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Sou favorável à avaliação do desempenho dos docentes. e até sou favorável a uma avaliação com uma componente externa.

 

Destinada a regular e melhorar a prática profissional, num modelo que seja transparente e justo. Do qual se sinta a oportunidade e vantagens.

 

Não é o caso actual.

 

A carreira dos docentes está congelada. Os salários foram reduzidos. Os subsídios cortados. A carga lectiva alterada de forma a sobrecarregar a não lectiva com actividades realizadas com alunos. O currículo foi ajustado por forma a cortar muitas horas lectivas e produzir horários-zero. Muitos dos professores mais experientes partiram ou estão de partida, desejosos por abandonar a nave de loucos. O discurso sobre os “instalados” e “privilegiados” continua a emanar do Governo, mesmo se  a equipa política do MEC finge que não é consigo.


Os professores andam a fazer muito mais, por muito menos, sem perspectivas de progressão e com uma maior precarização da sua situação laboral.

 

Em cima disso, sem que ao serem feitos os horários no início do ano isso fosse contemplado, quer o MEC implementar um modelo de ADD que faz professores deslocar-se quilómetros, por vezes dezenas, do seu posto de trabalho para ir avaliar colegas, sem que lhe tenha sido facultada qualquer formação especializada, argumentando-se com práticas de avaliação pretéritas.

 

Aos pedidos de escusa fundamentados é dada resposta generalista a mando de um DGAE desnorteado, juridicamente manhosa e argumentando que no Estatuto da Carreira Docente se prevê a participação nas “actividades de avaliação da escola”, como se isso significasse a avaliação de outra escola ou agrupamento.

 

Já sabemos que o Presidente da República só se preocupa com preposições e contracções no caso de autarcas e com vírgulas em estatutos insulares.

 

Já sabemos que o Provedor de Justiça se aborrece de morte com tanto pedido que lhe surge pela frente.

 

Já sabemos que os sindicatos concordaram, com ou sem assinatura no acordo, em abandonar a guerra da avaliação do desempenho.

 

Já sabemos que os professores voltarão a ficar entregues a si mesmos nesta nova fase da degradação das suas condições de exercício da docência, com aulas a ser assistidas, em catadupa, em pleno 3º período, em período de preparação dos alunos para os exames.


Já sabemos que isto não serve para nada mais do que um simulacro de avaliação, de firmeza, de rigor. Não faz sentido pedir que alguém sem envolva com um mínimo de empenho num processo sem qualquer finalidade clara, em condições precárias, sem vantagens para o trabalho com os alunos, num calendário atamancado.

 

Mais por menos?


Será que não basta?


(claro que há os que dirão que sempre esperaram que fosse assim mas, digo-vos com toda a franqueza que, por uma vez, se deixem de tretas…)


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publicado às 10:55


A Economia da Partilha: uma mudança de paradigma

por Sandra Araújo, em 27.02.13

Recentemente tive o privilégio de participar numa Conferência promovida pelo Conselho da Europa, organização internacional que integra atualmente 47 Estados, incluindo os 27 que fazem parte da União Europeia e que tem como principal propósito a defesa dos direitos humanos, o desenvolvimento democrático e a estabilidade político-social na Europa.

 

Trago este assunto para este blog porque este encontro deu-me alento, motivação e alguma esperança em relação ao futuro, sobretudo porque percebi (felizmente) que outros partilham a convicção de que um outro mundo é possível. E mais do que possível, creio que será um imperativo. Crescem as vozes que pedem mais integração e interação, mais diálogo, mais escuta dos diversos pontos de vista e que defendem a economia da partilha como ponta avançada de uma economia alternativa àquela vigente hoje.

 

Trata-se de uma visão do mundo e de sociedade bem diferente daquela que conhecemos hoje, baseada nos “ismos”, do individualismo, do consumismo, do egoísmo, do materialismo e da busca do interesse próprio. Para alguns até pode parecer algo filosófico, mera utopia ou sonho, mas a verdade é que as consequências do modelo atual inspirado nestes valores são bem conhecidas.

