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A culpa é dos psicólogos

por Pedro Brinca, em 18.02.14

Ainda não há muitos anos, as crianças simplesmente cresciam. E os pais garantiam-lhes as condições mínimas para tal. De resto, serviam para ajudar na lida da casa, se fossem meninas, ou na horta, no caso dos rapazes. E que não atrapalhassem. Nem pensar que se metessem em conversas ou assuntos de adultos. Os fedelhos não tinham importância.

 

Depois, de repente, veio uma geração de pais que centrou a sua vida em redor dos filhos. Passaram a condicionar horários e a gerir as agendas para ir levar e buscar os meninos à escola, ao futebol, à natação, ao bailado e à música, quando no caso deles o autocarro tinha servido perfeitamente. De um papel insignificante na família, passaram a reis e senhores da casa.

 

Surgiu a preocupação de proteger as crianças de todos os traumas, ocultando-lhes os problemas, fazendo-os crer que o mundo é cor-de-rosa. E impôs-se a teoria criada pelos psicólogos do estímulo positivo. Até aí tudo bem, se não levada ao exagero.

 

O menino nasce e ouve todos os dias que é o mais lindo do mundo. Faz um desenho e é o maior artista do mundo. Diz alguma coisa e é o mais inteligente do mundo. Interrompe as conversas dos adultos e todos têm que lhe dar atenção, por maiores parvoíces que diga.

 

Na escola não o corrigem nem contrariam. Se disserem que o desenho podia estar melhor ainda aparece o pai no dia seguinte com ameaças ao professor, por estar a frustrar as expectativas e, com isso, a hipotecar o futuro da criança. No ensino superior também o deixam passar incólume, pois, desde que pague, tem direito ao diploma. As faculdades hoje apenas vendem diplomas.

 

O pior é quando o menino, já grande, consegue arranjar um emprego. Quando lhe fazem o primeiro reparo sobre a qualidade do trabalho ele revolta-se. Então, toda a vida ouviu dizer que era fantástico e agora vem alguém pôr-lhe defeitos? A ele, que sempre se julgou o maior…

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publicado às 12:26


Sexy Autárquicas e Sexy Europeias? Ao mesmo tempo???

por Nuno Vaz da Silva, em 17.02.14

A escolha de João Ferreira como cabeça de lista do PCP às próximas eleições europeias é ao mesmo tempo absurda e normal.

 

É absurda porque João Ferreira foi candidato a Presidente da Câmara Municipal de Lisboa nas últimas eleições, tendo sido eleito vereador do Município. Com a sua provável eleição para o Parlamento Europeu terá de abdicar do seu mandato em Lisboa ou na Europa (embora a hipótese mais provável seja a primeira). Mas João Ferreira já era também deputado europeu, tendo sido eleito com Ilda Figueiredo. O seu mandato só foi interrompido com a candidatura à CM Lisboa.

É ainda absurda porque o PCP tem criticado a postura de militantes de outros partidos que são escolhidos para candidatos a repetidos cargos, por diversas ocasiões.

 

Mas esta estratégia política é infelizmente normal na sociedade portuguesa. Há candidatos que adbicam dos seus mandatos durante o decurso dos mesmos ou até na própria noite das eleições. Se essa decisão fosse tomada pelos próprios antes das eleições, não haveria nenhum problema, até porque a lei permite esse tipo de comportamento errático. Mas como o eleitor desconhece esses factos, acaba por ser enganado pelo partido e candidato que apoiou. Há nesta postura um grau de informação adversa que distorce as decisões dos eleitores.

João Ferreira capitalizou alguns votos por ser o candidato “sexy autárquicas”, tendo conseguido um bom resultado para o seu partido em Lisboa. A decisão do PCP de nomeá-lo cabeça de lista nas europeias não é indiferente a esse facto. Não está em causa a capacidade técnica ou mesmo política de João Ferreira mas a sua escolha para concorrer a novas eleições quando as últimas (onde foi eleito) decorreram há menos de 6 meses, parece-me uma afronta para os eleitores que o apoiaram.

 

Terá o PCP escassez de quadros qualificados? Apenas consegue seleccionar um candidato dentro dos seus inúmeros militantes e simpatizantes?

 

Quando se acusa outros partidos de má postura politica deve-se, em primeiro lugar, analisar as decisões internas. Não é de bom tom apontar o dedo a outrem quando dentro de portas se passa o mesmo…ou ainda pior!

 

Os eleitores do PCP são fiéis e não será este facto que os demoverá de dar o voto ao seu partido. Mas o número de votos não apagará a atitude politicamente incorrecta  PCP!

 

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publicado às 12:34


Dos namorados dias

por Fátima Inácio Gomes, em 14.02.14

É dia dos namorados. Multiplicam-se os corações, os ursinhos, as declarações pelas redes sociais. O Citador deve registar uma afluência só comparável à da rede telemóvel em noite de consoada.

 

O mundo divide-se entre quem defende a existência deste dia - é tão bonito o amor, por que não o cantar num dia todo feito para ele? – e os que nele veem mais um sinal de uma sociedade apaixonada, sim, mas pelo consumismo.

