Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Centro Comercial “Baixa de Setúbal”

por Pedro Brinca, em 17.01.13

Setúbal é a única capital de distrito do país sem um centro comercial digno desse nome. Isso tem sido, desde há alguns anos, motivo de frustração para muitos setubalenses e alvo de chacota de muitos forasteiros. Não ter uma grande superfície comercial, um daqueles templos modernos do consumismo, tem atribuído um estatuto de menoridade à cidade e ao concelho. Parece não ser uma cidade digna desse título devido a essa carência, apesar de todos os argumentos que possamos encontrar para valorizar o município.

Nos últimos tempos anunciaram-se alguns empreendimentos. Setúbal ia entrar no mapa dos shoppings. Mas a crise comprometeu esses investimentos e a solução tem sido recorrer aos vizinhos concelhos de Almada, Montijo, Alcochete, Barreiro ou Seixal. Afinal parece que é desta. No espaço onde se encontra o hipermercado Jumbo, vai nascer finalmente uma infraestrutura que vai ser o brilho dos olhos dos setubalenses. E ainda bem. Passam a ter um espaço próximo para passear aos fins-de-semana e deixam a serra e as praias livres para quem quer usufruir da natureza.

O maior problema, contudo, é, naturalmente, o comércio tradicional da baixa. Apesar de ser um dos núcleos centrais mais bonitos de todas as cidades do país, vive há muito em situação de decadência. Comerciantes envelhecidos, lojas desatualizadas, espaços ao abandono, ausência de grande parte das marcas da moda. Mas, sobretudo, um conjunto de pessoas agarradas aos velhos hábitos, habituadas ao queixume e tolhidas pela inércia. E de um individualismo assustador. Criticar é fácil, mas encontrar uma solução, que só poderá ser concretizada em conjunto, parece ser bem mais complicado.

E se esta baixa tem condições… Uma área bem delimitada, ruas largas e planas, arquitetura simples e agradável, alguns elementos históricos significativos. Porque preferem os consumidores ir aos centros comerciais com uma baixa assim? O que falta a esta baixa para competir com um centro comercial? Proteção às adversidades climáticas. Segurança. Sanitários. Espaços de lazer e convívio. Estacionamento. Animação conjunta. Uma estratégia de comunicação comum.

Feche-se com paredes e portas de vidro a Rua Álvaro Castelões e a Dr. Paula Borba. Cubra-se o topo das ruas, ao nível dos telhados, com uma lona. Contrate-se seguranças para patrulhar essas artérias, agora corredores interiores de um espaço comercial. Instalem-se casas de banho públicas junto à Praça do Bocage e ao Largo da Misericórdia. Criem-se esplanadas e parques infantis e invista-se em animação nesses largos e não só. Recupere-se a ideia dos silos automóveis para estacionamento onde já estiveram previstos, atrás do Fórum Luísa Todi e na atual central de camionagem. Mas, sobretudo, entendam-se uns com os outros e trabalhem unidos pela baixa.

Complicado seria fazer os atuais comerciantes aceitarem que passariam a partilhar um espaço comum. Há décadas fechados cada um no seu espaço, não conseguem ver para além da sua porta. Queixando-se. O grupo Auchan vai mesmo avançar com o investimento. Os consumidores vão ficar felizes por poderem fazer as suas compras num centro comercial moderno dentro da própria cidade. E o coração da baixa sujeita-se a morrer, esquecido e abandonado, pela casmurrice de quem não quer aceitar que os tempos mudaram.

 

Pedro Brinca

http://www.setubalnarede.pt/

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:19





Últ. comentários

  • silva

    A TRÍADE SALOIA Casino Estoril Sol IIINo caso da ...

  • silva

    A TRÍADE SALOIA Casino Estoril Sol IIINo caso da ...

  • silva

    A TRÍADE SALOIA Casino Estoril Sol IIINo caso da ...

  • silva

    A TRÍADE SALOIA Casino Estoril Sol IIINo caso da ...

  • silva

    A TRÍADE SALOIA Casino Estoril Sol IIINo caso da ...