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A verdade é outra!

por Helena Freitas, em 03.05.13

Este governo não acerta uma, mas a oposição política e mediática é branda e a população tem medo. Vamos por isso continuar a suportar o  intocável perfil técnico de um primeiro-ministro disfarçado de ministro das finanças a governar Portugal, com o beneplácito de um Presidente da República que se revela cada vez mais dispensável.

 

E lá vem mais um documento estratégico para o orçamento, mais uma vez sancionando a destruição dos direitos sociais, como se estivesse aqui a culpa da situação do país, e como se fossem estes a comprometer o nosso futuro colectivo. A verdade é que ninguém tem coragem de mexer no que é verdadeiramente penoso, porque a rede de interesses é medonha.

 

Mas a verdade que reclamamos é outra! Acabe-se com o financiamento aos interesses desse bando de abutres que medrou à custa do Estado. Precisamos de um outro Estado; um Estado que nunca tivemos, orientado para o interesse dos cidadãos e da nação portuguesa.

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publicado às 10:14


Habemus pobres

por Fátima Inácio Gomes, em 20.03.13

 

Olho em redor e espanto-me. Mais uma vez, à imagem de outros tempos, a Política e a Igreja andam de mãos dadas. E ao mais alto nível. O Papa Francisco declara que quer “uma Igreja pobre para os pobres” e o nosso governo, à imagem de outros governos europeus, trata logo de aumentar o número de pobres.

 

De repente, vários governos europeus, com o português a dar provas de não só ser um bom aluno mas também um bom catecúmeno, transformaram-se numa versão atualizada de Robin dos Bosques – vejam como, no Chipre, o braço armado da União Europeia (ou seja, os ministros das finanças e da economia europeus) se prepara para roubar as poupanças daqueles que amealharam mais de vinte mil euros. Lamentavelmente, não pretende dar o saque aos pobres, mas compreende-se o raciocínio: os pobres deixariam de o ser… e, depois?

 

Mas, em Portugal, o esforço de empobrecimento é maior, não fosse este um país com profunda tradição católica. (E, não, não estou a defender que o catolicismo promove e cultiva a pobreza. A Idade Média ficou lá atrás… Simplesmente, procuro esclarecer as boas e santas intenções do governo ao empobrecer o país.) É que, em Portugal, não são só os políticos que se esforçam em seguir à letra as palavras do Santo Padre. Aqui, os próprios “pensadores” dão mostras de uma profunda pobreza, de ideias, digna também do auxílio da Santa Madre Igreja. Basta olharmos para os mais recentes convidados do “Clube de Pensadores”, como Miguel Relvas ou Belmiro de Azevedo. Do primeiro estamos mais do que falados. Do segundo, numa única frase sua, “Porque se não for a mão-de-obra barata não há emprego para ninguém.”, detetamos tanto o seu indisfarçável desejo de que o número de pobres cresça, quanto a sua própria pobreza de espírito. Conheço economias que se fundamentam neste princípio, mas julgava eu que pretendíamos afastar-nos desses modelos “terceiro-mundistas”.

 

De facto, no nosso país, têm-se prodigalizado estes “pensadores” pobres, pobrezinhos, todos eles com palco montado e luzes apontadas. Devo frisar que eu sou contra a exploração da pobreza para fins políticos, mas, hoje em dia, já não há escrúpulos. É ver estes pobres expostos em praça pública, com tanto despudor: o Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, o consultor do governo, António Borges, o secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro, Carlos Moedas, o banqueiro Fernando Ulrich, cuja mulher, por acaso, é consultora da casa civil do Presidente da República, o próprio Presidente da República, que tanto avisa, mas promulga todas as medidas do governo, é o Ministro Vítor Gaspar que, após dois anos de uma lenta, reiterada, ponderada afirmação de que estamos no bom caminho, de que “o programa está bem adaptado a Portugal” (DN, 19.11.2012), vem agora afirmar que o “programa inicial assinado com a troika estava mal desenhado”, é o Primeiro-Ministro Passos Coelho que afirma que “este programa está muito além do memorando da troika”, visando assim (tentem não rir, que o assunto é sério), “pôr Portugal a crescer, a criar riqueza e emprego” (DN, 09.05.2011), é… é um sem fim deles.

 

Rezemos pois, irmãos, para que o Papa Francisco nos livre, se não de todos os pobres, pelo menos, destes pobres.

