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A verdadeira silly season

por Pedro Brinca, em 17.07.13

Confrontado com a demissão de um ministro, que é também o líder de um dos partidos da coligação governamental, o Presidente da República foi colocado perante duas hipóteses, e só a ele cabia decidir. Ou aceitava a proposta de remodelação do Governo apresentada pelo primeiro-ministro ou convocava eleições antecipadas imediatas. Mas não decidiu por nenhuma. Simplesmente adiou o problema.


O Presidente decidiu então solicitar um compromisso de salvação nacional entre três partidos e convocar eleições antecipadas para daqui a um ano. A decisão de dissolver a Assembleia deve ser tomada como medida excecional, quando o Presidente entende que não estão reunidas as condições para a governação. Cavaco considera que agora existem condições para este Governo se manter mas já adivinha que daqui a um ano não existirão.


Ao anunciar eleições para 2014, abre oficialmente a campanha eleitoral, a que, no fundo, já se vinha a assistir. Neste cenário, o PS está impossibilitado de assumir um compromisso com o PSD pois tem que aproveitar os próximos meses para conquistar votos, demarcando-se, naturalmente, das decisões do Governo. Por seu lado, o PSD sabe que tudo o que fizer no próximo ano de nada servirá, pois o tempo não chegará para se redimir da imagem negativa entretanto criada, pelo que só poderá esperar a derrota, numas eleições que o Presidente pretende oferecer aos socialistas como recompensa pelo compromisso solicitado.


O CDS, com doze por cento dos votos, é curiosamente considerado como parte integrante do arco da governabilidade, afinal porque se sabe que PS e PSD alternarão entre si no poder, mas os centristas terão sempre lugar garantido no Governo desde que não existam maiorias absolutas. E assim, apesar da sua reduzida expressão eleitoral, este é o partido com mais poder porque apenas ele está disposto a garantir as condições de governação a PS e PSD, utilizando esse argumento para fazer chantagem sobre o partido que ganhar as eleições.


Mergulhado em plena crise económica, o país tem um insólito cenário político. Um Governo a prazo, obrigado a um acordo com o maior partido da oposição, que por sua vez não tem interesse nenhum nisso, e manietado por um pequeno partido que pode decidir o futuro deste e dos governos seguintes.


Este Governo tem um ministro demissionário em funções, outro que sabe estar na lista dos dispensáveis e uma ministra que é contestada desde o primeiro dia no cargo e que tem que reunir no Conselho de Ministros com um colega que disse que não governaria com ela. É aparentemente chefiado por um primeiro-ministro que foi desautorizado pelo Presidente da República, que simplesmente ignorou a sua proposta de remodelação do Executivo.


Entretanto, há uma moção de censura ao Governo e o Presidente vai de passeio às Ilhas Selvagens. Está tudo louco…

 

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publicado às 17:27





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