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Habemus pobres

por Fátima Inácio Gomes, em 20.03.13

 

Olho em redor e espanto-me. Mais uma vez, à imagem de outros tempos, a Política e a Igreja andam de mãos dadas. E ao mais alto nível. O Papa Francisco declara que quer “uma Igreja pobre para os pobres” e o nosso governo, à imagem de outros governos europeus, trata logo de aumentar o número de pobres.

 

De repente, vários governos europeus, com o português a dar provas de não só ser um bom aluno mas também um bom catecúmeno, transformaram-se numa versão atualizada de Robin dos Bosques – vejam como, no Chipre, o braço armado da União Europeia (ou seja, os ministros das finanças e da economia europeus) se prepara para roubar as poupanças daqueles que amealharam mais de vinte mil euros. Lamentavelmente, não pretende dar o saque aos pobres, mas compreende-se o raciocínio: os pobres deixariam de o ser… e, depois?

 

Mas, em Portugal, o esforço de empobrecimento é maior, não fosse este um país com profunda tradição católica. (E, não, não estou a defender que o catolicismo promove e cultiva a pobreza. A Idade Média ficou lá atrás… Simplesmente, procuro esclarecer as boas e santas intenções do governo ao empobrecer o país.) É que, em Portugal, não são só os políticos que se esforçam em seguir à letra as palavras do Santo Padre. Aqui, os próprios “pensadores” dão mostras de uma profunda pobreza, de ideias, digna também do auxílio da Santa Madre Igreja. Basta olharmos para os mais recentes convidados do “Clube de Pensadores”, como Miguel Relvas ou Belmiro de Azevedo. Do primeiro estamos mais do que falados. Do segundo, numa única frase sua, “Porque se não for a mão-de-obra barata não há emprego para ninguém.”, detetamos tanto o seu indisfarçável desejo de que o número de pobres cresça, quanto a sua própria pobreza de espírito. Conheço economias que se fundamentam neste princípio, mas julgava eu que pretendíamos afastar-nos desses modelos “terceiro-mundistas”.

 

De facto, no nosso país, têm-se prodigalizado estes “pensadores” pobres, pobrezinhos, todos eles com palco montado e luzes apontadas. Devo frisar que eu sou contra a exploração da pobreza para fins políticos, mas, hoje em dia, já não há escrúpulos. É ver estes pobres expostos em praça pública, com tanto despudor: o Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, o consultor do governo, António Borges, o secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro, Carlos Moedas, o banqueiro Fernando Ulrich, cuja mulher, por acaso, é consultora da casa civil do Presidente da República, o próprio Presidente da República, que tanto avisa, mas promulga todas as medidas do governo, é o Ministro Vítor Gaspar que, após dois anos de uma lenta, reiterada, ponderada afirmação de que estamos no bom caminho, de que “o programa está bem adaptado a Portugal” (DN, 19.11.2012), vem agora afirmar que o “programa inicial assinado com a troika estava mal desenhado”, é o Primeiro-Ministro Passos Coelho que afirma que “este programa está muito além do memorando da troika”, visando assim (tentem não rir, que o assunto é sério), “pôr Portugal a crescer, a criar riqueza e emprego” (DN, 09.05.2011), é… é um sem fim deles.

 

Rezemos pois, irmãos, para que o Papa Francisco nos livre, se não de todos os pobres, pelo menos, destes pobres.

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publicado às 10:47





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