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A Escola e a educação artística II

por Duarte Victor, em 31.01.13

Pareceres e recomendações do Concelho Nacional de Educação sobre educação artística, um contributo para uma efetiva reforma do estado na área do ensino.

"Nesta recomendação opta -se pela designação de “educação artística” para acentuar uma visão abrangente que integre a aprendizagem das linguagens específicas (artes plásticas, música, dança, teatro, cinema, artes digitais.), numa perspetiva que valorize a criatividade, a comunicação e o conhecimento do próprio património artístico, histórico e contemporâneo. Trata-se aqui exclusivamente das aprendizagens artísticas que deverão constituir parte integrante da educação de todos e não do ensino artístico especializado que o sistema educativo também deve proporcionar mas que não é objeto desta recomendação.” In Recomendação nº1/2013. Recomendação sobre Educação Artística. Diário da República, 2ª série, nº19, 28/01/13.

http://dre.pt/pdf2sdip/2013/01/019000000/0427004273.pdf

Os tempos controversos que vivemos são de mudança e oportunidade para uma sociedade culta e plural em Portugal, basta unir vontades e criar sinergias.

 

 

 

 

A Academia de Dança Contemporânea de Setúbal (ADCS) foi fundada em 1982 por Maria Bessa e António Rodrigues, que a dirigiram até 2003.

Esta instituição de utilidade pública é desde 1986, a primeira  academia de dança oficialmente reconhecida pelo Ministério da Educação  que a patrocina. Conta também com o apoio e patrocínio da Câmara  Municipal de Setúbal desde a sua fundação.

O ensino na Academia tem como principais objetivos a educação pelo  movimento, promovendo nos seus alunos uma intensa ligação à atividade  cénica através de apresentações públicas da escola e da Pequena  Companhia/ Little Company, estrutura similar a uma companhia de dança  profissional.

Duarte Victor

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publicado às 16:53


Acima da Média?

por Paulo Guinote, em 31.01.13

Dizem-nos os auto-proclamados refundadores do Estado que em Portugal é preciso cortar no gorduroso Estado Social e em especial na Educação, sector onde alegam que se tem gasto rios de dinheiro, acima das médias internacionais gritar eles com repúdio e horror, sem que exista um retorno visível e razoável.


É mentira, mas parece que eles nos querem fazer acreditar nisso, apostando no desconhecimento dos factos e na ausência de memória sobre um passado não assim tão recente. Reparemos no que se escrevia em 2005 na publicação da Unesco The growth of literacy in historic perspective: clarifying the role of formal schooling and adult learning opportunities.

 

"Historians of literacy in the early twentieth century, using primarily available census data show relative continuity in literacy levels from the mid-nineteenth century as discussed at greater length in the second section of this paper. While all countries progressed, their order remained unchanged (Johansson in Graff, 1987, Vincent, 2000). Central and Northern Europe were reported to have achieved over 95 percent literacy; Western Europe, over 80 percent; Austria and Hungary, over 70% (major growth); Spain, Italy and Poland, over 50 percent; and Portugal and orthodox Catholic countries, only around 25 percent. (…)

 

According to Johansson and Graff, Southern and Eastern Europe was 80 percent literate by 1950 with the exception of Portugal, the Mediterranean islands and Albania (with a rate of about 50%). Although literacy levels were rising, no major social and economic change took place. Poor people and poor nations as well as poor regions within nations remained (and remain) poor."

 

Portugal aliou sempre o atraso económico ao atraso educativo e ter sempre desperdiçado os raros e curtos momentos de prosperidade para investir verdadeiramente na Educação ou, em alternativa, em ter apostado na Educação como prioridade efectiva quando a situação era de recessão.

 

Em meados do século XX a situação ainda era calamitosa e os avanços não tinham estreitado o desfasamento em relação aos países mais avançados e fizeram mesmo descolar negativamente dos restantes mais atrasados:

 

 

 

Os dados sobre os gastos, em termos de longa duração, do Estado no sector da Educação, demonstram ainda como o peso do investimento no PIB foram sempre muito baixos até aos anos 90 e só episodicamente afloraram os 5%: Os dados são da Pordata.

 

 

 

.Em Portugal chegámos à segunda metade do século XX sem qualquer tipo de verdadeira sustentação do investimento público no sistema educativo e pretendemos logo passar para a segunda fase, em que Educação e Economia devem andar a par. Isto não é colocar a carroça à frente dos burros, porque nesse caso, os burros sempre a podem empurrar; é colocar carroça e burros lado a lado e esperar que, por um passe de mágica, ambos arranquem ao mesmo tempo e continuem o seu caminho.

