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Que nova Governança para o Mali?

por Raúl Braga Pires, em 16.05.13

Decorre hoje, quinta-feira 16 de Maio, uma conferência no Palais Bourbon, Assembleia Nacional Francesa, em Paris, sob o tema Quelle Nouvelle Gouvernance pour le Mali?


Entre muito outros dignitários malianos, do norte e do sul, tuaregues, mouros e demais etnias, está presente Abdullahi Ag Mohamed el Maouloud, um dos líderes da Tribo Kel Ansar de tumbuktu, exilado na Mauritânia, com mais cerca de 100 mil dos seus e com quem tenho privado ultimamente, em longas entrevistas sobre a História do Mali, bem como a dos tuaregues.

 

 

 Há uma ideia generalizada de que o sul do Mali é completamente diferente do norte, o que corresponde à verdade, mas este dado a preto e branco, também nos dá uma ideia d’homogeneidade entre todas as regiões do sul entre si e todas as tribos tuaregues a norte. Nada de mais errado.

(Sobre este tema, consultar o último texto publicado no Blogue Maghreb/Machrek

http://expresso.sapo.pt/o-futuro-do-mali-em-debate-na-assembleia-nacional-francesa=f807116 )

 

É nesse sentido que o Chefe Abdullahi, Professor de formação, antigo deputado, administrador territorial e actualmente membro do Conselho Económico e Social do Mali,  o que lhe tem permitido conhecer o país por inteiro e in loco, apresentará a proposta dum futuro federal para o Mali.

 

O sufrágio será directo na eleição das Comunas, das Assembleias de Círculo e nas Assembleias Regionais. Serão as Assembleias de Círculo a elegerem e a nomearem os respectivos Prefeitos, as Assembleias Regionais a elegerem e nomearem o Governador de cada Região e o respectivo Comissário de Polícia.

 

No acto d’eleição das Assembleias Regionais, para além destas, também serão eleitos Grandes Eleitores em cada uma das regiões, os quais posteriormente irão eleger o Senado Nacional.

 

Sufrágio directo para a eleição da Assembleia Nacional.

 

Tudo isto, obedecendo a um esquema de quotas proporcionais e combinadas entre o peso demográfico de cada étnia ao sul e de cada tribo ao norte e a extensão territorial por estes ocupada.

 

Independentemente do partido/coligação politíco/a a ganhar as eleições legislativas, a composição dos futuros governos, também deverá obedecer a uma preocupação por equilibrios étnicos/regionais, p’lo que para facilitar esta tarefa, talvez seja sábio estabelecer neste capítulo uma regra não escrita, um compromisso de cavalheiros, o qual permita a procura da equidade sem um sentimento d’obrigatoriedade.

 

A eleição presidencial seria a única a relizar-se sem qualquer preocupação de quotas e/ou equilibrios, projectando no indivíduo um sentimento da pertença a uma causa una, a um Estado, que está para lá da sua nacionalidade, da sua região, da sua étnia, da sua tribo e lhe permita dizer e sentir “Eu sou Maliano”.

Complicado? Certamente. Caro? Sem dúvida, mas muito mais económico e viável que a habitual guerra sazonal!

 

 

Baptismo de Leite de Camelo. Também muito chá se foi bebendo ao longa das entrevistas que se prolongaram por tardes e noites adentro. A conversa foi sempre muito agradável e as histórias, muitas delas contadas na 1ª pessoa.

 

 

Para um maior e melhor desenvolvimento de toda esta temática, marque já na agenda o dia 20 de Junho, já que farei no Palácio da Independência, ao Rossio, Lisboa, a partir das 18h, conferência sob o tema

 

"Por um Mali Federal: Dinâmicas touregues e enquadramento regional".

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publicado às 12:17





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