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publicado às 10:47


A dimensão política e humana da cidadania

por Helena Freitas, em 11.03.13

O afastamento dos cidadãos da actividade política não acontece apenas em Portugal, sendo antes um fenómeno que visivelmente se instalou de forma preocupante e generalizada nas sociedades democráticas. A intervenção política confunde-se hoje e cada vez mais com os partidos políticos, situação que tende a inibir qualquer participação noutro contexto. Por outro lado, toda a actuação que teime em emergir fora deste âmbito, rapidamente sucumbe ou é forçada a esvaziar-se, não resistindo ao jogo da censura e da cínica suspeição a que se condena tal atrevimento. Sendo indispensável o papel dos partidos políticos em democracia, também não tenho dúvidas que a maturidade das sociedades democráticas não dispensa – pelo contrário, exige - uma participação cívica atenta e activa.

 

O divórcio entre os representantes do Estado e o cidadão, entre outras coisas, tem conduzido a um elevado abstencionismo nos actos eleitorais, e à ausência de participação pública genuína e independente sobre os problemas que interessam ao país, renunciando-se deste modo ao papel vigilante sobre a actuação do Estado. Uma vigilância eficaz exige uma intervenção perseverante e sólida por parte da sociedade; a sua ausência, deixa a margem disponível para se forjarem os interesses que delapidam os recursos do país e nos deixam cada vez mais pobres.

 

Não podemos abandonar a política aos partidos políticos, e muito menos descurar uma vigilância atenta e participada na vida pública, sob pena de abdicarmos de promover os valores que alimentam a própria democracia.  É a essência da cidadania que fica em causa, quando nos demitimos de participar nos assuntos políticos e na sua decisão, desde logo no acto eleitoral e na eleição dos representantes no Governo da Nação, mas também no direito de ser eleito para os cargos políticos e na afirmação das opiniões discordantes. Quando a política se fecha à sociedade, facilmente se instala e domina uma espécie de casta política, económica e mediática.

 

A meu ver, o afastamento dos cidadãos do debate político tem um outro reflexo negativo que tendemos a esquecer, e que se traduz por uma profunda perda da dimensão humana que devia marcar as políticas públicas. Esta disponibilidade, depende muito da relação de proximidade e confiança que se estabelece entre o poder político e o cidadão; perdendo-se o espaço de cidadania, de intervenção e discussão pública da actividade do Estado, perde-se justamente o espaço natural para fecundar uma acção política diferente, aquela que todos desejamos, em que o exercício do poder se deixa orientar pelo valor da dignidade humana. 

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publicado às 11:01

Os partidos políticos portugueses não têm ficado indiferentes à emergência de novos instrumentos de comunicação e interacção com a sociedade. Entre estas novas ferramentas temos os sms, as imagens vídeo, as newsletters, a televisão digital e também a internet (webpages, redes sociais, blogs, emails…).

 

Com o aumento das consultas às páginas web dos partidos políticos passou a ser possível efectuar segmentações dos seus internautas, de forma a maximizar a fidelização e, principalmente adequar a oferta às procuras mais exigentes, orientando as mensagens partidárias aos anseios sociais. As tecnologias de informação, nomeadamente as páginas web, podem funcionar como gigantescos estudos de mercado dinâmicos, o que pode contribuir para maximizar simpatizantes, militantes e, consequentemente aumentar o número de votos.

 

Para além do contacto com os eleitores “independentes”, todos os partidos utilizam estes meios como forma de mobilização e comunicação para os militantes / simpatizantes. Através de programas estatísticos informáticos é hoje possível efectuar análises em tempo real aos acessos e conteúdos mais procurados, ao tempo de consulta médio e até à proveniência dos internautas.

 

Embora as novas tecnologias tenham aumentado a difusão de informação e a capacidade de recrutamento, não significou que tenha aumentado a democraticidade interna dos partidos ou que haja mais preocupação social nas suas propostas de lei. A massificação destas novas tecnologias pode até levar a um afastamento dos cidadãos e a uma opção perversa pelo marketing partidário em detrimento das ideologias politicas.

 

A potencialidade das tecnologias de informação é enorme e está em constante evolução. Cabe aos partidos adequarem as funções e os conteúdos da informação divulgada aos seus objectivos e darem suporte permanente à interacção com os leitores. O sucesso das páginas web e consequente tradução em número de votos não se deve apenas a uma questão de recursos e incentivos mas sobretudo à capacidade de interacção extra-tecnologias que o partido conseguir estabelecer com os internautas.

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publicado às 13:41



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