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"Vem ser um gordo da GNR"*

por Pedro Brinca, em 14.02.13

Há três semanas, uma reportagem do Público dava conta da nova imagem da PSP, em termos de comunicação exterior. Como exemplo, era apresentado o caso da página de Facebook da polícia, que cruza “formalidade e humor” numa política de proximidade da instituição com os cidadãos.

 

Paulo Ornelas Flor, diretor do Gabinete de Imprensa e Relações Públicas da PSP, explica, nessa reportagem, que se trata de uma forma de humanizar a instituição que tenta “libertar-se do estigma de que as forças de segurança só existem para reprimir”. E garante que a instituição está mais jovem e que já se ri, querendo cortar em definitivo com a imagem do “velho polícia barrigudo, de bigode e com aquele ar austero”.

 

Infelizmente, parece que não é isso que acontece na GNR (Guarda Nacional Republicana). No fim-de-semana que antecedeu o Natal passado, um militar desta corporação colocou-se em plena via de rodagem da A12 e mandou encostar uma viatura que seguia em andamento. Ao mesmo tempo que a viatura encostava à berma, o referido guarda recolheu a uma das duas carrinhas da GNR que estavam paradas na berma e durante alguns minutos nada se passou.

 

Incrédulo, o condutor da viatura que aguardava uma explicação parado na berma da autoestrada, vinte metros à frente das duas carrinhas da guarda, viu uma colocar-se em marcha e partir. Passado pouco tempo, a outra avançou igualmente, não sem que antes tivesse ficado anotada a sua matrícula.

 

Depois das festas foi apresentada uma reclamação ao Comando Territorial de Setúbal da GNR com o relato destes insólitos factos. Um mês depois a resposta é o contrário de tudo aquilo que se deve fazer a nível de comunicação e em termos de respeito pelo cidadão, uma vez que o comandante desta força se limita a chamar de mentiroso ao queixoso.

 

Na missiva enviada pelo senhor comandante, este começa por dizer que aquele “comando valoriza as declarações por referência ao princípio da confiança nos cidadãos porém, a versão dos militares intervenientes merecem-nos, até prova em contrário, idêntica confiança". Outra coisa não seria de esperar quando existem duas versões em contradição e até se compreenderia uma maior confiança na palavra dos militares do que na de um simples cidadão.

 

Mas o referido comandante termina a carta concluindo taxativamente que "nenhum militar executou sinal de paragem em plena via". Ora, o senhor coronel consegue tirar conclusões a partir de testemunhos verbais, armando-se em juiz, quando nenhum magistrado tomaria a responsabilidade por tal veredicto por falta de provas que verificassem a acusação.

 

E aquilo que seria um ato de cidadania, de denúncia de um comportamento incorreto com vista à sua monitorização e eventual correção, resulta numa atitude de prepotência perante o cidadão, considerado aqui um ser inferior e sem direitos. O corporativismo continua a valer mais e o distanciamento em relação ao cidadão que deve proteger torna-se cada vez maior, a fazer lembrar a imagem que a instituição tinha no início dos anos 80 e que os GNR (Grupo Novo Rock) tão bem satirizaram no seu segundo single.

 

Já agora, faltou o senhor comandante garantir que nenhuma viatura parou na berma junto a duas carrinhas da GNR. É que nesse caso ficou por explicar a multa que não foi passada por ser proibido parar nas autoestradas.

 

* do refrão de “Sê um GNR”, música de 1981 dos GNR - Grupo Novo Rock

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publicado às 13:10





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