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O corporativismo da classe médica

por Pedro Brinca, em 04.04.13

Um utente desloca-se ao Hospital de S. Bernardo, em Setúbal, para uma consulta do viajante previamente marcada. Das oito horas da manhã até às onze, espera praticamente sozinho numa sala para ser atendido. Chamado para a consulta aguarda perto de meia hora enquanto o médico vai manuseando o rato e olhando para o ecrã do computador.

 

A consulta propriamente dita demorou uns cinco minutos e consistiu apenas no assinalar de umas cruzinhas num papel com algumas prescrições de profilaxia. Apenas duas perguntas: a profissão e se usava óculos. O médico quase não olhou para o utente, não viu se este era alto, gordo, careca, zarolho, coxo ou maneta. Despachou-o.

 

O utente, insatisfeito, preenche uma reclamação no livro amarelo. Qual não é o seu espanto quando, passados uns meses, recebe uma resposta do próprio hospital a garantir que o médico tinha procedido corretamente e de acordo com o protocolo estipulado. A autora da resposta ainda se dá ao direito de ser irónica e referir, entre outras pérolas, que o computador é um “meio indispensável e obrigatório”.

 

Nova reclamação, desta vez por correio eletrónico, mas agora para lamentar o teor da resposta dada pela adjunta da direção médica, considerando o utente que mereceria outra atenção e outro respeito. Pior do que ter-se sentido mal atendido num serviço médico era sentir-se agora gozado na sequência da sua reclamação.

 

A nova resposta não veio por escrito. Apenas um telefonema do diretor clínico, exaltado, a dizer que não admitia que se pusesse em causa a competência dos seus profissionais. E com ameaças veladas, a garantir que era melhor o utente não voltar àqueles serviços nem passar junto a ele porque poderia não responder pelos atos.

 

E agora pergunta-se, há ainda classes impunes neste país? Para além dos banqueiros, é certo. Não deviam os médicos praticar atos médicos e não meramente administrativos, uma vez que não resultando de nenhum exame, qualquer outro profissional o poderia ter feito? É correto pagar um ordenado de médico a um médico apenas para este assinalar cruzinhas num papel?

 

Isto já para não falar do respeito devido ao contribuinte. Respeito que não devia permitir que este tivesse que esperar três horas sem nenhuma razão aparente nem uma única explicação. Respeito porque este deveria ser informado porque estava sentado perante um médico enquanto este fazia cliques com o rato do computador, sabe-se lá com que propósito. Respeito porque este merecia ser consultado e ver ser prescrita uma profilaxia apropriada, o que implicaria pelo menos um olhar do médico, já para não falar de uma auscultação ou de uma observação mais cuidada.

 

Bom, e o que dizer de um diretor clínico que faz ameaças físicas a um utente?

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publicado às 10:42


2 comentários

De Ana a 04.04.2013 às 12:34

É vergonhoso e certamente que quase todos nós já fomos atendidos assim por um qualquer membro dessa classe de elite. A humanidade e humildade não se ensinam no curso superior, pelo contrário incita-se à superioridade dessa nobre profissão. Exemplo simples, recordo amigos, ainda alunos de medicina, em que os professores lhes explicavam que o médico de família podia recorrer a massagens numa bolinha anti-stress enquanto ouviam as maleitas dos pacientes. Para assim se entreter a passar o tempo.

De Antonio Raposo a 04.04.2013 às 12:59

Acredito que se tenha passado dessa forma, a mim também já aconteceram situações desse tipo e não só no SNS mas também numa determinada conservatória do registo civil, no concelho onde resido (Marvão), onde a Sra. que lá se encontra em funções não tem competência para o cargo que desempenha. É para isto que continuamos a pagar mais impostos??
E digo mais, o veterinário que verifica acompanha os meus animais é mais atencioso com estes do que muitos médicos por este país fora. Tenho dito.

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