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Líder da Oposição assassinado na Tunísia

por Raúl Braga Pires, em 07.02.13

Shokri Belaid conseguiu, através da sua morte trágica e involuntária, aquilo que não atingiu em vida. O Primeiro-Ministro tunisino, Hamadi Jebali, em resposta à reacção popular no post-mortem de Belaid, dissolveu o Governo islamista que liderava, disse que iria nomear um Governo tecnocrata d’unidade nacional e anunciar eleições legislativas para o mais breve possível. Ora eram precisamente estas as reivindicações/propostas de Shokri Belaid, pelo menos desde o início deste ano, afirmando também que as eleições nunca deveriam realizar-se depois de Junho. A anedota clássica que há pelo menos 50 anos corre no Magrebe a propósito dos tunisinos, é a de que são os melhores plagiadores do Mundo. Copiam tudo e depois apresentam o produto como se fosse o melhor dos originais. Ora a Tunísia foi bem original como centalha da “Primavera Árabe”, sendo depois ofuscada e esquecida perante a dimensão das “revoluções” no Egipto e no Iémen e das guerras na Líbia e na Síria. Volta agora a ser original, ao protagonizar o 1º assassinato político dum político de 1ª linha, no pós-Primavera Árabe. Não tendo ainda sido reivindicado, toda a gente aponta o dedo aos islamistas do partido Ennahda, até ontem no Governo, sendo que os salafistas também não estarão fora do radar deste assassinato, certamente motivado por questões políticas. A reacção da população será certamente de repulsa colectiva por parte dos tunisinos, face ao caminho islamizante que o país estava a tomar. Ou seja, neste aspecto, as coisas também poderão vir a ter um resultado positivo para o campo dos laicos. Os islamistas, na ânsia de moralizar e d’impôr o seu caminho redentor, estão cada vez a dar mais tiros nos pés, tanto na Tunísia, como no Egipto. Já se percebeu que a sua rectórica não basta para colocar pão e chá à mesa. Uma decepção que lhes custará caro em futuros actos eleitorais, sendo rejeitados pelas próprias populações. Nada de novo em democracia/multipartidarismo, sendo que o processo leva o seu tempo Por outro lado, a Tunísia necessita duma profunda e prioritária reforma nas suas forças de segurança, as quais necessitam urgentemente de ganhar a confiança da população e a competência para evitar mais episódios deste tipo.

 

 

 

 

Shokri Belaid (1964-2013): Natural de Jebel, Advogado, opositor ao regime de Ben Ali, Líder do Partido dos Patriotas Democráticos, o qual integrava a coligação Frente Popular, constituida por 12 partidos da oposição ao Governo Islamista do Partido Ennahda.

 

Raúl M. Braga Pires

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publicado às 15:38





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