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Uma suposta defesa da cultura

por Pedro Brinca, em 09.07.13

Há muito que se ouve essa ideia em determinados meios, mas este fim-de-semana foi defendida publicamente no 8º Encontro de Dirigentes Associativos de Setúbal. O moderador de um painel afirmava convictamente que as várias infraestruturas culturais criadas recentemente na cidade devem ser para uso exclusivo dos artistas da terra.

 

É difícil encontrar visão mais tacanha e provinciana, com reminiscências de um regime em que se vivia “orgulhosamente sós”, do que achar que apoiar a cultura local é impedir a entrada aos de fora. Tipo reserva ecológica, com redoma de proteção. Promover os artistas locais, obrigando o público a consumir continuamente os mesmos, incluindo os bons, os razoáveis e os medíocres.

 

Conhecer outras formas de expressão, saber um pouco mais do mundo, fica destinado apenas aos que podem viajar. As reservas, neste caso, estimulam também o elitismo. Aliás, durante muito tempo em Portugal apenas os ricos tinham acesso às novas tendências culturais, arredadas dos meios de difusão controlados.

 

E estas lógicas protecionistas têm sempre um reverso. Se limitarmos os nossos espaços culturais aos artistas da terra, também é legítimo que estes fiquem impedidos de ir atuar aos outros concelhos. Um ato de xenofobia cultural que restringe os artistas a um circuito limitado, atuando sempre para o mesmo público, até à exaustão.

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publicado às 11:47


Teatro em economia de escala

por Pedro Brinca, em 24.01.13

Setúbal assistiu recentemente a uma mega produção artística, invulgar nestas paragens. Mega, na escala do próprio concelho, pouco habituado a grandes eventos culturais, sempre prejudicado pela sua proximidade a Lisboa, mas a viver com todos os males da província.

 

Tratou-se do musical “Luísa Todi”, concebido para marcar a reabertura do remodelado Fórum Municipal que ostenta o mesmo nome, em honra da maior cantora lírica portuguesa de todos os tempos, nascida precisamente à beira Sado. O espetáculo não esteve pronto a tempo, mas assinalou agora, e muito bem, mais um aniversário do nascimento da artista.

 

Sobre a componente artística, que se pronuncie quem saiba do assunto, mas pareceu uma solução interessante juntar num mesmo espetáculo o canto lírico, o teatro e a dança. Particularmente feliz soou a junção da música erudita com uma narrativa mais popular, levando a música dita mais séria a um público menos habituado.

 

Mas o principal destaque vai para o facto de se terem reunido em palco artistas oriundos de diferentes companhias da cidade. Numa altura de crise, em que a cultura, como sempre, vai sendo o parente pobre, estas vão disputando algumas migalhas e assistindo à aproximação das nuvens negras que podem prenunciar, nalguns casos, o encerramento por falta de verbas.

 

Os financiamentos estão, geralmente, dependentes da dimensão, do número de produções, da quantidade de pessoas envolvidas na estrutura. A palavra-chave, nos tempos que correm, é escala. E a criação de escala poderia passar por uma união de todas as companhias de teatro de Setúbal numa estrutura única, para mais facilmente reivindicarem apoios e ganharem visibilidade.

 

É verdade que isso significa partilhar o quintal, o que geralmente não é fácil, mas com jeito conseguia-se partilhar apenas isso e deixar o interior das casas como espaço privado. Ou seja, uma estrutura chapéu, que concorreria a fundos e que promoveria o nome de Setúbal como espaço cultural, dividida internamente nas companhias atualmente existentes e que se têm dedicado a objetivos distintos e, portanto, não “concorrenciais”.

 

No novo paradigma económico, seria uma solução inteligente partilhar recursos, como as instalações, os serviços administrativos ou os equipamentos técnicos. Cada um continuava a dedicar-se às suas especificidades, beneficiando das sinergias. Que a Luísa Todi, que conseguiu reunir todos no mesmo palco, possa apadrinhar igualmente esta solução.

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publicado às 15:53



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