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O Erro Grave Da Relativização

por Paulo Guinote, em 04.03.13

Percebi que a estratégia de spin do Governo em relação à manifestação de 2 de Março passa por relativizar a questão da participação e dos participantes, alegando que foram poucos e quase todos “de Esquerda” e da radical.

Esta estratégia, que aposta numa sobranceria paternalista destinada a desdramatizar, contém uma ideia interessante (não entrar em confronto com os manifestantes, pelo menos ao nível das figuras de primeira linha do Governo e do actual aparelho do PSD) mas três erros de palmatória, a saber.

  • Foram “poucos” – esta ideia, apoiada em novos métodos de contabilidade de cabeças por metro quadrado, inaugurada em finais de Sócrates, é curiosa porque me lembra aquele colega de curso que achava possível fazer análises demográficas usando numeramentos, censos e recenseamentos como se tudo usasse a mesma unidade de medida. Antes era a “olhómetro” e agora é “científico”, mas vale tudo o mesmo e agora há menos gente nas ruas do que antes, baseando-se num estratagema “técnico” como aquele que limpa desempregados das listas do IEFP para fingir que afinal há menos desemprego do que há. Se vão fingir que não se passou nada de relevante, um destes dias nem brioches terão.
  • Ser uma “manifestação de Esquerda” e da chamada “esquerda radical” – ó meus amiguinhos, se, com todas as relativizações numéricas e demissões activas de participação na manif por parte do PS e do PCP, aquela malta é toda do Bloco e à sua esquerda (estavam lá os dissidentes do MAS, é bem certo), vocês estão com um enorme problema nas mãos… Porque se apenas o Bloco consegue meter esta gente toda na rua, sem qualquer aparato organizacional e de transportes comparável ao que os sindicatos ou os partidos conseguem mobilizar, isto é muita, muita gente. A verdade é que não estava lá apenas gente da “esquerda radical” e ainda para mais existiu desconcentração de iniciativas, com várias na zona que normalmente leva pessoas até à de Lisboa (Setúbal, Caldas, Leiria, Évora, etc), pelo que se fosse a vocês pensava duas vezes antes de atirarem a coisa para cima da “esquerda radical” como se isso fosse ofensa quando muitos de vocês por lá andarem quando não conseguiam colocar na rua nem uns milhares de gatos pingados, apesar do elevado rácio de futuros ministros, directores de jornais, embaixadores e juízes, entre outros cargos de muito relevo institucional.
  • Andavam por lá pessoas com um currículo profissional e político pouco recomendável – esta é a parte em que começam a apontar o dedo a este ou aquele que aparece nesta grandolada ou naquele palanque. Mas, meus caros, vocês já olharam bem para o vosso governo? Para o que fizeram, ao longo da vida, alguns dos ministros de maior responsabilidade política e nem falo apenas do equivalente Relvas? Querem mesmo que se vá transcrever tudo aquilo que escreveram quer o Paulo Portas já adulto (o mesmo que agora anda a pacificar os angolanos que há 2-4 anos criticava por serem parceiros do engenheiro), quer o ministro Álvaro sobre economia e finanças nos seus livros e desmitos, isto para não falar da completa ausência de currículo profissional autónomo do próprio PM?

Mas há sempre este caminho da relativização… da tentativa de colocação de rótulos para apoucar e desvalorizar, para assustar @s traumatizad@s do PREC com o papão “da esquerda radical” no que têm todo o apoio da troika  Seguro, Costa & Assis, os três balões de vento do PS, que só querem sossego a ver se a mama chega, segura, em 2015.

 

Quanto ao PCP, colocou-se na expectativa… não apareceu de caras, embora o camarada Arménio estivesse logo ali no início, estrategicamente na Fontes Pereira de Melo antes do início oficial da manif de Lisboa, a falar para as câmaras, sem que o tenha visto desfilar depois; mas como era muita gente, até pode ter passado perto de mim de bandeira na mão. O PCP quer a erosão do poder por via das massas, mas as suas massas e não querendo o insucesso da iniciativa da sociedade civil, também não gostaria de ver a “esquerda radical” tomar o controle das ruas… algo que desde 15 de Março de 2012 corre o risco de acontecer…

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publicado às 11:02


1 comentário

De silva a 09.03.2013 às 23:26

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