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Manual de Geografia Eleitoral – 1

por Paulo Guinote, em 10.03.14

Adoro politólogos. São uma espécie de comentadores de política só que em vez de lerem o Correio da Manhã no café estão na Universidade e vão à televisão.

 

No resto, indistinguem-se nos inconseguimentos das suas previsões, com duas meras excepções: António Costa Pinto porque diz coisas tão vagas e gerais que acerta sempre, mesmo quando falha, e Joaquim Aguiar porque é tão confuso que ninguém percebe o que diz e, por consequência, se acertou ou falhou.

 

Mas todos eles - com a possível honrosa ressalva do André Freire - pararam em termos teóricos nos anos 90 quando se divulgou com enorme sucesso a tese de que "as eleições se ganham ao centro".

 

Ora... nem Seguro, nem Passos Coelho são especiais inovadores e para as europeias atiraram os dois para o centro com Assis e Rangel que, com poucas divergências e muito sentido de Estado (mas o segundo tem postura mais engomada), estão ao colo um do outro no espectro político.

 

Qual a maior diferença?

 

É que Rangel está à frente de uma coligação que tem um partido inteiro para cobrir o seu lado direito pelo que pode instalar-se com um discurso inócuo ao centro, enquanto que o Assis se quer instalar ao centro, deixando a esquerda toda entregue à concorrência, talvez com a esperança de que o Bloco esteja em perda irremediável e o PCP não consiga ir muito longe dos dois dígitos.

 

Só que, mesmo num dia mediano, PCP e Bloco devem levar uns 15% do eleitorado à esquerda do PS e à direita do PSD tudo entra no mesmo saco.

 

O Tó Zé não percebeu isso.

 

Não percebeu que o centro ficou perdido, pois o Paulo Rangel tem um ar muito mais alinhadinho ao centro (mesmo se as suas convicções podem ser bem mais à direita) conservador, enquanto o Assis parece um miscasting seja em que perspectiva for, até porque depois de tantos disparates do passado só um distraído, surdo e analfabeto funcional o pode considerar "estruturante" da esquerda pequenina.

 

E o Tó Zé não percebeu isso e que está entalado numas eleições que deveria ganhar com uma enorme vantagem.

 

Porque ficou parado nas teorizações politológicas dos anos 90, não percebendo que nessa altura Guterres ganhou "ao centro" porque Cavaco Silva tinha deixado o PSD dizimado e o CDS num táxi e que Sócrates ganhou porque o adversário era o líder das santanettes.

 

Entretanto, a Terra girou umas vezes e era tempo do Tó Zé deixar de ter miúfa dos adversários internos e dos "esquerdistas".

 

E vai passar a noite das eleições num sobressalto.

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publicado às 10:50





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