 

Dado o mote, entrego-me, eu também, ao espírito do dia. Afinal, foi criado para quem, este namorado dia? Para os apaixonados? Mas esses não precisam de um dia para se celebrarem, nem sequer sabem bem o dia ou o mês em que estão… Terá sido feito para os casais que se esquecem de namorar? De facto, quando a rotina se instala, é bom ter um dia marcado, como a inspecção do carro ou o pagamento do IMI, para lembrar, tal como é apanágio proverbial, que “no casamento se deve manter o namoro”… e assim, aplicadamente, os casais cumprem essa incumbência de atiçar a paixão com um jantar romântico, num restaurante apinhado de casais igualmente incendiários. Depois, cumprido o dia, vestem o fato quotidiano e guardam o do apaixonado para o ano seguinte, para ser arejado, pontualmente, dia 14 de fevereiro.

 

Convenhamos, o dia dos namorados foi criado, realmente, para chatear quem não namora. Para o bombardear com essa evidência, sempre que se cruzar com dezenas de parzinhos enlaçados, com homens de ramos de flores na mão, ou a singela e infalível rosa vermelha, ou sempre que abrir o facebook, twitter, instagram, tumblr e sites noticiosos. E a evidência não é apenas de que não tem par enamorado, é a de não contribuir para o crescimento da economia nacional – é isso que o dia dos namorados lembra: não tens namorado/a? Então, simplesmente, não tens e, não ter materialmente é, nos dias de hoje, uma pobreza. Tenho a certeza que, para o ano, os preclaros membros do governo criarão um concurso especial “dia dos namorados” para facturas de bonecos de peluche, flores, doces e restauração. E maior será o descrédito do não-namorador – que défice de empreendedorismo! Com gente assim, como há de o país ir para a frente? O senhor não aguenta uma namorada? Isso seria viver acima das suas possibilidades? - Ai aguenta aguenta! Estamos em período de crise, não há separações irrevogáveis, faça o favor ao país e ligue à sua ex-namorada, se ela não tiver arranjado namorado novo. Ou se tiver, ligue também. Não pode é cair num nível pessoal frustracional derivado do inconseguimento.

 

Não deixe de existir por um dia. Seja empreendedor! E, namorador, seja feliz, faça feliz quem ama e, já agora, a florista, o dono da loja de chocolates e o gerente do restaurante. 

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publicado às 11:41


A demagogia de Seguro

por Nuno Vaz da Silva, em 12.02.14

António José Seguro é um líder cada vez mais demagógico. A sua crescente mediatização, aparentemente apoiada pela generalidade da comunicação social, baseia-se em contra medidas e contra propostas que são pouco credíveis. As lutas internas do PS, muitas delas na sombra, e a aproximação de duas datas importantes para as suas aspirações (resultado das eleições europeias e o final do período de assistência internacional) implicaram uma alteração da postura política do principal líder da oposição.

 

António José Seguro está a fazer uma aproximação crescente e perigosa ao populismo. Em vez de apresentar propostas concretas para melhorar o bem-estar social dos portugueses, limita-se a contrariar as medidas do Governo, num facilitismo de acção politica que afecta a sua própria credibilidade como Estadista. Foi assim com os feriados, tendo o PS garantido que os repunha como estavam e com o fecho dos tribunais em que o líder da oposição se limitou a apresentar proposta contrária à decisão do Governo.

 

Diz-se muitas vezes que o país não anda para a frente ou, nos meios mais rurais, “que não sai da cepa torta”. Com este tipo de postura partidária, de uma demagogia atroz sem conteúdo ou argumentação, é normal que continuemos no limbo por mais uns anos. Não é crime repor uma medida errada mas o discurso de Seguro faz lembrar uma espécie de regresso ao passado num conservadorismo difícil de identificar com o Partido Socialista. Para além disso, se um Governo faz algo e o seguinte desfaz, não há orçamento do Estado que aguente tanta mudança.

 

Seguro está desesperado e inseguro! O PS não consegue criar uma onda de mudança na sociedade porque o Governo, ao que tudo indica, não necessitará de novo programa estrutural de assistência, porque as eleições europeias parecem menos favoráveis do que inicialmente seria de prever ao PS e, sobretudo, porque os candidatos a líder do PS estão em movimentações, prontos para aparecer em caso de qualquer falha de Seguro, o que provocará certamente algum nervosismo ao actual líder!

 

Das duas uma: ou Seguro está ciente que não chegará a Primeiro-ministro e opta agora por fazer o trabalho de campo de animal político populista para lançar um efectivo líder no PS com postura de Estado; ou então, Seguro caiu em desespero e, sem argumentos construtivos, decidiu radicalizar a sua acção, numa aproximação à esquerda mais radical que pode provocar uma eventual coligação pós eleitoral mas que lhe roubará muitos votos do centro!

 

As opções políticas pagam-se caro ou dão muitos dividendos. Independentemente da relação custo/benefício para Seguro, o país necessita, a bem da construção democrática, de um líder da oposição com argumentos sólidos. A actual postura de líder populista, frágil e cansado de manter as suas tropas mobilizadas com constantes ameaças de golpes de estado partidários, não serve os interesses da oposição nem é útil ao futuro do país!

