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O direito à felicidade

por Pedro Brinca, em 26.02.13

Algumas distintas personalidades nacionais, pouco preocupadas com a crise, a austeridade, o desemprego, a injustiça social e outros temas da atualidade, decidiram trazer de novo para a agenda a questão do aborto e do casamento homossexual.

 

Aliás, vão mais longe ao considerar que “as alterações legislativas” nestas matérias “contribuem para a atual crise económica e social”, uma vez que destroem os "pilares estruturantes da sociedade". Não foi a Lehman Brothers nem o BPN, não foram as PPP’s ou a conjuntura internacional, não foi pelas medidas de austeridade nem pelo despesismo público. O estado a que chegámos foi por causa do aborto e dos homossexuais, talvez como se um castigo divino se abatesse sobre nós.

 

Entre essas ilustres personalidades que diagnosticaram a fonte dos problemas do país está Bagão Felix, homem que nos habituou às suas leituras serenas da atualidade, depois de ter sido ministro dos governos de Durão Barroso e Pedro Santana Lopes. Mas isso foi antes de descobrir que a crise não era de origem económica.

 

O médico Gentil Martins defende a revogação da lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo por considerar que “a homossexualidade é uma anomalia”. Isto, dito assim, por alguém que ficou celebrizado pelas várias operações de separação de gémeos siameses que liderou ainda soa mais estranho. Importava, por isso, definir muito bem o que é uma anomalia.

 

A natureza, aliás, está repleta delas e o ser humano é um bom exemplo. Há quem nasça com deficiências físicas ou mentais, quem simplesmente cresça pouco ou cresça muito, quem padeça de doença congénita ou contraia uma ao longo da vida. Diz o dicionário que anomalia é uma “particularidade ou condição do que é fora do comum”.

 

Assumindo, então, que a homossexualidade até possa ser uma “anomalia”, porque fora do comum, por que razão não terão estas pessoas o direito à felicidade? Ou ainda, por que será que algumas pessoas se incomodam tanto com a felicidade dos outros? Desde que esta não implique prejuízo para ninguém, o que já não se pode dizer da felicidade dos milionários que vivem do sacrifício dos outros.

 

Está aqui patente uma clara aversão à diferença. A mesma que levou Hitler a criar os campos de extermínio, com a nobre intenção de expurgar a raça humana do que era anómalo, para bem desta. E, na verdade, os homossexuais já estavam na altura na sua lista.

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publicado às 13:17





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