 

Trata-se da constatação da necessidade improrrogável de uma profunda mudança nos esquemas de leitura, compreensão e interpretação da realidade social e na forma como atuamos e nos relacionamos uns com os outros. O conceito de economia de partilha requer a contribuição de todos – cidadãos e instituições – uma nova consciência social e um estilo de vida que envolve pessoas de diferentes idades e categorias, começando pelas crianças.

 

Fiquei convencida que a mudança também começa em nós e por nós e terá que ser provocada a partir da base, pelos cidadãos e pelas comunidades locais, num processo bottom up e não top-down. Ou seja, exige que cada um de nós se reveja, enquanto cidadão, e equacione os recursos – materiais e imateriais – que dispõe (pessoalmente ou na sua comunidade) e que está interessado em partilhar e colocar ao serviço do bem comum, contribuindo para sanar a diferença entre ricos e pobres e permitindo pela solidariedade reciproca um justo acesso dos indivíduos aos recursos. Já pensou nos recursos que poderia partilhar? A casa, o carro, a bicicleta, os livros, ou quem sabe o seu tempo, os seus conhecimentos e a sua experiência? Já pensou em como essa atitude poderia fazer a diferença para a construção de uma sociedade mais coesa e mais justa?

 

Além do que nos responsabiliza muito mais enquanto cidadãos ativos, críticos e participativos. “Responding Together” ou traduzido para português “Respondendo Juntos” é o nome do projeto cofinanciado pelo Conselho da Europa e Comissão Europeia sobre como os cidadãos e os recursos podem ser mobilizados para promover processos inclusivos a nível local, utilizando recursos locais e globais e que requer a contribuição de todos e a partilha de responsabilidades. Brevemente estará disponível uma plataforma online sobre o projeto.

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publicado às 11:06


O direito à felicidade

por Pedro Brinca, em 26.02.13

Algumas distintas personalidades nacionais, pouco preocupadas com a crise, a austeridade, o desemprego, a injustiça social e outros temas da atualidade, decidiram trazer de novo para a agenda a questão do aborto e do casamento homossexual.

 

Aliás, vão mais longe ao considerar que “as alterações legislativas” nestas matérias “contribuem para a atual crise económica e social”, uma vez que destroem os "pilares estruturantes da sociedade". Não foi a Lehman Brothers nem o BPN, não foram as PPP’s ou a conjuntura internacional, não foi pelas medidas de austeridade nem pelo despesismo público. O estado a que chegámos foi por causa do aborto e dos homossexuais, talvez como se um castigo divino se abatesse sobre nós.

 

Entre essas ilustres personalidades que diagnosticaram a fonte dos problemas do país está Bagão Felix, homem que nos habituou às suas leituras serenas da atualidade, depois de ter sido ministro dos governos de Durão Barroso e Pedro Santana Lopes. Mas isso foi antes de descobrir que a crise não era de origem económica.

 

O médico Gentil Martins defende a revogação da lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo por considerar que “a homossexualidade é uma anomalia”. Isto, dito assim, por alguém que ficou celebrizado pelas várias operações de separação de gémeos siameses que liderou ainda soa mais estranho. Importava, por isso, definir muito bem o que é uma anomalia.

 

A natureza, aliás, está repleta delas e o ser humano é um bom exemplo. Há quem nasça com deficiências físicas ou mentais, quem simplesmente cresça pouco ou cresça muito, quem padeça de doença congénita ou contraia uma ao longo da vida. Diz o dicionário que anomalia é uma “particularidade ou condição do que é fora do comum”.

 

Assumindo, então, que a homossexualidade até possa ser uma “anomalia”, porque fora do comum, por que razão não terão estas pessoas o direito à felicidade? Ou ainda, por que será que algumas pessoas se incomodam tanto com a felicidade dos outros? Desde que esta não implique prejuízo para ninguém, o que já não se pode dizer da felicidade dos milionários que vivem do sacrifício dos outros.

