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Nada é impossível de mudar

por Duarte Victor, em 27.09.13

Vale a pena votar. Votar é tomar uma decisão pelo futuro. O apelo à participação e ao envolvimento de todos nas eleições é fundamental para o reforço da democracia, da soberania e da identidade nacional.

Travar a abstenção deve ser o maior combate de partidos, de grupos de cidadãos, de instituições, de personalidades com responsabilidades políticas e sociais, de todos nós. Votar é não só eleger candidatos a presidentes ou deputados, mas também dar um claro sinal e uma expressão marcada de opinião sobre as políticas locais, nacionais e comunitárias. Devemos encarar cada oportunidade de voto não apenas como um direito, mas um dever, uma responsabilidade cívica.

O sentimento de distância em relação ao estado e à coisa pública, a desconfiança do funcionamento das instituições e a não identificação partidária que caracterizam o abstencionista, leva-o a acreditar que a sua participação não conta. Ao abdicar da esperança, beneficia o oportunismo e a incompetência. Fica em risco a democracia.

Promover a inclusão social e participação das populações na política e cidadania, através de melhores mecanismos de esclarecimento eleitoral e uma pedagogia alargada ao desenho da cidadania nacional e comunitária, são fundamentais neste combate.

 (…)não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural, nada deve parecer impossível de mudar. Bertolt Brecht

Votar é dar um novo rumo às nossas vidas em consciência e liberdade. Nada é impossível de mudar.

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publicado às 19:20

Em vésperas de mais um acto eleitoral – as autárquicas que se aproximam –os candidatos e os seus apoiantes desdobram-se em esforços em campanhas de rua a distribuir folhetos, bandeirinhas, t-shirts e outros afins, e isso até é bom de ver porque é um sinal de mobilização, interesse, participação e de responsabilidade para com os destinos das suas cidades, vilas e aldeias.

 

Contudo e, independentemente das opções políticas de cada um, o que mais me entristece é a falta de ideias, a falta de projecto e de visão estratégica para a resolução dos problemas e para o desenvolvimento dos territórios. Por isso pergunto-me a mim mesmo o que é (n)os move?

 

Recentemente a EAPN Portugal, para quem não conhece uma organização nacional que atua no âmbito da luta contra a pobreza lançou um apelo a todos os candidatos autárquicos  no sentido  de que os governos locais se empenhem na promoção de novas formas de organização democrática a nível local, de forma a devolver o poder aos cidadãos e que incluam na agenda da governação o objectivo do combate à pobreza  e exclusão social a nível local.

 

Sinceramente, enquanto cidadã espero/desejo que os portugueses vão ás urnas e que façam as suas escolhas em plena consciência e que os “novos “ e “velhos” autarcas estejam à altura dos desafios contemporâneos e que tenham a necessária clarividência para tornar a democracia local mais acessível e relevante.

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publicado às 13:07


Portugal Europeu. E agora?

por Nuno Vaz da Silva, em 12.09.13

Decorre esta sexta-feira e sábado, o encontro Presente no Futuro organizado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos sob o tema “Portugal Europeu. E Agora?” Este encontro vai incluir diversas sessões, conferências, debates e conversas informais sobre o nosso papel na Europa e os desafios que temos pela frente.

 

A adesão de Portugal à União Europeia trouxe um conjunto de benefícios e custos que raramente são discutidos em simultâneo. No seio das forças politicas, há uma parte do espectro partidário que evoca os prejuízos e outra parte que evidencia os benefícios, como forma de cativar os seus eleitorados. Mas não tem havido um debate isento sobre o que perdemos e o que ganhamos em ser cidadãos da europa dentro de uma união europeia.

 

Mais do que debater sobre o passado, importa pensar o futuro. Como poderá Portugal comportar-se face aos seus pares e qual o impacto da construção europeia na cultura, oportunidades e na qualidade de vida dos portugueses?

 

Numa sociedade em que os cidadãos se queixam de serem cada vez mais alheios à decisão dos políticos e das instituições públicas, este debate assume-se como um polo de discussão, partilha de ideias e projecção daquilo que o futuro nos reserva. O comum cidadão pode ser agente activo na discussão sobre os assuntos mais críticos para a nossa vida em sociedade.

 

Não sendo um think tank, este encontro reúne um conjunto alargado de especialistas nacionais e internacionais e serão debatidas questões económicas, sociais, culturais, filosóficas e politicas.

 

O futuro é algo incerto para os cidadãos mas poderá ser mais nítido e mais próximo das necessidades de todos se a participação dos portugueses for também mais activa e mais crítica! O encontro da Fundação Francisco Manuel dos Santos “Portugal Europeu. E Agora?” será certamente um bom exemplo de intervenção e participação cívica dos portugueses, como povo europeu!

