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As lições do futebol

por Pedro Brinca, em 29.05.13

Falar de futebol quando não se percebe nada do assunto pode parecer ridículo mas, na verdade, é o que toda a gente faz. Contudo, o futebol pode ser utilizado como um laboratório de análise de situações que envolvem o comportamento humano e de onde se pode retirar aprendizagens importantes. Porque os exemplos simples, os pequenos episódios do dia-a-dia, acabam por ser a melhor escola.

 

Assim, o desaire do Benfica nesta época pode ensinar-nos várias coisas. E a primeira é nunca gritar vitória antes de tempo. A vida é uma sucessão de acontecimentos de que nós apenas controlamos uma ínfima parte. Os nossos resultados dependem do nosso esforço, mas também das atuações dos outros em nosso redor. Desvalorizar isso, além de arrogante é insensato porque às vezes o rumo das coisas muda inesperadamente, quando já nada o faria supor.

 

Depois, as três derrotas decisivas do Benfica tiveram algo em comum. No Dragão, contra o FC Porto, o objetivo definido, e isso viu-se bem pela apatia, era empatar o jogo porque isso serviria para se tornarem campeões. Com o Chelsea o empenho foi extraordinário, mas na reta final passou a pensar em manter o resultado para ir ao prolongamento. Na final da Taça de Portugal, como o próprio treinador explicou, "a equipa pensou que 1-0 chegava".

A lição é que se deve jogar sempre para ganhar, que nunca se deve dar menos do que se pode. É uma questão de brio, hoje tão escasso em tantas atividades, a começar pela escola. São imensos os alunos que trabalham apenas para atingir o mínimo para passar de ano, e depois surpreendem-se com o chumbo. Mas nas empresas é a mesma coisa. Trabalha-se a meio-gás. Poupa-se permanentemente o esforço. Muitos não percebem que não basta fazer, mas que é preciso fazer bem. É a tão falada questão da competitividade, que tanta falta faz à nossa economia.

 

Mas ainda há mais uma ou duas lições. Uma grande parte dos benfiquistas está revoltada com o treinador e exige a sua saída. Esquecem que em várias dezenas de jogos, o Benfica apenas perdeu contra quatro adversários, fazendo uma época invejável e rara para qualquer outro clube. Diz-se que os quatro que perdeu, ou pelo menos os três últimos, foram os decisivos para os títulos, mas todos os anteriores foram igualmente determinantes. Se o clube tem perdido algum outro jogo pelo caminho, não teria chegado a nenhuma das fases decisivas. Isto é, numa caminhada todos os passos são importantes.

 

Já é sabido que no futebol se passa rapidamente “de bestial a besta”. E o Benfica vai fazer aquilo que é usual na sua história recente. Começar tudo de novo. E vai prevalecer a ingratidão contra um treinador que conseguiu tanto, menos os troféus. Os adeptos não gostam de vitórias morais. Espera-se que tenham o mesmo grau de exigência consigo próprios, na sua vida pessoal e, sobretudo, nas suas profissões. É que criticar da bancada é fácil, mas para assumir as decisões nem todos estão disponíveis.

 

Uma palavra final para os árbitros. Jogadores excecionais falham golos de baliza aberta e chutam penaltis para as nuvens. Guarda-redes experientes dão frangos descomunais. Mas aos homens do apito não se perdoa um erro de julgamento numa jogada em alta velocidade. Neles, fica aqui a homenagem a todos os que dão a cara e assumem publicamente as suas decisões. Criticar é fácil, mas era bom ver esses críticos de bancada a assumirem-se no relvado e não sentados em frente à televisão no conforto do sofá. Os mesmos que se calam contra todas as injustiças da sociedade, enquanto continuam de pantufas nos pés.

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publicado às 11:31


Picuinhices

por Rui Santos, em 06.02.13

A política e o futebol têm muito em comum, porque a bola, mais ou menos esférica -- também há a quadrada... -- é a mesma, apesar dos ressaltos, das caneladas e dos foras de jogo, os bem e os mal assinalados. Nós somos os receptores dos picos de (tele)frenesim. Habitualmente, depois das 20 horas.

 

O(s) governo(s) também têm as suas janelas de transferências. Nolito foi para o Granada, mas o artefacto rebentou nas mãos de Passos Coelho quando Franquelim Alves se apresentou como reforço da equipa de Álvaro Santos Pereira.

 

Salvaguardadas as honrosas excepções, os políticos, os banqueiros e os dirigentes de futebol acham-se num patamar que não é o nosso. Acham uma picuinhice as nossas picuinhices, porque não têm tempo a perder com elas. O problemas é que as picuinhices fazem parte do mundo em que vivemos. Os sem-abrigos existem. Os lençóis de papelão, sem penas de ganso, existem. Os caixotes de lixo, cada vez mais procurados em substituição dos balcões de snack-bar, existem, mas há refeições que estão sempre asseguradas, proteínas a baixo custo.

 

Os cálculos em folhas de Excel são importantes, percebemos que o tempo de ir ao ginásio para ginasticar os neurónios não pode ser substituído por mais nada, mesmo que seja de manhã, antes da injecção de adrenalina, mas -- sem desprezo pelas horas de estudo nas melhores universidades e pelas experiências académicas entre York e Vancouver (dois exemplos avulsos) -- é preciso não esquecer as pessoas. Sim, as pessoas. Brancas, pretas, amarelas, altas, baixas, gordas, magras, europeias, não europeias, ricas, pobres, remediadas, cultas, incultas, crentes, ateias, bonitas, feias. As pessoas e os seus problemas.

 

É como no futebol. Os dirigentes só têm ouvidos para os bancos e para um determinado tipo de consultores e, a certa altura, cansados de tanta incompreensão, já não têm paciência para aqueles que os ajudaram à eleição, sem qualquer contrapartida. Os adeptos são uns chatos, sobretudo aqueles a quem não se paga o dízimo.

 

Há um mundo real, cheio de picuinhices, que os políticos, os banqueiros e os dirigentes desportivos, fartos de tanta exigência e desgastados do seu alogaritmado quotidiano, desprezam e ignoram.

 

A picuinhice do BPN não é uma coisa para comer e calar.

A picuinhice do BPN está a transformar a vida de milhões de inocentes.

A picuinhice do BPN é real e todos aqueles que não alavancaram a fraude não se podem calar nem conformar.

 

Há cartas escritas e datadas que revelam a preocupação de Franquelim Alves?

Não. Definitivamente não percebem. O BPN não é uma coisa de somenos. Caucionar a estória do BPN é caucionar a fraude e a corrupção e é caucionar todos os mecanismos frenadores da transparência que redundam em gravíssimo prejuízo do erário público.

Franquelim Alves até pode ser um super-homem para Santos Pereira, mas para as pessoas, para os contribuintes que se acham neste turbilhão de imparidades, não é.

Bem sei que é incómodo, porque há muita gente a esconder o rabo, gente com responsabilidade, e talvez fosse conveniente não puxar o fio do novelo e da novela.

Estaremos enganados ou a opinião pública não conhecia Franquelim Alves como ‘o desmascarilha’?!...

Não é conhecida nenhuma acção pública nesse sentido. A estratégia do recato é agora compensada?

Não. Definitivamente não percebem. Não é uma questão de esquerda ou direita. Não é uma questão de simpatia ou antipatia política. É uma questão de bom senso.

Um dia a bolha pode rebentar.

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publicado às 17:38



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  • silva

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