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Este memorando não interessa a Portugal!

por Helena Freitas, em 26.03.13

 

 

Parece-me que é altura de denunciar o memorando e declarar a nossa indisponibilidade para cumprir uma agenda ideológica que está a destruir o país e os portugueses. A renegociação é inadiável. Os objectivos de destruição e hegemonia germânica estão hoje à vista de todos, e esta Europa não interessa a Portugal. A situação do Chipre é bem elucidativa da podridão de valores e princípios que hoje alimentam a Europa. Para resolver o problema de uma pequena república insular do Mediterrâneo, com uma dimensão económica semelhante à cidade alemã de Bremen (!!!), a solução encontrada não é questionar ou retirar o dinheiro aos especuladores financeiros que se aproveitaram da lógica estabelecida, mesmo que com consentimento tácito dos cipriotas;  a solução é retirar dinheiro aos que o guardaram no banco, destruindo o que pode restar da confiança entre os cidadãos e as instituições europeias!

 

É preciso que o governo português tenha coragem para por fim a esta injusta flagelação de Portugal. A não ser assim, espero que ainda sobrem instituições capazes de determinar um outro caminho.

 

PS: As declarações da Troika e dos seu dirigente máximo são inaceitáveis! Impressionados com os valores do desemprego? Mas eles são observadores ou co-responsáveis?

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publicado às 17:09


Os Bombos da Festa Do Costume

por Paulo Guinote, em 18.03.13

Veio a troika. Veio nova avaliação.

O Governo falhou previsões, falhou metas, falhou tudo, excepto empobrecer o país.

Aplicou fórmulas e modelos errados, com o apoio e encorajamento da dita troika.

Falhou. Assim como a  própria troika, entidade quase mítica formada por gente certificada como competente e inteligente de três organismos internacionais, falhou de forma calamitosa.

Ordenaram cortes, congelamentos, despedimentos disfarçados de outras designações.

Reduziram apoios sociais, diminuíram compensações, aumentaram impostos, empobreceram a maioria do país, enquanto mantinham incólumes os grandes interesses e negócios.

O défice continuou mais ou menos onde estava.

Há que encontrar a solução.

Qual é?

Mais cortes, mais congelamentos, mais despedimentos, agora com o nome de rescisões.

A fórmula que falhou, repetida.

Os principais alvos?

Os do costume… os professores.

Que eram cerca de 150.000 e andam agora abaixo dos 120.000, uma redução de 20% na sua versão mais generosa, muito acima dos míticos números da redução do número de alunos, que um dia Nuno Crato ficou em 14%.

Sobre a redução salarial efectiva nos últimos anos nem é bom falar… anda bem acima dos 25% em troca de maior carga lectiva.

Mais por muito menos.

Mas num universo acima de meio milhão de funcionários do Estado, os tais 120.000 devem fornecer metade dos sacrificados no altar de Gaspar e Seilasié ou se não é. Dizem que é preciso partirem mais 10.000 das escolas, que é para salvar o país.

Que país?

Que país existe depois de tudo isto?

Um país de campos de golfe, concertos de verão, ministros equivalente, nomeações de coleguinhas da senhora ministra, liberais de aviário, escondidos em gabinetes, sorvendo subsídios em nome de um empreendedorismo medido em semestres.

Enquanto se continua a, com crescente urgência, dizimar a classe profissional mais odiada pela nossa classe política… os bombos da festa desde 2005, os professores do ensino público, objecto da mais perversa operação de engenharia profissional das últimas décadas.

Enquanto a tutela se rende aos interesses de grupos particulares, ávidos dos dinheiros do Estado que dizem detestar, dividida entre secretários especializados em estabelecer “pontes” e “entendimentos” e um ministro ausente em parte incerta.

Se a Educação não existe sem alunos, será que existirá contra os professores?

