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Águas de abril

por Duarte Victor, em 05.04.13

Esta primavera envergonhada, que teima em não aparecer, mantem o choro copioso de águas que nos lavam os olhos secos de raiva e desilusão, adensam rios e ribeiras que na sua força e tenacidade isolam populações, cortam caminhos, adiam sementeiras mas não afogam a dignidade e a esperança. São águas premonitórias que trazem vida e regeneração, vêm para nos lavar a alma e purificar o coração.

Os habitantes de Reguengo do Alviela (Santarém) e de Palhota (Cartaxo) que toda a vida assistiram ao galgar das águas nas margens do Tejo sabem, melhor que ninguém, que as contrariedades contornam-se com tempo e serenidade. Respeitam a força da natureza mas não se amedrontam com as cheias e enxurradas ou não fossem eles filhos dos homens que nunca foram meninos.

E vem o Inverno. São as cheias, a fome, o frio, o desemprego. (…) As cheias cobriam de água os olhos dos camponeses. Perdidas as margens, o rio fez-se mar, mar de aflições. (…) in Esteiros, Soeiro P. Gomes. Estes já não são os tempos destes “invernos”.

Tudo isto a propósito de uma reportagem num dos telejornais que, para enfatizar os acontecimentos, apresentava-nos o repórter espantado com a serenidade das gentes que continuavam o seu dia-a-dia, com água pela cintura ou circulavam de barco entrando nas suas casas por escadas ou por outros meios improvisados. "Quando há cheias de grande dimensão é a primeira localidade do concelho de Santarém a ficar isolada, as pessoas já estão habituadas a esta situação", explicou o presidente da Junta de Freguesia de S. Vicente do Paúl, a que pertence Reguengo do Alviela. O que parecia uma tragédia até serviu de ironia quando se referiu à localidade, em tempos de cheias, como a Veneza do Tejo.

O Isolamento que viveram nas suas terras tornadas ilhas, nestes últimos dias, não os privou de quase nada. As entreajudas nestas populações e o precioso apoio dos bombeiros, deram-lhes a tranquilidade e a certeza de sobreviver às contrariedades. É assim desde sempre.

Este devia ser o tema central da reportagem porque, à semelhança do que se passa no resto do país, as pessoas” comuns” só são notícia nas “tempestades” e ignoradas nas “bonanças”. Quem quer saber desta gente quando abrem sulcos na terra ou se fazem ao rio em frágeis embarcações à procura do sustento e a mãe natureza não lhes dá o suficiente?

Em épocas de “mar revolto” a solidariedade é o seu porto de abrigo.

Ser solidário neste tempo é, antes de mais, estar atento a tudo o que nos rodeia, numa atitude interessada e interativa. Escutar os apelos dos que estão em dificuldades. É estar próximo não para ver melhor o que já se conhece, mas para tornar mais eficaz a ação que se impõe. É partilhar o que se é, o que se sabe e o que se tem. In Como podemos ser solidários em tempos de crise? IPS, Eugénio Fonseca, Presidente da Cáritas Portuguesa.

As águas de abril abrem-nos um mar de possibilidades se ouvirmos e aprendermos com quem nelas sabe navegar. Só há democracia se formos solidários, haja vontade e competência.

Duarte Victor

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publicado às 10:43


1 comentário

De truk a 05.04.2013 às 12:27

RELVAS

só mais isto
:
dura lhe saiu
a licenciatura
de ministro

a
licenciaDURA

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  • silva

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