 

O problema, pois, está no bom e velho desconhecimento da evolução histórica dos fenómenos sociais – problema de alguma sociologia apressada – que tende a acreditar que as soluções se acham em fórmulas imediatas, artificiais, e sem qualquer sustentação, só porque algures a coisa funcionou. Sem que se estude como é que, nesses algures, se chegou a determinado estado de desenvolvimento. Isso e a, pelo menos aparente, permanência de uma crença cega nas capacidades de aceleração da História sobre que Trotsky escreveu há cerca de 90 anos, mas que já se viu nem sempre ser uma aposta segura para dar resultados firmes.

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publicado às 13:05


Tolerância zero

por Pedro Brinca, em 31.01.13

O caso da presidente da Câmara Municipal de Palmela, que pediu a reforma aos 48 anos de idade, beneficiando de uma lei que existiu até 2005 e que lhe permitiu, para efeitos de contagem, duplicar os anos em que esteve como autarca até essa data, animou as redes sociais e a esfera pública ainda há bem pouco tempo. Sobre essa decisão de Ana Teresa Vicente não há muito mais a dizer, mas a polémica instalada permite fazer algumas reflexões paralelas.

 

Há uma ânsia permanente de um grande grupo de pessoas em destilar ódio, em fazer julgamentos sumários e em crucificar outras na praça pública. Esta “justiça popular” deixa perceber quantas atrocidades se cometiam durante a inquisição ou durante o regime pidesco do Estado Novo. Perante uma informação isolada, descontextualizada, dizem-se atrocidades, ofende-se, enxovalha-se, desonram-se figuras respeitáveis, desconhecendo-se os percursos pessoais e os contextos dos atos que se querem punir.

 

Assim aconteceu, por exemplo, com Isabel Jonet, vilipendiada por uma afirmação infeliz que proferiu, esquecendo-se todo o bem prestado ao longo de anos pelo Banco Alimentar Contra a Fome. A maioria daqueles que, de norte a sul do país, atacaram a autarca palmelense, muitos com responsabilidade na formação da opinião pública, desconhece-lhe o trajeto, o caráter e as circunstâncias. Nestes dois casos, mesmo discordando das decisões, devia-se praticar a tolerância mas, sobretudo, praticar o reconhecimento. Um ato não representa uma vida.

 

Mas a questão mais interessante que este caso levanta é de como a relação entre o Estado e o cidadão e entre este e o Estado muda conforme o tipo de interesses. O argumento mais utilizado para atacar a presidente da autarquia foi o de falta de coerência entre o seu ato e aquilo que defende o partido a que pertence. Aliás, certamente que Ana Teresa Vicente, sendo comunista, também não concorda com os privilégios da classe política. Mas decidiu usufruir de um deles quando muitos acham que não o devia ter feito.

 

Também muitos discordam, e a edil em causa também, certamente, com muitas decisões tomadas pelo Estado, como por exemplo, o pagamento de alguns impostos. Mas nem por isso deixam de os pagar. Porque as obrigações, quando decididas, são impostas a todos, sem apelo. Mas os benefícios não. Esses têm que ser solicitados por cada um, fazendo com que estes fiquem com o ónus da decisão. Afinal, as vantagens deviam, igualmente, ser obrigatórias e universais.

 

Afinal, a democracia é a aplicação a todos daquilo que é decidido pela maioria. Estranho regime seria este se em cada votação as leis só se aplicassem aos apoiantes desta, ficando excluídos os opositores. Quando, numa reunião de condomínio, se aprovasse o aumento da mensalidade, quem votasse contra ficaria dispensado de contribuir de forma igual à dos vizinhos. Mas se nessa reunião decidissem remunerar o administrador e alguém discordasse, todos receberiam menos o opositor, quando chegasse a sua vez.

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publicado às 13:02


Os riscos do regresso precipitado aos mercados

por Nuno Vaz da Silva, em 31.01.13

O regresso de Portugal aos mercados financeiros deu origem a múltiplas notícias e aos mais variados comentários de regozijo. Para alguns terá sido o ponto de inflexão de uma escalada depressiva e para outros foi até o sinal de que a crise terminou.

