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O jornalismo está a acabar

por Pedro Brinca, em 04.10.13

O jornalismo é um pilar da democracia, um garante das liberdades e garantias, o suporte do direito constitucional de informar e ser informado. Mas está a acabar. Têm vindo a matá-lo. E os jornalistas têm dado um forte contributo. O mais grave é que parece que ninguém se importa.

 

Todos acompanharam a polémica nestas últimas eleições em torno da cobertura televisiva, que não aconteceu, como consequência de uma imposição da Comissão Nacional de Eleições que decidiu retirar autonomia aos jornalistas para definirem os seus critérios editoriais. E muitos se revoltaram contra as televisões, considerando que é lógico e natural que um organismo público decida o que um órgão de comunicação social deve ou não transmitir.

 

À conta dessa intromissão, as televisões não organizaram debates com os candidatos, o que também seria pouco sensato num país com 308 concelhos, a não ser que, como de costume, se preocupassem apenas com Lisboa e Porto. Mas houve muita imprensa regional que organizou nas suas áreas de intervenção, tentando, porventura, cumprir a determinação da CNE, embora esta pouco se preocupe pelo que se passa fora das duas grandes cidades.

 

Caricato é que a maioria dos candidatos decidiu também impor um modelo de debate, que a maior parte dos organizadores decidiu acatar rapidamente, até porque é muito menos trabalhoso. Informam-se os candidatos sobre os temas a abordar, estes preparam as suas intervenções em casa e depois têm uns minutos para falar sobre cada assunto, debitando os discursos demagógicos que já lhes conhecemos.

Os “moderadores” limitam-se a contar o tempo e a apresentar o candidato seguinte. De debate não tem nada e o resultado é completamente estéril.

 

Mas estas imposições aos jornalistas, que tudo aceitam numa política de ir sobrevivendo sem levantar ondas, há muito que alastram nas redações. São raros já os protagonistas da atualidade, por muito pequenos que sejam em termos de importância e reconhecimento social, que se dispõem a conversar com um jornalista para esclarecimento deste e dos seus leitores. Há muito que impera a tirania dos comunicados e as respostas em monólogo por escrito. Pedem-se umas pequenas declarações sobre um assunto e vem por e-mail um texto de três páginas de discurso vazio e nada esclarecedor.

 

A maior parte das redações vai aceitando e quem se recusa sujeita-se à incompreensão reservada a quem rema contra a maré. Mesmo que se alegue o interesse superior dos leitores e do seu esclarecimento. Mas estes não estão nem aí. Consomem qualquer coisa que se lhes ponha no prato. E, no dia em que desaparecer o último jornalista de uma redação e tudo se limite ao copiar e colar do discurso institucional, parece que ninguém vai dar por nada.

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publicado às 14:59


1 comentário

De Santos José a 05.10.2013 às 21:22

Muitos dos <plumitivos da nossa praça, preferem o "Bem-Bom" do remanso das Redacções irem à procura da noticia. A Agências e os "cumunicados" trazem a papinha toda e para justificar a função uma chamadinha para o amigão e temos a peça... acabada É rápido e justifica a jorna. Pimpão dos Santos

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  • silva

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