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Vai daí, o taxista: Que me diz das autárquicas dr?

por Júlio Machado Vaz, em 08.02.13

Vai daí, o taxista,

- Que me diz das autárquicas, dr?

E eu debitei resposta como as tripas, à moda do Porto.

Portuense também era ele, acenou numa concordância triste e nada escandalizada, juntou mais vernáculo ao meu.

As autárquicas… Olho em volta, tendo o cuidado de fazer a mim mesmo declaração de interesses, nostálgico da isenção absoluta, que permanece utópica, graças a Deus e sobretudo à natureza humana. Vou votar Manuel Pizarro. Na realidade vou votar no Manel, ponto. Conheço-o e ao modo como vê a cidade, acho que faria um bom trabalho. E o condicional soa de imediato lúgubre, bom amigo e eleitor lhe saí, pois duvido da vitória a nove meses de distância? É verdade. E para isso nem preciso de invocar sondagens desfavoráveis ou adversários pujantes, basta-me verificar o entusiasmo de velório exibido por alguns dos seus compagnons (?) de route. Quando, com intervalos mais ou menos longos, mergulho nas iniciativas do PS Porto, a minha primeira reacção é de agradecimento. Porque os militantes anónimos sabem que o meu voto é rebelde e, por exemplo, nas duas últimas legislativas, andou arredio e virgem de tão branco. E eles não amuam,  escancaram os braços e escutam-me sem pedras nos sapatos ou nos ouvidos. O  chamado “aparelho” também, alguns dos seus veteranos já fizeram muitos quilómetros comigo, nada me permite duvidar da sua cordialidade.

O problema é outro – afundo-me na cadeira e faço aquilo para que fui treinado; escuto. E o PS continua um vitral colado a cuspo (na melhor das hipóteses). Dos pecados aspergidos sobre o candidato, um toma a dianteira – falta de notoriedade. Lamento típico desta sociedade de pseudo-informação que vive de sound bytes alérgicos a ideias, se não o conhecem como podem votar nele? Para não falar das cicatrizes ainda abertas da política intestina, da luta pela Distrital à ficção científica de Matosinhos, onde parece que o PS tem uma estratégia original – multiplicar os candidatos ad nauseam até o PSD ser obrigado a ganhar a Câmara. Aposto singelo contra dobrado que o Manel se vai sentir um bocado sozinho em muitos momentos da campanha…  

Em verdade vos digo que outros horizontes não parecem menos nublados. De Gaia – e não da Rússia… - com amor chega o meu colega, Dr. Luís Filipe Menezes. O primeiro sobrolho franzido não é pessoal, acredito sinceramente que ele e outros, como o Dr. Fernando Seara, não deveriam poder candidatar-se. Mas como diz  a geração mais nova, a interpretação da Lei não é a minha praia. Da sua visão estratégica sempre me causou engulhos a junção de Porto e Gaia, parece-me derivar de uma lógica de “quanto maior, melhor”, que não partilho. Levando-a à letra, não admira que já tenha ouvido a alguns a ambição de unir toda a junta metropolitana num só burgo. Fiquei mais tranquilo quando uma viagem a Lisboa remeteu para o congelador o casamento entre as duas margens do rio, embora me impressionasse a rapidez da cedência.

Mal sabia eu o que aí vinha… O processo de escolha de candidato à Câmara de Gaia deixou-me boquiaberto. Uma votação não foi conclusiva, outra por voto secreto acabou empatada e o Dr. Luís Filipe Menezes invocou o seu voto de qualidade. Eis o meu cordial vizinho na Cabreira, Dr. José Guilherme Aguiar, entronizado. Confirmei-o ao ouvir o Dr. Rui Gomes da Silva cumprimentá-lo pelo facto na SIC-Notícias, num raro momento de beatífica paz não futebolística entre os dois. Falso alarme, a decisão foi entregue ao Dr. Passos Coelho. Para ser reivindicada de novo até haver fumo branco “à portuguesa” – o candidato será uma terceira pessoa, o independente Carlos Abreu Amorim, o Dr. José Guilherme Aguiar salta para a Assembleia Municipal e o seu opositor, Firmino Pereira, avança como número dois na lista. Confesso que este ritmo decisório alucinante me inquieta. Identifico-me mais com o patriotismo do Dr. Luís Filipe Menezes, ele tem razão – foi preciso ser patriota para ver o Portugal- Equador! E não ouvir quem…?

O Dr. Rui Moreira. Lembro-me de há anos o ter encontrado num restaurante e lhe ter perguntado despudoradamente se avançaria para a corrida, sempre achei que a hipótese lhe agradava. Será agora? Uma candidatura independente, à primeira vista, parece uma boa aposta, os portugueses deitam os partidos chamados do arco do poder pelos olhos e convenhamos que não lhes faltam razões para isso. Construí-la na prática e assegurar-lhe a sustentabilidade é outra coisa, não estranho as cautelas do proto-candidato, seriam as minhas. Além do núcleo mais estimável de eleitores, os que nele votariam  em qualquer cenário, o Dr. Rui Moreira contaria com o apoio do CDS, que mais uma vez foi capaz de um extraordinário número de contorcionismo político para conseguir apoiar o Dr. Fernando Seara em Lisboa e pudicamente não o fazer ao Dr. Menezes no Porto. Um outro grupo de apoiantes poderá revelar-se mais problemático em termos de imagem - seria mau para o candidato surgir como a solução encontrada pelo Dr. Rui Rio para travar o seu “amigável inimigo” de Gaia, para empregar a expressão que Rommel utilizava quando se referia a Montgomery nos desertos do Norte de África. (E seria um optimismo dizer que este longo arrufo, bem pouco secreto, só diz respeito ao PSD, os estilhaços atingem o Norte no seu todo.) Pensei nisso ao invejar, travado em casa pela rinite alérgica, a visita em conjunto de Rui Rio e Rui Moreira à Essência do Vinho. Encontrar a distância pública ideal entre ambos não será fácil…

Les jeux ne sont pas encore faits, mas o panorama não é animador. Agora que pensei melhor e não reagi a quente, receio que em face do

mesmo taxista e da mesma pergunta, a minha resposta seja (quase) a mesma – um vernáculo meditado :(

 

Júlio Machado Vaz

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publicado às 16:29





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