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Televisões Pimba - Passatempos Duvidosos

por Nuno Vaz da Silva, em 16.04.14

As televisões generalistas especializaram-se numa tipologia de programas de fim de semana que associam musica de qualidade duvidosa, reportagens sobre usos e costumes dos portugueses e passatempos telefónicos que prometem oferecer avultadas quantias em dinheiro.

 

Esta mistura é seguramente o resultado das lutas de audiências e da necessidade de ocupar espaço televisivo a preços reduzidos. Se as televisões insistem neste formato, isso significa que têm espectadores para a tipologia apresentada, o que diz muito sobre os reais interesses dos portugueses.

 

O que mais me choca nesses pimba shows é a existência de passatempos que são autênticas máquinas de extorsão de dinheiro. Durante os programas, os apresentadores repetem dezenas de vezes consecutivas um determinado número de telefone (com chamadas de valor acrescentado). Aparentemente, se o telespectador ligar para o número apresentado no ecrã, fica automaticamente habilitado a um determinado prémio...e assim se passam mais uns minutos de televisão com encaixe de alguns euros.

 

No caso dos canais privados, esta é apenas uma estratégia que responde a estímulos de mercado. No entanto, a televisão pública deveria ser o garante da qualidade e das boas práticas comerciais.

 

Podemos discordar sobre a qualidade musical dos programas de fim de semana. Mas duvido que alguém considere que é serviço de público insistir num passatempo sem qualquer interesse cultural, desportivo ou social!

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publicado às 16:10


“Presidente de la Democracia”

por Nuno Vaz da Silva, em 02.04.14

Foi com este título que o jornal El País homenageou Adolfo Suárez, antigo Presidente do Governo Espanhol nomeado pelo Rei Juan Carlos em 1976 e que faleceu recentemente aos 81 anos em Madrid.

Suárez não foi uma figura consensual em Espanha aquando da sua nomeação. Não foi ainda consensual durante a sua governação ou mesmo quando foi afastado do poder pela oposição. Mas Adolfo Suárez foi um estadista que deixou um legado que o tornou o político mais consensual de Espanha, segundo um ranking elaborado em 2010.

A sua carreira política é deveras interessante. Suárez governou para o país, com lealdade ao rei mas muitas vezes isolado. De uma coragem inquestionável, ousou efectuar reformas com rapidez, deu a mão às oposições e ofereceu literalmente o corpo às balas enfrentando tentativas de golpes de Estado, como aconteceu em Fevereiro de 1981.

Suárez foi um líder, um verdadeiro líder político, fiel às suas convicções morais e éticas. A sua habilidade para criar consensos possibilitou a construção de uma Espanha constitucional assente numa matriz regional com diversidade política. Suárez foi um presidente racional que governou sobre a realidade e não através da importação de modelos políticos desadequados.

Espanha prestou o seu tributo a Adolfo Suárez assim que a história mostrou o seu contributo decisivo para a construção democrática. As lutas políticas afastaram-no do poder mas ficará eternamente conhecido pelos seus concidadãos como o “Presidente de la Democracia”.

São estes exemplos de vida que devemos partilhar. A luta política não deve resumir-se a lutas partidárias inúteis e demagógicas. A diferença entre os pequenos líderes e os grandes estadistas está tanto nos pormenores como nas grandes tarefas democráticas. E cabe aos próprios construírem o seu caminho para tentarem alcançar os objectivos a que se propõem: a sua ambição pessoal ou o bem-estar social do seu povo!

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publicado às 14:32


Uma lição de cidadania

por Pedro Brinca, em 26.03.14

A maioria dos portugueses vive em casa própria, geralmente em prédios onde adquiriram um apartamento. Compraram um andar, endividando-se quase para a vida toda, ao mesmo tempo que compravam em copropriedade as partes comuns do prédio, como a entrada, as escadas ou o telhado. São donos efetivos do prédio.

 

Para a gestão das partes comuns, os donos elegem anualmente uma administração de condomínio para que, à vez, cada um vá tomando conta daquilo que é de todos. O administrador fica automaticamente mandatado para fazer a gestão corrente do edifício, pagando à empregada de limpeza e fazendo a substituição das lâmpadas que se fundam.

