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Como evitar um novo BES

por Nuno Vaz da Silva, em 07.08.14

Depois dos problemas ocorridos no BPN e no BPP, pensava-se que o sistema financeiro português tinha ficado mais estável e expurgado de esquemas fraudulentos  de financiamento. As auditorias e inspecções passaram a ser mais incisivas, acompanhando as exigências da Troika para que as contas das entidades públicas e financeiras fossem mais rigorosas.

 

Termos como imparidades, testes de stress e reforço de provisões passaram a ser uma constante nas preocupações dos gestores financeiros, uns por real preocupação pela saúde da sua instituição, outros por mero receio das auditorias e inspecções externas.

Como se viu pelo recente escândalo do BES (não vale a pena eufemizar os acontecimentos porque a situação foi gravíssima), mesmo com a pressão constante das auditorias, o sector financeiro não ficou protegido contra o moral hazard.

 

Este risco de existir informação assimétrica em que um agente económico tem mais informação do que um terceiro, atingiu a insustentabilidade no caso do BES. Pelos últimos dados divulgados pelo Banco de Portugal, terá existido até uma quebra de confiança com informações incorrectas sobre financiamentos concedidos e outros produtos financeiros de elevada complexidade. Ou seja, a idoneidade e reputação (dois dos mais relevantes valores para ser membro da Administração de um Banco) terão ficado comprometidos.

 

O problema não é novo e não terá fim com a liquidação do BES. E a explicação é mais simples do que poderá parecer: Enquanto os gestores financeiros (e de outros mercados) tiverem prémios de produtividade em função dos lucros anuais obtidos, existirão incentivos perversos para ocorrerem problemas similares.

 

Mas haverá algo que se pode fazer para evitar nova catástrofe financeira?

Para se evitarem novas situações como a que ocorreu no BES, a legislação deverá incidir nos incentivos dos gestores e na criação de limites à renovação dos mandatos dos gestores financeiros. São apenas 2 exemplos aparentemente simples mas com impacto bastante relevante na gestão das instituições. Por um lado, a busca do lucro deixaria de ser o principal objectivo das instituições e com a rotatividade de gestores, os vícios da permanência em funções seriam diluídos.

 

Contudo, nenhuma medida poderá impedir quebras de confiança ou fraudes mas é imprescindível tomar medidas para reconquistar a credibilidade interna e externa do nosso sistema financeiro.

 

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publicado às 17:45



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