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Da Narrativa Oficial Sobre os Cortes

por Paulo Guinote, em 15.02.13

Depois de uma redução absolutamente draconiana da despesa no sector da Educação, anunciam-se mais 900 milhões de cortes para 2013-14, A narrativa oficial emanada dos gabinetes governamentais é a de que se gasta muito e mais do que as nossas possibilidades financeiras permitem e que o peso maior da despesa é com encargos “sociais” e com “pessoal” ou “salários”.

 

Destas premissas decorre que os cortes devem incidir nessas parcelas da despesa. Parece elementar e satisfaz os camiloslourenços que ecoam a narrativa oficial para a opinião pública, quais justiceiros anti-privilégios, nas páginas da “imprensa especializada”, enquanto outros gurus da situação (Bento, Borges) se dedicam a lamentar as falhas de comunicação do governo, que acham inábil na inculcação da “mensagem certa” e da transmissão da “inevitabilidade” das medidas.

 

A informação com que se polvilham as redacções é seleccionada, amputada, retorcida, de forma a comprovar a dita narrativa e parte do pressuposto que os “indicadores” são aceites com escassa ou nula crítica como bons, fiáveis e actualizados. A quem se opõe a isso tenta descredibilizar-se com o estribilho dos “interesses instalados” ou “corporativos” que tenebrosamente estarão a prejudicar o “interesse nacional”… Como se houvesse corporação mais forte do que a de um punhado de banqueiros.

 

Assume-se ainda que, pelo meio do “ruído” comunicacional, a injecção de mais 1000 milhões de euros no BPN, os prejuízos na CGD e nos intervencionados BCP e Banif passem como encargos legítimos e não um peso brutal na despesa, enquanto se protesta com aparente indignação contra quem acha que cortar 900 milhões na Educação é trágico para o presente e o futuro do país. Tudo isto combina o despudor típico da aldrabice factual com uma inaudita impermeabilidade moral e ética em relação a qualquer tipo de acusação e demonstração de más práticas, tropelias e falsidades variadas.

 

A “narrativa” exige tranquilidade e uma postura não conflitual na superfície, um estilo “português suave” de baixa nicotina. Aposta-se na não crispação, na ausência de reacção imediata, na anuência quanto à necessidade de corrigir dados que nunca acabam por o ser. Como aconteceu com o relatório do FMI que alguns já querem fazer renascer como uma “ferramenta útil”, depois de trucidado na primeira vaga da sua apresentação.

 

Após uma curta retirada estratégica, eis que os dados e propostas renascem como “válidas” na pena e prosa de “especialistas”, os mesmos que de forma recorrente sabem qual a salvação, mas nunca a praticaram. Em particular quando foram ministros, secretários de Estado, assessores, consultores. Os Borges e Gaspares de ontem. Todos apostam na nossa fraca memória, tomando como geral a maleabilidade e volubilidade das suas próprias convicções.

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publicado às 11:24





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