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Há a Mona Lisa e há a Mona Prince

por Raúl Braga Pires, em 14.06.13

Foi há precisamente 1 ano que conheci a Mona Prince, em Lisboa, no âmbito da agenda de actividades intitulada “Próximo Futuro”, da Fundação Calouste Gulbenkian.

A Mona, é egípcia e Professora Associada de Literatura Inglesa na Universidade do Canal do Suez, em Ismailia, no Egipto, escritora de ficção, tradutora, poetisa e activista. Esteve presente no acampamento de Tahrir, no Cairo e também tentou uma candidatura presidencial, mas não conseguiu o número de assinaturas necessário para tal. Entretanto, há uns meses atrás, pelo meio de uma das muitas polémicas em que o Presidente Morsi se viu envolvido, escreveu no mural do seu Facebook, que se candidataria de novo, nas próximas presidenciais, por longínquas que estas ainda se encontrem.

Foi precisamente durante o domingo em que Mohamed Morsi foi anunciado como novo Presidente do Egipto, que nos conhecemos melhor. Comemos uma sardinhada e depois fomos dar uns mergulhos até ao Meco, na companhia dos tunisinos Yassine Ayari (Blogger/Activista) e Ons Habib (Fotógrafa), também convidados da Gulbenkian e que participaram nas actividades do “Próximo Futuro”.

Eles queriam ir à praia e eu perguntei-lhes se queriam ir a uma qualquer, ou conhecer a minha. Tudo fez sentido naquele domingo e a liberdade do branco espumoso que bebemos e despimos na areia, parecia adivinhar as vistas curtas que os islamistas iriam em breve impôr no Egipto e na Tunísia.

No início de Abril, durante uma aula/debate sobre sectarismo religioso, conduzida pela Profª Mona Prince, a mesma mostrou a imagem duma faixa colocada pelos estudantes salafistas da faculdade, no campus universitário e que dizia “Os xíitas são o inimigo”, como exemplo do que é esse mesmo sectarismo nihilista e eucalíptico, que seca e destroi tudo à volta.

Como resposta, viu alguns dos seus alunos, muito provavelmente autores do cartaz, apresentarem uma queixa junto do Reitor, acusando-a de “insultar a religião, em específico o Islão, insultar o chefe do seu departamento, insultar a Universidade, não observar os seus deveres de docente com sinceridade, não seguir o programa do curso, não observar os valores e as tradições da sociedade, não ter modos próprios e (não poderia faltar) falar sobre sexo”!

“O Islão é um assunto sério, mas os seus advogados são mediocres”, Sheikh Muhammad Al-Ghazali dix it e já o Séc. XX ia a mais de meio!

Em consequência, Mona Prince foi suspensa e aguarda a decisão de um Conselho de Punição, que tanto a poderá repreender por escrito, como a poderá despedir.

O assunto tem sido recorrente nesta vaga reformista/nihilista, a qual pretende impôr uma arte limpa, um humor castrado e um discurso islamicamente correcto. Antes de Mona, fora o humorista Bassem Youssef, que apresenta um programa ao jeito do Daily Show de Jon Stewart e, antes deste, o próprio Sheikh Mazhar Shahin, o qual conduzia as orações na Praça Tahrir durante os protestos, acusado de criticar o Governo da Irmandade Morsi pela monopolização das instituições do Estado.

O grande desafio actual do Islão é uma mera questão de calendário. De forma simples e prática, terão que se decidir se optam pelo ano, a mentalidade e o absoluto de 1434, ou pelo ano 2013. Caso escolham o Séc. XXI, significa que assumem o paradigma da relativização e que se dispõem a debater as exegeses do Corão e a escolher uma, o que também implica a definição duma linha hierárquica clara, a qual até poderá ser oficiosa, para assim não ir contra a doutrina e a tradição e não ser encarada como Bida’a, Inovação. Ora já se está a perceber extensivamente qual é o problema e porque é que a discussão dos dogmas nunca será plenamente feita, pelo menos durante os próximos 100 anos!

No entanto, vitimas deste terrorismo intelectual, como a Mona, o Bassem e o Sheikh Shahin, são inevitáveis e fazem parte do processo de depuração que as sociedades islâmicas terão obrigatóriamente que passar. O momento actual, também deverá ser considerado como altamente pedagógico, já que certamente criará anti-corpos, fundamental para que sejam os próprios nacionais a rejeitarem o que os seus compatriotas islamistas propõem, acrescentando também que as coisas não estão a correr nada bem para quem está no Poder actualmente no Egipto e na Tunísia, por exemplo, onde tem sido patente a falta de experiência governativa, muita teoria e pouca prática, sobretudo fruto da falta de quadros.

Eles estão lá, mas estavam habituados apenas a contestar e a gerir pequenas mercearias, quando de momento têm em mãos a trela dum mutante que ainda não sabe no que se vai/quer transformar! Um regresso/posicionamento dos partidos islamistas do lado da oposição, certamente que deverá acontecer em breve e de forma democrática, o que representará também um regresso ao seu ambiente próprio e natural, o da contestação.

 

Video/Entrevista da Mona Prince ao Sociedade das Nações, da SIC Notícias:

 

Entrevista de Mona Prince a um quotidiano português, aquando da sua passagem por Lisboa, há um ano:

http://p3.publico.pt/node/1121

 

 

Raúl M. Braga Pires, em Rabat

 

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publicado às 13:00

Pelos dias 21, 22 e 23 de Janeiro último, em Nhoma, no Sector de Nhacra, não muito longe de Bissau, mais de 20 Tabancas Balantas converteram-se ao Islão, no que resultou numa conversão em massa de cerca de 5.000 guineenses.
As imagens, gentilmente cedidas pelo Sheikh Infali Coté, falam por si, qual buraco de fechadura que nos permite espreitar acontecimento desta dimensão.

Ambiente geral
Conversão (Shahada, ou Profissão de Fé) conduzida pelo Sheikh Aliu Bodjan, da Madrassa ATADAMO, no Bairro d’Ajuda, em Bissau
Conversão conduzida pelo Sheikh Infali Coté, da Associação Juvenil para a Reinserção Social (AJURES), em Bissau
Conversão, Chamamento (Adhan) para a 1ª Oração dos recém-convertidos e Oração (Salat). Foi impossivel identificar os protagonistas
Raúl M. Braga Pires

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publicado às 16:48



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