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O património da língua portuguesa

por Pedro Brinca, em 15.05.13

“A língua é a nossa pátria”, disse Fernando Pessoa. Porque é na língua que nos conhecemos, que conhecemos o mundo e que nos damos a conhecer. É com ela que crescemos, que pensamos e sonhamos. Mas, como acontece com tudo o que damos por adquirido, raramente temos a perceção da sua importância.

 

Timor-Leste escolheu como línguas oficiais o tétum e o português. Esta segunda, como decisão essencialmente política, eventualmente resultante também do afeto, mas após ter sido ponderada também a hipótese do inglês. Hoje, apesar de tudo, comunica-se melhor em inglês no país do que em português. Os mais velhos ainda recordam a língua portuguesa, mas quem tenha menos de quarenta anos fala tétum ou bahasa indonésio.

 

O tétum é uma língua primitiva, muito limitada de vocábulos, razão pela qual se apropriou de muitas palavras portuguesas e indonésias. E é incrível, naquela realidade, constatar a mais-valia de ter crescido com uma língua tão rica como o português, com tantas subtilezas, com todos gradientes, tantos sinónimos que parecem dizer o mesmo mas que sabemos aplicar diferenciadamente a cada situação.

 

Para expressar um sentimento de agrado, os timorenses quase só podem recorrer à expressão contente, quando os falantes de português podem dizer também alegre, feliz, satisfeito, animado, encantado, fascinado, deslumbrado, maravilhado, entusiasmado, arrebatado, extasiado, eufórico, entre muitas outras, todas com nuances diferentes, difíceis de explicar, mas que todos entendemos bem.

 

Porque é na nossa língua que pensamos, pode-se concluir que quanto mais rico é o vocabulário, mais completas e diversificadas são também as nossas emoções, pois não se consegue sentir aquilo que não se sabe definir. Sim, por isso somos por vezes tão complicados, mas é por essa razão também que somos um país de poetas.

 

A língua portuguesa é um património a que mal damos valor, mas alguns timorenses já perceberam que pode ser estruturante para o desenvolvimento desse país. A riqueza e complexidade do vocabulário pode ser um estímulo intelectual importante, tornando-a porventura mais válida até do ponto de vista estratégico do que o valor utilitário da língua inglesa. Não será por acaso que a Indonésia, que utiliza cerca de três mil palavras portuguesas, quer aderir à CPLP, Comunidade do Países de Língua Portuguesa.

 

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publicado às 11:59





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