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Urgente é o amor

por Duarte Victor, em 31.05.13

Passaram os tempos dedicados à supressão da heresia mas as mentes inquisidoras teimam em manter-se por aí. Volto ao rebatido tema do orgulho e preconceito porque há discussões que não fazem sentido nos dias de hoje. São fruto de um obscurantismo intelectual ou de ignorância confrangedora. Esgotam-se energias a esgrimir argumentos em questões fraturantes como as do casamento entre pessoas do mesmo sexo, da coadoção, do aborto e da eutanásia. Não são apenas questões de origem cultural ou civilizacional mas sobretudo tabus de mesquinhos interesses disseminados na sociedade.  

 

Os tempos mudaram mas há sempre resistências ao seu avanço. Ardilosas consciências pequeninas e quezilentas, que mergulham numa comiserada autocensura para justificar preconceitos.

 

É melhor entregar uma criança a quem esteja preparado(a) para a receber e lhe dar carinho do que deixá-la numa instituição, seja na adoção de pessoas do mesmo sexo ou outra. Sem questionar a importância das instituições de acolhimento, esta é a opção que mais está de acordo com os superiores interesses/direitos da criança.

 

(…)a adoção deve depender das circunstâncias aferidas caso a caso de quem adota e não propriamente de uma determinada orientação. Paula Teixeira da Cruz, ministra da Justiça.

 

Discordâncias se levantam e entraves se constroem.

 

O Conselho Superior de Magistratura afirma que a lei da coadoção por casais do mesmo sexo, aprovada na generalidade no Parlamento, colide com o regime das uniões de facto e com a lei que permite o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Então corrija-se ou altere-se.

 

Vociferam Marinho Pinto e Luís Villas-Boas ao considerar a situação preocupante para a criança porque não vai nunca poder perceber na idade precoce, sobretudo com cinco anos de idade, o que é um pai e uma mãe. Argumento frágil.

 

Os seres humanos desde a nascença diferenciam e descodificam signos e sinais, para isso serve a inteligência. É o amor, a atenção e os cuidados que prestamos às crianças que lhes permitem viver a infância e a adolescência de forma digna, tranquila e feliz. Isto não depende de orientação sexual mas da opção consciente e responsável na adoção.

 

O destino do homem determina-se na forma como é gerado, no calor dos braços que se lhe estendem, na ideologia que o envolve e na liberdade que lhe é proporcionada para imaginar, experimentar e pensar. João dos Santos, sócio fundador do Instituto de Apoio à Criança

Num estado de direito, a discriminação não pode ser obstáculo a um enquadramento jurídico e social mais justo na proteção à criança. Vamos investir no futuro, no amor.

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publicado às 11:32


Video/Scoop dos Rebeldes pacíficos

por Raúl Braga Pires, em 29.05.13

Os Rebeldes Pacíficos “infiltraram” a Assembleia Nacional Francesa, Palácio Bourbon em Paris e filmaram sem autorização, parte das intervenções no Forum “Que nova Governança para o Mali?”, que decorreu nos dias 16 e 17 de Maio, à porta fechada.

 

Uma vez mais, ficamos com a sensação de quem está a espreitar p’lo buraco da fechadura.

 

 

A 18 de Maio, Masin Ferkal entrevista Abdullahi Ag Mohamed el Maouloud Ansari, um dos líderes da Tribo Kel Ansar, de Tombuktu, o qual em 22 minutos descreve o essencial dos debates no Palácio Bourbon, bem como faz um ponto da situação no norte do Mali, dos refugiados e sobretudo sobre o futuro, o qual propõe Federal, dadas as diferenças entre todas as regiões do país.

 

“Entre dois males, escolhemos o menor”, é este o mote sábio e prático, deixado por este líder tribal, refugiado no campo de M’berra, na Mauritânia, o qual tive recentemente o prazer de conhecer e entrevistar pessoalmente.

