Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Os melhores amigos dos homens são...as leis!

por Nuno Vaz da Silva, em 30.10.13

A recente polémica sobre a legislação que pretende limitar o número de animais de companhia é mais um sinal que em Portugal se prefere uma boa briga, em alternativa a tentar perceber se uma decisão tem ou não fundamento.

 

Muitos portugueses encheram páginas em redes sociais a insurgir-se contra a medida por ser limitativa, a seu ver, das liberdades individuais. No entanto poucos se lembraram, nestas criticas, de pensar nos direitos animais ou nos direitos dos vizinhos.

 

Por exemplo, se eu tiver 5 cães ou 10 gatos num apartamento de 45 metros quadrados, não estarei a colocar em causa a sua própria qualidade de vida? E como será a qualidade de vida dos meus vizinhos?

 

Uma outra vertente de análise está relacionada com o facto da medida ser ou não oportuna, tendo o país tantas debilidades financeiras e problemas muito mais relevantes para tratar. Mas se o Governo se limitasse a resolver problemas económicos, será que não haveriam também muitas criticas sobre a ausência de outras politicas de interesse público?

 

Somos o país da critica fácil e dos governos sombra em qualquer café (e mais recentemente em qualquer rede social). E é caso para dizer, utilizando uma expressão popular, que "quem não é preso por ter cão....é preso por não o ter"!

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:27


Os donos do bom gosto

por Pedro Brinca, em 28.10.13

Há umas semanas foram colocadas umas esculturas numa rotunda de Setúbal e a polémica estoirou num ápice. Anda um monte de gente indignada porque “aquilo não tem jeito nenhum”. Chamam-lhe a “rampa de lançamento de mísseis” ou os “supositórios gigantes”, quando à evidência se nota que se tratam de três sardinhas esculpidas em pedra, colocadas na vertical.

Setúbal tem-se reclamado como a capital do peixe assado. Na verdade, é difícil encontrar melhor sítio para comer umas sardinhas na brasa, feitas em assadores com um modelo específico que ficaram típicos à porta dos restaurantes e que não têm igual noutra localidade. Por isso, as sardinhas parecem uma escolha natural de um artista quando confrontado com uma encomenda para um monumento para a cidade.

A rotunda em causa, de construção recente, fica próximo do embarque dos barcos para Tróia, numa zona típica da cidade, junto do bairro das Fontainhas, local onde, durante décadas, estiveram localizadas dezenas de fábricas de conserva. A meia dúzia de metros está mesmo uma dessas antigas fábricas, hoje transformada em Museu do Trabalho. Ao que parece, a escultora em causa é mesmo filha ou neta desses proprietários.

Ora, uma escultora natural de Setúbal, ligada familiarmente à atividade conserveira, conhecedora, portanto, da identidade da cidade, parece ser uma escolha mais do que acertada para a autoria da obra. Escolheu fazer umas sardinhas e parece óbvia a escolha. Podiam estar deitadas numa grelha, tornavam-se mais reais, mas o efeito visual proporcionado a quem passasse seria bem mais duvidoso. Estão em pé, estranhamente, mas é a única forma de se fazerem notar.

Pode-se questionar um conjunto de opções técnicas, mas questionar o gosto é uma coisa bem estranha. Aliás, comum em Setúbal. Há perto de trinta anos os ânimos andavam exaltados por causa do “mamarracho” da Praça de Portugal. Agora, também um monte de críticas se fizeram ouvir sobre uns painéis que uns artistas pintaram para o futuro centro comercial Alegro, a convite deste, e que estão expostos em redor da obra. Como aliás têm criticado uma série de grafitis que a câmara tem promovido ao longo da cidade

Há gente que se sente mesmo dona do bom gosto. Que tem sempre opções melhores para tudo o que é feito, mas de quem ninguém conhece obra nenhuma. Afinal, se virmos bem, o Picasso não sabia desenhar e o Dali pintava umas coisas esquisitas. E mesmo a Joana Vasconcelos, a quem hoje todos se vergam porque foi reconhecida no estrangeiro, não faria muito diferente daquelas sardinhas. Talvez lhes acrescentasse umas rendinhas, mas todos iriam considerar uma obra de arte notável.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:05


Como se não houvesse amanhã

por Duarte Victor, em 21.10.13

Não nos entendemos. O país definha e o governo insiste na estratégia da pobreza. Continua a subsidiar as PPP`s que irão dobrar os encargos líquidos em 2014 e a aumentar as despesas com o aparelho de estado. Reduz nos salários e pensões que já são dos mais baixos da Europa. Só a dívida aumenta e bate recordes no pódio europeu do miserabilismo e da ganância cega.
 