 

Financiar crédito com crédito é algo onde nos temos especializado mas que é claramente insustentável se não mudarmos os nossos hábitos nem a estrutura da despesa pública. O recente regresso aos mercados foi uma mera operação financeira de crédito complementada com uma acção de marketing politico. Não estamos a falar de uma vitória com o aumento das vendas de sapatos portugueses, do aumento do número de turistas ou mesmo de uma produção agrícola interna excepcional.

 

Mesmo que este episódio analisado isoladamente seja digno de realce e possa vir a contribuir para a retoma da economia, importa chamar a atenção para os eventuais riscos de se tentar transformar esta pequena conquista numa irrealista e falaciosa vitória antecipada sobre a crise. O pior que nos podia acontecer seria adormecermos à sombra de uma operação de crédito, sem capacidade nem estratégia para enfrentar as difíceis reformas que temos pela frente, nomeadamente em relação às funções do Estado e ao sistema politico. E esse risco de facto existe...

 

Não podemos esquecer que os políticos dependem de eleições para manterem o seu status quo e que em 2013 temos eleições autárquicas, pelo que haverá muitas pressões partidárias para maquilhar os problemas e deixar os assuntos complicados para uma resolução posterior.

 

Na política vive-se cada vez mais o curto prazo mas o Estado necessita de quem o pense a médio prazo, sem medo de eleições. É um paradoxo difícil de resolver mas do qual depende o nosso futuro enquanto nação!

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publicado às 13:00


Reciclagem, uma actividade de alto risco

por Belén Rodrigo, em 30.01.13

 

Quando cheguei a Lisboa há mais de onze anos fiquei admirada da pouca costume que existia entre os portugueses de reciclar em casa os diferentes produtos do lixo. Com o tempo, devo confessar que não é uma tarefa simples numa capital europeia. É evidente que quem quer reciclar, recicla, mas temos que nos queixar das poucas facilidades que existem na cidade para uma actividade que devia ser mais habitual entre os cidadãos.

Para começar, os ecopontos normalmente são lugares sempre sujos. É lixo, sim, mas quando vamos por o papel o plástico ou o vidro não devíamos ter a sensação de estar a apanhar uma doença. Está tudo sempre cheio de lixo a volta, um cheiro insuportável. No ecoponto mais próximo da minha casa o tanque amarelo tem um buraco muito pequeno para despachar os sacos. Quer dizer, não consigo por o saco de lixo de uma só vez e sou obrigada a meter um por um os desperdícios que contem. Como podem imaginar, logo a seguir convém ir lavar as mãos. Desde que são mãe há três anos muitas vezes não tenho outra opção do que por o saco do lixo de plástico no caixote do lixo do meu prédio. Muitos dias salgo e entro em casa sempre com os meus filhos e não consigo ir com eles até o ecoponto. Primeiro, porque não tenho mãos para levar dois filhos e o lixo. Segundo, porque não quero que os meus pequenos de 3 e 1 ano apanhem qualquer coisa lá.

 E começo a pensar que não é só preciso vontade para reciclar numa cidade como Lisboa. Também precisamos de meios. Por quê não caixotes amarelos em cada prédio? As embalagens de plástico são as que ocupam mais espaço e se utilizam muito em quase todas as famílias. As pessoas que estão sempre com os seus filhos, as que tem alguma dificuldade em caminhar, os idosos…..todos temos direito a reciclar mas nem sempre podemos. 

 

Belén Rodrigo

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publicado às 12:38


António Costa

por Helena Freitas, em 30.01.13

 

António Costa tomou a decisão inteligente. Montaram-lhe insistentemente os cenários em intensas jogadas de bastidores, corredores e tribunas de exterior.   Não se deixou enredar pelas armadilhas que o iriam responsabilizar por um partido dividido, e que o deixariam amarrado a uma das suas facções, comprometendo o excelente trabalho que tem feito como Presidente da Câmara de Lisboa. Garante assim a reeleição em Lisboa, e preserva um papel unificador, negando a pele de “sebastiânico”desavindo que lhe queriam impor. 

