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Que se lixe……quem nos lixou!

por Nuno Vaz da Silva, em 01.03.13

Portugal prepara-se para mais uma manifestação sob o lema “que se lixe a troika”. A troika tem sido um óptimo bode expiatório para a actividade do Governo. Antes de alguém apontar o dedo ao Governo critica a troika, "...essa entidade externa maléfica que veio a Portugal estragar a vida dos Portugueses". E nenhum representante dos três partidos mais votados parece ter interesse em explicar aos portugueses que a realidade é um pouco diferente.

 

Mas não há nada como desmontar argumentos falaciosos!

 

A troika veio a Portugal prestar um serviço a pedido do Governo PS de José Sócrates, confrontado com a insustentabilidade das contas públicas e com a incapacidade de solver compromissos externos de curto e médio prazo (liquidação de operações de crédito) e internos (salários, pensões, retribuições sociais). Esse apoio externo, disponibilizado sob a forma de vários milhões de euros, teve como condição a aceitação de um programa de reformulação do Estado e dos seus compromissos (subscrito pelo PS, PSD e CDS).

 

Quem participa numa manifestação contra a troika, critica o Estado e os Governantes dos últimos anos ou aqueles que nos ajudaram quando estávamos mais necessitados?

 

Os problemas que hoje enfrentamos são o resultado de décadas de des(Governos). Quando foi preciso ganhar eleições ninguém se preocupou com o preço das promessas no médio/longo prazo e os eleitores preferiram optar por quem lhes vendia sonhos dourados. Mas os custos dessas politicas teriam de ser pagos mais cedo ou mais tarde. Estava à vista de todos e alguns foram até bastante criticados por colocarem o dedo na ferida aberta das contas públicas.

 

A permanência da troika em Portugal deve servir de exemplo não só aos políticos mas principalmente aos cidadãos que devem exigir explicações, resultados e boa gestão aos seus governantes. Se o actual programa de ajustamento é mau, então temos de concluir que foi mal negociado ou então que não tínhamos outra opção melhor.

 

Mas criticar a troika por um problema que é essencialmente dos portugueses, é uma forma simplista de sacudir as culpas do capote, sem apresentar soluções alternativas e protegendo os reais culpados pela crise que vivemos.

 

Também eu tenho motivos para protestar, também eu sinto os efeitos da crise mas com o lema “que se lixe a troika”, não posso participar nesta manifestação!

 

"Que se lixe……quem nos lixou!"

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publicado às 10:58


Da Narrativa Oficial Sobre os Cortes

por Paulo Guinote, em 15.02.13

Depois de uma redução absolutamente draconiana da despesa no sector da Educação, anunciam-se mais 900 milhões de cortes para 2013-14, A narrativa oficial emanada dos gabinetes governamentais é a de que se gasta muito e mais do que as nossas possibilidades financeiras permitem e que o peso maior da despesa é com encargos “sociais” e com “pessoal” ou “salários”.

 

Destas premissas decorre que os cortes devem incidir nessas parcelas da despesa. Parece elementar e satisfaz os camiloslourenços que ecoam a narrativa oficial para a opinião pública, quais justiceiros anti-privilégios, nas páginas da “imprensa especializada”, enquanto outros gurus da situação (Bento, Borges) se dedicam a lamentar as falhas de comunicação do governo, que acham inábil na inculcação da “mensagem certa” e da transmissão da “inevitabilidade” das medidas.

 

A informação com que se polvilham as redacções é seleccionada, amputada, retorcida, de forma a comprovar a dita narrativa e parte do pressuposto que os “indicadores” são aceites com escassa ou nula crítica como bons, fiáveis e actualizados. A quem se opõe a isso tenta descredibilizar-se com o estribilho dos “interesses instalados” ou “corporativos” que tenebrosamente estarão a prejudicar o “interesse nacional”… Como se houvesse corporação mais forte do que a de um punhado de banqueiros.

 

Assume-se ainda que, pelo meio do “ruído” comunicacional, a injecção de mais 1000 milhões de euros no BPN, os prejuízos na CGD e nos intervencionados BCP e Banif passem como encargos legítimos e não um peso brutal na despesa, enquanto se protesta com aparente indignação contra quem acha que cortar 900 milhões na Educação é trágico para o presente e o futuro do país. Tudo isto combina o despudor típico da aldrabice factual com uma inaudita impermeabilidade moral e ética em relação a qualquer tipo de acusação e demonstração de más práticas, tropelias e falsidades variadas.

 

A “narrativa” exige tranquilidade e uma postura não conflitual na superfície, um estilo “português suave” de baixa nicotina. Aposta-se na não crispação, na ausência de reacção imediata, na anuência quanto à necessidade de corrigir dados que nunca acabam por o ser. Como aconteceu com o relatório do FMI que alguns já querem fazer renascer como uma “ferramenta útil”, depois de trucidado na primeira vaga da sua apresentação.

 

Após uma curta retirada estratégica, eis que os dados e propostas renascem como “válidas” na pena e prosa de “especialistas”, os mesmos que de forma recorrente sabem qual a salvação, mas nunca a praticaram. Em particular quando foram ministros, secretários de Estado, assessores, consultores. Os Borges e Gaspares de ontem. Todos apostam na nossa fraca memória, tomando como geral a maleabilidade e volubilidade das suas próprias convicções.

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publicado às 11:24

As políticas de austeridade e a magnitude do esforço e dos sacrifícios que estão a ser exigidos aos portugueses para superar a crise despontam sinais preocupantes de que a situação se poderá ainda agravar mais nos próximos meses. Esta é uma situação de que ninguém de bom senso poderá negar.

 

Valeria a pena perguntar: Onde estão os responsáveis por semelhante situação e que continuam a esconder-se por detrás da justificação “crise económica internacional”? E os dois milhões de pobres que já existiam antes desta crise? E a crescente e gritante desigualdade entre ricos e pobres? E a falta de coragem política para enfrentar os mais poderosos e lutar pela justiça, pela dignidade humana e contra a pobreza?

 

Creio que continuamos a não querer encarar a pobreza como um fenómeno estrutural e que só poderá ser erradicado quando a este nível intervirmos. Uma vez mais recorrermos a medidas assistencialistas que, embora atualmente e tristemente indispensáveis, pouco ou nada poderão fazer para alterar este fenómeno.

 

Uma resposta efetiva à crise impõe um aprofundamento dos sistemas de governação. O crescimento da pobreza tende a minorar a coesão social, põe em risco a democracia e tem também um impacto negativo no plano económico com a progressiva corrosão do capital social, isto é, do conjunto de relações de confiança, de credibilidade, de respeito das regras indispensáveis em qualquer convivência civil. Os direitos sociais das pessoas devem sobreporem-se à liberdade desregulada dos mercados, o que requer uma profunda reflexão sobre o sentido da economia e dos seus fins.

 

É, pois, necessário que os governantes que estão empenhados em dar um perfil renovado aos sistemas económicos e sociais no mundo, tenham consciência que o primeiro capital a preservar e valorizar é o homem, a pessoa, na sua integridade. 

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publicado às 09:36




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  • silva

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