 

Está aqui patente uma clara aversão à diferença. A mesma que levou Hitler a criar os campos de extermínio, com a nobre intenção de expurgar a raça humana do que era anómalo, para bem desta. E, na verdade, os homossexuais já estavam na altura na sua lista.

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publicado às 13:17


A intifada da canção

por Fátima Inácio Gomes, em 21.02.13

Ainda às voltas com o recibo de vencimento e a fazer contas com a restituição de um subsídio de natal mensal – o rei mago Gaspar lembra-nos que o Natal é todos os dias, ou todos os meses, conforme seu desejo – logo arrebanhado, por excesso, pelo também natalício aumento da taxa de IRS - e olhando saudosamente para o recibo de vencimento do mesmo mês do ano passado – como pensaria eu, à data, que olharia para aquele momento com nostalgia, quando então já me lamentava do corte salarial sofrido? – vejo-me confrontada com a indignação de tantos senhores democratas por o ministro Relvas ter sido impedido de falar no ISCTE. Que a democracia está doente, quando o povo acha que a sua legítima liberdade de expressão lhe permite coartar a legítima liberdade de expressão do outro, dizem. E eu, olhando para o meu encolhido recibo de vencimento, quase também me encolho por me ter sentido vingada na voz daqueles jovens. Quase.

 

Pois sim, têm toda a razão – a liberdade nunca o é se construída sobre a opressão de alguns. Mas qualquer um dos ministros de Portugal tem canais de expressão que não estão ao alcance dos restantes portugueses (e aproveito a deixa para elogiar este o Parlamento Global por dar espaço de expressão a pessoas como eu, uma portuguesa comum, funcionária pública, a braços com um recibo de vencimento encolhido). Por outro lado, não estará, de facto, a democracia doente, quando permite que alguém com o portefólio do ministro Relvas fale em público? Como se mede o grau de sanidade da democracia? É mais democrático o povo que deixa falar políticos sem dignidade nem moral ou aquele que os manda calar? Porque não estamos a falar do taxista que dá largas à sua verrina, nem da cabeleireira que vai tecendo uns comentários de política doméstica – com todo o respeito pelas suas opiniões livres - falamos de portugueses com responsabilidade política e que, quando falam publicamente, o fazem empossados de um cargo governativo. E, enquanto tal, terão liberdade para falar enquanto, e só enquanto, o povo que os elegeu lhes der a palavra. Talvez os portugueses já não queiram ouvir mais os dislates do ministro Relvas. E talvez já não estejam com paciência para esperar até às próximas eleições. O cidadão Relvas, apeado do cargo, terá toda a liberdade para dizer o que entender. Até terá liberdade para cantar… desde que não o tenhamos que ouvir.

 

Aqueles senhores democratas que agora criticam as manifestações verbais dos descontentes aplaudiram, certamente, o famoso “por qué no te callas” de um chefe de estado a outro chefe de estado, mas agora não aceitam que o povo esmagado por recibos de vencimento encolhidos, ou por recibos de vencimento inexistentes, revoltado com os discursos hipócritas e os compromissos falhados, atire com palavras de ordem e com canções para calar quem sentem que não os representa. E enquanto forem só canções…

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publicado às 15:39

Os partidos políticos portugueses não têm ficado indiferentes à emergência de novos instrumentos de comunicação e interacção com a sociedade. Entre estas novas ferramentas temos os sms, as imagens vídeo, as newsletters, a televisão digital e também a internet (webpages, redes sociais, blogs, emails…).

 

Com o aumento das consultas às páginas web dos partidos políticos passou a ser possível efectuar segmentações dos seus internautas, de forma a maximizar a fidelização e, principalmente adequar a oferta às procuras mais exigentes, orientando as mensagens partidárias aos anseios sociais. As tecnologias de informação, nomeadamente as páginas web, podem funcionar como gigantescos estudos de mercado dinâmicos, o que pode contribuir para maximizar simpatizantes, militantes e, consequentemente aumentar o número de votos.

