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Semana do Cinema Português em Rabat, 2ª Edição

por Raúl Braga Pires, em 18.04.13

Decorre esta semana, de 14 a 19 d’Abril, a Semana do Cinema Português em Rabat, organizado p’lo Camões Portugal (ex-Instítuto Camões), o qual decorre no Cinema 7ème Art, bem no centro da cidade.

 

Aceder ao programa em http://ambportugalrabat.org/docs/Programme_Cinema_2013.pdf

 

Ontem, 2ª-feira, vi “A Republica di Mininus”, do bissau-guineense Flora Gomes, filmado no Maputo, o que, por defeito profissional, me transporta d’imediato para a actual realidade destes 2 países lusófonos.

 

Na República da Guiné-Bissau (RGB), como certamente saberão, o Contra-Almirante Bubo Na Tchuto foi detido p’la norte-americana DEA, acusado de tráfico de droga. Negociava 4 toneladas de cocaína, com agentes dessa polícia que se faziam passar por membros das colombianas FARC, sendo o pagamento efectuado com armamento legitimamente comprado p’lo Estado guineense, o que incluia misseis terra-ar, por exemplo. Esta detenção e os detalhes que publicamente se vão sabendo, está certamente a provocar um terramoto político e militar na RGB, já que começa a envolver os nomes das principais figuras do Estado.

 

Há também rumores de que uma força militar americana estará pronta a entrar na RGB por terra, mar e ar, sobretudo a partir da Guiné-Conakry, com o intuito de deter todos os envolvidos nestes negócios, independentemente da sua posição social, ou posto militar, os quais levaram a RGB a ser classificada como um narco-Estado p’las Nações Unidas.

 

Informação adicional e que deve ser levada em conta neste pacote regional, única forma d’entender o fenómeno, é o facto de Karim Wade, o filho do ex-Presidente do Senegal Abdoulaye Wade, ter sido detido ontem, 2ª-feira, dia 15, em Dakar. Ministro d’Estado para a Cooperação Internacional, para o Desenvolvimento Regional, dos Transportes Aéreos e Infraestruturas entre Maio de 2009 e Abril de 2012, tornou-se no senegalês mais rico de todos, com uma fortuna avaliada em mil milhões d’€uros! “África, Mãe-África”, já dizia o Carlos “Filinto Botelho”!

 

Quanto a Moçambique, tem havido uma crescente tensão na região do Muxungue, uns 100 Km a sudoeste da cidade da Beira, Sofala. De forma telegráfica, há cerca de duas semanas, após a polícia ter detido alguns membros da RENAMO, esta procede a um ataque à esquadra da polícia para libertar os seus camaradas, do qual resultaram 4 polícias mortos e vários feridos. Passou depois a haver ataques sistemáticos nas estadas da região, por parte d’indivíduos envergando uniformes da RENAMO, segundo testemunhas locais, com roubos e mais mortos à mistura.

Afonso Dhlakama, o eterno líder da RENAMO, assume que o ataque à esquadra de polícia aconteceu sob suas ordens, mas demarca-se dos posteriores acontecimentos violentos na estrada. Também disse que não quer voltar à guerra, mas que não tolerará ataques aos seus homens, bem como ameaçou não permitir a realização d’eleições autárquicas em Novembro.

 

 

Devo dizer que a cada ano eleitoral no Moçambique, este tipo d’atitude e de discurso por parte de Dhlakama é habitual, sendo que se trata dum dramatizar para consumo interno do partido e conseguir assim manter-se na liderança deste. Isso foi bem patente quando a partir de 2005 o vox populi foi no sentido dum Daviz Simango herdeiro de Dhlakama à frente dos destinos do Partido, fruto do excelente trabalho que o primeiro estava a desempenhar como Edil da cidade da Beira, ganhando inclusivamente em 2006 o prémio do Melhor Presidente de Município Moçambicano, p’la revista sul-africana Professional Management Review-Africa.


Desiludido com as cascas de banana que Dhlakama lhe foi colocando p’lo caminho, aproveita uma vaga de fundo que começa a existir no seio duma RENAMO que não vê futuro com o ainda Presidente do Partido, concorre como independente nas Autárquicas de Novembro de 2008 e reganha a Beira “sózinho”, com 61,6% dos votos. Em Março de 2009, apresenta o seu novo Partido, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM).

 

Precisamente no decorrer desta situação de há duas semanas no Muxungue, sedes da RENAMO e do MDM têm sido atacadas e destruidas, nesta localidade e em Gondola, supostamente por militantes da FRELIMO, pelo que o ambiente é de tensão e desconfiança.

Saudades do Moçambique e da Guiné-Bissau, onde as coisas acontecem!

 

 

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publicado às 12:56





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