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publicado às 11:01


Quem é que está lixado, afinal?

por Fátima Inácio Gomes, em 04.03.13

 

Participei na manifestação, hoje, dia 2 de março. Em Braga. Uns milhares calcorrearam estas ruas. Ainda assim, muito poucos, se pesarmos o tamanho da indignação do país. Um milhão e meio, estimam? Muito poucos, se olharmos para a precariedade de tantos portugueses que apenas veem no trabalho o suporte da sua vida, se olharmos para a arrogância de banqueiros que, cada vez mais, se sentem moralmente autorizados a falarem sobre as dificuldades de um país que só conhecem pelos dividendos, se olharmos para um governo que privilegia os poderosos, nacionais e estrangeiros, em detrimento do povo que governa.~

 

 Fomos poucos, na rua. Mas fomos os suficientes para que o governo não possa ficar indiferente. Por muito menos, em tempos idos, em tempos em que a primeira obrigação era para com o povo que representam e não para com os poderosos cujas negociatas têm que salvaguardar, os políticos demitiam-se. Havia sentido de honra.

 

Havia pudor. Um ministro à frente de um ministério demitia-se quando algo grave se passasse sob a sua tutela, nem que a responsabilidade direta tivesse sido do funcionário que não tinha apertado devidamente o parafuso que, em última instância, provocara o acidente. Ainda se falava em “responsabilidade moral”.

 

Hoje, os responsáveis são conhecidos e os ministros “reiteram a total confiança” no seu desempenho e no seu caráter. E amanhã? Como olharão os ministros, os milhares de pessoas que estiveram na rua? É que foram poucas, face à indignação que vive nos nossos corações, mas foram já demasiadas para o governo se esquivar. Só a mais profunda desfaçatez, só a perda total do verdadeiro sentido político é que manterá este governo em funções, por vontade própria. Fomos já demasiados, para ignorarem. Mas bastaria a Laura, uma miúda de 12 anos que subiu ao palco, em Braga.

 

Tremia-lhe a voz, comoveu-se, comoveu-nos. Não falou da sua miséria, pois felizmente anda não a atravessa, mas falou do país que vê em redor, através das palavras dos adultos, que temem o desemprego, que falam da crise de manhã à noite, que vão pondo o medo à mesa, à hora de jantar, sempre que se fala no futuro. Que temem por ela e a olham com angústia. Chorou, a pequena, e chorámos com ela.

 

Bastaria a Laura para que qualquer político com um pingo de honra, com um pingo de vergonha na cara, se demitisse.

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publicado às 10:59


Que se lixe……quem nos lixou!

por Nuno Vaz da Silva, em 01.03.13

Portugal prepara-se para mais uma manifestação sob o lema “que se lixe a troika”. A troika tem sido um óptimo bode expiatório para a actividade do Governo. Antes de alguém apontar o dedo ao Governo critica a troika, "...essa entidade externa maléfica que veio a Portugal estragar a vida dos Portugueses". E nenhum representante dos três partidos mais votados parece ter interesse em explicar aos portugueses que a realidade é um pouco diferente.

 

Mas não há nada como desmontar argumentos falaciosos!

 

A troika veio a Portugal prestar um serviço a pedido do Governo PS de José Sócrates, confrontado com a insustentabilidade das contas públicas e com a incapacidade de solver compromissos externos de curto e médio prazo (liquidação de operações de crédito) e internos (salários, pensões, retribuições sociais). Esse apoio externo, disponibilizado sob a forma de vários milhões de euros, teve como condição a aceitação de um programa de reformulação do Estado e dos seus compromissos (subscrito pelo PS, PSD e CDS).

 

Quem participa numa manifestação contra a troika, critica o Estado e os Governantes dos últimos anos ou aqueles que nos ajudaram quando estávamos mais necessitados?

 

Os problemas que hoje enfrentamos são o resultado de décadas de des(Governos). Quando foi preciso ganhar eleições ninguém se preocupou com o preço das promessas no médio/longo prazo e os eleitores preferiram optar por quem lhes vendia sonhos dourados. Mas os custos dessas politicas teriam de ser pagos mais cedo ou mais tarde. Estava à vista de todos e alguns foram até bastante criticados por colocarem o dedo na ferida aberta das contas públicas.