 

Para além do contacto com os eleitores “independentes”, todos os partidos utilizam estes meios como forma de mobilização e comunicação para os militantes / simpatizantes. Através de programas estatísticos informáticos é hoje possível efectuar análises em tempo real aos acessos e conteúdos mais procurados, ao tempo de consulta médio e até à proveniência dos internautas.

 

Embora as novas tecnologias tenham aumentado a difusão de informação e a capacidade de recrutamento, não significou que tenha aumentado a democraticidade interna dos partidos ou que haja mais preocupação social nas suas propostas de lei. A massificação destas novas tecnologias pode até levar a um afastamento dos cidadãos e a uma opção perversa pelo marketing partidário em detrimento das ideologias politicas.

 

A potencialidade das tecnologias de informação é enorme e está em constante evolução. Cabe aos partidos adequarem as funções e os conteúdos da informação divulgada aos seus objectivos e darem suporte permanente à interacção com os leitores. O sucesso das páginas web e consequente tradução em número de votos não se deve apenas a uma questão de recursos e incentivos mas sobretudo à capacidade de interacção extra-tecnologias que o partido conseguir estabelecer com os internautas.

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publicado às 13:41


Quando os estudantes calaram o ministro

por Helena Freitas, em 20.02.13

O acontecimento de hoje no ISCTE, em que o ministro Miguel Relvas foi vaiado e impedido de falar pelos estudantes, é talvez o momento mais relevante de contestação política desde que este governo está em funções. Talvez mais do que a manifestação de 15 de Setembro.

 

Podemos até não concordar inteiramente com a atitude dos estudantes, pelo facto de inibirem o ministro de falar, ou porque a sua acção não deixa de desprezar a sua função ministerial, atingindo por consequência o próprio Estado, mas a teimosa permanência deste ministro num lugar que não dignifica, só podia acabar assim.

 

Mesmo que Passos Coelho insista em manter o seu conselheiro, hoje é o último dia do ministro Miguel Relvas. Mas o pior, é que arrasta com ele a credibilidade do Estado e abala fortemente a democracia em Portugal. A partir de hoje, inicia-se a contagem decrescente do governo em funções, e tudo vai ser possível.

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publicado às 13:40


Parceria ibérica nas artes

por Adriana Niemeyer, em 19.02.13

No mundo das artes portugueses e espanhóis perceberam que é preciso estarem unidos no combate da crise. As feiras de arte em Madri estão inovando para tentar fugir da recessão, internacionalizando cada vez mais o seu mercado. E os galeristas portugueses não só querem pegar boleia como pretendem ficar no posto do copiloto. A ARCO, que aconteceu na semana passada na capital espanhola, é um indicador da situação económica na Peninsula Ibérica, onde o aumento do IVA fez se sentir no volume das compras do mercado interno. Mas o director do evento, Carlos Urroz, não se rendeu e apostou no crescimento da participação estrangeira, nas oportunidades de negócios online e na divulgação dos bloggers e redes sociais. Com o cancelamento da Arte Lisboa a opção foi mesmo bater na porta dos vizinhos. Onze galerias portuguesas participaram do evento procurando atrair os 250 colecionistas, que foram convidados pela organização Para as galerias mais jovens a opção mais barata, mas não menos interessante, foi participar da Just Mad. O galerista João Azinheiro, da Kubikgallery do Porto me explicava que essa era uma oportunidade única de mostrar artistas portugueses emergentes a um publico muito internacional, já que este tipo de evento deixou de existir em Portugal. A Trienal do Alentejo, que no próximo verão vai reunir arte, vinho e gastronomia, apresentou na semana da arte contemporânea de Madri ,com um cozido e vinhos portugueses, a sua vasta programação com 32 artistas que irão intervir na paisagem alentejana das vinhas, adegas e olivais. Nomes de calibre como João Louro, Joana Vasconcelos e outros que além de mostrar as suas obras vão criar edições especiais de “ vinho de autor” como é o caso do angolano Ionamine Miguel para a casa Esporão. O coordenador da Trienal, André Quiroga, é um daqueles que acredita piamente na parceria ibérica para salvar atividades que ficam ainda mais vulneráveis com a crise. A arte está a dar o exemplo…porque não seguir o mesmo caminho em outros sectores?