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publicado às 18:40


O circo está montado

por Pedro Brinca, em 10.09.13

Estamos em vésperas de eleições autárquicas. Os candidatos e as comitivas partidárias estão nervosos. Alguns estão mesmo histéricos. Perderam há muito a noção do razoável, a sensatez, a cordialidade e até o respeito e a boa educação.

 

A comunicação social vive da sua credibilidade e independência. Para evitar confusões ou desvios, a própria Comissão Nacional de Eleições reforçou as regras para a cobertura das autárquicas deste ano. Mas praticamente todas as candidaturas vivem obcecadas com a ideia de poderem ser marginalizados, ostracizados ou menosprezados pelos jornalistas.

 

Algumas forças partidárias são, aliás, profissionais desta estratégia. A maioria dos partidos pequenos é como se vivessem na clandestinidade. Nunca aparecem e depois surgem inscritas nas listas aprovadas pelos tribunais. Não informam a comunicação social, raramente fornecem contactos dos candidatos e não respondem a telefonemas nem a mensagens de correio eletrónico.

 

Ou seja, fazem tudo para não aparecer. E depois, nos momentos oportunos, lá estão armados em vítimas. Porque não foram convidados para um debate, porque não foram entrevistados. A estratégia da autovitimização a tentar colher simpatias e a lançar ruído por todo o lado.

Mas também os grandes partidos, os dos profissionais, proporcionam momentos desesperantes para quem tenta fazer um simples trabalho de esclarecimento das populações neste período eleitoral. Respondem sempre com agressividade, como se percebessem à partida que a intenção dos jornalistas é prejudicar a sua candidatura, em benefício das outras.

 

Para a realização de um simples debate entre candidatos, surgem exigências inauditas, quase como se fossem vedetas do showbiz e tudo lhes fosse permitido. Sorteio para o lugar na mesa, sorteio para a ordem das intervenções, perguntas iguais para todos e tempo cronometrado e rigoroso, sorteio para a ordem da intervenção final dedicada ao apelo ao voto.

 

Vão desculpar, mas isto assim não parece um debate, mas um concurso de televisão. E se é por uma questão de justiça, talvez o ideal não fosse dar o mesmo tempo a cada candidato, mas contar as palavras que cada um pronuncia, para salvaguardar os direitos de quem fala mais lento e até de algum gago que eventualmente se candidate.

 

A mesquinhez atinge níveis nunca antes vistos. Como se algum espetador na sala fosse decidir a sua orientação de voto por um candidato estar sentado mais ao centro ou à ponta da mesa. Como se o tempo ocupado com palavras ocas e demagogia contribuísse para o esclarecimento.
Afinal, esclarecimento é o que menos pretendem, só e apenas animar o circo.

 

Mas há mais exigências. Definição do número de lugares para as claques de apoio. Sorteio para a localização das claques na sala. E até a exigência de que a comunicação social se entenda e organize um único debate entre todos os meios.

Uma boa ideia. Já era tempo também de os partidos se entenderem e fazerem uma lista única, que assim nem precisávamos de organizar debates. Nem de eleições…

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publicado às 13:06


Rentrée

por Duarte Victor, em 09.09.13

Em setembro voltamos à vida. Uma espécie de regresso ao que deixámos para trás com uma dissimulada esperança de que tudo esteja melhor. Tudo permanece como deixámos. Adiada sempre, quase sempre, o que exige de nós coragem e determinação. A mudança.

 

Os bolbos são constituídos por folhas escamiformes, em camadas. Assim vivemos nós, fazemos parte do mesmo bolbo mas separados por camadas.

 

Lisboa a respirar calor mas ali, mesmo no seu coração, tudo à volta é verde e refrescante. Espaço de elite, exclusivo para amantes de atividades higiénicas e biorritmos equilibrados. Mens sana in corpore  sano. A vida tonificada.

 

Na esplanada um casal chique, classe média alta, que o tempo tem conservado e protegido das intempéries e vicissitudes da vida. Vivem numa permanente primavera, acima das preocupações mundanas incendiadas por pirómanos mesquinhos e vingativos que odeiam ricos e se consomem na politiquice. Luísa, cujas feições faz lembrar as da rainha Nefertiti e o seu marido Jorge, sempre de sorriso colado no canto direito da boca.

 

70 gramas de carne?... Francamente! Chega a empregada com um pequeno naco de bovino grelhado, algumas batatas fritas e salada. Vai beber alguma coisa Sra. Dona Luísa? Não respondeu.