 

Raúl M. Braga Pires, em Nouakchott

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publicado às 16:39


As lições do futebol

por Pedro Brinca, em 29.05.13

Falar de futebol quando não se percebe nada do assunto pode parecer ridículo mas, na verdade, é o que toda a gente faz. Contudo, o futebol pode ser utilizado como um laboratório de análise de situações que envolvem o comportamento humano e de onde se pode retirar aprendizagens importantes. Porque os exemplos simples, os pequenos episódios do dia-a-dia, acabam por ser a melhor escola.

 

Assim, o desaire do Benfica nesta época pode ensinar-nos várias coisas. E a primeira é nunca gritar vitória antes de tempo. A vida é uma sucessão de acontecimentos de que nós apenas controlamos uma ínfima parte. Os nossos resultados dependem do nosso esforço, mas também das atuações dos outros em nosso redor. Desvalorizar isso, além de arrogante é insensato porque às vezes o rumo das coisas muda inesperadamente, quando já nada o faria supor.

 

Depois, as três derrotas decisivas do Benfica tiveram algo em comum. No Dragão, contra o FC Porto, o objetivo definido, e isso viu-se bem pela apatia, era empatar o jogo porque isso serviria para se tornarem campeões. Com o Chelsea o empenho foi extraordinário, mas na reta final passou a pensar em manter o resultado para ir ao prolongamento. Na final da Taça de Portugal, como o próprio treinador explicou, "a equipa pensou que 1-0 chegava".

A lição é que se deve jogar sempre para ganhar, que nunca se deve dar menos do que se pode. É uma questão de brio, hoje tão escasso em tantas atividades, a começar pela escola. São imensos os alunos que trabalham apenas para atingir o mínimo para passar de ano, e depois surpreendem-se com o chumbo. Mas nas empresas é a mesma coisa. Trabalha-se a meio-gás. Poupa-se permanentemente o esforço. Muitos não percebem que não basta fazer, mas que é preciso fazer bem. É a tão falada questão da competitividade, que tanta falta faz à nossa economia.

 

Mas ainda há mais uma ou duas lições. Uma grande parte dos benfiquistas está revoltada com o treinador e exige a sua saída. Esquecem que em várias dezenas de jogos, o Benfica apenas perdeu contra quatro adversários, fazendo uma época invejável e rara para qualquer outro clube. Diz-se que os quatro que perdeu, ou pelo menos os três últimos, foram os decisivos para os títulos, mas todos os anteriores foram igualmente determinantes. Se o clube tem perdido algum outro jogo pelo caminho, não teria chegado a nenhuma das fases decisivas. Isto é, numa caminhada todos os passos são importantes.

 

Já é sabido que no futebol se passa rapidamente “de bestial a besta”. E o Benfica vai fazer aquilo que é usual na sua história recente. Começar tudo de novo. E vai prevalecer a ingratidão contra um treinador que conseguiu tanto, menos os troféus. Os adeptos não gostam de vitórias morais. Espera-se que tenham o mesmo grau de exigência consigo próprios, na sua vida pessoal e, sobretudo, nas suas profissões. É que criticar da bancada é fácil, mas para assumir as decisões nem todos estão disponíveis.

 

Uma palavra final para os árbitros. Jogadores excecionais falham golos de baliza aberta e chutam penaltis para as nuvens. Guarda-redes experientes dão frangos descomunais. Mas aos homens do apito não se perdoa um erro de julgamento numa jogada em alta velocidade. Neles, fica aqui a homenagem a todos os que dão a cara e assumem publicamente as suas decisões. Criticar é fácil, mas era bom ver esses críticos de bancada a assumirem-se no relvado e não sentados em frente à televisão no conforto do sofá. Os mesmos que se calam contra todas as injustiças da sociedade, enquanto continuam de pantufas nos pés.

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publicado às 11:31


Os Dias Claros

por Duarte Victor, em 27.05.13

Entrou na farmácia e esperou sem tirar a senha de atendimento. As mãos nos bolsos, um olhar vazio e desesperançado na direção do balcão, como se ali não estivesse o seu pensamento ou a sua vontade. Às vezes há pessoas que nos despertam a atenção e nos deixam espectáveis, como no cinema ou no teatro, à espera da cena reveladora e do respetivo desenlace. O homem parecia esperar o seu desígnio.