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publicado às 15:11


Este País Não Está Para Velhos

por Paulo Guinote, em 19.02.13

 

Os velhos. Os velhos são uma chatice para este governo de jovens liberais com a minha idade ou mais, de permeio com tipos já com currículo de trintões. Isto para não falar nos andropáusicos teóricos da casta que parecem não ter espelhos em causa e sobre os quais vou poupar o sarcasmo, que me correria com extrema facilidade, atendendo a tudo o que se vai ouvindo e sabendo.

Concentremo-nos naqueles que, como um certo idiota, desculpem, imbecil, desculpem de novo, jovem político do PSD que tratou os idosos como sendo uma espécie de peste, insurgindo-se contra o encargo que eles são para o pobre Estado que, assim, fica menos liberto para apoiar os banqueiros não grisalhos na base do Petróleo Olex ou parecido.

Os velhos são chatos porque adoecem, porque usam o SNS, porque gostam de comprar medicamentos comparticipados, porque têm doenças crónicas, porque querem fazer análises ao sangue e ao xixi de 24 horas, porque recebem reforma após 40 anos de trabalho, porque, porque, porque, porque…

E agora há ainda os velhos precoces… aqueles que ainda trabalham e que, aos 55 ou 60 anos, ainda se sentem em condições de receber um salários, que não gostam de os ver cortados só porque o gaspar falhou outra vez as contas estocásticas, e que o ministro Relvas considera instalados e os restantes idiotas alaranjados ou azulados acham que são uns privilegiados porque têm trabalho e não dão lugar aos jovens.

Porque, como se sabe de acordo com a teoria económica do café na esquina ali do Campo Grande, os jovens só poderão sair do desemprego se os velhos desaparecerem dos locais de trabalho e, se possível, sem receberem subsídio de desemprego ou reforma.

Porque, como se sabe, a Economia funciona na base da substituição de trabalhadores nas mesmas funções e não na criação de empregos. Isso são ideias esquerdistas, do tipo-PREC, quiçá rooseveltianas.

Porque, como todos sabemos, em especial os liberais de aviário, os velhos são uma peste, conspiram contra o interesse nacional e devem ser exterminados ou abandonados à sua sorte, a menos que queiram praticar o voluntariado em troca de pão, água e uma enxerga lavada a cada bimestre. A menos que seja um catroga, pois nesse caso deixamo-lo lambuzar-se com um tacho escolhido para compensar o beicinho de não ser gaspar em vez do gaspar. Ou então se for um ulrico ou um salgado e nesse caso espera-se que seja ele a dar-nos(lhes) um tacho para se lambuzarem depois de fazerem tirocínio de secretário de estado rosélino ou ministro de vespa. Ou assessorando, ou consultando ou especializando pelos gabinetes.

Como todos sabemos, os velhos já não são o que eram quando se reformavam aos 65 e morriam logo a seguir, ali de forma estrondosa com a bendita trombose ou o adequado ataque cardíaco fulminante, abençoados que eram. Agora dignam-se viver mais uns anitos, têm esperança de vida, mas o raio é que têm catarro, gota, maleitas daquelas neurológicas e outras ortopédicas, artroses e ateroscleroses. Têm tremeliques e as famílias, mesmo dos proletas, querem cuidados paliativos como se fossem gente rica e pudessem pagar, que isto do Estado Social não é coisa para todos, pois há que pagar os desfalques do Oliveira e Costa e não mugir, ou melhor, há quem munja (o leitinho da teta gorda do Estado em subsídio) e quem muja (porque agora vais despedido e levas meio tostão de mel mal coado).

Portugal está cheio de velhos e este mundo não é para velhos. Este mundo é para jovens relvettes ou para borginhos de proveta, gente empreendedora que saca dinheiros ao Álvaro enquanto janta e que acha que a sociedade está cheia de parasitas, sendo os mais parasitas de todos esses idosos sem vergonha na cara que tanto exigem ao pobre Estado, como se só pensassem no egoísmo que é manter-se vivos.