Se o plano orçamental para 2014 falhar, o que nos resta? Mais uma vez a Constituição em causa e o Tribunal Constitucional como entrave de medidas orçamentais irrevogáveis e de salvação nacional. Vivemos sob a ameaça de hecatombe económica se um chumbo do Constitucional obrigar Portugal a novo resgate. A pressão da Comissão Europeia e da coligação governamental, não respeita valores e princípios democráticos nem a soberania nacional.
 

Empurram-nos para a vertigem desenfreada da austeridade como se não houvesse amanhã.
 

O orçamento para 2014 deixa-nos reféns entre impostos e cortes, sem estratégia económica, sem programas de reformas nem justiça social. A redução de rendimentos na função pública e pensionistas que o aumento dos impostos não conseguiu evitar, o desinvestimento na saúde, na educação e na cultura, são apenas a ponta de um grande iceberg desta barbárie económica e social.
 

A lógica do economicismo instalou um regime regressivo e predatório que não é compatível com o inexorável comprometimento das conquistas democráticas.
 

Se continuarmos a hipotecar o presente, estaremos irremediavelmente perdidos a caminho da insolvência do futuro. Tempos de irracionalidade, estes que vivemos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:18


Politica = 80% Imagem + 20% Mensagem

por Nuno Vaz da Silva, em 10.10.13

A sociedade actual é vulgarmente apelidada de sociedade da informação. Qualquer pessoa que necessite de saber mais sobre um assunto, facilmente recorre a jornais, televisão ou internet para obter os esclarecimentos que necessita. No entanto, e em paralelo, há pouca disponibilidade ou mesmo interesse para obter mais informação sobre assuntos de interesse comum como politica e economia.

 

Este é um problema dos meios de comunicação que explicam mal os assuntos que analisam mas também dos partidos políticos que passaram a ser 80% marketing e 20% mensagem.

 

Esta opção da imagem em detrimento dos valores foi uma consequência dos hábitos dos cidadãos, mais interessados em mensagens visuais apelativas do que em argumentos irrefutáveis.

 

Um dos exemplos mais comuns sobre este assunto é a enorme falta de informação na sociedade sobre o programa de ajustamento, quais os problemas que o motivaram, quais as alternativas e consequências se não fosse cumprido.

 

Muitos dos cidadãos não sabem o que são os mercados nem percebem porque temos de nos sujeitar a medidas de contenção orçamental. Esse desconhecimento não origina uma pesquisa do próprio para se informar sobre os temas e acaba por gerar uma critica pouco esclarecida, falaciosa e inconsequente.

 

Ainda assim, os políticos continuam a utilizar chavões desconhecidos e a falar num "politiquês" cada vez mais distante da linguagem dos seus concidadãos.

 

A politica necessita ser explicada para ser compreendida. Isto significa que não bastam meia dúzia de palavras caras e falar no "bicho papão" que são os mercados para justificar uma qualquer medida. Da mesma forma, é claramente insuficiente refutar toda e qualquer medida do governo como alternativa politica sem referir qual seria a consequência dessa decisão suicida.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:13


Portugal está primeiro!

por Helena Freitas, em 07.10.13

Em 2011, todas as forças políticas e todos os interesses instalados à volta do regime clamavam a urgência de um resgate a Portugal. O primeiro objectivo era demitir José Sócrates, um primeiro-ministro consumido pela cegueira de sua própria conduta. A pressão era tal e a informação de tal forma manipulada, que se tornava impossível fazer passar qualquer outra mensagem: haveria de prevalecer a necessidade de demitir José Sócrates, numa operação impulsionada por um presidente obcecado pela vingança. Então como agora, pouco importa a humilhação do país.

 

Fica hoje claro que José Sócrates tentou convencer Merkel a aceitar uma forma de ajuda diferente da Grécia e da Irlanda, mas nunca saberemos se tal teria sido realmente possível. Talvez. O chumbo do PEC ditou a chegada da Troika e com ela a rendição do país ao comando externo.

