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Quem é que está lixado, afinal?

por Fátima Inácio Gomes, em 04.03.13

 

Participei na manifestação, hoje, dia 2 de março. Em Braga. Uns milhares calcorrearam estas ruas. Ainda assim, muito poucos, se pesarmos o tamanho da indignação do país. Um milhão e meio, estimam? Muito poucos, se olharmos para a precariedade de tantos portugueses que apenas veem no trabalho o suporte da sua vida, se olharmos para a arrogância de banqueiros que, cada vez mais, se sentem moralmente autorizados a falarem sobre as dificuldades de um país que só conhecem pelos dividendos, se olharmos para um governo que privilegia os poderosos, nacionais e estrangeiros, em detrimento do povo que governa.~

 

 Fomos poucos, na rua. Mas fomos os suficientes para que o governo não possa ficar indiferente. Por muito menos, em tempos idos, em tempos em que a primeira obrigação era para com o povo que representam e não para com os poderosos cujas negociatas têm que salvaguardar, os políticos demitiam-se. Havia sentido de honra.

 

Havia pudor. Um ministro à frente de um ministério demitia-se quando algo grave se passasse sob a sua tutela, nem que a responsabilidade direta tivesse sido do funcionário que não tinha apertado devidamente o parafuso que, em última instância, provocara o acidente. Ainda se falava em “responsabilidade moral”.

 

Hoje, os responsáveis são conhecidos e os ministros “reiteram a total confiança” no seu desempenho e no seu caráter. E amanhã? Como olharão os ministros, os milhares de pessoas que estiveram na rua? É que foram poucas, face à indignação que vive nos nossos corações, mas foram já demasiadas para o governo se esquivar. Só a mais profunda desfaçatez, só a perda total do verdadeiro sentido político é que manterá este governo em funções, por vontade própria. Fomos já demasiados, para ignorarem. Mas bastaria a Laura, uma miúda de 12 anos que subiu ao palco, em Braga.

 

Tremia-lhe a voz, comoveu-se, comoveu-nos. Não falou da sua miséria, pois felizmente anda não a atravessa, mas falou do país que vê em redor, através das palavras dos adultos, que temem o desemprego, que falam da crise de manhã à noite, que vão pondo o medo à mesa, à hora de jantar, sempre que se fala no futuro. Que temem por ela e a olham com angústia. Chorou, a pequena, e chorámos com ela.

 

Bastaria a Laura para que qualquer político com um pingo de honra, com um pingo de vergonha na cara, se demitisse.

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publicado às 10:59


2 comentários

De Jorge Craveiro a 04.03.2013 às 20:25

Também participei na manif. em Viseu, que desta feita teve inicio no Jardim de Sta. Cristina para desembocar na praça 1o de Maio, uma bonita praça, desenhada pelo Arquitecto Sizão Vieira repleta de magnolias, mas ainda bastante mal amada pelos viseenses!... Pareceu-me que o número de manifestantes foi muito aproximado ao da manif de 15 de Set. Desta feita, o que me chamou mais a atenção foi a pouquíssima participação da juventude! Claro que todos sabemos que a juventude actual que foi educada num contexto de uso da democracia e de acesso a uma sociedade de consumo, da qual muitos dos seus pais ou avos não usufruíram, os valores de Abril, brilhantemente sintetizados na Grandola Vila Morena, são-lhes distantes. Contudo, dada a a b btgbgtgtbctual violência da política prosseguida por este Governo da Ultra Direita, traduzida no aumento colossal de impostos, em cortes de salários e de pensoes e sem que isso se traduza numa diminuição da divida publica, colocam- nos a todos numa posição de fragilidade perante os outros países da Europa e do Mundo com reflexos óbvios nas perspectivas de vida para a juventude! Mas o número de grisalhos presentes tb me pareceu insignificante. Face aos cortes generalizados nas reformas e pensões seria de esperar que a indignação e o protesto consequente, tivessem sido muito maiores. Nas intervenções destaque para a do advogado Jaime Gralheiro, com dotes de tribuno, mas cuja intervenção ficou aquém do expectavel. Uma palavra para os organizadores e para os artistas José Rui, do Acert e do Carlos Clara Gomes!

De Fátima Inácio Gomes a 04.03.2013 às 21:06

Obrigada pelo testemunho de Viseu, Jorge Craveiro.
Bem haja.

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