Porque, como todos sabemos, a população portuguesa está envelhecida.

Não porque a decisão racional das famílias, perante o corte dos rendimentos e apoio à natalidade, seja racionalizar a descendência numa compreensível estratégia neo-maltusiana. Racionalizar só se for nos serviços do Estado.

Não porque o incitamento à emigração pelo pedro & miguel, a dupla sertaneja do momento, leve à redução da população jovem e em idade fértil no país, agravando ainda mais a baixa natalidade.

Claro que o envelhecimento da população é causado, única e exclusivamente, porque o raio dos velhos insistem em viver cada vez mais e em resistirem às doenças que antes – nos bons velhos tempos – os matavam que nem tordos, benzós Deus que Deus nessa altura andava mais atento na ceifa.

E depois fica aquele problema, curioso, digno de meia dúzia de teses bolonhesas de uns filhos d’algo com passeio por universidades amaricanas para verem as salas de leitura e o verdejo dos campus, que é querer, ao mesmo tempo, que as pessoas se reformem mais tarde, para alargar a carreira contributiva, enquanto dão lugar aos mais novos, abdicando do seu vergonhoso privilégio de trabalhar, para combater o desemprego jovem.

A solução para isto passa, claro, por um guião para a juventude saber ser jovem e ir para a ingricultura (a Cristas, coitada, não percebe da poda, só do resto) ou quiçá para a pesca à linha.

Que, feito a mando do ministro Relvas, é o equivalente (com certificado) ao pior dos sketches dos Malucos do Riso. Ou à tirada mais clearasil dos morangos açucarados.

Porque com o Relvas a guiar, já sabemos, é meio caminho para o despachanço….

… ou não.

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publicado às 13:33


De médico e de louco

por Pedro Boucherie Mendes, em 18.02.13

Querem saber o que é Portugal e porque isto teima em não se endireitar? É ler a magnífica entrevista ao médico dos nossos presidentes, na Revista do Expresso deste sábado. Não exatamente por causa dos episódios com os presidentes, mas pelo que diz sobre os outros. Por exemplo, o médico Daniel de Matos é o primeiro a admitir que passou de Sampaio para Cavaco, porque havia o risco de muita gente ficar sem médico. Cito: “Com vinte anos de clínica na presidência, acompanhava mais de quatro centenas de pessoas, incluindo figuras com poder e influência. “De repente, toda aquela gente ficou com receio de ficar sem médico, o que gerou uma espécie de vaga de fundo para que eu continuasse”. Desculpe? Quase no final da entrevista, a obviedade que nos define tão bem como individualistas ou no máximo tribais, incapazes de respeitar qualquer tipo de contrato social decente. Diz o médico: “A verdade é que beneficio de um poder especial, a que chamo o ‘poder do telefone’. Portugal funciona muito através da ‘palavrinha’. Isso é muito patente na saúde. Toda esta gente [staff de Belém] passou a ter um médico que lhes facilita os contactos junto dos serviços hospitalares”. Se bem perceberam, é bom que haja um médico na Presidência porque isso dá um jeitaço a quem por lá anda, para passar à frente dos pobres nas listas de espera, consultas e exames que sejam necessários. O próprio médico acha isso normalíssimo. Uma vergonha, paga pelos nossos impostos. Só mais uma.

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publicado às 15:04

Esta afirmação vinda de um bancário merece destaque. Uma primeira leitura leva-nos a perceber o reconhecimento do falhanço da supervisão do sistema bancário, fazendo Mira Amaral a apologia do seu reforço, mas vale a pena analisar o que a frase implicitamente comunica. A verdade é que “à solta”, diz o povo, andam os bandidos, sobretudo quando é notório que a justiça – por razões diversas – parece não ter meios para actuar. Esta declaração de impunidade não é por certo o propósito de Mira Amaral, mas se fosse, reflectia bem o sentimento da maioria dos portugueses.

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publicado às 10:28

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