 

Simulei que aguardava por um medicamento já pedido e dei-lhe a vez. Dirigiu-se ao funcionário com um papel na mão, um documento do Centro de Emprego. Pediu educadamente e em voz baixa que o assinasse como se ali tivesse procurado trabalho. Era o primeiro de três que tinha de apresentar nessa semana, caso contrário suspendiam-lhe o subsídio de desemprego. Tinha 57 anos de idade e perdido a esperança de encontrar de novo trabalho depois de incontáveis tentativas. Perante a recusa saiu da mesma forma como entrou, desesperançado e de olhar vazio.

 

Limitou-se a cumprir as regras do jogo e angariar comprovativos do seu porta a porta. Esta governação não faz jus ao provérbio, dá-lhe uma cana e ensina-o a pescar. É mais económico e mais rápido dar o peixe e matar a fome por um dia.

 

Fiquei a pensar como serão os dias destas pessoas. Como se repetem infinitamente entre a esperança e o desespero que lhes interdita a réstia de sol dos dias claros, a felicidade.

 

O sentido da vida está na procura incessante da felicidade. Ninguém é feliz se despojado ou cerceado dos seus objetivos de vida e da legitimidade de os alcançar.

 

O desemprego em Portugal é uma condenação ao ostracismo e ao esquecimento. Os desempregados que constam nas estatísticas oficiais e os que não têm lá lugar, que não auferem qualquer apoio do estado, representam capital humano desperdiçado e abandonado. Tudo isto num cenário de desenvolvimento económico e social nulo.

 

A maior destruição de postos de trabalho de sempre em Portugal está a destruir o tecido social. Que perspetivas de futuro se o estado negligenciar medidas que respondam a esta realidade? Sobretudo quando a idade é um entrave para uma oportunidade de trabalho ou para mudança de vida.

 

O empobrecimento tem um impacto avassalador nos rendimentos das famílias e nos direitos económicos e sociais, agora em causa. São as consequências da austeridade na economia que cria esta vulnerabilidade crescente dos grupos e comunidades mais fragilizados da população.

O homem que vi na farmácia anseia pelos dias claros porque na vida o desígnio dos Homens é a felicidade.  

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publicado às 15:26

Estratégia Europa 2020

Podemos ficar tranquilos porque as Metas estão a ser cumpridas!

 

Muitos já terão ouvido falar dela, representa nem mais nem menos do que a estratégia de crescimento da U.E. para a década corrente. O seu objectivo é enquadrar as políticas públicas dos Estados Membros numa linha de rumo coerente, focalizada em objetivos específicos, que sirva de base para ao aumento da produtividade e à criação de emprego, num contexto de fortalecimento da coesão social.

 

Não escrevo este post com o objectivo de informar sobre os compromissos e as metas que Portugal estabeleceu no quadro desta Estratégia, escrevo, sobretudo, para dizer  aos portugueses que depois ler o relatório que o Governo português enviou para a Comissão Europeia, no final do mês Abril, e onde apresenta um ponto de situação das Metas em Portugal, fico muitíssimo mais descansada! Percebem a ironia? Continuando no mesmo registo…

 

Os resultados apresentados mostram que o ajustamento está a ser bem-sucedido em vários parâmetros de atuação.

 

Por exemplo, no campo da educação salientam-se os esforços para melhorar os níveis de educação e formação de jovens e adultos, bem como a melhoria da qualidade do ensino e o combate às desigualdades sociais. Os resultados obtidos têm sido notáveis. Pena é que se tenha ignorado o Relatório sobre o Estado da Educação 2012 e que não se fale das restrições impostas ao financiamento público e da diminuição das receitas disponíveis para funcionamento das instituições de Ensino Superior público, assim como das verbas atribuídas à Ação Social Escolar nas instituições públicas e privadas e do desinvestimento que o Governo tem feito neste sector, e que se traduziu, nos últimos anos numa redução dos meios financeiros e dos recursos humanos.