 

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publicado às 16:13


A duxmania

por Duarte Victor, em 10.02.14

A folha em branco é um laboratório de palavras onde se torna difícil encontrar as que melhor definem a “duxmania” que nos afasta dos valores que pensávamos conquistados.

 

 Não, não me refiro às praxes mas ao país e ao mundo.

 

O que se passou no Meco foi um acidente trágico para os jovens e as suas famílias, mas o que está subjacente a esta realidade tem laivos ideológicos que se instalam e se agigantam como uma catástrofe para a humanidade. A humilhação e a obediência cega é apanágio das ditaduras que fragilizam  a dignidade e o respeito por qualquer ser humano.

 

Não existem princípios nem valores  para a ganância de poder e a desmesurada vontade do lucro e do benefício do interesse privado.

Os extremismos de regimes ditatoriais nas sociedades modernas  desvalorizaram a educação e o acesso ao conhecimento com o propósito de manter ignorante e indefeso o cidadão comum.

 

Hoje a coberto das dificuldades económicas, os cortes e os desinvestimentos arbitrários em setores cruciais na construção de um país mais culto e tecnologicamente mais evoluído, abrem novas possibilidades a despotismos  tão gratos a oligarquias sedentas de poder.

 

Não são as praxes que me preocupam mas a ideologia que, por vezes, se esconde por de trás  de uma pretensa iniciação para a vida e que afinal não é mais do que uma formatação para a obediência e a escravatura.

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publicado às 11:40


As boas famílias

por Fátima Inácio Gomes, em 04.02.14

Acabo de ouvir um jornalista, relatando o ataque de um estudante russo numa escola secundária, que provocou dois mortos, dizer que o jovem era de "boas famílias".

 

Também, há dias, em Portugal, a comunicação social falava dos ataques violentos de jovens "de boas famílias" de Lisboa e de Cascais.

Não me pronuncio sobre o perfil das famílias destes jovens, sem as conhecer. Também não parto para a conclusão imediatista de que, "se fossem boas famílias, não teriam filhos assim". A história tem mostrado muito bons pais com maus filhos e bons filhos com maus pais. Mal estaríamos se ficássemos condenados, à nascença, pela família e pelo meio que nos calha em sorte, como os deterministas ditavam. Sem termos espaço para nos construirmos, livremente.

 

Acredito que assim não seja. Quer o modo como me olho, quer o modo como olho para os outros, têm por princípio esse espaço de liberdade. E de responsabilidade pessoal. E creio que os próprios jornalistas também não se estão a referir a valores morais: como podem eles avaliar, em cima do acontecimento, os alicerces morais de uma família?

Conclui-se, pois, que, na sociedade dos nossos dias, que os jornalistas tão fielmente refletem, a “boa família” é a família rica. Uma família rica é uma “boa família”.

 

Ah… agora até se entende por que razão o país até precisa de um tutor europeu. É que Portugal está cada vez mais cheio de “más famílias”!

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publicado às 19:54


Exames Made in Cambridge

por Paulo Guinote, em 03.02.14

Não é de agora que acho que os exames de 9º ano se devem estender também do Português e da Matemática ao Inglês (por causa da introdução no 1º ciclo que deveria ser sistemática e coerente e não um patchwork como acontece na prática), às Ciências (Naturais, da Natureza, com ou sem Físico-Química, mesmo que sem efeitos na avaliação final das disciplinas) e à História e Geografia (Ciências Sociais).

 

Para isso, acho que deveria ser introduzida um sistema de exames de forma gradual, não num dado ano ou momento por dá jeito, mas porque corresponda ao fim de um trajecto no ensino Básico de uma coorte de alunos que já teve Inglês no 1º ciclo.

 

Esse exame deve ter como orientação o programa da disciplina e as metas curriculares definidas com base nele e não um referencial externo que não conduziu o trabalho de professores e alunos ao longo de, pelo menos, 5 anos.

 

Deve ser um exame feito em articulação com os do Ensino Secundário.

 

Não deve ser um exame feito para efeitos de fogo de artifício e – sublinho-o – servir de base a um negócio de produção de materiais, formação, certificados e/ou explicações. Deve ser um exame como é o de Português ou de Matemática, mesmo com todas as críticas que merecem a muita gente, se possível imune a capelinhas académicas.

 

Este exame made in Cambridge – seja de nível XCÓCÓ2R1 ou de nível XIXI67LÇ21 – não faz parte de um sistema coerente de exames para o nosso Ensino Básico, nada garante que esteja de acordo com os programas em vigor e que os alunos e professores seguiram desde sempre, nem sequer sabemos se estão de acordo com as metas curriculares cujo cumprimento deveria ser avaliado daqui a 3 ou 5 anos.

 

O resto é conversa fiada.

 

Seja dos que criticam a examocracia, recusando toda e qualquer avaliação externa por questões de princípio ideológico, seja dos que querem qualquer exame, em especial se for oportunidade para estabelecer parcerias empreendedoras.

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publicado às 13:05




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