde as enfiaram.

De Jeronimo Jarmelo a 13.06.2013 às 17:03

Concordo inteiramente com o comentário da Fátima I. Gomes que classifico de oportuno e clarividente.
Não deixo, contudo, de lembrar que os professores se "puseram a jeito" para esta situação. Não podemos esquecer que, no governo Sócrates, com o qual concordei numas medidas e discordei noutras, os professores foram usados, objectivamente, como "tropa de choque" para o seu derrube. Com todos os defeitos desse homem, pelo menos demonstrou alguma sensibilidade social, coisa de que agora não se vislumbra um pingo que seja.

Lengalenga

Um tal de Crato
É tipo fino
Um grande chato
E sibilino.
Fala mui bem
Faz muito mal
É impulsivo
E repentino;
É implosivo,
O figurino!
É um pedante
Bem cristalino,
É arrogante
E viperino;
Tão insensível,
Crato cretino!



De Fátima Inácio Gomes a 13.06.2013 às 22:10

Obrigada, Jerónimo, pela lengalenga.
De lamentar, apenas, que exista.

De Luis Ferreira a 13.06.2013 às 18:06

Os professores, assim como todos os empregados públicos, deveriam registar o ponto às 9:00h e às 18:00h como todos os que pagam impostos fora do estado. O estado devia avaliar e premiar os professores de cujas turmas tivessem melhores resultados nos exames nacionais (e apenas estes), com subidas de escalões e ou prémios de desempenho. Poderia haver majoração dos resultados tendo em consideração escolas inseridas em meios socioeconómicos "desprivilegiados".O estado devia acordar um número fixo de alunos por professor, sendo possível às escolas (individualmente, como as empresas) contratar novos professores ou dispensar os menos bem classificados (resultados dos exames nacionais), caso o número de alunos aumentasse ou reduzisse. O estado devia designar directores (profissionais) de escolas, professores ou não, mas com a devida formação de gestor escolar, e com autoridade sobre alunos, funcionários e professores. O bom funcionamento da escola, e os resultados escolares dos alunos (os mesmos dos professores), seriam a sua avaliação.
Os professores deviam exigir e negociar a sua especial autoridade nas salas de aulas, e escolas em geral, tendo o director da escola a responsabilidade máxima neste capitulo. Negociar a existência de condições nas salas para o ensino, e espaços dignos para preparação das aulas, preparação dos testes e correcção dos mesmos, durante as 40 horas semanais de trabalho.
Os meus professores do liceu tinham pouquíssimas horas efectivas de aulas, repetiam o mesmo programa (e muitas vezes os próprios testes) anos a fio, não perdendo grande tempo de preparação em nenhuma das actividades. Por outro lado, davam explicações aos alunos da colega do lado (e esta aos seus), sendo que, no 12º ano, estas eram dadas durante o horário normal de trabalho.
Eu tenho um horário de trabalho das 9:00h às 18:00h , passo o cartão entre as 8:20 e as 8:35h para entrar, e passo o cartão para sair entre as 19:00h e as 20:30h todos os dias, dependendo do "aperto". Já foram despedidas 123 pessoas em três anos, 35% do total inicial.
Tenho dificuldade em entender o que querem os professores... trabalho para todos, nem que seja com turmas de 10 alunos, e 5h de aulas por semana? (alguns já o têm!!)
Alguns nem alunos têm, mas continuam nas escolas; no mundo real estavam despedidos há muito, porque a empresa tinha falido...

De Antonino Silva a 13.06.2013 às 19:04

Grande malha, caro Luís. Só esquece algumas coisas fundamentais.
1. As 40 horas não existem no privado. Um quadro médio ou superior (caso dos professores) trabalha 35 horas. 40 horas são para os técnicos operacionais.
2. Um professor que dá 22 horas de aula, ao passar a ter as 40 horas de permanência obrigatória na escola terá de ter, concomitantemente, um espaço para o seu trabalho não letivo . Ou quer que lecione as 40 horas? Também se arranja!
3. O ministério terá de, por legislação adequada, informar quanto tempo de preparação pressupõe cada hora de aula; quanto tempo máximo poderá demorar uma reunião (não as 8 horas que algumas levam); quanto tempo deve contabilizar a correção de um teste, etc. A partir daí, vai ser uma coisa fantástica. vamos ver os professores a encerrarem 'a sua cadeira' (o dito gabinete) da sala de professores cumpridas as 8 horas do dia e as 40 semanais e os nossos filhos à espera dos resultados dos testes que tardam porque as sua correção estaria para lá do horário semanal.
Não sabe que já trabalham muito mais que as 40 horas?
Os professores marcam o ponto cada 45 ou 90 minutos. Marcam os livros de atendimento, de reunião de apoio, de ateliês, etc.
Um professor com 7 turmas de 30 alunos terá ao todo 210. Se fizer 2 testes no período terá 420 para corrigir. Em média cada teste demora 30 minutos a corrigir, o que dará 210 horas. Se o período tem 12 semanas (como é o 1º) teremos 17.5 horas por semana para corrigir testes. Some as 22 horas de aula e terá 39.5 horas. Na meia hora que resta pretende que faça direção de turmas, que coordene, que prepare as aulas, que vá às reuniões, que dê apoio, que prepare os testes, que... ???!!!
Mesquinho é o povo que quando vê o vizinho com manteiga no pão fica feliz se tirarem manteiga ao vizinho e não se lembra de a exigir para si.
Cumprimentos.