 

Assuntos de maior responsabilidade, como obras no telhado ou a troca de uma porta estragada, se envolver custos avultados, deverão ser discutidos e aprovados em assembleias extraordinárias. Para a aprovação das contas correntes e nomeação da nova administração faz-se uma reunião ordinária anual.

 

Mas há muita gente, cada vez mais, que apesar de serem donos do prédio, não aparecem sequer nas reuniões de condóminos. Sabem que há uns que vão sempre e que resolvem o que houver para tratar, pelo que não precisam de perder o episódio da novela ou deixar o conforto do sofá. Exceto quando têm um problema no seu andar, porque aí já aparecem com exigências.

 

Quem vai às reuniões e quem assume as funções de administração de condomínio são, afinal, sempre os mesmos e uma pequena percentagem dos proprietários. São eles que perdem tempo, são eles que se preocupam em discutir e encontrar soluções. Os outros, além de optarem pela solução mais confortável, ainda beneficiam da vantagem de poder criticar as decisões em que não participaram.

 

É um desporto nacional, criticar as opções dos outros mas nunca fazer parte da solução. Há quem lhes chame treinadores de bancada. Criticam todas as decisões e estão imunes a críticas porque não participaram em nenhuma. Ganham duas vezes. Não se maçam e ainda chateiam os outros.

 

 Afinal, é isto que acontece na gestão do país. Todos são seus coproprietários, mas poucos se incomodam em participar nas soluções. Há sempre alguém que se chega à frente e que será depois o alvo de todas as críticas. Nesse aspeto, os políticos merecem o nosso respeito e consideração, porque para chegarem aos lugares de poder tiveram que participar em muitas reuniões. Abdicaram vezes sem conta do sofá.

 

Se eles se aproveitam indevidamente do poder, ou se são sempre os mesmos em rotatividade, é precisamente porque a maioria das pessoas entende não levantar o rabo e não se arriscar a ser criticado. Mas quem opta pela omissão é também verdadeiramente responsável pelas decisões que são tomadas.

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publicado às 15:14


A noite do pai

por Duarte Victor, em 19.03.14

Não conseguia dormir.

 

A história que lhe contei não pesou nas pestanas. Veio o Pluto e o seu amigo Pateta e nada. Seria trabalho para o Homem-Aranha? Ficou ainda mais desperto.

 

-Vamos ver quem sonha primeiro? Dá-me a tua mão.

 

 Fechámos os olhos. Adormeceu em poucos minutos com um sorriso.

 

 Desde então gosta de entrar nos sonhos de mão dada, sempre em primeiro lugar.

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publicado às 12:50


Manual de Geografia Eleitoral – 1

por Paulo Guinote, em 10.03.14

Adoro politólogos. São uma espécie de comentadores de política só que em vez de lerem o Correio da Manhã no café estão na Universidade e vão à televisão.

 

No resto, indistinguem-se nos inconseguimentos das suas previsões, com duas meras excepções: António Costa Pinto porque diz coisas tão vagas e gerais que acerta sempre, mesmo quando falha, e Joaquim Aguiar porque é tão confuso que ninguém percebe o que diz e, por consequência, se acertou ou falhou.

 

Mas todos eles - com a possível honrosa ressalva do André Freire - pararam em termos teóricos nos anos 90 quando se divulgou com enorme sucesso a tese de que "as eleições se ganham ao centro".

 

Ora... nem Seguro, nem Passos Coelho são especiais inovadores e para as europeias atiraram os dois para o centro com Assis e Rangel que, com poucas divergências e muito sentido de Estado (mas o segundo tem postura mais engomada), estão ao colo um do outro no espectro político.

 

Qual a maior diferença?

 

É que Rangel está à frente de uma coligação que tem um partido inteiro para cobrir o seu lado direito pelo que pode instalar-se com um discurso inócuo ao centro, enquanto que o Assis se quer instalar ao centro, deixando a esquerda toda entregue à concorrência, talvez com a esperança de que o Bloco esteja em perda irremediável e o PCP não consiga ir muito longe dos dois dígitos.

 

Só que, mesmo num dia mediano, PCP e Bloco devem levar uns 15% do eleitorado à esquerda do PS e à direita do PSD tudo entra no mesmo saco.

 

O Tó Zé não percebeu isso.

