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Logo vai haver uma função pública

por Fátima Inácio Gomes, em 03.05.13

 O primeiro-ministro vai fazer uma comunicação ao país. Toda a comunicação social dá já conta dos cortes previstos na função pública. O resto do país respira de alívio. Ainda bem que é só com eles. Aliás, justamente. Eles são pagos pelo Estado, é neles que se tem andado a gastar “acima das possibilidades”. Gente que trabalha pouco, menos horas do que no privado – mas por que ninguém fala dos acordos de empresa? Gente que ganha muito… estão a falar de quem, exatamente? Quem entra na comparação?

 

O país, certamente, respirará de alívio a partir de logo à noite. Tudo vai começar a melhorar, agora. A riqueza vai crescer. Os funcionários públicos não são pais, nem mães, nem filhos de ninguém. Não comem, não bebem, não se vestem, não vão às compras. Não produzem nem geram riqueza. Fazem falta realmente a quem?... Importa, sim, que o Governo cuide dos pais e das mães e dos filhos que há neste país e para isso não deve gastar no funcionalismo público o dinheiro tão necessário para que o país prospere. Os funcionários públicos – aqueles que garantem o funcionamento do Estado, o mesmo Estado que tem andado a financiar largamente grupos privados onde os funcionários públicos não têm participação – dão uma despesona! Os reformados também. Presente envenenado, este, do aumento da esperança de vida! Morressem as pessoas mais cedo e não haveria uma despesa tão grande. Aliás, há aqui um contraciclo qualquer: anda-se a desperdiçar dinheiro nos hospitais, garantindo às pessoas maior esperança de vida, para depois ainda se ter que gastar mais dinheiro, pagando-lhes por elas estarem vivas. Mau negócio, este. Vejo já grelhas excel a fumegar. Mas o primeiro-ministro é magnânimo e falará com candura, convencendo que, de facto, o esbanjamento está a ser contido. E muitos repetirão o seu discurso: é uma despesona manter os funcionários públicos! Esquecerá, certamente, ele e os outros, o compadrio com os privados, as swap conhecidas e por conhecer, a nacionalização das dívidas de bancos privados, deixando os ativos para os acionistas amigos, que mudam de nome (a Sociedade Lusa de Negócios, detentora do BPN, é a rentável Galilei, confirmando que, de facto, é o Estado que se move… a favor do grupo). E falará do aumento da idade da reforma a par das medidas de incentivo ao emprego jovem.

 

Esta noite, o país começará a respirar. Parte do país, o que trabalha, ficará aliviado por ver que os esbanjadores dos dinheiros públicos estão a ser sancionados. Os funcionários públicos, esses, já nem respiram, temendo que também lhes peçam contas pelo ar que usurpam aos outros. E os reformados pode ser que deixem de respirar, a bem da nação. O Governo, enfim, respirará melhor, depois de ter colocado uns contra os outros.

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publicado às 16:16





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