 

A permanência da troika em Portugal deve servir de exemplo não só aos políticos mas principalmente aos cidadãos que devem exigir explicações, resultados e boa gestão aos seus governantes. Se o actual programa de ajustamento é mau, então temos de concluir que foi mal negociado ou então que não tínhamos outra opção melhor.

 

Mas criticar a troika por um problema que é essencialmente dos portugueses, é uma forma simplista de sacudir as culpas do capote, sem apresentar soluções alternativas e protegendo os reais culpados pela crise que vivemos.

 

Também eu tenho motivos para protestar, também eu sinto os efeitos da crise mas com o lema “que se lixe a troika”, não posso participar nesta manifestação!

 

"Que se lixe……quem nos lixou!"

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publicado às 10:58


Com tantas insolvências, quem sustém a economia?

por Nuno Vaz da Silva, em 07.02.13

A crise económica motivada pela necessidade de equilibrar as contas públicas e de cumprir as obrigações impostas pela Troika tem originado um fenómeno silencioso mas que afecta transversalmente a sociedade: as insolvências!

 

A insolvência é o golpe de misericórdia de muitas famílias e empresas. É o assumir que nada mais pode ser feito para recuperar as contas de forma sustentável.

 

Se no início da crise as insolvências incidiram sobre as empresas ineficientes e as famílias com má gestão, actualmente afectam também as empresas bem geridas e os orçamentos familiares equilibrados. Isto acontece devido aos efeitos de contágio exógenos. Há empresas que sofrem as consequências das insolvências dos seus clientes, o que origina o não pagamento de créditos e há famílias em que o desemprego bateu à porta de uma, duas ou mais pessoas (para não falar da quebra generalizada de rendimento liquido devido ao aumento dos impostos).

 

E é justamente neste ponto que a crise levanta as maiores preocupações. A insolvência dos ineficientes é algo não desejável mas que até pode contribuir para um maior equilíbrio da economia. Mas os efeitos de contágio podem rapidamente tornar-se virais e produzir efeitos estruturais nefastos à sustentabilidade da actividade económica. Existe um ciclo vicioso implícito que desmotiva empresários e cidadãos em investirem e em colocarem os seus projectos ao dispor da sociedade. Refiro-me, por exemplo, às inúmeras barreiras à entrada na constituição de negócios e à má formatação de apoios sociais como subsídios de desemprego e rendimentos de inserção.

 

Acredito que o Governo tenha estudos que refiram qual será o limite do esforço da nossa economia, ou seja o momento a partir do qual o aumento de impostos dará origem a uma diminuição da colecta dos mesmos. Mas mesmo que esse ponto ainda não tenha sido atingido, como a economia é uma gigantesca máquina em movimento, o problema ocorrerá quando se chegar à conclusão que inverter a marcha será muito mais difícil e demorado do que estava previsto. 

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publicado às 10:51


Acima da Média?

por Paulo Guinote, em 31.01.13

Dizem-nos os auto-proclamados refundadores do Estado que em Portugal é preciso cortar no gorduroso Estado Social e em especial na Educação, sector onde alegam que se tem gasto rios de dinheiro, acima das médias internacionais gritar eles com repúdio e horror, sem que exista um retorno visível e razoável.


É mentira, mas parece que eles nos querem fazer acreditar nisso, apostando no desconhecimento dos factos e na ausência de memória sobre um passado não assim tão recente. Reparemos no que se escrevia em 2005 na publicação da Unesco The growth of literacy in historic perspective: clarifying the role of formal schooling and adult learning opportunities.

 

"Historians of literacy in the early twentieth century, using primarily available census data show relative continuity in literacy levels from the mid-nineteenth century as discussed at greater length in the second section of this paper. While all countries progressed, their order remained unchanged (Johansson in Graff, 1987, Vincent, 2000). Central and Northern Europe were reported to have achieved over 95 percent literacy; Western Europe, over 80 percent; Austria and Hungary, over 70% (major growth); Spain, Italy and Poland, over 50 percent; and Portugal and orthodox Catholic countries, only around 25 percent. (…)

 

According to Johansson and Graff, Southern and Eastern Europe was 80 percent literate by 1950 with the exception of Portugal, the Mediterranean islands and Albania (with a rate of about 50%). Although literacy levels were rising, no major social and economic change took place. Poor people and poor nations as well as poor regions within nations remained (and remain) poor."