 

Helena Freitas

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publicado às 12:37

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publicado às 15:06


Gás aos megas

por Fátima Inácio Gomes, em 28.01.13

Na passada semana, a polícia usou gás pimenta contra alunos que se manifestavam frente aos portões da sua escola, a Secundária Alberto Sampaio, em Braga. Estes alunos tinham fechado os portões a cadeado, para assim manifestarem a sua indignação contra aquilo que consideram ser um ataque à sua escola. A polícia tomou esta atitude, segundo declarações à imprensa, para evitar uma “ação mais musculada”. Como primeiro ponto de ordem, torna-se difícil perceber que “ação musculada” teria sido exigida para atravessar um grupo de alunos que empunhavam cartazes e gritavam palavras de ordem. Que me conste, não houve arremesso de pedras, insultos, ou qualquer ataque da parte dos jovens, alguns bens jovens. Também não percebo que a polícia tenha partido para o gás pimenta antes até de chegar à fala com a Direção da escola. E não vislumbro, às portas de uma escola, qualquer ação de cariz mais didático… a menos que fosse de culinária, mas não eram estes alunos de hotelaria.

                Pode-se discutir a ilegitimidade de um grupo de alunos vedar o acesso livre a uma escola, mas justificar com isso a ação apimentada da polícia é delírio perigoso. Assim, não faltará muito para que uma qualquer agremiação de pessoas (e lembro o artigo 25º da Constituição “Os cidadãos têm o direito de se reunir, pacificamente e sem armas, mesmo em lugares abertos ao público, sem necessidade de qualquer autorização") possa vir a ser considerado como um ato potencialmente e justificar uma ação dissuasora como a do gás pimenta ou a de outra especiaria igualmente convincente.

Como segundo ponto, a constatação que, no meio disto tudo, se perde o essencial: a razão do protesto. Aqueles alunos não eram arruaceiros. A própria Diretora, em declarações às televisões, os defendeu. Aqueles alunos protestavam contra uma ação danosa dos seus interesses e que lhes chega do Ministério de Educação e Ciência e do Governo. Aqueles alunos têm todo o direito à resistência, têm todo o direito a defenderem a sua escola.

E defendem-na do quê? Essa é a verdadeira questão. Defendem-na da transformação numa “unidade orgânica” (é esse o nome, agora) que agregará mais de 3 mil alunos, juntando sob uma única Direção, escolas do pré-escolar ao secundário, distribuídas por nove freguesias, a maior parte, de fora do perímetro urbano. E como a Alberto Sampaio, muitas outras escolas foram agrupadas, num processo que está longe de estar no fim, pois já se perspetivam novas agregações, envolvendo um número maior de alunos. Na verdade, não deveriam ser só os alunos da ESAS a manifestar-se, mas todos. E os pais. E os professores. Que escola será esta, em que se reúnem dois mil, três mil, em certos casos, quase 4 mil alunos, disseminados por “subunidades” espalhadas por vários quilómetros, dirigidos à distância por uma equipa de meia dúzia de professores? Será que os nossos governantes têm consciência da exigência de proximidade que a educação de crianças, adolescentes e jovens exige? Numa escola onde, cada vez mais, desaguam os problemas que este sistema económico (ou, na prática, a inexistência dele, pois vemos a economia subjugada pela alta finança) cria dia a dia?

Quando lemos um relatório como o do FMI, que prodigaliza exemplos de outros países para justificar cortes, estranha-se que não olhem para os exemplos dos vários países que já passaram por este processo, já o avaliaram e já estão a fazer o caminho inverso. Na Finlândia, modelo tanta vezes invocado, a pequena dimensão das escolas é uma imagem de marca, com uma gestão mais próxima dos alunos e, consequentemente, mais lesta e eficaz na resolução de problemas. Em vários estados dos EUA a aposta é já no redimensionamento das escolas, depois do reconhecimento que o seu sobredimensionamento potenciava a indisciplina e o insucesso. Em Nova Iorque, por exemplo, a taxa de sucesso destas megaescolas, que atingiam os 4 mil alunos, era de 40%. O mayor decidiu, então, acabar com esses gigantes e criar escolas com um máximo de 400 alunos. Um estudo financiado pela Microsoft (Fundação Bill e Melinda Gates) revelou que o sucesso, nestas novas escolas, subiu para quase 70% e atribuem-no a uma “dimensão mais humana”. Mas os nossos governantes nem precisariam de pedir pareceres a esta fundação, bastaria terem-se munido do mais elementar senso-comum para chegarem à mesma conclusão. Bastaria terem ouvido Conselhos Gerais, Diretores, Associações de Pais, Federação das Associações de Pais, os Conselhos Municipais de Educação, Autarquias e Associações de Alunos para chegarem à mesma conclusão. E nem teriam que pagar!

