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Da Falta De Educação ou de… Vergonha?

por Paulo Guinote, em 08.02.13

Annette Schavan, ministra alemã da Educação e mentora das nossas medidas de Ensino Vocacional, aquela que convocou o nosso ministro da Educação, entre outros de países menores e periféricos, para reuniões de formação em Berlim sobre o ensino dual/vocacional, perdeu o título de doutora por se ter provado que plagiou parte da sua tese.

É o que diz aqui, na língua nativa de um país onde estas coisas ainda têm consequências. Assim como no site da Universidade em que a dita ministra fez a sua proeza. A coisa merece tradução, pois por cá não é prática habitual:

 

“Após esclarecimentos e  discussão, o C(onselho) C(ientífico) subscreve o exame minucioso da comissão: a dissertação da senhora Schavan tem plágio literal de textos em quantidade significativa (sem menção de autor). A quantidade e a forma como foram utilizados “ipsis verbis”, a não indicação das obras/ dos artigos em notas de rodapé ou nas fontes bibliográficas resultam, no entender do CC, uma ideia global: a doutoranda disseminou, de forma sistemática e deliberada, pensamentos/ideias que na realidade não eram seus/suas. A senhora Schavan não conseguiu “remover esta imagem”. A faculdade constata a fraude por plágio intencional. Esta decisão foi tomada com 13 votos a favor e 2 abstenções.

(…)

Em exercício de discricionariedade conferida pelo estatuto de doutoramento, o CC decidiu, em escrutínio secreto, declarar a dissertação da senhora Schavan “inválida” e “retirar-lhe” o grau de doutoramento.”

 

Por cá temos quem chegue a ministro porque ajudou a produzir “primeiros” ou quem graça faça vista grossa por saber o que traz na sua própria bagagem. Quem passe a outrem atestados de uma idoneidade que não tem para si próprio. Quem embeleze ou ampute currículos a gosto e tudo passe como sendo quase natural.

Para não recordarmos aquele caso da dominical licenciatura que os que estão combinaram não explorar em campanha, já se tendo percebido á saciedade porquê.

Quando a sociedade perde referenciais, modelos a seguir, a Educação torna-se dispensável, pois os mais qualificados devem viver em mobilidade, geográfica ou especial, enquanto imóveis ficam certas elites que se comprazem em exibir a sua escassez de pergaminhos académicos.

Raramente chegaram onde chegaram com base no trampolim social da Educação, valendo muito mais uma carreirinha de jota que um brilhante currículo académico. Aos marrões e armados em génios recomendam os governantes de ocasião que emigrem, porque este não é um país para eles.

Num momento em que se anuncia a importação de modelos externos para a qualificação dos jovens seria bom que se importassem as boas práticas dessas paragens quanto ao escrutínio daquilo que entre nós se tornou uma prática quase corrente: a de exibir o truque, a habilidade e a chico-espertice como sinais de audácia empreendedora e de sucesso.

 

Paulo Guinote

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publicado às 10:40


1 comentário

De Anónimo a 08.02.2013 às 23:54

Só pode ser a versão alemã do esplendor do Relvas...

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  • silva

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