 

No campo do combate à pobreza, os resultados obtidos ainda são mais surpreendentes! Portugal assumiu como meta nacional a redução de pelo menos 200 mil pessoas em situação de pobreza até 2020 e de acordo com o documento e tomando como referência o indicador integrado para a monitorização da meta nacional, em 2011, Portugal tinha 2.601 mil indivíduos em situação de pobreza e/ou exclusão, ou seja, menos 92 mil que em 2010 e menos 156 mil face a 2008. Bem vistas as coisas, os resultados são tão positivos no que diz respeito aos números de pobreza que me leva a pensar que o Governo foi pouco ambicioso quando definiu a meta dos 200 mil para 2020! Por outro lado, para salvaguardar os grupos economicamente mais vulneráveis o governo refere que “é fundamental favorecer a melhoria de rendimento, garantindo recursos mínimos e a satisfação de necessidades básicas”... A cara não diz com a careta. Pois, não foi exatamente isso que o Governo fez ao reduzir drasticamente o número de beneficiários e famílias abrangidas pelo Rendimento Social de Inserção (numa altura em que este é mais necessário) ou o substancial volume de pessoas em situação de desemprego que já não beneficiam do subsídio de desemprego (e que apresentam tendência para aumentar, dada a progressão do desemprego de longa duração no total de pessoas em situação de desemprego), ou com a redução do número de beneficiários no âmbito do regime do CSI (complemento solidário para idosos), ou com os cortes nas pensões?

 

Enfim, são inúmeras as evidências de que Portugal está no bom caminho e que o conjunto de iniciativas reformistas lançadas por este Governo está a dar frutos. Pasmem-se!

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publicado às 13:11


Somos uma sombra do país que poderíamos ser!

por Nuno Vaz da Silva, em 24.05.13

As empresas fecham as portas, os políticos não se entendem, os partidos não apresentam alternativas e a sociedade definha a cada dia que passa. A ameaça de eleições é constante, os tribunais demoram a decidir, os impostos são complicados e imprevisíveis e o investimento é uma miragem. Alguns dizem-nos que temos de voltar aos mercados mas outros preferem não pagar o que pedimos emprestado.

 

Somos uma sombra do país que poderíamos ser. Preferimos mergulhar em pequenas guerrilhas politicas do que apostar num país melhor e mais desenvolvido!

 

Vivemos de números e para as estatísticas sem preocupação com aqueles que nem nas estatísticas aparecem.  É isto Portugal?

 

Passamos os dias a ouvir demagogos que apontam o dedo aos problemas do país, esquecendo-se que se tratam de problemas que eles próprios ajudaram a criar. Pagamos cada vez mais impostos para resolver a crise que continua a aumentar. Perdemos reformas, ficamos sem férias, alteramos os planos de vida.....e para quê? Será que isto vai mudar?

 

Cada português pode ajudar mas é preciso que nos deixem. Como podemos ajudar se a motivação e a esperança de um país melhor se esfumam a cada dia que passa?

 

Um país sem esperança, é um país sem futuro!

 

Não precisamos de políticos! Precisamos de líderes que nos projectem para o futuro! Mas se um líder que faz isso só pode ser um óptimo politico, então quem nos tem governado e quem são os políticos que temos?

 

Portugal não pode parar mas ninguém parece ter a coragem de manter a chave na ignição! São assim os portugueses?

 

Vivemos o Portugal dos vencidos e esquecemos os vencedores que temos. Adormecemos com a crise e acordamos no fio da navalha!

 

Queremos ajudar Portugal mas o país desconfia dos mais novos. Mas também desconfia dos mais velhos e da sua sabedoria. Prefere viver na média dos problemas do que arriscar soluções. O que diriam Afonso Henriques, Luís de Camões ou Afonso de Albuquerque deste pequeno país? Será que o reconheceriam?

 

Apetece-me dizer basta! Chega de demagogos e falhas de ética! Chega de valores perdidos e cultura esquecida! Chega de apagões à história e de ter um abismo como a esperança no futuro!

