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Metade dos alimentos do mundo vai para o lixo

por Eugénio Fonseca, em 01.02.13

Diz um estudo divulgado recentemente, e publicado na altura em vários órgãos de comunicação social, que entre 30 a 50 por centro dos alimentos produzidos não são consumidos. Ao tomar conhecimento destas percentagens invadiu-me uma perplexidade angustiante. Pensei nas inúmeras campanhas de recolha de alimentos que são necessárias para poder dar resposta às ainda maiores necessidades de milhares de cidadãos portugueses que, sem esta ajuda, não teriam possibilidade de fazer uma alimentação equilibrada. E para que a perplexidade não se tornasse em revolta, violentei o meu pensamento para não ir até a lugares do mundo ainda há gente, sobretudo crianças, a morrer, todos os dias, de fome. Para onde vão os alimentos que são desperdiçados?

 

O tal estudo feito no Reino Unido fala no mau armazenamento, nas deficientes condições de transporte e nos prazos de validade como principais causas. Mas de todas a que mais me aflige, pelo conhecimento que tenho das aflições por que passam milhares de famílias portuguesas para superarem inúmeras insuficiências alimentares, enquanto cidadão e pelo meu envolvimento social, é a compra desregulada por parte de consumidores que depois deitam fora aquilo que adquiriram em excesso. Este estudo deixa a descoberto o desnível social que já existe em Portugal, na Europa e pelo mundo fora. Coloca a nu a forma como os pratos da balança se desequilibram de dia para dia.

 

Tudo isto se passa em Portugal onde foi também apresentado o primeiro estudo nacional sobre desperdício alimentar e que dá conta de uma situação igualmente gritante.

 

Segundo a FAO existem perto de 900 milhões de pessoas subnutridas em todo o mundo. O que fazemos, então, nós para inverter esta situação? Depois de tantos sacrifícios que a actual crise económica e financeira tem acarretado para tanta gente no nosso país e noutros países europeus, seria uma oportunidade favorável para se mudar de rota e assumir decisivamente que o crescimento económico é importante para o desenvolvimento de qualquer sociedade, mas não pode ser alcançado a qualquer preço.

 

O crescimento económico exige maior produtividade, mas há que criar condições para um equilíbrio saudável entre esta e as condições reais de consumo que devem estar orientadas para a satisfação das verdadeiras necessidades das pessoas e não dos mercados. É que muito do desperdício alimentar relaciona-se com o equilíbrio da balança de preços. O tema do desperdício de alimentos, de recursos naturais, de esforços energéticos e humanos, bem como de sinergias, sobretudo, endógenas de cada região do Globo está em debate público e isto, felizmente, é uma conquista.

 

Nos variados debates tem-se falado muito da necessidade de que sejam atribuídas responsabilidades, especialmente, aos países incumpridores dos compromissos assumidos nas diferentes Cimeiras realizadas sobre estas temáticas. Importa, de facto, pedir responsabilidades, mas será, a meu ver, mais importante prestar maior atenção no cuidado a ter quanto à definição de estratégias realistas e na atribuição de tarefas bem concretas. Uma das estratégias incontornáveis é, sem dúvida, a de permitir que ninguém julgue nada ter a ver com esta problemática, mas que todos somos parte desta cadeia de desperdício. Sem que cada um de nós assuma sua parte não avançaremos. A mudança de hábitos de consumo é um imperativo. Sem atitudes passivas, nem retrocessos a modos de vida que colidam com a dignidade humana, mas apostando numa transformação de comportamentos que terá de ser quotidiana e colectiva.

 

Sem dúvida que o Estado e as Organizações da Sociedade Civil têm uma missão indispensável que passa pela organização de iniciativas que facilitem a transformação que se impõe.

 

Que ninguém jamais esqueça o que disse um dos grandes pensadores cristãos (Santo Agostinho): O supérfluo dos ricos é propriedade dos pobres.

 

Eugénio da Fonseca

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publicado às 09:56


1 comentário

De Jayme Ferrer a 01.02.2013 às 11:31

Porque é que as emissões de televisão não são obrigadas a exibir os nomes dos deputados quando estes falam no parlamento?

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