 

Não percebeu que o centro ficou perdido, pois o Paulo Rangel tem um ar muito mais alinhadinho ao centro (mesmo se as suas convicções podem ser bem mais à direita) conservador, enquanto o Assis parece um miscasting seja em que perspectiva for, até porque depois de tantos disparates do passado só um distraído, surdo e analfabeto funcional o pode considerar "estruturante" da esquerda pequenina.

 

E o Tó Zé não percebeu isso e que está entalado numas eleições que deveria ganhar com uma enorme vantagem.

 

Porque ficou parado nas teorizações politológicas dos anos 90, não percebendo que nessa altura Guterres ganhou "ao centro" porque Cavaco Silva tinha deixado o PSD dizimado e o CDS num táxi e que Sócrates ganhou porque o adversário era o líder das santanettes.

 

Entretanto, a Terra girou umas vezes e era tempo do Tó Zé deixar de ter miúfa dos adversários internos e dos "esquerdistas".

 

E vai passar a noite das eleições num sobressalto.

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publicado às 10:50


A culpa é dos psicólogos

por Pedro Brinca, em 18.02.14

Ainda não há muitos anos, as crianças simplesmente cresciam. E os pais garantiam-lhes as condições mínimas para tal. De resto, serviam para ajudar na lida da casa, se fossem meninas, ou na horta, no caso dos rapazes. E que não atrapalhassem. Nem pensar que se metessem em conversas ou assuntos de adultos. Os fedelhos não tinham importância.

 

Depois, de repente, veio uma geração de pais que centrou a sua vida em redor dos filhos. Passaram a condicionar horários e a gerir as agendas para ir levar e buscar os meninos à escola, ao futebol, à natação, ao bailado e à música, quando no caso deles o autocarro tinha servido perfeitamente. De um papel insignificante na família, passaram a reis e senhores da casa.

 

Surgiu a preocupação de proteger as crianças de todos os traumas, ocultando-lhes os problemas, fazendo-os crer que o mundo é cor-de-rosa. E impôs-se a teoria criada pelos psicólogos do estímulo positivo. Até aí tudo bem, se não levada ao exagero.

 

O menino nasce e ouve todos os dias que é o mais lindo do mundo. Faz um desenho e é o maior artista do mundo. Diz alguma coisa e é o mais inteligente do mundo. Interrompe as conversas dos adultos e todos têm que lhe dar atenção, por maiores parvoíces que diga.

 

Na escola não o corrigem nem contrariam. Se disserem que o desenho podia estar melhor ainda aparece o pai no dia seguinte com ameaças ao professor, por estar a frustrar as expectativas e, com isso, a hipotecar o futuro da criança. No ensino superior também o deixam passar incólume, pois, desde que pague, tem direito ao diploma. As faculdades hoje apenas vendem diplomas.

 

O pior é quando o menino, já grande, consegue arranjar um emprego. Quando lhe fazem o primeiro reparo sobre a qualidade do trabalho ele revolta-se. Então, toda a vida ouviu dizer que era fantástico e agora vem alguém pôr-lhe defeitos? A ele, que sempre se julgou o maior…

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publicado às 12:26


Sexy Autárquicas e Sexy Europeias? Ao mesmo tempo???

por Nuno Vaz da Silva, em 17.02.14

A escolha de João Ferreira como cabeça de lista do PCP às próximas eleições europeias é ao mesmo tempo absurda e normal.

 

É absurda porque João Ferreira foi candidato a Presidente da Câmara Municipal de Lisboa nas últimas eleições, tendo sido eleito vereador do Município. Com a sua provável eleição para o Parlamento Europeu terá de abdicar do seu mandato em Lisboa ou na Europa (embora a hipótese mais provável seja a primeira). Mas João Ferreira já era também deputado europeu, tendo sido eleito com Ilda Figueiredo. O seu mandato só foi interrompido com a candidatura à CM Lisboa.

É ainda absurda porque o PCP tem criticado a postura de militantes de outros partidos que são escolhidos para candidatos a repetidos cargos, por diversas ocasiões.

 

Mas esta estratégia política é infelizmente normal na sociedade portuguesa. Há candidatos que adbicam dos seus mandatos durante o decurso dos mesmos ou até na própria noite das eleições. Se essa decisão fosse tomada pelos próprios antes das eleições, não haveria nenhum problema, até porque a lei permite esse tipo de comportamento errático. Mas como o eleitor desconhece esses factos, acaba por ser enganado pelo partido e candidato que apoiou. Há nesta postura um grau de informação adversa que distorce as decisões dos eleitores.