 

Jorge sentou-se à sua frente depois de uma pequena caminhada na passadeira rolante e umas pedaladas na bicicleta de ginásio enquanto descansava o olhar no canal National Geografic.  

 

Prescrição do nutricionista, 70 gramas de carne! Você não acha que isto é uma brincadeira de mau gosto? Francamente! Jorge manteve o sorriso colado no canto direito da boca. Sabe, no outro dia quando contava uma história e você interrompeu-me para falar com as suas amigas, perdi o raciocínio, a história desapareceu. Fez uma pausa com o olhar suspenso na direção do Tejo e o sorriso colado no canto direito da boca.

 

Na outra margem do rio, os mariscadores pareciam caminhar numa superfície espelhada. Dezenas de homens e mulheres curvados sob um sol escaldante recolhiam os bivalves no areal lamacento que as águas deixaram nos baixios. À revelia da lei, porque o sustento não dá para as licenças que impedem qualquer um de apanhar marisco livremente. Enchiam baldes e mochilas até as costas não aguentarem mais. No regresso à praia vinham curvados do peso e sorridentes. Não vergaram às horas de suor, de cansaço e ao medo que a polícia marítima lhes estragasse o dia, todos tinham o seu quinhão. Amanhã haverá mais.

 

Só gosta de nós quem nos quer ver feliz.

 

Acha que isto é senilidade? Luísa não respondeu. Naquela semana voltará ao nutricionista e as coisas terão de ficar esclarecidas. Jorge perdeu o sorriso.

 

O mundo será sempre um bolbo e a vida uma permanente rentrée. O importante é que haja razões para manter um sorriso colado no canto direito da boca.

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publicado às 12:41


Candidaturas (in)dependentes

por Nuno Vaz da Silva, em 03.09.13

A lei eleitoral autárquica portuguesa (lei orgânica nº1/2001) possibilita que movimentos independentes concorram directamente a órgãos das autarquias locais. Isto significa que o Estado concede aos cidadãos a possibilidade de se proporem a eleições e serem eleitos sem intervenção partidária. A lei, fortemente debatida na Assembleia tinha como objectivo aumentar a democraticidade e a participação de cidadãos que não eram filiados em partidos políticos.

 

Não é fácil apurar se esta lei aumentou a participação popular (a abstenção nacional em eleições autárquicas tem-se situado perto dos 40%) mas é indesmentível que há maior número de listas em alguns círculos eleitorais.

 

A legislação tem sido também aproveitada por militantes partidários descontentes ou não eleitos dentro do seu partido, bem como para tentativas de re-eleição de autarcas cujos partidos de base lhes retiraram o apoio e/ou a confiança.

 

Salvo algumas excepções, as candidaturas (in)dependentes são composta por grande número de políticos que recusaram ou foram recusados nas eleições primárias dos seus partidos e que, ainda assim, procuram manter o seu status quo.

 

O fenómeno dos candidatos in(dependentes) é perfeitamente legitimo embora nem sempre seja  moral nem ético para os próprios que concorrem. É expectável que um cidadão, quando se inscreve num partido, o faça por se identificar com os valores, as propostas e as linhas orientadoras seguidas. Se esse mesmo cidadão sai do partido devido ao seu interesse pessoal ou (pior ainda) se mantém no partido concorrendo em listas da oposição, não só revela incoerência politica como admite tacitamente que só esteve no partido enquanto obteve benefícios próprios.

 

Sempre que uma candidatura é composta na sua totalidade de independentes que nunca concorreram em eleições e/ou que nunca pertenceram a forças politicas, confirma-se que a lei cumpriu o objectivo do legislador. Por outro lado, quando é apenas uma ferramenta de argumentação demagógica ou uma estratégia de eleição contra corrente, então a lei foi apenas aproveitada numa espécie de vazio legal da lei, omissa face a políticos de carreira ou "militantes-duplos".

 

As candidaturas independentes nem sempre o são. Algumas (apesar de o repudiarem constantemente) serão mais dependentes da politica e dos interesses negativos da politica do que muitas candidaturas partidárias.

 

Todas as candidaturas autárquicas são candidaturas politicas. A diferença entre elas são as pessoas, os líderes, os projectos e a capacidade de implementação. Já os cartazes, as fotos, as aparições públicas e o número de likes no facebook (só para citar alguns exemplos) são diversões da politica à la portugaise que até pode servir para ganhar eleições mas não tem conteúdo nem sustentabilidade para os eleitores nem para as autarquias a que concorrem.

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publicado às 10:50




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  • silva

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