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Dos namorados dias

por Fátima Inácio Gomes, em 14.02.14

É dia dos namorados. Multiplicam-se os corações, os ursinhos, as declarações pelas redes sociais. O Citador deve registar uma afluência só comparável à da rede telemóvel em noite de consoada.

 

O mundo divide-se entre quem defende a existência deste dia - é tão bonito o amor, por que não o cantar num dia todo feito para ele? – e os que nele veem mais um sinal de uma sociedade apaixonada, sim, mas pelo consumismo.

 

Dado o mote, entrego-me, eu também, ao espírito do dia. Afinal, foi criado para quem, este namorado dia? Para os apaixonados? Mas esses não precisam de um dia para se celebrarem, nem sequer sabem bem o dia ou o mês em que estão… Terá sido feito para os casais que se esquecem de namorar? De facto, quando a rotina se instala, é bom ter um dia marcado, como a inspecção do carro ou o pagamento do IMI, para lembrar, tal como é apanágio proverbial, que “no casamento se deve manter o namoro”… e assim, aplicadamente, os casais cumprem essa incumbência de atiçar a paixão com um jantar romântico, num restaurante apinhado de casais igualmente incendiários. Depois, cumprido o dia, vestem o fato quotidiano e guardam o do apaixonado para o ano seguinte, para ser arejado, pontualmente, dia 14 de fevereiro.

 

Convenhamos, o dia dos namorados foi criado, realmente, para chatear quem não namora. Para o bombardear com essa evidência, sempre que se cruzar com dezenas de parzinhos enlaçados, com homens de ramos de flores na mão, ou a singela e infalível rosa vermelha, ou sempre que abrir o facebook, twitter, instagram, tumblr e sites noticiosos. E a evidência não é apenas de que não tem par enamorado, é a de não contribuir para o crescimento da economia nacional – é isso que o dia dos namorados lembra: não tens namorado/a? Então, simplesmente, não tens e, não ter materialmente é, nos dias de hoje, uma pobreza. Tenho a certeza que, para o ano, os preclaros membros do governo criarão um concurso especial “dia dos namorados” para facturas de bonecos de peluche, flores, doces e restauração. E maior será o descrédito do não-namorador – que défice de empreendedorismo! Com gente assim, como há de o país ir para a frente? O senhor não aguenta uma namorada? Isso seria viver acima das suas possibilidades? - Ai aguenta aguenta! Estamos em período de crise, não há separações irrevogáveis, faça o favor ao país e ligue à sua ex-namorada, se ela não tiver arranjado namorado novo. Ou se tiver, ligue também. Não pode é cair num nível pessoal frustracional derivado do inconseguimento.

 

Não deixe de existir por um dia. Seja empreendedor! E, namorador, seja feliz, faça feliz quem ama e, já agora, a florista, o dono da loja de chocolates e o gerente do restaurante. 

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publicado às 11:41





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