João Ferreira capitalizou alguns votos por ser o candidato “sexy autárquicas”, tendo conseguido um bom resultado para o seu partido em Lisboa. A decisão do PCP de nomeá-lo cabeça de lista nas europeias não é indiferente a esse facto. Não está em causa a capacidade técnica ou mesmo política de João Ferreira mas a sua escolha para concorrer a novas eleições quando as últimas (onde foi eleito) decorreram há menos de 6 meses, parece-me uma afronta para os eleitores que o apoiaram.

 

Terá o PCP escassez de quadros qualificados? Apenas consegue seleccionar um candidato dentro dos seus inúmeros militantes e simpatizantes?

 

Quando se acusa outros partidos de má postura politica deve-se, em primeiro lugar, analisar as decisões internas. Não é de bom tom apontar o dedo a outrem quando dentro de portas se passa o mesmo…ou ainda pior!

 

Os eleitores do PCP são fiéis e não será este facto que os demoverá de dar o voto ao seu partido. Mas o número de votos não apagará a atitude politicamente incorrecta  PCP!

 

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publicado às 12:34


Dos namorados dias

por Fátima Inácio Gomes, em 14.02.14

É dia dos namorados. Multiplicam-se os corações, os ursinhos, as declarações pelas redes sociais. O Citador deve registar uma afluência só comparável à da rede telemóvel em noite de consoada.

 

O mundo divide-se entre quem defende a existência deste dia - é tão bonito o amor, por que não o cantar num dia todo feito para ele? – e os que nele veem mais um sinal de uma sociedade apaixonada, sim, mas pelo consumismo.

 

Dado o mote, entrego-me, eu também, ao espírito do dia. Afinal, foi criado para quem, este namorado dia? Para os apaixonados? Mas esses não precisam de um dia para se celebrarem, nem sequer sabem bem o dia ou o mês em que estão… Terá sido feito para os casais que se esquecem de namorar? De facto, quando a rotina se instala, é bom ter um dia marcado, como a inspecção do carro ou o pagamento do IMI, para lembrar, tal como é apanágio proverbial, que “no casamento se deve manter o namoro”… e assim, aplicadamente, os casais cumprem essa incumbência de atiçar a paixão com um jantar romântico, num restaurante apinhado de casais igualmente incendiários. Depois, cumprido o dia, vestem o fato quotidiano e guardam o do apaixonado para o ano seguinte, para ser arejado, pontualmente, dia 14 de fevereiro.

 

Convenhamos, o dia dos namorados foi criado, realmente, para chatear quem não namora. Para o bombardear com essa evidência, sempre que se cruzar com dezenas de parzinhos enlaçados, com homens de ramos de flores na mão, ou a singela e infalível rosa vermelha, ou sempre que abrir o facebook, twitter, instagram, tumblr e sites noticiosos. E a evidência não é apenas de que não tem par enamorado, é a de não contribuir para o crescimento da economia nacional – é isso que o dia dos namorados lembra: não tens namorado/a? Então, simplesmente, não tens e, não ter materialmente é, nos dias de hoje, uma pobreza. Tenho a certeza que, para o ano, os preclaros membros do governo criarão um concurso especial “dia dos namorados” para facturas de bonecos de peluche, flores, doces e restauração. E maior será o descrédito do não-namorador – que défice de empreendedorismo! Com gente assim, como há de o país ir para a frente? O senhor não aguenta uma namorada? Isso seria viver acima das suas possibilidades? - Ai aguenta aguenta! Estamos em período de crise, não há separações irrevogáveis, faça o favor ao país e ligue à sua ex-namorada, se ela não tiver arranjado namorado novo. Ou se tiver, ligue também. Não pode é cair num nível pessoal frustracional derivado do inconseguimento.

 

Não deixe de existir por um dia. Seja empreendedor! E, namorador, seja feliz, faça feliz quem ama e, já agora, a florista, o dono da loja de chocolates e o gerente do restaurante. 