 

Não sou radical! Estou apenas convicto de que poderíamos ser muito melhores. Se fossemos menos invejosos e mais ambiciosos teríamos um país mais coeso, mais próspero.....teríamos Portugal!

 

Hoje, em 2013 percebo perfeitamente o que Almada Negreiros escreveu em 1917 no seu ULTIMATUM FUTURISTA "Às gerações portuguesas do século XX":

 

"Abandonai os políticos de todas as opiniões: o patriotismo condicional degenera e

suja; o patriotismo desinteressado glorifica e lava.

Fazei a apoteose dos Vencedores, seja qual for o sentido, basta que sejam

Vencedores. Ajudai a morrer os vencidos.

Gritai nas razões das vossas existências que tendes direito a uma pátria civilizada.

Aproveitai sobretudo este momento único em que a guerra da Europa vos convida

a entrardes prà Civilização.

O povo completo será aquele que tiver reunido no seu máximo todas as qualidades

e todos os defeitos.

Coragem, Portugueses, só vos faltam as qualidades."

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publicado às 17:18


Em defesa da Constituição

por Pedro Brinca, em 22.05.13

É impensável colocar alguém a disputar um jogo de futebol sem primeiro aprender as regras. Mas considera-se natural que dez milhões de portugueses tenham que lidar uns com os outros em permanência, cumprindo o desígnio da coabitação e, implicitamente, da convivência e da cidadania, sem que percebam o que se está a passar à sua volta.

 

Não deve haver grandes dúvidas de que a maioria da população portuguesa não conhece as regras do país. Não sabe como funcionam as instituições, para que servem os diferentes cargos de poder, onde começam e acabam as competências de cada organismo da administração pública. Poucos sabem as funções dos deputados, as tarefas do governo, as atribuições do Presidente da República. Quase ninguém sabe concretamente para que serve uma junta de freguesia ou uma câmara municipal.

 

Há uns anos, após o fim do primeiro Big Brother, a TVI fez um programa com os ex-concorrentes em que todos os dias lhes era colocada uma pergunta. A resposta do galã Mário ilustra bem a ignorância que prevalece neste país. Confrontado com a questão do que faria se fosse presidente, respondeu muito seguro e orgulhoso que aumentava as reformas dos velhinhos. Talvez ninguém lhe tenha explicado ainda hoje quais as competências do chefe de Estado e certamente ele também nunca se preocupou em pensar onde iria buscar o dinheiro para esses aumentos.

Esse desconhecimento da “coisa pública” dá nisto. Soluções fáceis, na ponta da língua, para problemas difíceis. Quem não percebe nada de futebol também costuma gritar durante o jogo: “chuta para a frente, chuta para a frente”. Sem conhecer as regras, olhar para o país é como assistir a uma partida de basebol ou de críquete. Um tédio, uma chatice. Ouvir um político a falar é como tentar dar atenção a um discurso em chinês. Entediante. Ou pior. Desesperante. E depois fala-se de participação. Comenta-se a abstenção. Constata-se a alienação.

 

Os Verdes quiseram pôr os alunos a estudar a Constituição. Para conhecerem as regras do jogo. Mas rapidamente se levantaram vozes contra, com o deputado Fernando Negrão a defender que “os alunos não devem ter nenhum contacto com esta Constituição”. Porque não gosta dela. Quem não gosta das regras do jogo tem duas boas soluções: ou não joga ou convence os outros a mudarem-se as regras. Mas quando entra para jogar é obrigado a cumpri-las.

 

Se esta Constituição não presta, faça-se outra. Reúna-se a maioria necessária no Parlamento para aprovar as alterações. As regras não têm que ser imutáveis. Mas têm que ser claras e transparentes. E universais. Enquanto esta Constituição estiver em vigor, é para ser cumprida. Por todos. Sobretudo por quem é eleito com o compromisso de a respeitar e fazer cumprir.