 

Portugal aliou sempre o atraso económico ao atraso educativo e ter sempre desperdiçado os raros e curtos momentos de prosperidade para investir verdadeiramente na Educação ou, em alternativa, em ter apostado na Educação como prioridade efectiva quando a situação era de recessão.

 

Em meados do século XX a situação ainda era calamitosa e os avanços não tinham estreitado o desfasamento em relação aos países mais avançados e fizeram mesmo descolar negativamente dos restantes mais atrasados:

 

 

 

Os dados sobre os gastos, em termos de longa duração, do Estado no sector da Educação, demonstram ainda como o peso do investimento no PIB foram sempre muito baixos até aos anos 90 e só episodicamente afloraram os 5%: Os dados são da Pordata.

 

 

 

.Em Portugal chegámos à segunda metade do século XX sem qualquer tipo de verdadeira sustentação do investimento público no sistema educativo e pretendemos logo passar para a segunda fase, em que Educação e Economia devem andar a par. Isto não é colocar a carroça à frente dos burros, porque nesse caso, os burros sempre a podem empurrar; é colocar carroça e burros lado a lado e esperar que, por um passe de mágica, ambos arranquem ao mesmo tempo e continuem o seu caminho.

 

O problema, pois, está no bom e velho desconhecimento da evolução histórica dos fenómenos sociais – problema de alguma sociologia apressada – que tende a acreditar que as soluções se acham em fórmulas imediatas, artificiais, e sem qualquer sustentação, só porque algures a coisa funcionou. Sem que se estude como é que, nesses algures, se chegou a determinado estado de desenvolvimento. Isso e a, pelo menos aparente, permanência de uma crença cega nas capacidades de aceleração da História sobre que Trotsky escreveu há cerca de 90 anos, mas que já se viu nem sempre ser uma aposta segura para dar resultados firmes.

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publicado às 13:05


Os riscos do regresso precipitado aos mercados

por Nuno Vaz da Silva, em 31.01.13

O regresso de Portugal aos mercados financeiros deu origem a múltiplas notícias e aos mais variados comentários de regozijo. Para alguns terá sido o ponto de inflexão de uma escalada depressiva e para outros foi até o sinal de que a crise terminou.

 

Financiar crédito com crédito é algo onde nos temos especializado mas que é claramente insustentável se não mudarmos os nossos hábitos nem a estrutura da despesa pública. O recente regresso aos mercados foi uma mera operação financeira de crédito complementada com uma acção de marketing politico. Não estamos a falar de uma vitória com o aumento das vendas de sapatos portugueses, do aumento do número de turistas ou mesmo de uma produção agrícola interna excepcional.

 

Mesmo que este episódio analisado isoladamente seja digno de realce e possa vir a contribuir para a retoma da economia, importa chamar a atenção para os eventuais riscos de se tentar transformar esta pequena conquista numa irrealista e falaciosa vitória antecipada sobre a crise. O pior que nos podia acontecer seria adormecermos à sombra de uma operação de crédito, sem capacidade nem estratégia para enfrentar as difíceis reformas que temos pela frente, nomeadamente em relação às funções do Estado e ao sistema politico. E esse risco de facto existe...

 

Não podemos esquecer que os políticos dependem de eleições para manterem o seu status quo e que em 2013 temos eleições autárquicas, pelo que haverá muitas pressões partidárias para maquilhar os problemas e deixar os assuntos complicados para uma resolução posterior.

 

Na política vive-se cada vez mais o curto prazo mas o Estado necessita de quem o pense a médio prazo, sem medo de eleições. É um paradoxo difícil de resolver mas do qual depende o nosso futuro enquanto nação!

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publicado às 13:00




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