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Uma suposta defesa da cultura

por Pedro Brinca, em 09.07.13

Há muito que se ouve essa ideia em determinados meios, mas este fim-de-semana foi defendida publicamente no 8º Encontro de Dirigentes Associativos de Setúbal. O moderador de um painel afirmava convictamente que as várias infraestruturas culturais criadas recentemente na cidade devem ser para uso exclusivo dos artistas da terra.

 

É difícil encontrar visão mais tacanha e provinciana, com reminiscências de um regime em que se vivia “orgulhosamente sós”, do que achar que apoiar a cultura local é impedir a entrada aos de fora. Tipo reserva ecológica, com redoma de proteção. Promover os artistas locais, obrigando o público a consumir continuamente os mesmos, incluindo os bons, os razoáveis e os medíocres.

 

Conhecer outras formas de expressão, saber um pouco mais do mundo, fica destinado apenas aos que podem viajar. As reservas, neste caso, estimulam também o elitismo. Aliás, durante muito tempo em Portugal apenas os ricos tinham acesso às novas tendências culturais, arredadas dos meios de difusão controlados.

 

E estas lógicas protecionistas têm sempre um reverso. Se limitarmos os nossos espaços culturais aos artistas da terra, também é legítimo que estes fiquem impedidos de ir atuar aos outros concelhos. Um ato de xenofobia cultural que restringe os artistas a um circuito limitado, atuando sempre para o mesmo público, até à exaustão.

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publicado às 11:47



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