 

Chega de dizer que a Constituição é um obstáculo. Porque a Constituição é o caminho que temos que percorrer em conjunto. É o denominador comum da nossa sociedade. É a lei geral, que dá corpo a esta nação. E, tal como no futebol, não podemos ir adaptando as regras a meio do jogo, consoante a nossa vontade individual. Mas, tal como no futebol, só pode jogar quem conhecer as regras. Pelo que o estudo da Constituição é efetivamente um pilar base da cidadania.

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publicado às 15:26


Uma lamentável sequência de equívocos

por Helena Freitas, em 20.05.13

Primeiro foi a vinda da Troika e a assinatura do memorando. A ameaça da bancarrota obrigava Portugal a pedir ajuda internacional, e a submeter o país às orientações da Troika. A culpa era do Sócrates e doe seu governo despesista. Afinal, diz-nos agora um dirigente do CDS que não foi bem assim; foi a maioria que nos governa actualmente que forçou a vinda da Troika. Nem Ângela Merkel queria que tivesse sido esta a opção.

 

Depois, era preciso demonstrar que Portugal não era a Grécia, e convencer os mercados que os portugueses estavam dispostos a tudo para expiar as culpas de uma década de gula e desperdício. Era preciso agradar à Alemanha e o governo português queria ser bom aluno. Estava mesmo disposto a impor mais austeridade do que o que estava previsto no memorando. Afinal, tudo não passou de mais um equívoco. O caderno de encargos era afinal um artigo científico cheio de erros, casualmente identificados por um estudante de doutoramento.

 

Agora, é a própria Alemanha que acusa a Comissão Europeia de inabilidade política na gestão da crise europeia, uma forma suave de a acusar de incompetência. A Alemanha reclama assim a sua inocência. Afinal, também não foi culpa da Alemanha nem do seu ministro das finanças.

 

Entretanto, em Portugal, na coligação que nos governa os equívocos multiplicam-se. Afinal não é uma coligação, e parece que nunca o foi. Um lamentável equívoco, que apenas persiste porque esse é o desejo de mais um equívoco: o Presidente da República. 

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publicado às 11:05


Educar, humanizar e dignificar

por Duarte Victor, em 16.05.13

O tempo é artífice dos homens, assim espelha o pensamento de quem vive para além do seu. Mas o percurso empreendido até à contemporaneidade ainda não acabou com o orgulho e preconceito. O que é que se aprendeu com a história da humanidade? Com Homero, Sófocles, Platão, Aristóteles, Cervantes, Shakespeare, Goethe, Voltaire, Dostoiévski, Tolstoi, Orwell, Kafka, Camões, Pessoa, Saramago, etc?

 

Ignorância é vivermos imersos num profundo esquecimento e não nos preocuparmos com isso. É consentirmos uma sociedade mercantilista e desumanizada por receio de mudança. É ficarmos pela gota dum oceano imenso do saber.

 

O conhecimento é como a sede, não se esgota num copo de água. Agitar consciências é reconhecer que todo o ser humano tem o direito ao saber, à educação.

 

Para além da crise e dos números estatísticos estão as pessoas, está a vida. Se tudo isto parece tão óbvio, o que estamos dispostos a fazer para conquistar esta mudança de paradigma?

 

O que se faz em Portugal e um pouco pela velha Europa, é o confronto com “inevitabilidade” de que nesta crise o dinheiro não chega para tudo. Tudo passa a ter um preço que só alguns podem pagar. Corta-se na educação, na saúde, na segurança social, aumentam-se impostos, desvaloriza-se o trabalho e mata-se a autoestima. Não há resistência sem autoestima.

 

Avram Noam Chomsky, filósofo, professor de linguística no Instituto de Tecnologia de Massachusetts e ativista político norte-americano, afirma: Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele, o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência da sua inteligência, das suas capacidades, ou do seu esforço. Assim, ao invés de revoltar-se contra o sistema económico, o indivíduo autocritica-se e culpabiliza-se, o que gera um estado depressivo, do qual um dos seus efeitos mais comuns, é a inibição da ação. E, sem ação, não há revolução! in 10 Estratégias de Manipulação Mediática.

