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Uma lição de cidadania

por Pedro Brinca, em 26.03.14

A maioria dos portugueses vive em casa própria, geralmente em prédios onde adquiriram um apartamento. Compraram um andar, endividando-se quase para a vida toda, ao mesmo tempo que compravam em copropriedade as partes comuns do prédio, como a entrada, as escadas ou o telhado. São donos efetivos do prédio.

 

Para a gestão das partes comuns, os donos elegem anualmente uma administração de condomínio para que, à vez, cada um vá tomando conta daquilo que é de todos. O administrador fica automaticamente mandatado para fazer a gestão corrente do edifício, pagando à empregada de limpeza e fazendo a substituição das lâmpadas que se fundam.

 

Assuntos de maior responsabilidade, como obras no telhado ou a troca de uma porta estragada, se envolver custos avultados, deverão ser discutidos e aprovados em assembleias extraordinárias. Para a aprovação das contas correntes e nomeação da nova administração faz-se uma reunião ordinária anual.

 

Mas há muita gente, cada vez mais, que apesar de serem donos do prédio, não aparecem sequer nas reuniões de condóminos. Sabem que há uns que vão sempre e que resolvem o que houver para tratar, pelo que não precisam de perder o episódio da novela ou deixar o conforto do sofá. Exceto quando têm um problema no seu andar, porque aí já aparecem com exigências.

 

Quem vai às reuniões e quem assume as funções de administração de condomínio são, afinal, sempre os mesmos e uma pequena percentagem dos proprietários. São eles que perdem tempo, são eles que se preocupam em discutir e encontrar soluções. Os outros, além de optarem pela solução mais confortável, ainda beneficiam da vantagem de poder criticar as decisões em que não participaram.

 

É um desporto nacional, criticar as opções dos outros mas nunca fazer parte da solução. Há quem lhes chame treinadores de bancada. Criticam todas as decisões e estão imunes a críticas porque não participaram em nenhuma. Ganham duas vezes. Não se maçam e ainda chateiam os outros.

 

 Afinal, é isto que acontece na gestão do país. Todos são seus coproprietários, mas poucos se incomodam em participar nas soluções. Há sempre alguém que se chega à frente e que será depois o alvo de todas as críticas. Nesse aspeto, os políticos merecem o nosso respeito e consideração, porque para chegarem aos lugares de poder tiveram que participar em muitas reuniões. Abdicaram vezes sem conta do sofá.

 

Se eles se aproveitam indevidamente do poder, ou se são sempre os mesmos em rotatividade, é precisamente porque a maioria das pessoas entende não levantar o rabo e não se arriscar a ser criticado. Mas quem opta pela omissão é também verdadeiramente responsável pelas decisões que são tomadas.

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publicado às 15:14


A noite do pai

por Duarte Victor, em 19.03.14

Não conseguia dormir.

 

A história que lhe contei não pesou nas pestanas. Veio o Pluto e o seu amigo Pateta e nada. Seria trabalho para o Homem-Aranha? Ficou ainda mais desperto.

 

-Vamos ver quem sonha primeiro? Dá-me a tua mão.

 

 Fechámos os olhos. Adormeceu em poucos minutos com um sorriso.

 

 Desde então gosta de entrar nos sonhos de mão dada, sempre em primeiro lugar.

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publicado às 12:50


Manual de Geografia Eleitoral – 1

por Paulo Guinote, em 10.03.14

Adoro politólogos. São uma espécie de comentadores de política só que em vez de lerem o Correio da Manhã no café estão na Universidade e vão à televisão.

 

No resto, indistinguem-se nos inconseguimentos das suas previsões, com duas meras excepções: António Costa Pinto porque diz coisas tão vagas e gerais que acerta sempre, mesmo quando falha, e Joaquim Aguiar porque é tão confuso que ninguém percebe o que diz e, por consequência, se acertou ou falhou.

 

Mas todos eles - com a possível honrosa ressalva do André Freire - pararam em termos teóricos nos anos 90 quando se divulgou com enorme sucesso a tese de que "as eleições se ganham ao centro".

 

Ora... nem Seguro, nem Passos Coelho são especiais inovadores e para as europeias atiraram os dois para o centro com Assis e Rangel que, com poucas divergências e muito sentido de Estado (mas o segundo tem postura mais engomada), estão ao colo um do outro no espectro político.

 

Qual a maior diferença?

 

É que Rangel está à frente de uma coligação que tem um partido inteiro para cobrir o seu lado direito pelo que pode instalar-se com um discurso inócuo ao centro, enquanto que o Assis se quer instalar ao centro, deixando a esquerda toda entregue à concorrência, talvez com a esperança de que o Bloco esteja em perda irremediável e o PCP não consiga ir muito longe dos dois dígitos.

 

Só que, mesmo num dia mediano, PCP e Bloco devem levar uns 15% do eleitorado à esquerda do PS e à direita do PSD tudo entra no mesmo saco.

 

O Tó Zé não percebeu isso.

 

Não percebeu que o centro ficou perdido, pois o Paulo Rangel tem um ar muito mais alinhadinho ao centro (mesmo se as suas convicções podem ser bem mais à direita) conservador, enquanto o Assis parece um miscasting seja em que perspectiva for, até porque depois de tantos disparates do passado só um distraído, surdo e analfabeto funcional o pode considerar "estruturante" da esquerda pequenina.

 

E o Tó Zé não percebeu isso e que está entalado numas eleições que deveria ganhar com uma enorme vantagem.

 

Porque ficou parado nas teorizações politológicas dos anos 90, não percebendo que nessa altura Guterres ganhou "ao centro" porque Cavaco Silva tinha deixado o PSD dizimado e o CDS num táxi e que Sócrates ganhou porque o adversário era o líder das santanettes.

 

Entretanto, a Terra girou umas vezes e era tempo do Tó Zé deixar de ter miúfa dos adversários internos e dos "esquerdistas".

 

E vai passar a noite das eleições num sobressalto.

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publicado às 10:50




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  • silva

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