De pedro a 13.06.2013 às 21:50

Assim é que se fala....Pelo menos não se notou que gaguejou! Fico pasmado como é que o senhor que trabalha das 8:20 às 20:30, ainda tem tempo para fazer uma análise tão cuidada do que fazem os professores no interior das escolas! Ainda se fosse do que eles fazem fora da escola (no café, na casa do vizinho, no quintal, nas idas ao cinema, etc. ).Dou-lhe os meus parabéns! Até parece entender da poda! Talvez esteja a praticar numa quinta privada e como os que trabalham noutros quintais num horário diferente do seu já não está bem!
Pergunta o que querem os Professores? Então depois de tantas noticias e tantos comentários que circulam sobre o que pretendem , o meu amigo ainda não entendeu. Subitamente deve ter perdido a concentração demonstrada....Olhe, a maior parte deles desejaria deixar a escola ao fim do dia e ir para casa sem preocupações e trabalhos para fazer e não darem horas extras gratuitamente. Desejariam ensinar e não substituir os pais nas tarefas de educar!
E todos, sem excepção, gostariam de desenvolver a sua actividade durante um período de tempo determinado em função da especificidade da profissão e em condições normais. No uso pleno das suas capacidades intelectuais, psíquicas, etc. que a idade habilmente vai roubando fruto do excessivo desgaste diário a que estão sujeitos.

De Ana Correia a 14.06.2013 às 15:28

Aconselho-o a descer à realidade...Assim talvez evitasse algumas propostas que pensa serem originais mas afinal até já estão em prática e (veja como é curioso!) não resultaram.
SE tem filhos, vá regularmente à escola e leia a legislação sobre o assunto antes de falar "de bancada".

De António tia-tia a 13.06.2013 às 18:44

O problema não está na greve dos professores.

O problema está na eficiência – ou falta dela – do Poder.
Não se espere ineficiência do contra-poder.

O Poder, que já foi do partido socialista, enfrentou greves bem mais “representativas” dos professores.
O Poder, agora, é do partido social-democrata em coligação com o partido popular que, pasme-se, permitiu uma greve de uma outra classe que deu centenas de milhões de euros de prejuízo à economia nacional, e para mal dos pecados dessa classe, a greve era a horas extraordinárias – isto num país que tem 18% de desemprego conhecido e outros tantos dos quais a estatística não conhece.

O Poder cuja ineficiência é alarmante resulta em conjunto de mais de 80% dos votos dos portugueses.

O contra-poder, aquele que priva aos outros o direito ao trabalho, é eficiente e resulta de 6 a 7% do voto dos portugueses que, não tendo mais que essa expressão nos Órgãos de decisão Nacional democraticamente eleitos trazem para a rua os seus “subdeputados” que, ou é como nós queremos ou fazemos greve.

O Poder tem que sem reservas, deixar de pagar o salário através do Orçamento do Estado a cidadão que não prestem serviço para o Estado, neste caso, às centenas de professores que estão destacados nos sindicatos dessa classe.
Mais, o Estado tem que garantir o Direito ao Trabalho, direito paralelo ao Direito à Greve – não ser sindicalizado é um Direito Adquirido.

O contra-poder de agora é o mesmo que acompanhava a par-e-passo, que vaiava os Ministros Socialista.
Espero que o contra-poder não nos leve à política da substituição da Lei da Greve pela lei do trabalho voluntário.

O problema está na paciência de quem tem o Poder pelo facto de ter sido Eleito para esse fim, que deve por todos os meios garantir o Direito ao Trabalho, afastando das imediações dos locais de exames os professores que queiram fazer greve – a Greve é um direito, e o Trabalho também.

Não reparei se autora (Fátima Inácio Gomes) é mais uma das Professoras e dos Professores cujo conteúdo de ensino é mais um dos muitos cujo futuro não existe. Se assim for, está na hora de a reciclar, pode depois da reciclagem servir o ensino em Cursos com futuro, perdão, onde valha a pena o País investir.

António tia-tia (blogger)

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