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O fascínio do que está para vir

por Pedro Brinca, em 27.01.14

O último programa “Prós e Contras” da RTP, famoso pelos debates sobre os grandes temas da atualidade, foi dedicado ao jornalismo e aos “Conteúdos do Futuro”. Com a presença do ministro Poiares Maduro o assunto acabou por ser quase exclusivamente o futuro da RTP e não o que se esperava do tema. Mas o momento alto talvez tenha sido quando foi apresentado um “miúdo” de 16 anos que está a criar um jornal digital.

 

Há uma tendência incrível no jornalismo para encontrar estes casos. Uma obsessão por descobrir o futuro antes de ele nascer. Aliás, outro dos convidados era igualmente um jornalista que está a preparar o lançamento do Observador, um novo jornal digital. No fundo, para falar de experiência real na área digital só estava o Paulo Querido, especialista reconhecido na área.

 

Quando se esperava que alguém partilhasse experiências sobre projetos que indiquem de alguma forma o futuro do jornalismo, ouviu-se falar de intenções. Aliás, seria interessante fazer um levantamento das imensas notícias e espaço mediático dedicado nos últimos anos a projetos que estão para nascer. O mais curioso é que alguns resultam em abortos.

 

Parece que já ninguém se recorda da Imaterial.TV. Durante meia dúzia de meses não se falou noutra coisa. Participaram em dezenas de debates pelo país, foram entrevistados e opinaram em todo o lado. O projeto nunca chegou a nascer e quarenta jornalistas foram abandonados no desemprego.

 

Mas num programa sobre jornalismo no canal público de televisão, com a presença de um ministro, um ex-secretário de Estado e o ex-presidente da ERC, convidar um miúdo de 16 anos para falar sobre o jornal que está a criar soa estranho. Soa estranho e a esturro. Não que a iniciativa e o empreendedorismo, sobretudo nestas idades, não seja de louvar, mas porque não se pode pôr tudo no mesmo saco.

 

Para ser um jornal, reconhecido como tal, tem que ter jornalistas profissionais, com carteira, porque a lei assim o exige. Para ter carteira terá que ter mais de 18 anos e um curso superior. Ele não tem, mas poderá ser apenas o investidor e empregar profissionais habilitados. Mas não será com o dinheiro dele, certamente.

 

Por isso, dar destaque a estes casos pode ser pernicioso. Isto é, alguém terá encomendado, certamente, a sua presença. Mas vamos ver se não é mais um caso como o do Martim, outro miúdo que o Prós e Contras divulgou como imberbe empresário de 15 anos e que afinal mais não fazia do que comprar t-shirts por atacado, estampar qualquer coisa e vender.

 

É de gabar a iniciativa, pois há muita gente que não a tem sequer. Mas não se pode confundir empreendedorismo com chico-espertice nem empresas com esquemas para ganhar dinheiro. As empresas cumprem a lei, pagam impostos e são escrutinadas ao pormenor pelos organismos públicos, na perspetiva de sacar sempre mais algum dinheiro ao desgraçado.

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publicado às 11:10





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