O afã de promulgar leis com eficácia monetária imediata é tal que o governo tem sido incapaz de reconhecer os custos que essas medidas trarão ao país. E já não falo de custos humanos, que é uma variável que não cabe nas grelhas excel, mas de custos económicos: escolas com alunos menos acompanhados, menos motivados e mais indisciplinados produzem resultados mais negativos. Ou seja, teremos uma população a regredir em termos de formação e, consequentemente, menos apta e menos produtiva no mercado de trabalho.

Digam-me lá agora então, quem merecia levar com o gás pimenta nos olhos.

 

Fátima Inácio Gomes

Braga

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publicado às 11:34


A escola e a educação artística

por Duarte Victor, em 25.01.13

A visão fracionada e especializada do mundo é resultado duma sociedade em que os valores e as emoções não podem interferir no processo de produção. O indivíduo passa a ter uma visão parcial do mundo e portanto uma visão parcial de si mesmo.

A escola tem dificuldade em contrariar esta realidade, os saberes científicos dominam as matérias escolares, separa-se a razão dos sentimentos e das emoções e a sua valorização tradicional na escola levantam algumas questões de carácter pedagógico e formativo que me preocupam como formador e como artista. Na verdade, não há saberes mais ou menos importantes.

A escola, enquanto espaço de socialização estrutural, deve valorizar as artes e conciliar os saberes escolares com as vivências e os afetos, tão importantes para a construção do homem novo.

Podemos imaginar uma escola de cumplicidade, experimentação, desafio e reflexão que desperte o sentido crítico e torne os jovens mais autónomos e intervenientes.

É preciso continuar a questionar os modelos tradicionais de ensino, a função social da escola e encontrar modos plurais alternativos orientados para a formação de públicos culturais.

As artes são um espaço interessante de análise e observação das relações humanas porque privilegiam o diálogo e valorizam as diferenças, daí a importância da sua inclusão efetiva na prática pedagógica, nos diversos graus de ensino, sem que isso constitua um fardo para a escola e para o estado.

Não há reforma do estado sem investimento na educação artística e na cultura.

As pessoas em primeiro lugar.

 

Duarte Victor

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publicado às 10:58


Teatro em economia de escala

por Pedro Brinca, em 24.01.13

Setúbal assistiu recentemente a uma mega produção artística, invulgar nestas paragens. Mega, na escala do próprio concelho, pouco habituado a grandes eventos culturais, sempre prejudicado pela sua proximidade a Lisboa, mas a viver com todos os males da província.

 

Tratou-se do musical “Luísa Todi”, concebido para marcar a reabertura do remodelado Fórum Municipal que ostenta o mesmo nome, em honra da maior cantora lírica portuguesa de todos os tempos, nascida precisamente à beira Sado. O espetáculo não esteve pronto a tempo, mas assinalou agora, e muito bem, mais um aniversário do nascimento da artista.

 

Sobre a componente artística, que se pronuncie quem saiba do assunto, mas pareceu uma solução interessante juntar num mesmo espetáculo o canto lírico, o teatro e a dança. Particularmente feliz soou a junção da música erudita com uma narrativa mais popular, levando a música dita mais séria a um público menos habituado.

 

Mas o principal destaque vai para o facto de se terem reunido em palco artistas oriundos de diferentes companhias da cidade. Numa altura de crise, em que a cultura, como sempre, vai sendo o parente pobre, estas vão disputando algumas migalhas e assistindo à aproximação das nuvens negras que podem prenunciar, nalguns casos, o encerramento por falta de verbas.

 

Os financiamentos estão, geralmente, dependentes da dimensão, do número de produções, da quantidade de pessoas envolvidas na estrutura. A palavra-chave, nos tempos que correm, é escala. E a criação de escala poderia passar por uma união de todas as companhias de teatro de Setúbal numa estrutura única, para mais facilmente reivindicarem apoios e ganharem visibilidade.

 

É verdade que isso significa partilhar o quintal, o que geralmente não é fácil, mas com jeito conseguia-se partilhar apenas isso e deixar o interior das casas como espaço privado. Ou seja, uma estrutura chapéu, que concorreria a fundos e que promoveria o nome de Setúbal como espaço cultural, dividida internamente nas companhias atualmente existentes e que se têm dedicado a objetivos distintos e, portanto, não “concorrenciais”.

 

No novo paradigma económico, seria uma solução inteligente partilhar recursos, como as instalações, os serviços administrativos ou os equipamentos técnicos. Cada um continuava a dedicar-se às suas especificidades, beneficiando das sinergias. Que a Luísa Todi, que conseguiu reunir todos no mesmo palco, possa apadrinhar igualmente esta solução.

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