 

Por cá, o subfinanciamento e redução de professores põem em risco a Escola Pública e o acesso generalizado á educação. Um sistema que não respeita o princípio da igualdade de oportunidades e dispensa os professores, não quer uma educação culta. Citando a UNESCO, a educação deve promover aprendizagens de qualidade para todos. Esta é uma responsabilidade social coletiva.

 

Só a educação pode humanizar e dignificar. 

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publicado às 12:32


Que nova Governança para o Mali?

por Raúl Braga Pires, em 16.05.13

Decorre hoje, quinta-feira 16 de Maio, uma conferência no Palais Bourbon, Assembleia Nacional Francesa, em Paris, sob o tema Quelle Nouvelle Gouvernance pour le Mali?


Entre muito outros dignitários malianos, do norte e do sul, tuaregues, mouros e demais etnias, está presente Abdullahi Ag Mohamed el Maouloud, um dos líderes da Tribo Kel Ansar de tumbuktu, exilado na Mauritânia, com mais cerca de 100 mil dos seus e com quem tenho privado ultimamente, em longas entrevistas sobre a História do Mali, bem como a dos tuaregues.

 

 

 Há uma ideia generalizada de que o sul do Mali é completamente diferente do norte, o que corresponde à verdade, mas este dado a preto e branco, também nos dá uma ideia d’homogeneidade entre todas as regiões do sul entre si e todas as tribos tuaregues a norte. Nada de mais errado.

(Sobre este tema, consultar o último texto publicado no Blogue Maghreb/Machrek

http://expresso.sapo.pt/o-futuro-do-mali-em-debate-na-assembleia-nacional-francesa=f807116 )

 

É nesse sentido que o Chefe Abdullahi, Professor de formação, antigo deputado, administrador territorial e actualmente membro do Conselho Económico e Social do Mali,  o que lhe tem permitido conhecer o país por inteiro e in loco, apresentará a proposta dum futuro federal para o Mali.

 

O sufrágio será directo na eleição das Comunas, das Assembleias de Círculo e nas Assembleias Regionais. Serão as Assembleias de Círculo a elegerem e a nomearem os respectivos Prefeitos, as Assembleias Regionais a elegerem e nomearem o Governador de cada Região e o respectivo Comissário de Polícia.

 

No acto d’eleição das Assembleias Regionais, para além destas, também serão eleitos Grandes Eleitores em cada uma das regiões, os quais posteriormente irão eleger o Senado Nacional.

 

Sufrágio directo para a eleição da Assembleia Nacional.

 

Tudo isto, obedecendo a um esquema de quotas proporcionais e combinadas entre o peso demográfico de cada étnia ao sul e de cada tribo ao norte e a extensão territorial por estes ocupada.

 

Independentemente do partido/coligação politíco/a a ganhar as eleições legislativas, a composição dos futuros governos, também deverá obedecer a uma preocupação por equilibrios étnicos/regionais, p’lo que para facilitar esta tarefa, talvez seja sábio estabelecer neste capítulo uma regra não escrita, um compromisso de cavalheiros, o qual permita a procura da equidade sem um sentimento d’obrigatoriedade.

 

A eleição presidencial seria a única a relizar-se sem qualquer preocupação de quotas e/ou equilibrios, projectando no indivíduo um sentimento da pertença a uma causa una, a um Estado, que está para lá da sua nacionalidade, da sua região, da sua étnia, da sua tribo e lhe permita dizer e sentir “Eu sou Maliano”.

Complicado? Certamente. Caro? Sem dúvida, mas muito mais económico e viável que a habitual guerra sazonal!

 

 

Baptismo de Leite de Camelo. Também muito chá se foi bebendo ao longa das entrevistas que se prolongaram por tardes e noites adentro. A conversa foi sempre muito agradável e as histórias, muitas delas contadas na 1ª pessoa.

 

 

Para um maior e melhor desenvolvimento de toda esta temática, marque já na agenda o dia 20 de Junho, já que farei no Palácio da Independência, ao Rossio, Lisboa, a partir das 18h, conferência sob o tema

 

"Por um Mali Federal: Dinâmicas touregues e enquadramento regional".

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publicado às 12:17

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