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Azawad/Mali

por Raúl Braga Pires, em 17.01.13

A recente entrada de cerca de 2 mil militares franceses em solo maliano (apenas estava prevista uma intervenção aérea por parte dos franceses) no norte, na província d’Azawad, demonstra sobretudo que os radicais islâmicos do AQMI, do Ansar Eddine e do MUJAO, estão muito melhor armados do que aquilo que se pensava e, por outro lado, algo que se suspeitava que iria acontecer caso houvesse uma intervenção militar no território. Ou seja, a pulverização destes grupos por toda a região transfronteiriça, a respectiva mistura entre as populações locais, a tomada destas como reféns, ataques a interesses estrangeiros na região como já acontece no Complexo da BP em Ain Amenas, na fronteira argelino-líbia. Há 41 reféns, com americanos, japoneses, franceses, ingleses e um norueguês. Este é apenas o princípio dos cenários futuros.

Será que os franceses não sabiam disto? Claro que sabiam. Será prejudicial para a defesa dos seus interesses a pulverização do conflito? Claro que não.

O actual cenário vai permitir-lhes assegurarem os seus verdadeiros interesses na região, com os seus próprios militares no terreno e em pequeno número, enquanto que vão dando formação às tropas malianas e ao contingente da CEDEAO, assegurando também a vigilância e protecção do vasto território através da Força Aérea, em missões tripuladas e não tripuladas.

Os interesses a que me refiro estão sobretudo situados precisamente no norte do Mali, onde uma extração petrolífera para além d’importante, também significará um enfraquecimento dos recursos argelinos. Parece que basta um simples furo na vertical, para se extrair petróleo “argelino”. A napa é a mesma. Parece que também foi descoberto ouro no norte do Mali. O norte do Níger é riquíssimo em urânio, tendo sido recentemente descoberta uma nova mina de potencial gigantesco. Há 60 anos que a França aqui extrai este minério, fazendo do país o maior exportador do Mundo. Nesta vasta região desértica e inóspita do Sahara, também foram recentemente descobertas consideráveis reservas d’água.

Não esquecer também o consórcio europeu DESERTEC, liderado pelos alemães, cujo objectivo principal, a partir do Sahara, é o de fornecimento d’energia fotovoltaica à Europa, a preços muito competitivos.

Em conclusão, uma França “sur place” e à cabeça deste investimento, significa claras vantagens face a americanos, chineses, alemães e britânicos. 



Projeto DESERTEC


Raúl Braga Pires

 www.expresso.pt/maghreb

 www.observatoriopolitico.pt


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publicado às 14:39





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