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Um discurso indigno de um PM

por Paulo Guinote, em 08.04.13

Entre as 18.30 e as 18.50 de hoje, dia 7 de Abril de 2013, assistimos a um espectáculo que, de forma contida, só consigo classificar como vergonhoso.

 

Porque um PM que tem um ministro das Finanças incapaz de elaborar um orçamento de acordo com as leis do país e que errou previsões sobre previsões, que perdeu o seu braço direito na sequência de uma vulgar aldrabice académica que considerou um não-assunto, demonstrou três coisas absolutamente impensáveis em alguém que quer governar um país com um mínimo de dignidade:

 

  • Uma completa incapacidade para lidar com as regras de um Estado de Direito com destaque para a separação de poderes, só lhe faltando evocar a imagem das “forças de bloqueio” criada por um outro PM com os mesmos problemas. A forma como atacou de modo desabrido o Tribunal Constitucional seria impensável em qualquer outro país com um mínimo de tradição democrática.

 

  • Um espírito vingativo sobre os funcionários do próprio Estado, em particular, considerando-os mera “despesa” e não um activo do país e sobre os portugueses, em geral, ao ameaça-los com a privação de serviços públicos ainda mais essenciais num período de fortíssima crise social e económica, enquanto continua a manter fora das suas críticas e dos sacrifícios exigidos pela austeridade os grandes grupos de interesses que continuam a sorver imensos recursos financeiros públicos através de negócios ruinosos para o Estado.

 

  • Uma reverência incompreensível em relação à “imagem externa” do seu governo (que falaciosamente apresenta como sendo “do país”), sacrificando a vida concreta dos cidadãos do seu país a essa mirífica imagem, vergando-se logo à partida às antecipadas  imposições exteriores e abdicando de ser a primeira defesa aqueles cidadãos nas negociações com os credores externos.

O discurso do actual PM foi vingativo e chantagista para aqueles que deveria servir e representar na tal situação de “emergência nacional” que diz existir, apesar de repetidamente ter anunciado o seu fim. O discurso foi indigno de um PM, pois desrespeita o funcionamento democrático mais básico, desgosta dos funcionários do aparelho de Estado que deveria motivar e mobilizar e desiste da defesa dos cidadãos de um país já bastante maltratado pela incompetência governamental.

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publicado às 11:09


1 comentário

De Maurício Brito a 08.04.2013 às 15:28

Subscrevo inteiramente. Um primeiro ministro ressabiado, incapaz de assumir os seus erros e de respeitar uma Instituição que representa o garante da justiça do nosso país. Uma comunicação verdadeiramente lamentável, imprópria de alguém responsável pelos desígnios de uma nação.

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