 

O PSD de Passos Coelho queria eleições o mais depressa possível, e Cavaco Silva não desperdiçaria a oportunidade de se vingar de Sócrates. O PSD acabaria por ganhar as eleições, apresentando ao eleitorado um conjunto de propostas que se vieram a revelar enganosas. Mais grave do que isso: havia agenda de poder, mas não havia preparação política.

 

Aqui chegados, alguns sectores anunciam timidamente um segundo resgate para Portugal. Espero e desejo que tal não aconteça! É possível que Portugal venha a precisar de algum tipo de apoio em 2014, e há mecanismos europeus que estão previstos e que serão seguramente accionados. Mas preocupante é a tentação de usar esse “segundo resgate” novamente como arma de arremesso político. Passos Coelho e o PSD, afinal, teriam direito ao mesmo fel que utilizaram em 2011 para precipitar eleições, mas Portugal ficaria sempre a perder. Cabe agora ao PS fazer a diferença porque Portugal está primeiro!  

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:01


O jornalismo está a acabar

por Pedro Brinca, em 04.10.13

O jornalismo é um pilar da democracia, um garante das liberdades e garantias, o suporte do direito constitucional de informar e ser informado. Mas está a acabar. Têm vindo a matá-lo. E os jornalistas têm dado um forte contributo. O mais grave é que parece que ninguém se importa.

 

Todos acompanharam a polémica nestas últimas eleições em torno da cobertura televisiva, que não aconteceu, como consequência de uma imposição da Comissão Nacional de Eleições que decidiu retirar autonomia aos jornalistas para definirem os seus critérios editoriais. E muitos se revoltaram contra as televisões, considerando que é lógico e natural que um organismo público decida o que um órgão de comunicação social deve ou não transmitir.

 

À conta dessa intromissão, as televisões não organizaram debates com os candidatos, o que também seria pouco sensato num país com 308 concelhos, a não ser que, como de costume, se preocupassem apenas com Lisboa e Porto. Mas houve muita imprensa regional que organizou nas suas áreas de intervenção, tentando, porventura, cumprir a determinação da CNE, embora esta pouco se preocupe pelo que se passa fora das duas grandes cidades.

 

Caricato é que a maioria dos candidatos decidiu também impor um modelo de debate, que a maior parte dos organizadores decidiu acatar rapidamente, até porque é muito menos trabalhoso. Informam-se os candidatos sobre os temas a abordar, estes preparam as suas intervenções em casa e depois têm uns minutos para falar sobre cada assunto, debitando os discursos demagógicos que já lhes conhecemos.

Os “moderadores” limitam-se a contar o tempo e a apresentar o candidato seguinte. De debate não tem nada e o resultado é completamente estéril.

 

Mas estas imposições aos jornalistas, que tudo aceitam numa política de ir sobrevivendo sem levantar ondas, há muito que alastram nas redações. São raros já os protagonistas da atualidade, por muito pequenos que sejam em termos de importância e reconhecimento social, que se dispõem a conversar com um jornalista para esclarecimento deste e dos seus leitores. Há muito que impera a tirania dos comunicados e as respostas em monólogo por escrito. Pedem-se umas pequenas declarações sobre um assunto e vem por e-mail um texto de três páginas de discurso vazio e nada esclarecedor.

 

A maior parte das redações vai aceitando e quem se recusa sujeita-se à incompreensão reservada a quem rema contra a maré. Mesmo que se alegue o interesse superior dos leitores e do seu esclarecimento. Mas estes não estão nem aí. Consomem qualquer coisa que se lhes ponha no prato. E, no dia em que desaparecer o último jornalista de uma redação e tudo se limite ao copiar e colar do discurso institucional, parece que ninguém vai dar por nada.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:59




Últ. comentários

  • silva

    A TRÍADE SALOIA Casino Estoril Sol IIINo caso da ...

  • silva

    A TRÍADE SALOIA Casino Estoril Sol IIINo caso da ...

  • silva

    A TRÍADE SALOIA Casino Estoril Sol IIINo caso da ...

  • silva

    A TRÍADE SALOIA Casino Estoril Sol IIINo caso da ...

  • silva

    A TRÍADE SALOIA Casino Estoril Sol IIINo caso da ...