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publicado às 11:41


A demagogia de Seguro

por Nuno Vaz da Silva, em 12.02.14

António José Seguro é um líder cada vez mais demagógico. A sua crescente mediatização, aparentemente apoiada pela generalidade da comunicação social, baseia-se em contra medidas e contra propostas que são pouco credíveis. As lutas internas do PS, muitas delas na sombra, e a aproximação de duas datas importantes para as suas aspirações (resultado das eleições europeias e o final do período de assistência internacional) implicaram uma alteração da postura política do principal líder da oposição.

 

António José Seguro está a fazer uma aproximação crescente e perigosa ao populismo. Em vez de apresentar propostas concretas para melhorar o bem-estar social dos portugueses, limita-se a contrariar as medidas do Governo, num facilitismo de acção politica que afecta a sua própria credibilidade como Estadista. Foi assim com os feriados, tendo o PS garantido que os repunha como estavam e com o fecho dos tribunais em que o líder da oposição se limitou a apresentar proposta contrária à decisão do Governo.

 

Diz-se muitas vezes que o país não anda para a frente ou, nos meios mais rurais, “que não sai da cepa torta”. Com este tipo de postura partidária, de uma demagogia atroz sem conteúdo ou argumentação, é normal que continuemos no limbo por mais uns anos. Não é crime repor uma medida errada mas o discurso de Seguro faz lembrar uma espécie de regresso ao passado num conservadorismo difícil de identificar com o Partido Socialista. Para além disso, se um Governo faz algo e o seguinte desfaz, não há orçamento do Estado que aguente tanta mudança.

 

Seguro está desesperado e inseguro! O PS não consegue criar uma onda de mudança na sociedade porque o Governo, ao que tudo indica, não necessitará de novo programa estrutural de assistência, porque as eleições europeias parecem menos favoráveis do que inicialmente seria de prever ao PS e, sobretudo, porque os candidatos a líder do PS estão em movimentações, prontos para aparecer em caso de qualquer falha de Seguro, o que provocará certamente algum nervosismo ao actual líder!

 

Das duas uma: ou Seguro está ciente que não chegará a Primeiro-ministro e opta agora por fazer o trabalho de campo de animal político populista para lançar um efectivo líder no PS com postura de Estado; ou então, Seguro caiu em desespero e, sem argumentos construtivos, decidiu radicalizar a sua acção, numa aproximação à esquerda mais radical que pode provocar uma eventual coligação pós eleitoral mas que lhe roubará muitos votos do centro!

 

As opções políticas pagam-se caro ou dão muitos dividendos. Independentemente da relação custo/benefício para Seguro, o país necessita, a bem da construção democrática, de um líder da oposição com argumentos sólidos. A actual postura de líder populista, frágil e cansado de manter as suas tropas mobilizadas com constantes ameaças de golpes de estado partidários, não serve os interesses da oposição nem é útil ao futuro do país!

 

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publicado às 16:13


A duxmania

por Duarte Victor, em 10.02.14

A folha em branco é um laboratório de palavras onde se torna difícil encontrar as que melhor definem a “duxmania” que nos afasta dos valores que pensávamos conquistados.

 

 Não, não me refiro às praxes mas ao país e ao mundo.

 

O que se passou no Meco foi um acidente trágico para os jovens e as suas famílias, mas o que está subjacente a esta realidade tem laivos ideológicos que se instalam e se agigantam como uma catástrofe para a humanidade. A humilhação e a obediência cega é apanágio das ditaduras que fragilizam  a dignidade e o respeito por qualquer ser humano.

 

Não existem princípios nem valores  para a ganância de poder e a desmesurada vontade do lucro e do benefício do interesse privado.

Os extremismos de regimes ditatoriais nas sociedades modernas  desvalorizaram a educação e o acesso ao conhecimento com o propósito de manter ignorante e indefeso o cidadão comum.

 

Hoje a coberto das dificuldades económicas, os cortes e os desinvestimentos arbitrários em setores cruciais na construção de um país mais culto e tecnologicamente mais evoluído, abrem novas possibilidades a despotismos  tão gratos a oligarquias sedentas de poder.

 

Não são as praxes que me preocupam mas a ideologia que, por vezes, se esconde por de trás  de uma pretensa iniciação para a vida e que afinal não é mais do que uma formatação para a obediência e a escravatura.

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publicado às 11:40




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